O capitão do cruzeiro italiano Costa Concordia, Francesco Schettino, afirmou nesta quarta-feira que os administradores do navio pediram que se aproximasse do litoral na noite de 13 de janeiro, quando a embarcação encalhou e naufragou, segundo conversas gravadas e que vazaram aos jornais italianos.
O jornal "La Repubblica" publicou trechos de uma conversa entre o capitão Francesco Schettino e uma pessoa identificada apenas como Fabrizio. No diálogo, ele compromete um administrador da Costa Cruzeiros, proprietária do navio.
"Fabri, qualquer outra pessoa no meu lugar não seria tão escrupulosa em ir para lá porque eles estavam me pressionando, dizendo vá até lá, vá até lá", disse Schettinno na conversa.
"A rocha estava lá, mas não aparecia nos instrumentos que eu tinha e eu fui até lá para satisfazer o administrador, vá até lá, vá até lá", afirmou.
A conversa aparentemente foi gravada sem o conhecimento de Schettino, enquanto ele era mantido sob custódia após o acidente, e foi postada no site do "La Repubblica". Uma fonte do gabinete da promotoria disse que a transcrição era genuína.
18.jan.12/Reuters
Capitão Francesco Schettino, na sala de comando do navio; capitão diz que empresa pediu aproximação ao litoral
RESGATE
As equipes de socorro reiniciaram as buscas no interior do cruzeiro Costa Concordia nesta quarta-feira, depois de uma interrupção das operações por causa do mau tempo, anunciaram as autoridades italianas. Ao menos 16 morreram e outras 16 pessoas continuam desaparecidas.
As buscas foram retomadas tanto na superfície como na parte submersa do navio, informou Francesca Maffini, porta-voz de Franco Gabrielli, o funcionário do governo italiano nomeado para coordenar toda a complexa operação de resgate.
Na véspera, foram iniciadas as operações preliminares para bombear o combustível que ameaça contaminar a ilha italiana de Giglio.
A equipe técnica da empresa holandesa Smit Salvage, encarregada do bombeamento do combustível, quer estudar todas as possibilidades para extrair de maneira segura as 2.400 toneladas de combustível de dentro dos 23 tanques do navio.
Carlo Ferraro - 24.jan.12/Efe
Empresa inspeciona Costa Concordia para retirada de combustível; tanques têm mais de 2.000 t de diesel
Na segunda-feira à tarde, uma mancha de óleo de cerca de 200 metros por 300 surgiu não muito longe do navio e os especialistas em meio ambiente acreditam que tenha emergido após o naufrágio, trazida pelas correntes marítimas.
Na terça, um barco especial do Ministério do Meio Ambiente lançou boias absorventes em torno da mancha, composta por detergentes e óleo de cozinha e de motor.
Nesse meio tempo, os mergulhadores militares abriram um novo buraco no casco do barco, a cerca de 20 metros de profundidade, e localizaram o 16º corpo na ponte número 3, onde ficava grande parte dos botes salva-vidas. No total 16 pessoas permanecem desaparecidas.
O promotor geral da região considerou nesta terça que a justiça não deve limitar a sua investigação ao capitão Francesco Schettino, e sim se concentrar também nas eventuais responsabilidades da empresa proprietária do transatlântico, a Costa Crociere.
Schettino e seu imediato a bordo, Ciro Ambrosio, são por enquanto as únicas pessoas acusadas do naufrágio. Foram acusados por homicídios múltiplos, naufrágio e abandono de navio, mas não foram indiciados formalmente. O comandante do navio é mantido em prisão domiciliar.
24.jan.12/Associated Press
Equipes da Marinha italiana participam de resgate; 16 passageiros ainda estão desaparecidos em navio
PROMOTORIA
Ontem (23), o chefe da Promotoria do Estado da Toscana, Beniamino Deidda, disse à imprensa italiana que a Justiça italiana deve investigar também a responsabilidade da Costa Cruzeiros, dona do navio Costa Concordia, que naufragou no dia 13, e não só o capitão da embarcação, Francesco Schettino.
"Até o momento, a atenção está, de forma geral, concentrada na responsabilidade do capitão, que se mostrou tragicamente inadequado. Mas quem escolhe o capitão?", questionou Deidda em uma entrevista que deve levantar novas polêmicas no caso do acidente que já deixou 16 mortos e quase duas dezenas de desaparecidos.
Na opinião do promotor os investigadores devem passar a focar também nas decisões tomadas pela dona do navio.
Além da responsabilidade da empresa pela contratação de Schettino, o advogado italiano diz que há outros fatores que devem ser levados em conta pelo inquérito.
Entre as questões estão a preparação da equipe para a emergência. Ele diz que os "barcos de segurança não desceram, a tripulação não sabia o que fazer [e] a péssima preparação para gerenciamento de crise".
Além disso, o promotor classificou como "absurdo" o fato de que ao menos em um registro, um membro da tripulação aparece em um vídeo dizendo aos passageiros para retornarem às cabines e negando que havia uma emergência em curso.
Danilo Bandeira e Ivan Moura/Editoria de arte/Folhapress
Para a planejadora financeira Myrian Lund, quem ganha muito dinheiro de forma inesperada ou muito rápido deve guardar antes de traçar metas."Quando surge uma quantia alta de dinheiro, a primeira coisa a fazer é depositar esse dinheiro em um banco. Além de ter liquidez, você pode pensar por um tempo maior nas metas de curto, médio e longo prazo", disse.
Se a ideia for separar uma parte do dinheiro para aproveitar ou viajar, isso também deve ser feito de forma organizada.
"É possível pegar 10% ou 20% do dinheiro recebido e viajar ou fazer alguma extravagância. O problema é quando a pessoa gasta mais do que deveria com isso", diz Lund.
Planejamento de longo prazo é o segredo
O segredo do sucesso nos investimentos é não pensar apenas no dia seguinte, segundo Sabóia.
“As pessoas precisam ter noção de que o tempo de vida esticou muito nos últimos anos, com os avanços na medicina. O planejamento tem de ser feito visando uma vida muito mais longa do que a de nossos pais e avós”, disse.
A dica vale também para quem quer ter uma vida financeira tranquila na velhice. Sabóia afirma que um jovem que mora com os pais deve tentar economizar pelo menos 50% do salário pensando no futuro.
"Economizar é sempre importante. Não pode sair por aí gastando tudo o que ganha. Quem faz isso terá dificuldades na velhice”, afirmou.
Exportações mais modestas indicam que real não deve voltar a se valorizar com força
A recente valorização do real em relação ao dólar, provocada pela volta dos investidores estrangeiros à Bolsa de Valores e pelo ingresso de recursos de exportadores, deverá ser revertida ao longo do ano, preveem economistas.
Na última semana, a moeda americana voltou ao patamar de R$ 1,76, que não era atingido desde novembro. Isso alimentou rumores de que o governo pode voltar a atuar para evitar uma valorização excessiva do real.
As apostas de economistas, entretanto, são que a moeda americana voltará a recuperar terreno neste ano.
Estimativas do Bradesco indicam que a cotação do dólar sairá de uma média de R$ 1,67 no ano passado para R$ 1,82 neste ano.
Vendas ao exterior crescendo menos ou até em queda colaboram para esse efeito.
Pelas contas da RC Consultores, as exportações brasileiras podem recuar 6,25% neste ano, resultado de um menor crescimento mundial e da queda do preço das matérias-primas.
Parte da valorização do real em 2011 se deve ao bom desempenho da balança comercial brasileira, que terminou o ano com um saldo positivo de quase US$ 30 bilhões.
No ano passado, as exportações cresceram cerca de 27%, impulsionadas pelo aumento dos preços de produtos vendidos ao exterior, como soja e café.
Cálculos do Bradesco indicam que os preços das exportações subiram 23% em 2011, enquanto a quantidade vendida ao exterior cresceu 3%.
Neste ano, a previsão do banco é que os preços das matérias-primas agrícolas caiam 6%, o que levará a um crescimento mais modesto das exportações.
Importações crescendo mais rapidamente, resultado da recuperação interna, deverão derrubar o saldo comercial em 38%, para cerca de US$ 18 bilhões, diz o banco.
O cenário do livro é a Inglaterra pós Segunda Guerra. Um grupo de paz das classes dominantes, temendo um conflito atômico, manda em um avião seus filhos, cerca de 20 meninos, para uma ilha onde podem começar uma nova sociedade. O avião sofre uma pane no meio do caminho e cai. Os dois únicos adultos, o piloto e o professor, morrem, e só ficam os meninos. Em alguns dias, os meninos estão se matando.
Para Dino del Pino, a narrativa trabalha com quatro elementos: o espaço físico (a ilha); o tempo (ambientado durante a Guerra Fria); os personagens (os meninos) e por último as ações, que vão progredindo lentamente até a construção de um duelo entre "civilização e barbárie". Em 1954, época em que o livro foi escrito, a expressão mais utilizada era "natureza e cultura". Esse último é o tema central e tem tudo a ver com a problematização do Direito.
Qual o grau de universalização do Senhor das Moscas para o Direito, pensando no conceito de civilização e barbárie? Para o juiz Ramirez, trata-se do duelo simbólico entre dois personagens centrais do romance, Ralph e Jack. Ralph apresenta o modelo civilizado democrático, enquanto Jack, por questões mais ligadas à força e ao carisma pessoal, representa a falta de estrutura e limites. Este último acaba se legitimando quando propõe aos demais meninos que eles façam o que quiserem fazer. Ralph representa um limite às vontades.
O docente em Letras destaca o processo irônico do livro, onde crianças querem agir como adultos, e acabam provando que os adultos agem como crianças, pois elas reproduzem, no microcosmo da ilha, exatamente alguns modelos políticos. “Quando há um modelo político em que a oposição vai contra a situação e tudo se baseia só nisso, o discurso se esvazia... Por exemplo, no livro, as crianças combinavam de caçar e iam nadar, combinavam de deixar a fogueira acesa e iam brincar... É uma redução de valores”. Na visão do professor, os adultos, a sua maneira, repetem as atitudes infantis, intrinsecamente ligadas à barbárie. O livro traz um modelo dualista, Ralph, o bom menino, pensa em longo prazo. Já Jack, em curto prazo.
Outra ironia apontada por Del Pino no personagem Jack, é que ele é o único que diz: “Nós somos ingleses, somos civilizados, somos o melhor, e no fim, é ele que vai matar dois meninos."
Outra metáfora contida na obra está na morte dos adultos. Se pensarmos que as instituições fazem a intermediação entre o estado e a sociedade, a morte dos adultos é o fim da instituição, de Deus, da moral.
É quando surge a presença de um bicho, o Senhor das Moscas... Para Ramires, a oferenda a esse bicho representa um ritual totêmico com o objetivo de expiação da culpa pela violação à lei do pai, algo bem psicanalítico.
Outra figura importante no livro é a do personagem “Porquinho”. Gordinho, intelectualizado, usava óculos e o único que pensava. “Porquinho é uma figura de Prometeu dentro do livro, pois Prometeu foi das famílias dos titãs, que se opôs a Deus e roubou fogo do céu para trazer aos homens... e o Porquinho no livro é o menino que carrega seus óculos, com os quais eles conseguem acender a fogueira, usando as lentes convexas para focalizar a luz. Ele traz a figura do defensor dos homens que consegue acender a fogueira, e esta irá cozinhar a comida, sinalizar para os navios...”, explica o professor de letras.
Outra menção citada por Ramirez, diz respeito ao livro, Leviatã, de Thomas Hobbes, que no capítulo 13 fala que as próprias paixões humanas têm uma tendência à organização em virtude do medo da morte. Para o juiz, é um livro hobbesiano. “Para Hobbes, o estado moderno, a versão absolutista, nasce a partir do Leviatã, como modo de fugir da barbárie”.
Já Rousseau e sua teoria do bom selvagem não se encaixa no romance, pois pressupõe esse estado de natureza desde o começo e os meninos tiveram uma educação. Os meninos vêm das camadas dominantes da Inglaterra, são civilizados. Como eles retornam esse estado primitivo? Del Pino explica que na época em que o livro foi editado, era o auge do estruturalismo, onde todo mundo acreditava que a natureza tinha morrido e só existia a cultura.
No final do livro eles são salvos pela marinha inglesa, que também está em guerra. Para Ramirez este final “parece uma das extremas ironias do romance, pois quem salva é a marinha, que também está em guerra, vão colocar os meninos em segurança e continuarão a perseguir os inimigos, igual ao que estava fazendo com Ralph no momento do resgate, os meninos estavam a perseguí-lo para matá-lo. Ai fica uma pergunta implícita: quem salva os adultos?”
Costuma-se dizer que o crime não compensa. Bobagem. Experimente perguntar a advogados e juízes, a fabricantes de cofres e de porteiros eletrônicos.
Deve-se aos ladrões a abertura de mais um nicho de mercado. Vêm aí os caixas eletrônicosultramodernos, com aparência de ficção científica.
Um, desenvolvido pela empresa Diebold Inc., utilizará a chamada computação “em nuvem”. Os dados do cliente serão armazenados remotamente. Longe da máquina. A salvo de clonagens.
Outro, da NCR Corp., identifica os usuários lendo-lhes o desenho dos sulcos das mãos. Dispensam-se os cartões. Um terceiro, da Itautec S.A., responderá aos gestos do cliente.
O sujeito fará as operações sem tocar na máquina, que será mantida atrás de um vidro à prova de balas e, supostamente, imune aos ataques da bandidagem.
Segundo a Febraban, federação dos bancos, um caixa eletrônico guarda entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Assaltando-o, o ladrão pode obter mais dinheiro do que se roubasse uma agência bancária.
Em 2011, havia no mundo algo como 2,4 milhões de caixas eletrônicos em operação. Estima-se que serão 3,2 milhões até 2016. A substituição desse maquinário não é algo trivial.
Uma dúvida assalta o mercado: num instante em que se esforçam para cortar custos, as casas bancárias se animarão a investir na aquisição dos caixas ultramodernos?
Como almoço grátis é coisa por inventar, é razoável supor que, se prosperar, o negócio será convertido num custo que vai morrer no bolso da clientela.
Como se sabe, há dois tipos clássicos de assalto a banco. De fora pra dentro e de dentro pra fora. Os caixas eletrônicos da nova Era tendem a vitaminar o roubo do segundo tipo.
A julgar pelos lucros que receberam, as matrizes de diversas montadoras de automóveis não tiveram do que reclamar de suas subsidiárias brasileiras em 2011. Os dados estão fresquinhos, foram divulgados pelo Banco Central: a indústria automotiva no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado, à frente até de bancos e empresas de telecomunicações, que ficaram com o segundo e terceiro lugares, respectivamente.
Não se trata de números frívolos: foram os próprios fabricantes de veículos que registraram junto ao BC remessas de lucros e dividendos no total de US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos, equivalente a 19% de todas as operações desse tipo no ano no Brasil e 36% superior aos US$ 4,1 bilhões de 2010.
Não por acaso, as remessas recordistas de lucros e dividendos das montadoras instaladas no país aumentaram justamente no momento em que as matrizes mais sofrem nos mercados maduros de Europa e América do Norte, e por isso precisam sustentar seus resultados financeiros com o caixa das subsidiárias em países emergentes. O BC não publica a lista de empresas remetentes de dinheiro nem os valores individuais, muito menos as empresas informam qualquer dado sobre o tema, alegando que só divulgam balanços no exterior -- mas lá também não se encontram os lucros recebidos de cada subsidiária; e assim tudo fica por isso mesmo.
US$ 5,6 bilhões
foi o valor total remetido às matrizes pelo setor automotivo em 2011, recorde histórico e maior montante em toda a economia do país
0,7%
foi o crescimento da produção de veículos no Brasil em 2011 ante 2010; o total chegou a 3,4 milhões de unidades no ano
36%
foi o crescimento dos valores remetidos ao exterior em 2011 ante 2010, apesar do pífio aumento na produção
US$ 1.647
foi o valor enviado ao exterior a cada veículo produzido aqui, independentemente de marca, preço local e destino (Brasil ou exportação)
Nada contra o lucro, tudo contra esconder esses números como se fosse coisa ilegal. Não é. Contudo, é no mínimo desconfortável, tendo em vista que as montadoras, em maior ou menor grau, estão alinhadas ao discurso da falta de competitividade brasileira, que torna difícil a vida por aqui, e que por isso precisaria ser compensada com generosos incentivos fiscais e financiamento público de investimentos. Os dividendos remetidos mostram que a vida no Brasil pode ser complicada, mas também pode ser altamente lucrativa.
CONCEITO ALOPRADO É fato que existem problemas de competitividade. Por isso mesmo é surpreendente que, em ambiente tão adverso como pintam as montadoras, as remessas de lucros e dividendos tenham aumentado tanto.
Vale destacar que esses resultados foram conseguidos, em sua maioria, com a venda de carros que têm graus de sofisticação e conforto bastante inferiores em comparação com os modelos fabricados nos países de origem das empresas instaladas aqui, porque no Brasil o poder aquisitivo dos consumidores também é menor -- ainda que esteja em ascensão. Em tese, são produtos menos rentáveis, que -- para piorar -- no Brasil recebem uma das maiores cargas tributárias do mundo para competir com a margem de lucro.
Cabe ressaltar, também, que a produção das fábricas brasileiras de veículos avançou muito pouco em 2011, apenas 0,7% sobre 2010 -- ou seja, produziu-se quase o mesmo e, ainda assim, foi possível remeter muito mais lucro: US$ 1,5 bilhão a mais do que no exercício anterior.
Portanto, temos no Brasil um caso inusitado, digno de estudos acadêmicos ainda a serem feitos: fabricantes de veículos dizem enfrentar aqui custos altos de toda natureza, fazem produtos considerados de baixa rentabilidade, com alta incidência de impostos, a produção não avança -- e, ainda assim, remetem lucros bilionários às matrizes.
Além disso, ainda sobra algum para prometer investimentos combinados que já passam de US$ 26 bilhões nos próximos cinco anos, considerando somente os anúncios feitos até dezembro passado. Só lucros generosos -- e financiamentos públicos idem -- podem justificar a aplicação de tamanha fortuna para fazer no Brasil novos produtos e aumentar a capacidade de 18 fábricas de carros e nove de caminhões, além da construção de oito novas plantas de automóveis e seis de veículos comerciais pesados, elevando o número total de unidades de produção das atuais 24 para 38, com capacidade para fazer 6,5 milhões de unidades por ano a partir de 2015.
Por mais aloprado que o conceito pareça, é preciso reconhecer que "Custo Brasil" e "Lucro Brasil" são como irmãos siameses: andam grudados, um puxando o outro, mas sempre na mesma direção: para cima, no preço dos carros, relativamente altos em relação ao que oferecem.
BOM EXEMPLO O Brasil tem, sim, problemas de competitividade a enfrentar, mas por certo o lucro não está entre eles. Portanto, não há nenhuma justificativa para aumentá-los por meio das medidas de incentivo ao setor automotivo nacional (ou seria transnacional?), que estão em gestação no governo e podem ser anunciadas em fevereiro.
Muito pelo contrário: assim como o país deveria reduzir impostos sobre veículos, as montadoras deveriam dar o bom exemplo de diminuir lucros e incluir mais qualidade tecnológica nos modelos produzidos aqui.
O Projeto de Lei 2.701/2011, do deputado Fabio Trad (PMDB-MS), tramita na Câmara com a proposta de criminalização dos chamados flanelinhas, os guardadores de carros estacionados em vias públicas. O projeto acrescenta ao Código Penal a infração que prevê pena de 1 a 4 anos de detenção para quem contranger ou solicitar dinheiro a pretexto de guardar ou vigiar o veículo. O dispositivo, além de agravar a pena quando o condutor constatar dano ao veículo, torna típica qualquer vantagem exigida pelo flanelinha.
Art.158-A – Constranger alguém, mediante ameaça, a permitir a guarda, vigilância ou proteção de veiculo por quem não tem autorização legal ou regulamentar para o exercício destas funções. Pena – detenção, de 1 a 4 anos, e multa. §1º Incorre nas mesmas penas aquele que solicitar ou exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, dinheiro ou qualquer vantagem, sem autorização legal ou regulamentar, a pretexto de explorar a permissão de estacionamento de veículo alheio ou em via pública, bem como aquele que, sem o consentimento do condutor, constrange-o a permitir serviços de limpeza ou reparos no veiculo em via pública. §2º As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, se resultar dano aos veículos em virtude do não consentimento do condutor.
Para o deputado, o projeto se justifica pela insegurança que os flanelinhas têm causado aos cidadãos que precisam utilizar as vias públicas. “As ruas passaram a ser ocupadas por indivíduos denominados flanelinhas ou guardadores de carros que se autoproclamam proprietários de determinada área, passando a ditar regras e normas de conduta às pessoas.” Trad destaca que a ausência do poder público em inibir inclusive as disputas entre eles “pelo domínio dos locais de grande fluxo de veículos nas zonas centrais ou nas proximidades de eventos culturais, esportivos e sociais das cidades brasileiras” aumenta violência e gera insegurança.
Os flanelinhas, de acordo com o deputado, chegam a exigir valores altos para vigiar o veículo, intimidando os motoristas. A disponibilidade de vagas também é condicionada pelo flanelinha, que reserva a via pública para os motoristas que aceitam o pagamento pelo “serviços de vigilância, guarda ou proteção”. Trad salienta, entretanto, que não é a vigilância que se paga, mas uma forma de garantia de não se ter o bem danificado. “Aqueles que se recusam a pagar as elevadas quantias exigidas, muitas vezes antecipadamente, têm seus veículos furtados, danificados ou sofrem agressões físicas.”
O deputado cita, por fim, a Teoria das Janelas Quebradas (Broken Windows Theory), de autoria de George L. Kelling e Catherine Coles. Trata-se de um livro de criminologia e sociologia urbana, publicado em 1996, que considera como forma de prevenção de delitos resolvê-los quando eles são pequenos. “Com a tipificação da conduta delituosa e reintegração das vias e logradouros ao poder público, estaremos possibilitando que a sensação de paz e tranquilidade retorne ao cotidiano dos pessoas.”
Conflito mataria muitos judeus inocentes, reavivaria o pan-arabismo e isolaria Telavive; ameaças são usadas internamente contra opositores do governo israelense
Por Uri Avnery* | Tradução: Vila Vudu
Todos conhecem a cena dos tempos de escola: o menino baixinho briga com o menino muito maior e grita para os companheiros: “Me segurem! Me segurem… Ou eu quebro a cara dele!”
O governo de Israel está fazendo exatamente isso. Todos os dias, em todos os canais de televisão, algum figurão do governo israelense grita que, agora sim, agora sim, Israel vai quebrar a cara do Irã. O Irã está próximo de produzir a bomba nuclear. Israel não pode permitir. Então… Israel vai detonar o Irã, reduzir o Irã a cacos.
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu repete isso em todos os seus incontáveis discursos, inclusive no discurso de abertura da sessão de inverno do Parlamento israelense. Ehud Barak, ministro da Defesa, também. Todos os comentaristas falam do assunto. E a imprensa amplifica o som e a fúria. Mas o jornal Haaretz publicou na primeira página uma grande foto dos sete ministros mais importantes de Israel — o “septeto da segurança”: três a favor do ataque, quatro contra.
Há um ditado alemão que diz: “Revolução muito alardeada não quer acontecer”. Vale também para guerras. Artefatos nucleares vivem sob estrito controle militar. Muito, muito estrito. Recentemente, o controlador militar das bombas atômicas israelenses apareceu sorrindo, deixando a coisa andar. Os meninos — o primeiro-ministro e o ministro da Defesa de Israel, exatamente os dois patrões do controlador militar das bombas israelenses — estão só brincando de atacar o Irã.
O respeitado ex-chefe, por muitos anos, do Mossad, Meir Dagan, falou publicamente contra qualquer ideia de Israel atacar o Irã. “Nunca ouvi ideia mais estúpida em toda a minha vida”, disse. Explicou que entende como seu dever alertar Israel contra a ideia de atacar o Irã… desde que ouviu falar dos planos de Netanyahu e Barak.
Na quarta-feira, Israel enfrentou um tsunami de “notícias vazadas”: Israel testara um míssil capaz de transportar uma bomba atômica e “entregá-la” a mais de 5 mil km de distância, adiante, até, daquele país… vocês sabem qual. E a Força Aérea de Israel acabara de encerrar manobras na Sardenha, distância de voo maior, até, da que nos separa daquele país… aquele, vocês sabem qual. E na quinta-feira, o Comando Doméstico fez exercícios por toda a cidade e arredores, na Grande Telavive, com sirenes berrando por todos os lados.
São movimentos que sugerem fortemente que tudo não passa de encenação. Talvez para assustar os iranianos. Talvez para empurrar os EUA a tomar ações mais extremas. Talvez, sim, toda a encenação tenha sido previamente combinada com os EUA. (Vazamentos britânicos também diziam que a Marinha Real britânica está em treinamento, preparando-se para apoiar um ataque dos EUA ao Irã.)
Vez ou outra, Israel usa a tática de agir como se os israelenses fôssemos doidos de hospício (“O dono da banca enlouqueceu” — como se ouve pelos mercados e feiras, sobre preços baixos demais). Israel cansou de ouvir conselhos dos EUA. O que temos de fazer é bombardear, bombardear, bombardear, bombardear.
Calma. Falemos sério, por favor. Israel não atacará o Irã. É isso. Ponto final.
Muitos dirão que me arrisco demais. Não seria melhor acrescentar “provavelmente”, ou “quase com certeza”? Não. Não acrescento coisa alguma. Repito e repito: Israel não atacará o Irã.
Depois da aventura de 1956 em Suez — que acabou por ordem do presidente Dwight D. Eisenhower — Israel nunca mais se envolveu em nenhum tipo de operação militar importante, sem a expressa autorização dos EUA. Os EUA são hoje o mais confiável apoiador com que Israel ainda conta (além das ilhas Fiji, da Micronesia, das ilhas Marshall e de Palau). Destruir essas relações será como cortar a mangueira de ar do escafandro. Para chegar a esse ponto, é preciso ser mais do que meio maluco: é preciso ser doido furioso.
Além do mais, Israel não pode entrar em guerras sem o apoio dos EUA, porque todas as bombas e todos os aviões de Israel vêm dos EUA. Em guerra, é preciso receber suprimentos, peças de reposição, todos os tipos de materiais. Durante a guerra do Yom Kippur, Henry Kissinger manteve uma linha de suprimentos, por avião, que operava 24 horas por dia. E a guerra do Yom Kippur foi piquenique comparada com o que seria uma guerra contra o Irã.
Examinemos o mapa — providência que se recomenda sempre, antes de guerras.
A primeira coisa que chama a atenção é o muito estreito Estreito de Ormuz, por onde passa 1/3 de todo o suprimento de petróleo transportado por petroleiros, para todo o mundo. Passa por aquela garganta praticamente todo o petróleo produzido na Arábia Saudita, Estados do Golfo, Iraque e Irã.
De ponta a ponta, o estreito mede cerca de 35 km. É a mesma distância de Gaza a Beer Sheva que, semana passada, os rojões de fabricação caseira da Jihad Islâmica cruzaram sem problema algum. No instante em que o primeiro avião israelense entrar no espaço aéreo do Irã, o estreito será fechado. A Marinha do Irã tem mísseis em navios, no mar. Mas nem serão necessários. Para fechar Ormuz, bastam os mísseis em terra.
O mundo já está balançando à beira do abismo. A pequena Grécia oscila, ameaçando cair e levar com ela grossas fatias da economia mundial. Ormuz fechado, e cortado o suprimento de quase 1/5 de todo o petróleo que as nações industriais do planeta consomem, é catástrofe difícil de imaginar.
Para reabrir o estreito à força, seria necessária grande operação militar (com muitos coturnos no solo, inclusive), maior que todas as dificuldades que os EUA enfrentam hoje no Iraque e no Afeganistão. Os EUA têm dinheiro para tudo isso? Ou a OTAN? Israel não compete nessa liga “de cima”. Mas, mesmo assim, estará terrivelmente envolvido na ação, no mínimo, na condição de alvo.
Em manifestação de unidade que só se vê muito raramente, todos os chefes dos serviços secretos israelenses, inclusive os principais diretores do Mossad e do Shin Bet, já se manifestaram publicamente, todos contrários à ideia de atacar o Irã. É fácil entender por quê.
Não sei, sequer, se a operação seria possível. O Irã é país de grande território, quase do tamanho do Alasca; as instalações nucleares estão dispersas por todo o território e, muitas delas, são subterrâneas. Ainda que se usassem bombas de penetração profunda, que explodem sob o chão, fornecidas pelos EUA, toda essa gigantesca operação só conseguiria conter os esforços iranianos por alguns poucos meses. Israel pagaria preço altíssimo, por resultados magros.
Claro também que, se a guerra começar por ação de Israel, imediatamente choverão mísseis sobre Israel — não só do Irã, mas também do Hezbollah e, talvez, também do Hamás. As cidades israelenses não são adequadamente defendidas contra ataques dessa magnitude. Morreriam muitos israelenses. As mortes e a destruição em solo israelense tornam totalmente proibitivo qualquer movimento de guerra contra o Irã.
Repentinamente, a mídia israelense só fala dos três submarinos israelenses, que logo serão cinco, talvez seis, se os alemães forem compreensivos e generosos. Os jornais dizem, abertamente, que esses submarinos garantem a Israel a possibilidade de “um segundo ataque nuclear” (?!), caso o Irã use ogivas nucleares (que o Irã não tem!) contra Israel. Mas o Irã pode usar armas químicas, claro, dentre outras armas de destruição em massa.
E há também o preço político. O mundo islâmico fervilha. O Irã não é exatamente muito popular em parte do mundo islâmico. Mas, se Israel atacar o Irã, o ataque contra um dos principais países do mundo muçulmano unirá instantaneamente sunitas e xiitas, do Egito e Turquia ao Paquistão e mais. Israel estaria correndo o risco de converter-se em mansão de luxo, numa selva em fogo.
O fato é que toda essa conversa sobre guerra ao Irã, em Israel, serve a vários objetivos políticos, da política interna de Israel. Sábado passado, os movimentos sociais de protesto voltaram às ruas. Depois de pausa de dois meses, grande número de manifestantes reuniram-se em Telavive, na Praça Rabin. Foi caso excepcional porque, no mesmo dia, vários rojões do Hamás estavam sendo disparados contra cidades próximas da Faixa de Gaza. Até agora, em situação semelhante, as manifestações sempre foram canceladas. Os problemas de segurança sempre foram vistos como maiores que quaisquer outros. Dessa vez, não. E as ruas encheram-se de manifestantes e protestos.
Havia também quem acreditasse que a euforia do festival Gilad Shalit teria apagado da opinião pública israelense a ideia de protestar contra o governo de Netanyahu. Não apagou. Outro fenômeno curiosíssimo: a mídia, depois de vários meses aliada aos manifestantes que enchiam as ruas, acaba de mudar de lado. Repentinamente, todos os jornais, inclusive o Haaretz, opõem-se às manifestações populares. Como que obedecendo a uma só voz, todos os jornais de Israel escreveram, na manhã seguinte aos protestos, que lá se reuniram “mais de 20 mil” pessoas. Bem. Estive lá e tenho alguma experiência com essas coisas. Havia naquela praça, no mínimo, 100 mil pessoas, a maioria, jovens. Mal se conseguia andar.
Os protestos tampouco acabaram, como dizem os jornais. Longe disso. Mas… que ideia melhor, para fazer calar os que clamam por justiça social, do que pôr-se a falar sobre a “ameaça existencial”?
Além do mais, para fazer as reformas que a sociedade exige, é preciso dinheiro. Ante a crise das finanças mundiais, o governo luta para reduzir o déficit do orçamento, temeroso de pôr em risco a posição de Israel no ranking dos países confiáveis para investimento externo. Assim sendo… de onde sairia o dinheiro para as tais reformas? Só há três fontes plausíveis: das colônias exclusivas para judeus nos territórios palestinos ocupados (mas… que Estado judeu atrever-se-ia a pedir dinheiro aos colonos?); os judeus israelenses ortodoxos (idem); e o gigantesco orçamento militar.
Criada a possibilidade de guerra contra o Irã, a guerra mais crucial da história de Israel, quem sugeriria que se tocasse no sacrossanto orçamento militar? O país precisa de cada shekel para comprar mais aviões, mais bombas, mais submarinos. Escolas e hospitais, é claro, que esperem.
Por isso, do ponto de vista de Netanyahu, Mahmoud Ahmadinejad é a salvação. Onde estaria Netanyahu, hoje, se não houvesse Ahmadinejad?
(*) Uri Avnery, escritor e jornalista, é fundador do movimento pacifista israelense Gush Shalom (Coalizão da Paz)
Em um ensaio intitulado “Making It in America” (algo como, “Tendo Sucesso nos Estados Unidos”), publicado na última edição da revista “The Atlantic”, o escritor Adam Davidson relata uma piada da região produtora de algodão dos Estados Unidos sobre o nível de automação atingido pelas fábricas de tecidos modernas. Segundo a piada, atualmente esse tipo de fábrica só possui dois funcionários: “um homem e um cachorro. O homem está lá para alimentar o cachorro, e o cachorro fica na fábrica para impedir que o homem se aproxime das máquinas”.
O artigo de Davidson é um dos vários textos recentes que argumentam que um dos principais motivos pelos quais os Estados Unidos têm atualmente um índice de desemprego tão elevado e remuneram tão mal a sua classe média é não apenas a grande queda da demanda provocada pela Grande Recessão, mas também o enorme aumento da globalização e o crescimento da revolução em tecnologia de informação, que estão, mais rapidamente do que nunca, substituindo trabalhadores norte-americanos por máquinas ou por trabalhadores estrangeiros.
Antigamente os trabalhadores que possuíam uma qualificação média e que desempenhavam tarefas de qualidade também média podiam contar com um estilo de vida médio. Mas, atualmente, a média acabou oficialmente. Ter qualidade média simplesmente não significa mais uma garantia da mesma renda que era obtida no passado. Isso não é mais possível em uma época na qual uma quantidade muito maior de empregadores conta com um acesso muito maior a mais mão de obra barata e de qualificação acima da média, bem como a equipamentos robotizados baratos, softwares baratos, automação barata e gênios baratos. Portanto, todo mundo precisa encontrar o seu próprio fator extra – a sua contribuição de valor única que faça com que o indivíduo se destaque na sua área profissional. A média acabou.
Sim, as novas tecnologias estão devorando empregos há muito tempo, e continuarão a devorar. Conforme o ditado, se os cavalos pudessem votar, jamais teriam surgido automóveis. Mas tem havido uma aceleração dessa tendência. Conforme observa Davidson, “De 1999 a 2009, as fábricas dos Estados Unidos demitiram trabalhadores tão rapidamente que elas quase anularam todos os ganhos dos 70 anos anteriores; cerca de um dentre cada três empregos no setor industrial – um total de cerca de seis milhões – simplesmente desapareceu”.
E nós ainda não vimos nada. Em abril do ano passado, Annie Lowrey, da revista “Slate”, escreveu a respeito de uma nova empresa chamada “E la Carte” que deverá fazer com que diminua a necessidade de contratar garçons e garçonetes: a companhia “criou uma espécie de iPad que permite que o consumidor faça o pedido e pague na própria mesa. A invenção, conhecida como Presto, que foi criada por um grupo de engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), poderá ser encontrada em breve em um restaurante próximo ao leitor...
O cliente seleciona o prato que deseja e o coloca em um carrinho de pedidos. Dependendo das preferências do restaurante, o painel poderá mostrar informações nutricionais, listas de ingredientes e fotografias. O cliente pode fazer pedidos especiais, como por exemplo “quero molho nas laterais”, ou “dose de bacon quíntupla”. Após terminar, o pedido é remetido para a cozinha, e o Presto diz ao cliente quanto tempo a comida vai demorar.
Quem estiver entediado com os companheiros de mesa pode simplesmente jogar na maquininha. Ao terminar a refeição, o cliente paga por meio do tablet, dividindo a conta prato por prato, se desejar, e pagando da forma que desejar. E o recibo pode ser remetido por e-mail. Cada aparelho custa US$ 100 por mês. Se um restaurante servir refeições oito horas por dia, sete dias por semana, isso representará 42 centavos por hora por mesa – fazendo com que o Presto seja mais barato do que o mais barato dos garçons”.
E o que o iPad não faz de uma forma acima da média, um trabalhador chinês fará. Basta ver este parágrafo do ótimo artigo de Charles Duhigg e Keith Bradisher, publicado no “New York Times”, sobre o motivo pelo qual a Apple fabrica tantos dos seus produtos na China:
“A Apple reprojetou a tela do iPhone no último minuto, o que resultou em uma reformulação na linha de montagem. Novas telas começaram a chegar às fábricas chinesas quase à meia-noite. Um gerente imediatamente acordou 8.000 trabalhadores que estavam nos dormitórios da companhia. Cada funcionário recebeu um biscoito e uma xícara de chá, foi conduzido à área de trabalho e, dentro de meia hora, iniciou um expediente de 12 horas, inserindo telas de vidro nas estruturas dos aparelhos. Dentro de 96 horas, a fábrica estava produzindo mais de 10 mil iPhones por dia. 'A velocidade e a flexibilidade são impressionantes', disse o executivo. 'Nenhuma fábrica norte-americana é capaz de competir com isso'”.
E a automação não se restringe apenas às fábricas, explica Curtis Carlson, diretor executivo da SRI International, uma empresa do Vale do Silício que inventou o programa para o Apple iPhone conhecido como Siri, o assistente pessoal digital. “O Siri é o início de uma enorme transformação na forma como nós interagimos com bancos, companhias de seguro, lojas, companhias do setor de saúde, serviços de recuperação de informações e prestadores de serviços”.
Sempre haverá mudanças – novos empregos, novos produtos, novos serviços. Mas uma coisa da qual nós temos certeza é que, a cada avanço na globalização e na revolução da tecnologia de informação, os melhores empregos exigirão que os trabalhadores possuam um maior e melhor nível educacional para se colocarem acima da média. Eis aqui os mais recentes índices de desemprego do Departamento de Estatísticas do Trabalho relativos aos norte-americanos de mais de 25 anos de idade: aqueles que não têm diploma de segundo grau, 13,8%; os que têm diploma de segundo grau, mas que não fizeram curso superior, 8,7%; os que fizeram parte de um curso superior ou que têm um diploma intermediário (entre o segundo grau e o superior), 7,7%; e os que possuem bacharelado ou um título mais elevado, 4,1%.
Em um mundo no qual a média chegou oficialmente ao fim, muitas coisas precisam ser feitas para elevar o índice de emprego, mas nada seria tão importante quanto criar algum tipo de GI Bill (legislação norte-americana que garante o financiamento dos estudos de militares) para o século 21 que garanta que todos os norte-americanos tenham acesso à educação superior.
O jornalista Caio Blinder defendeu, em um programa de TV, o “assassinato” de cientistas que participam do “programa de enriquecimento de urânio do Estado Terrorista iraniano”. Argumentou que é “preciso matar gente agora” para evitar mais mortes do futuro. Cerca de 1.300 estudantes universitários iranianos pediram para mudar as suas áreas de estudo para o campo das ciências nucleares após o assassinato. Veja só Sr Blinder! Será preciso eliminar esses estudantes também porque um dia eles serão cúmplices do projeto nuclear iraniano! O artigo é de Reginaldo Nasser.
Esta circulando pelos blogs e redes sociais trecho de um programa de TV paga[Manhattan Conection, ver vídeo acima] em que um dos comentaristas, Sr. Caio Blinder, apóia o “assassinato” de cientistas que participam do “programa de enriquecimento de urânio do Estado Terrorista iraniano”. Argumenta que é “preciso matar gente agora” para evitar mais mortes do futuro, além do que, acrescenta, “você intimida outros cientistas”.
O tema já foi intensamente debatido nos EUA, em 2007, quando o professor de direito Glenn Reynolds criticou o presidente Bush por não fazer o suficiente para parar o programa nuclear iraniano (vejam só Bush acusado de ser soft demais!) e, em seguida, defendeu que os EUA deveriam assassinar líderes religiosos e cientistas nucleares iranianos com o objetivo de intimidar o governo do Irã. Portanto, se nos EUA a justificativa para esse tipo de crime não é algo incomum, no Brasil - salvo engano meu- é a primeira vez que aparece publicamente nos meios de comunicação e por isso julgo necessário tecer algumas considerações.
No dia 11 de janeiro de 2012, Ahmadi Roshan, engenheiro químico da usina de enriquecimento de urânio de Natanz, foi assassinado nas ruas de Teerã após explosão de uma bomba em seu carro. É mais um de uma série de acontecimentos similares. Em dezembro de 2011, sete pessoas morreram em uma explosão em Yazd. Em 28 de novembro, uma bomba explodiu nas instalações nucleares em Isfahan. Em 12 de novembro, 17 pessoas foram mortas por uma explosão perto de Teerã.. Em 29 de novembro de 2010, o cientista Shahriari foi morto da mesma forma como Roshan, com uma bomba plantada em seu carro. Em todos os casos as autoridades dos EUA e de Israel negaram veementemente qualquer envolvimento.
Mas qual é o problema? De forma declarada ou encoberta tanto EUA, como Israel, sempre adotaram a tática do assassinato seletivo. Desde 11 de setembro, o governo dos EUA tem realizado operações similares (“assassinatos seletivos”) mesmo fora dos campos de batalha do Afeganistão e do Iraque, como no Iêmen, Paquistão, Somália, Síria e possivelmente em outros lugares, causando a morte de mais de 2 mil supostos terroristas e de incontáveis vitimas civis. A justificativa está fundamentada numa autorização legal, aprovada na Câmara e no Senado, atribuindo ao Presidente o poder para adotar as medidas que julgue necessárias para impedir ou prevenir atos de terrorismo internacional contra os Estados Unidos.
É importante notar que até pouco tempo atrás a justificativa para assassinar civis pressupunha a participação direta desses nas hostilidades. Quando se diz que um assassinato seletivo é "necessário" entende-se que matar era a única maneira de evitar um ataque iminente. Mas no caso dos cientistas é praticamente impossível afirmar que matá-los era necessário para impedir o Irã de lançar um ataque nuclear iminente contra Israel ou qualquer outro país. A não ser que haja uma nova doutrina em formação: “assassinato seletivo preventivo”.
Voltando ao porta-voz brasileiro dos fundamentalistas norte-americanos, o Sr. Blinder, que é uma pessoa bem informada, sabe que além da quantidade e qualidade de urânio ou plutônio, a produção de armas nucleares também requer os meios para levá-las ao seu destino (mísseis e ogivas). Portanto, é um projeto que envolve grande quantidade de cientistas, engenheiros e operadores. Levando à extremidade lógica o argumento dos fundamentalistas, será preciso assassinar mais algumas centenas ou mesmo milhares de pessoas. Claro, com o nobre objetivo de evitar mais mortes! Aliás, 90% das mortes de norte-americanos no mundo ocorrem devido à utilização de armas e munições produzidas no próprio EUA.
Portanto, somos tentados a concluir que os responsáveis pela indústria bélica (armas leves) nos EUA deveriam ser assassinados, pois evitaria a morte de milhares de norte-americanos? A ser levada a sério essa proposta (assassinato de cientistas), não é improvável que os congressos científicos internacionais acabem se convertendo em um verdadeiro festival de tiroteios e bombas. Aliás, o suposto efeito da intimidação, pressuposto dessas ações, está gerando um efeito oposto. Cerca de 1.300 estudantes universitários iranianos pediram para mudar as suas áreas de estudo para o campo das ciências nucleares após o assassinato. Veja só Sr Blinder! Será preciso eliminar esses estudantes também porque um dia eles serão cúmplices do projeto nuclear iraniano!
Dentro da mesma linha de raciocínio o proprietário do Atlanta Jewish Times, Andrew Adler, pediu desculpas na semana passada depois de sugerir que o assassinato do presidente Obama era uma opção que deveria ser considerada pelo governo israelense, conforme relatado pelo Huffington Post. De acordo com Adler, Israel tem apenas três opções disponíveis para se manter seguro: 1. atacar Hezbollah e o Hamas, 2. destruir as instalações nucleares do Irã; 3. assassinar Obama!
Estranhamente o “assassinato seletivo” ocorreu três dias após a afirmação do secretario de Defesa dos EUA de que era improvável que os iranianos estivessem tentando desenvolver uma arma nuclear e no momento em que governo iraniano reiniciava as negociações com o grupo (P5 +1) para autorizar a realização de uma visita de delegados da Agência Internacional de Energia Atômica em seu pais.
Fica claro que o objetivo do assassinato dos cientistas é provocar uma forte reação da linha dura iraniana justificando, dessa forma, os famosos ataques preventivos. De acordo com reportagem na Foreign Policy, que teve acesso a memorandos elaborados pelo governo Bush, a Mossad usa as credenciais da CIA para recrutar membros da organização Jundallah (considerada terrorista pelo governo dos EUA) para lançar ataques contra o Irã. Como notou o analista internacional, Pierre Sprey, vivemos um daqueles raros e perigosos momentos da história, quando o “Big Oil” e os israelenses estão pressionando a Casa Branca na mesma direção. A última vez que isso aconteceu resultou na invasão do Iraque.
Estava zapeando a TV outro dia e achei o ótimo “Implacável Perseguição”, de Jonathan Mostow, um daqueles filmes sobre pessoas normais às voltas com situações extremas.
É um velho clichê do cinema de horror e suspense: um personagem civilizado e pacífico que precisa recorrer aos instintos mais primitivos e bestiais para enfrentar caipiras psicóticos, traficantes sádicos ou assassinos seriais.
Separei dez filmes do gênero. E não incluí nenhum de horror, tipo “Quadrilha de Sádicos” ou “O Massacre da Serra Elétrica”, porque seria chover no molhado. Afinal, quase todos os filmes de terror lidam com pessoas normais às voltas com a anormalidade, não?
Faca Na Água - Roman Polanski, 1962
Um casal viaja por uma estrada e dá carona para um homem misterioso. O casal convida o homem para velejar. Ele aceita. Partindo dessa trama simples, Polanski, em seu primeiro longa, cria um “thriller” minimalista, cheio de tensão sexual e violência implícita.
Pequeno Grande Homem (Little Big Man) - Arthur Penn, 1970
Difícil achar um filme americano dos anos 70 que não falasse, direta ou indiretamente, sobre o Vietnã. Nesse filme, um homem de 120 anos (Dustin Hoffman) conta a um historiador sobre sua vida, em especial os anos que passou como prisioneiro de uma tribo Cheyenne. Mais uma analogia sobre imperialismo, preconceito e o conflito de civilizações, tão típica do cinema americano daquela época.
Um Homem Chamado Cavalo (A Man Called Horse) – Elliott Silverstein, 1970
Um nobre britânico (Richard Harris) é capturado por uma tribo indígena e, pouco a pouco, deixa de lado os modos aristocráticos para se tornar um guerreiro da tribo. O filme foi visto, na época, como uma analogia à Guerra do Vietnã, e é um dos melhores papéis de Richard Harris no cinema.
Walkabout – Nicholas Roeg, 1971
Já escrevi três ou quarto vezes sobre esse filme, um dos meus favoritos. Um homem sai de seu apartamento confortável na cidade grande e, sem razão aparente, leva os dois filhos para o meio do deserto e tanta matá-los. As crianças sobrevivem e são resgatadas por um menino aborígene. Inesquecível.
Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs) - Sam Peckinpah, 1971
Dustin Hoffman faz um professor de matemática que se recolhe a uma vila isolada na Cornualha com a mulher, uma coisa de louco interpretada por Susan George, e acaba atraindo a atenção indesejada de um bando de personagens macabros da vila. Peckinpah explorando seu tema favorito: a linha entre a civilidade e a barbárie.
Amargo Pesadelo (Deliverance) – John Boorman, 1972
Quatro executivos (incluindo Burt Reynolds e John Voight) decidem passar um fim de semana andando de canoa em uma floresta remota na Georgia, mas acabam entrando em conflito com sádicos caipiras locais. Mais um filme sombrio sobre o contraste da civilidade e da violência.
O Silêncio do Lago (Spoorloos) - George Sluizer, 1988
Numa viagem de carro pelo interior da França, um casal para num posto de gasolina. A mulher some misteriosamente. O marido passa os anos seguintes tentando encontrá-la. Nunca vou esquecer a primeira vez que vi esse filme, numa sessão de meia-noite no Estação Botafogo. O diretor Sluizer depois ganhou uma boa grana para estragar seu filme com uma versão americana, estrelando Kiefer Sutherland e Sandra Bullock.
Busca Frenética (Frantic) – Roman Polanski, 1988
Mais um de Polanski. Harrison Ford faz um médico que vai a Paris para um congresso com a esposa. A mulher some, e ele tem de descobrir o que aconteceu. A primeira metade do filme é tensa e misteriosa. A segunda metade é um besteirol indigno de Polanski, mas o começo é bom demais.
Implacável Perseguição (Breakdown) - Jonathan Mostow, 1997
O casal Kurt Russell e Kathleen Quinlan cruza os Estados Unidos de carro. Quando o automóvel quebra, no meiodo deserto, surge um misterioso caminhoneiro (o ótimo J. T. Walsh) oferecendo ajuda. Você aceitaria?
Wolf Creek – Greg MacLean, 2005
Grupo de turistas encontra um caipira simpático no meio do deserto australiano. Mas o moço se revela menos amigável do que aparenta. O tema é batido, mas o filme é apavorante. Tarantino o homenageou em “Death Proof”, quando, durante uma perseguição, um carro destrói a placa de um drive-in que exibe “Wolf Creek”.
A indústria petrolífera do Irã, que representa 80% das exportações do país e mais da metade de suas receitas (cerca de 58 bilhões de euros), está em declínio desde a revolução dos aiatolás em 1979 e da guerra com o Iraque (1980-88). Embora durante os períodos do moderado Mohammed Khatami (1997-2005) o setor tenha recuperado certo ímpeto, o aumento foi passageiro. E, depois da imposição de sanções por parte do Ocidente no verão de 2010, a situação foi piorando, a ponto de o Irã ter de importar gasolina para consumo próprio, apesar das nove refinarias com que conta e de estar entre os quatro países do mundo com maiores reservas comprovadas de petróleo e gás.
De todas as reservas, 50% se encontram em seis grandes jazidas situadas no oeste do país. Em geral o petróleo iraniano é de qualidade média, o que significa que é adequado para produzir gasolina e diesel para automóveis e outros produtos destilados de alto valor agregado. O setor está nas mãos do governo e não é permitido o investimento estrangeiro direto, mas sim a associação entre o Estado e empresas estrangeiras em projetos concretos. Boa parte da indústria está nas mãos da Guarda Revolucionária Islâmica (pasdaran), o corpo de elite do exército iraniano.
Até a revolução, o Irã produzia mais de 6 milhões de barris diários, e desde então nunca superou os 4 milhões. A aliança forjada com a Venezuela de Hugo Chávez há mais de uma década no seio da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) permitiu que Teerã mantivesse nos limites a produção petrolífera do cartel para forçar o aumento dos preços e manter as receitas com as vendas de petróleo, apesar da queda da extração, durante muito tempo. Entretanto, a disciplina do grupo se rompeu em meados de 2011, quando o Irã não pôde impedir que Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos aumentassem a produção, a pedido do Ocidente, para conter a escalada de preços.
Diante da pressão dos EUA e da Europa e das diferenças com seus parceiros da Opep, Teerã concentrou esforços em aumentar as vendas para as grandes economias asiáticas. China, Japão, Índia e Coreia do Sul são hoje os maiores importadores de cru iraniano, mas tudo indica que esses países buscarão outros fornecedores diante do aumento da pressão americana para que deixem de comprar de Teerã. A asfixia financeira e comercial imposta por Washington já havia tornado quase inviáveis as vendas por Teerã.
Durante 2011 o país persa foi praticamente impossibilitado de cobrar por suas vendas. Primeiro o banco central indiano deixou de transferir os pagamentos e mais tarde se interromperam as operações com entidades da Turquia e Emirados Árabes. Recentemente alguns compradores pagaram suas contas através do banco Gazprombank, filial da gigante energética russa. Moscou é em princípio o último aliado quase incondicional que resta ao governo do presidente Mahmud Ahmadinejad.
Diante da impossibilidade cada vez maior para o regime de burlar as sanções para tirar partido de seus recursos, Teerã divulgou a ideia de que estaria disposta a bloquear o estreito de Ormuz em reação à pressão do Ocidente.
Pela passagem marítima, que em sua parte mais estreita tem apenas cerca de 37 quilômetros, são transportados 17 milhões de barris de petróleo cru por dia, 35% de todo o petróleo que se transporta por mar e 20% de todo o que é comercializado no mundo. Isso sem contar as remessas de gás natural liquefeito. Cerca de 70 milhões de toneladas desse produto passaram por Ormuz entre janeiro e outubro de 2011.
A opção pelo testamento como forma de definir, no todo ou em parte, a partilha de bens de uma pessoa após a sua morte está em alta. Os números ainda estão longe do patamar registrado em outros países, mas sinalizam um crescimento contínuo e serviram como base para Testamentos — Teoria e Prática. O estudo foi feito por Elza de Faria Rodrigues, tabeliã do 4º Cartório de Notas de Osasco, região metropolitana de São Paulo, que reuniu um vasto material sobre o tema, para explicar em detalhes o que é, para que serve, quais são os tipos e as discussões jurídicas ainda existentes sobre o testamento.
Ao longo das 358 páginas da obra, a autora explica ainda o que pode e o que não pode constar em um testamento, os casos especiais previstos na legislação e as circunstâncias que podem resultar na anulação do documento. Ao final, ela apresenta modelos de testamentos prontos para serem utilizados.
Elza Rodrigues explica que um dos objetivos do livro é incentivar o uso do testamento como instrumento para a garantia de uma sucessão tranquila e econômica, o que passa pela disseminação de informações e o enfrentamento de um dos maiores tabus do ser humano — a morte. "Não é de nossa cultura que as pessoas regulem sua sucessão por meio de testamento, embora esse instrumento seja um meio interessante para prevenir litígios em torno das sucessões e garantir a vontade do testador, em especial por meio do instrumento público", explica.
Em São Paulo, o Registro Central de Testamentos contabiliza cerca de 270 mil desses documentos em um banco de dados organizado e mantido pela seção paulista do Colégio Notarial do Brasil. A média anual de testamentos em todo o estado fica em torno de 7 mil por ano, mas os cartórios já identificaram uma tendência de alta, principalmente em decorrência das mudanças ocorridas nos últimos anos na composição familiar, caracterizada, cada vez mais, por novos e complicados arranjos, com consequências jurídicas ainda não inteiramente absorvidas pelo Direito.
Exemplos claros desse novo cenário já aparecem nas estatísticas produzidas pelo IBGE, com destaque para o crescimento do número de uniões formadas por pessoas que já passaram por vários casamentos e também do reconhecimento das uniões homoafetivas como entidade familiar. Com o testamento, companheiro ou companheira podem evitar previsíveis disputas judiciais futuras envolvendo familiares do morto.
Mestre em Direito das Relações Privadas e especialista em Mediação pela Universidad Castilla de La Mancha, na Espanha, a autora revela-se apaixonada pelo tema, diz que o livro estava em seus planos desde os tempos de faculdade e acredita que o trabalho despertará o interesse de estudantes, tabeliães e advogados, especialmente por aliar questões de natureza jurídica a aspectos práticos e corriqueiros no dia a dia dos cartórios.
O lançamento do livro foi saudado pelo presidente do Conselho Federal do Colégio Notarial do Brasil, Ubiratan Pereira Guimarães, que considera o testamento como "o mais formal entre todos os atos jurídicos formalizados pelo notário" e também aquele que exige conhecimento mais profundo sobre o direito das sucessões e de família. "Uma obra que trate cuidadosamente dos requisitos, cláusulas e demais nuances desse ato jurídico, com certeza contribui decisivamente para a formação dos operadores do direito notarial, fazendo-os refletir com mais comprometimento sobre as questões que lhes são apresentadas no exercício da atividade notarial", disse Guimarães.
Serviço: Titulo: Testamentos — Teoria e Prática Autor: Elza de Faria Rodrigues Editora: Del Rey Edição: 1ª Edição - 2011 Acabamento: Brochura Número de Páginas: 358 Preço: R$ 78
A opção pelo testamento como forma de definir, no todo ou em parte, a partilha de bens de uma pessoa após a sua morte está em alta. Os números ainda estão longe do patamar registrado em outros países, mas sinalizam um crescimento contínuo e serviram como base para Testamentos — Teoria e Prática. O estudo foi feito por Elza de Faria Rodrigues, tabeliã do 4º Cartório de Notas de Osasco, região metropolitana de São Paulo, que reuniu um vasto material sobre o tema, para explicar em detalhes o que é, para que serve, quais são os tipos e as discussões jurídicas ainda existentes sobre o testamento.
Ao longo das 358 páginas da obra, a autora explica ainda o que pode e o que não pode constar em um testamento, os casos especiais previstos na legislação e as circunstâncias que podem resultar na anulação do documento. Ao final, ela apresenta modelos de testamentos prontos para serem utilizados.
Elza Rodrigues explica que um dos objetivos do livro é incentivar o uso do testamento como instrumento para a garantia de uma sucessão tranquila e econômica, o que passa pela disseminação de informações e o enfrentamento de um dos maiores tabus do ser humano — a morte. "Não é de nossa cultura que as pessoas regulem sua sucessão por meio de testamento, embora esse instrumento seja um meio interessante para prevenir litígios em torno das sucessões e garantir a vontade do testador, em especial por meio do instrumento público", explica.
Em São Paulo, o Registro Central de Testamentos contabiliza cerca de 270 mil desses documentos em um banco de dados organizado e mantido pela seção paulista do Colégio Notarial do Brasil. A média anual de testamentos em todo o estado fica em torno de 7 mil por ano, mas os cartórios já identificaram uma tendência de alta, principalmente em decorrência das mudanças ocorridas nos últimos anos na composição familiar, caracterizada, cada vez mais, por novos e complicados arranjos, com consequências jurídicas ainda não inteiramente absorvidas pelo Direito.
Exemplos claros desse novo cenário já aparecem nas estatísticas produzidas pelo IBGE, com destaque para o crescimento do número de uniões formadas por pessoas que já passaram por vários casamentos e também do reconhecimento das uniões homoafetivas como entidade familiar. Com o testamento, companheiro ou companheira podem evitar previsíveis disputas judiciais futuras envolvendo familiares do morto.
Mestre em Direito das Relações Privadas e especialista em Mediação pela Universidad Castilla de La Mancha, na Espanha, a autora revela-se apaixonada pelo tema, diz que o livro estava em seus planos desde os tempos de faculdade e acredita que o trabalho despertará o interesse de estudantes, tabeliães e advogados, especialmente por aliar questões de natureza jurídica a aspectos práticos e corriqueiros no dia a dia dos cartórios.
O lançamento do livro foi saudado pelo presidente do Conselho Federal do Colégio Notarial do Brasil, Ubiratan Pereira Guimarães, que considera o testamento como "o mais formal entre todos os atos jurídicos formalizados pelo notário" e também aquele que exige conhecimento mais profundo sobre o direito das sucessões e de família. "Uma obra que trate cuidadosamente dos requisitos, cláusulas e demais nuances desse ato jurídico, com certeza contribui decisivamente para a formação dos operadores do direito notarial, fazendo-os refletir com mais comprometimento sobre as questões que lhes são apresentadas no exercício da atividade notarial", disse Guimarães.
Serviço: Titulo: Testamentos — Teoria e Prática Autor: Elza de Faria Rodrigues Editora: Del Rey Edição: 1ª Edição - 2011 Acabamento: Brochura Número de Páginas: 358 Preço: R$ 78
Barack Obama pronunciou no Congresso o tradicional ‘Discurso do Estado da União’. Trata-se de uma peça obrigatória no calendário político dos EUA. Serve para que o presidente exponha seus planos para o ano que começa.
Como 2012 é ano de sucessão presidencial, a fala de Obama confundiu-se com sua plataforma reeleitoral. Fustigado por uma crise que envenena o humor dos eleitores, Obama disse que nada é mais relevante do que manter vivo o “sonho americano”.
Uma reação retórica do presidente democrata aos rivais republicanos. A oposição esforça-se para vender a tese segundo a qual Obama fez do sonho de trabalho e prosperidade um pesadelo de desemprego e ruína econômica.
Para esquivar-se do veneno, Obama esgrimiu um par de números. Disse que, seis meses antes de sua posse, o país perdera 4 milhões de postos de trabalho. “Nos últimos 22 meses, a economia gerou mais de 3 milhões de empregos”.
Dito à moda do Brasil: segundo Obama, a breca dos EUA compõe a herança maldita de seu antecessor, o republicano George Bush. Sua administração estaria restaurando o mercado de trabalho.
A taxa de desemprego nos EUA é, hoje, de 8,5%. Para combater o flagelo, Obama mencionou a intenção de criar uma agência de combate à concorrência predatória de produtos estrangeiros. Uma referência à China.
Citou também o plano de impor sanções tributárias às empresas americanas que levam suas plantas industriais para outros países. Em busca de custos mais baixos, oferecem empregos no estrangeiro.
Repisou a pregação em favor da taxação das grandes fortunas. A oposição pega em lanças contra a ideia. E Obama enxergou no discurso uma oportunidade para espicaçar Mitt Romney.
Romney é um dos republicanos que disputam o posto de rival de Obama na sucessão. Milionário, foi às manchetes em posição constrangedora.
Descobriu-se que pagou proporcionalmente menos impostos que um contribuinte americano de classe média. Por quê? O grosso dos rendimentos de Romney veio de aplicações financeiras com baixa tribução.
“Washington deve parar de subsidiar os milionários”, bateu Obama. “Se você ganha US$ 1 milhão por ano, não deveria ter deduções nos impostos ou subsídios. Se ganha menos de US$ 250 mil por ano, como 98% dos americanos, seus impostos não deveriam aumentar.”
A certa altura, Obama falou de imigação. É outro tema que inquieta os eleitores. Há nos EUA, de acordo com as estatísticas oficiais, algo como 11 milhões de estrangeiros ilegais.
Obama falou contra a imigração clandestina. Defendeu uma reforma da legislação migratória e disse que nenhum governo colocou mais policiais na fronteira do que o seu.
Defendeu tratamento diverso para o imigrante qualificado. Acha que é preciso “parar de expulsar jovens que querem trabalhar em nossos laboratórios, começar novos negócios e defender esses país. Me mandem uma lei que dê a eles a chance de conseguir sua cidadania. Eu assinarei na mesma hora”.
Discorreu sobre política externa. Algo que, nos EUA é quase um sinônimo de conflito. Jactou-se de ter devolvido aos seus lares parte dos soldados americanos que combatiam alhures. “Pela primeira vez em nove anos, não há nenhum americano lutando no Iraque.”
Gabou-se de ter mandado às profundezas o inimigo número um da América: “Pela primeira vez em duas décadas, Osama bin Laden não é uma ameaça.” Acrescentou: “Começamos a amainar a guerra no Afeganistão –10 mil tropas já voltaram para casa; 23 mil retornarão até o fim do verão.”
Obama mudou de tom ao mencionar o Irã. Declarou-se determinado a impedir que Teerã produza a bomba atômica. Soou ameaçador: “Eu não descartarei nenhuma das opções sobre a mesa para conseguir isso.”
O regime dos aiatolás deveria torcer para que a popularidade de Obama suba. A história ensina que presidente americano em baixa no front interno costuma enxergar nas bombas um irresistível elixir.
Quem precisa renovar o seguro do carro em São Paulo neste início de ano terá de arcar com reajustes que vão de 3% a 8%. A estimativa é do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP).
O reajuste nessa época é comum diante do aumento das ocorrências durante as festas de fim de ano e as férias. Nesse período, aumentam os acidentes nas estradas e os roubos de veículos. A chuva forte típica do verão também pode danificar os automóveis.
Este ano, porém, outro fator pesou no reajuste: o aumento no preço das peças de reposição dos veículos.
"Os salários dos empregados na indústria de peças foram reajustados porque grande parte deles tem como base o salário mínimo, que subiu", explica o presidente do sindicato, Mário Sérgio de Almeida Santos.
Além disso, segundo ele, aumentou também o preço das peças importadas.
Aumento vai variar de acordo com modelo do carro
O superintendente-executivo da Bradesco Auto/RE, Fernando Cheade, confirma que houve alta no preço das peças de reposição e no valor pago para os trabalhadores das oficinas, o que deve forçar os reajustes. Ele não especificou, porém, o índice que será aplicado pela empresa.
"Isso vai variar de acordo com a cidade em que o motorista mora e o modelo do veículo", diz.
Segundo Cheade, houve um aumento de ocorrências envolvendo veículos em São Paulo, especialmente roubos. Ele diz, porém, que esse aumento não está apenas relacionado à época do ano, mas tem sido frequente nos últimos meses.
Reajustes maiores afetam carros mais populares
Segundo o presidente do Sincor-SP, os reajustes mais baixos deverão ser percebidos nos seguros de veículos mais caros, que geralmente são menos expostos à sinistralidade, como roubos por estarem estacionados nas ruas, por exemplo.
Os seguros de veículos mais populares, que têm índices de sinistralidade altos, devem sofrer os maiores reajustes.
Santos explica, porém, que o reajuste só será percebido por quem for renovar o seguro por qualquer motivo, como o vencimento da apólice ou a alteração de algum dado do contrato (mudança de endereço de casa ou do trabalho, por exemplo).
Começo de ano, fôlego novo para mais 366 dias, já que este ano é bissexto. Comprar um carro ou trocar o velho deve estar entre as promessas de ano novo de muitos brasileiros, mas será que existe um tempo certo para realizar esse projeto?
De acordo com o fundador do Estoquezero.com, Vinícius Melo, o início e o final de cada ano são os mais propícios para o consumidor conseguir bons descontos. Porém, o executivo explica que é importante analisar o ano de fabricação do veículo, já que são períodos de troca de ano.
“É exatamente nesses períodos que precisamos ponderar se compensa levar um carro com o ano de fabricação do período vigente ou do anterior ou posterior, em detrimento do desconto”, completa.
Muitos especialistas também afirmam que os últimos dias de cada mês também são bons para quem deseja trocar ou comprar um carro.
“O final do mês pode gerar para o consumidor um momento propício de barganha, em função do não cumprimento das metas de vendas do mês nas concessionárias”, afirma Melo.
Novo ou seminovo?
Outra dúvida que os consumidores costumam ter é na escolha entre um veículo novo e um seminovo.
De acordo com Melo, o consumidor deve avaliar os prós e os contras de cada veículos de interesse. Caso esteja em dúvida entre dois modelos, sendo um zero e outro seminovo, o estado de conservação do usado deve ser o primeiro fator a ser observado.
“Depois, a gama de opcionais que estará levando em optar por um seminovo, na mesma faixa de preço do novo. Outro fator a ser levado em consideração é se o seminovo ainda está na garantia, pois atualmente os modelos saem das concessionárias com garantia de dois a cinco anos”, completa.
Preço que cabe no bolso
Segundo Melo, fatores ligados às finanças também devem ser levados em consideração, pois só dessa forma o consumidor saberá se o preço do veículo cabe no bolso.
O executivo listou alguns pontos importantes a serem considerados pelos consumidores:
1. Estude seu orçamento: verifique o atual índice de comprometimento de seu orçamento. Um carro pode virar um dos grandes vilões do orçamento pessoal ou familiar. Afinal, pesquisas afirmam que o brasileiro gasta por mês aproximadamente 3% do valor do carro em impostos e manutenção, incluindo custos adicionais, como estacionamento.
2. Confira as condições de pagamento: é claro que comprar à vista sempre sai mais barato, porém, deve ser levado em consideração o custo de oportunidade do dinheiro. No fim do ano, por exemplo, as montadoras precisam bater as metas anuais e, neste momento, é comum encontrar promoções com 50% de entrada e o restante com taxa de juro zero ou de 0,49% ao mês. Se o comprador não conseguir um bom desconto no pagamento à vista, neste caso, o financiamento vai ser mais vantajoso.
3. Avalie as taxas de juros: nesse caso, o que deve ser realmente levado em consideração é o CET (Custo Efetivo Total) da operação, que inclui, além da taxa de juros, todas as demais taxas e impostos. Fora isso, o financiamento é similar em várias agências, concessionárias, financeiras e até no banco onde você tem conta-corrente, o que pode ajudar a ganhar alguns descontos.
4. Consórcio x financiamento: o consórcio é uma compra programada, então, para quem precisa de um carro com urgência, não é o mais indicado. No consórcio, não existe incidência de juros e sim da taxa de administração, o que o torna financeiramente mais atraente. Porém, o valor da prestação não é fixo, mas indexado ao valor do bem, o que pode trazer surpresas futuras no orçamento destinado à compra do veículo. Dependendo do valor da entrada, o financiamento pode ser mais vantajoso do que o consórcio.
5. Pese se realmente é hora de trocar de carro: no momento de decidir se deve ou não trocar o carro, o primeiro fato a ser levado em consideração é o estado de conservação do atual carro. Se o custo mensal com a manutenção estiver corroendo a capacidade de poupar do proprietário, é preferível ele encarar um financiamento, transferindo o custo da manutenção mecânica do carro para a prestação. O segundo é a utilização: se o carro atual não atende mais às necessidades do proprietário, é preciso resolver esse problema urgentemente.
Brasileiros preferem gastar a economizar, aponta estudo feito pelo Credit Suisse - Second Annual Emerging Consumer Survey, que analisou o comportamento dos consumidores dos principais países emergentes.
Além de gostar mais de consumir do que economizar, o levantamento ainda revelou que os brasileiros têm um grande apetite por ativos reais e palpáveis, como um imóvel, deixando para segundo plano os ativos financeiros.
Bom momento econômico No estudo do Credit Suisse, divulgado na última terça-feira (17), o Brasil foi apontado como o País mais otimista entre os emergentes, como China, Índia e Rússia. O banco ainda pontuou o bom momento econômico vivido pelos brasileiros, que dá sustentação ao aumento do consumo no País.
De acordo com os dados, 58% dos brasileiros entrevistados disseram que esperam uma melhora em suas finanças pessoais nos próximos seis meses. Essa foi a maior taxa observada entre todos os países pesquisados. “O forte aumento nominal na renda no último ano também protegeu os consumidores brasileiros da inflação, mais do que em qualquer outro país”, analisa o estudo.
A pesquisa revela que esse comportamento mais consumista se mostrou ainda mais robusto no último ano. Por fim, das categorias analisadas, a penetração da tecnologia no Brasil fica em destaque, com um dos melhores resultados.
Quando o assunto são os imóveis, os brasileiros mostram as maiores taxas relativas à intenção de compra, em relação aos demais países estudados. Essa intenção de compra também mostrou alta frente à última análise, no ano passado.
Além disso, 73% dos entrevistados esperam que os preços dos imóveis vão subir, porcentagem também maior do que nos demais países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Considerando o histórico de altas taxas de inflação, os imóveis parecem estar entre os investimentos mais atrativos para os brasileiros, finaliza o estudo.
Fones de ouvido "isolam" usuário ao reduzir ruído externo
Fone de ouvido QuietComfort 15, da americana Bose, cancela bem os ruídos externos
Nos velhos tempos, ninguém precisava de muita coisa para desfrutar de uma viagem aérea: óculos de proteção contra o vento, um biplano confiável e uma música no coração. Mas atualmente a lista de equipamentos é um pouco maior: bagagem de mão, um travesseiro cervical e uma máscara de dormir. Isso para não mencionar outros objetos que se adequam às normas da Administração de Segurança de Transportes dos Estados Unidos: mocassins, pasta dobrável para laptop e relógio de plástico.
E headphones redutores de ruído externo.
Os headphones tradicionais transmitem a música diretamente para os nossos ouvidos. Já os modelos dotados da tecnologia redutora de ruído Noise-cancelling (NC) além de transmitirem música também reduzem todo ruído inconsistente à nossa volta, como o barulho de turbinas de avião, aspiradores de pó e discursos de campanhas presidenciais.
O.k, eles não reduzem o barulho de discursos. Isso foi uma piada. Os headphones NC não reduzem realmente barulhos irregulares como discursos e choros de bebês que estão na fila de poltronas ao nosso lado. Mesmo assim, a supressão do ronco das turbinas do avião contribui para reduzir a “fadiga de ruído”, um cansaço persistente provocado pela exposição a um barulho alto por horas a fio. Esses aparelhos também permitem que nós ouçamos músicas ou assistamos a vídeos no trem ou no avião a um volume muito menor (e mais seguro).
Fone Sennheiser PXC 310 (US$ 300) tem bom cancelamento e permite conexão bluetooth
Fone de ouvido Monster by Dre Dre é de grife, mas falha ao cancelar ruído de ambientes extern
Com o melhor design dos fones testados, o AKG K495 NC custa US$ 350 nos EUA
Durante anos a Bose lidera o mercado de headphones NC. Os headphones da Bose são incrivelmente bons, mas também incrivelmente caros. O último modelo da companhia, o QuietComfort 15, custa US$ 300. Eles estão no mercado há mais de dois anos. Sem dúvida, no decorrer desse período, alguém deve ter lançado headphones concorrentes mais baratos ou mais sofisticados.
Mão na massa
Para testar essa hipótese, em escolhi os últimos modelos de dez companhias. Eles são, em ordem alfabética: Able Planet NC1100B (US$ 250), AKG K495 NC da Harman (US$ 350), Audio Technica ATH-ANC7B (US$ 125), Bose QuietComfort 15 (US$ 300), Creative HN-900 (US$ 100), JVC HANC250 (US$ 103), Monster Beats da Dr. Dre (US$ 300), Panasonic RP-HC720 (US$ 90), Sennheiser PXC 310 (US$ 300), Sony MDR-NC200D (US$ 200) e Sony MDR-NC500DM3 (US$ 400). Eu consegui colocar todos eles, incluindo as suas embalagens pretas de transporte, em uma volumosa bolsa de lona. É claro que isso despertou a curiosidade de funcionários da Administração de Segurança de Transportes.
Eu testei os aparelhos em quatro voos de uma costa a outra dos Estados Unidos, trocando constantemente de headphones, testando cada um deles para determinar a eficácia do NC e a fidelidade do som (e é claro que os passageiros sentados ao meu lado ficaram perplexos).
O que eu descobri foi que, no que diz respeito à aquisição de headphones NC, apenas oito fatores são importantes:
Fatores para a escolha de um fone
- NOISE CANCELLLING. Todos eles funcionam da mesma forma: um microfone externo avalia o som ambiente, e a seguir emite as ondas sonoras de frequência oposta, cancelando desta forma parte desse ruído externo.
Mas existe uma variação enorme em termos de eficiência de NC. Por exemplo, o Monster Beats pode ser o fone de ouvido mais bonito do mercado, mas o usuário conseguiria mais eficiência em termos de redução de ruído se tapasse os ouvidos com toalhas de papel Kleenex. Praticamente não há diferença entre ligar e desligar o sistema NC nestes headphones.
Os headphones Audio-Technica, Creative, Able Planet e JVC fazem um melhor trabalho no que se refere a cancelar frequência baixas ou médias. Mas eles ainda deixam muito ruído intocado. Os modelos da Panasonic, da Sony e da AKG têm um desempenho melhor (o sistema de selagem bem projetado da Panasonic começa a bloquear os ruídos antes mesmo de ligarmos o botão de NC).
Mas nenhum deles chega perto dos headphones Bose. Ao usarmos este aparelho temos a impressão de que o mundo externo desapareceu. É algo como a diferença entre estar em um concerto de rock e a alguns quilômetros de distância do palco.
O QuietComfort fez uma pressão ligeiramente desconfortável nas minhas orelhas, fazendo com que eu experimentasse aquela sensação que se tem às vezes dentro de uma avião que está descendo. Mas as avaliações dos usuários online indicam que em faço parte de uma pequena minoria.
- BATERIA. Headphones NC precisam de energia elétrica. Alguns deles trazem baterias recarregáveis embutidas, como é o caso do Sennheiser 310 (duração da carga, 20 horas) e o AKG (10 horas).
Outros precisam de pilhas de tamanho AA ou AAA: o Audio Technica (40 horas), o Panasonic (34 horas), o Bose (35 horas), o Creative (40 horas), o Sony MDR-NC200D (22 horas), o Able Planet (50 horas) e o Monster Beats (12 horas).
Um deles – o Sony NC500DM3 – tem os dois sistemas: uma bateria recarregável (16 horas) e um compartimento no fio para pilhas AA (12 horas a mais), apenas por questão de garantia.
Fone da Audio Technica custa cerca de US$ 140, mas tem bateria de longa duração: quase 20 h
- REPRODUÇÃO DE SONS COM O NC DESLIGADO. A maioria desses headphones reproduz música mesmo quando não estão ligados, ou seja, a carga da bateria só é utilizada quando há necessidade de cancelamento de ruídos. Alguns deles, no entanto, ficam totalmente mudos quando nós desligamos o NC, algo que se constitui em uma surpresa infeliz. Entre eles estão o Bose, o Beats e o Sony NC500DM3.
- COBRINDO PARCIALMENTE OU INTEIRAMENTE A ORELHA. Existem dois tipos de headphones NC: aqueles que possuem grandes concavidades que cobrem inteiramente as orelhas, e aqueles dotados de alto-falantes menores, que simplesmente ficam sobre a orelha.
(Há quem adore os tipos in-ear – que não são exatamente headphones, mas algo como earbuds personalizados que são plugados no canal do ouvido do usuário. Mas eu acho esses modelos desconfortáveis para voos longos. Mas, é aquilo que já se sabe: certas pessoas adoram os tampões de ouvido de espuma vendidos nas farmácias. Esses tampões não tocam música, mas por 25 centavos eles são ótimos para o cancelamento de ruídos, e ninguém os supera em duração de bateria).
A vantagem dos headphones menores, como o Sony NC200D, o AKG e o JVC, é exatamente o fato de eles serem pequenos. Eles não se constituem em um grande volume a ser carregado. Mas, após algumas horas de uso, esses modelos podem provocar dores na cartilagem da orelha, e esse é um sofrimento tão esquisito que eu me sinto quase embaraçado por mencioná-lo.
Já os modelos que cobrem inteiramente a orelha não têm esse problema. Mas é claro que eles são enormes e vêm em embalagens de transporte ainda maiores.
A exceção brilhante fica por conta dos headphones Beats. Embora sejam do tipo que cobre inteiramente a orelha, os seus alto-falantes podem ser dobrados em um ângulo de 180º por sobre o apoio de cabeça (para ter uma ideia de como isso funciona, imagine a sua mão dobrando-se até ficar paralela à parte interna do seu pulso). O resultado disso é um aparelho com alto-falantes grandes que pode ser carregado em uma embalagem muito menor.
- BOTÃO MONITOR. Quando estamos em um voo, às vezes precisamos das nossas orelhas para outras tarefas, como responder a perguntas de comissários de bordo e vizinhos de poltrona. A maior parte dos usuários de headphones lida com tais situações simplesmente removendo os headphones.
No entanto, os headphones Sony e Beat oferecem um botão “Monitor” que, ao ser ativado, simultaneamente interrompe a reprodução da música e faz com que o usuário possa ouvir os sons externos. É possível ouvir o que as pessoas estão falando sem que se tenha que remover os headphones.
- FIDELIDADE MUSICAL. Suprimir os sons indesejados é uma das duas metas principais desses headphones; a outra é reproduzir sons com qualidade.
Porém, não é possível obter um som com a qualidade exigida pelos audiófilos com headphones de US$ 200 ou US$ 300. Mas os modelos Bose, AKG, JVC e Sony proporcionam uma boa potência, graves sólidos e distintos, tons intermediários claros e agudos perfeitos. O aparelho da Beats é especializado em graves retumbantes, conforme seria de se esperar devido à herança rapper dessa marca. Os modelos da Sennheiser têm um ótimo som, mas não oferecem muita potência, fazendo com que passagens mais sutis de música clássica desapareçam completamente no avião.
O som da Audio Technica e do Able Planet não tem nada de extraordinário. O som do Creative é nítido e equilibrado, mas as passagens suaves perdem-se durante o voo. O fone da Panasonic não tem muita potência, mas o sistema de cancelamento de ruídos é tão bom que podemos usá-lo a um baixo volume e ainda assim ouvir tudo.
Melhor custo-benefício, fone RP-HC720, da Panasonic, apresenta boa qualidade sonora
- RECURSOS ESPECIAIS. O Bose e o Beats trazem um microfone no fio, e o usuário pode deixá-lo ativado para ligações de smartphone. O Able Planets tem um controle de volume no fio.
O Sennheiser é o único modelo com Bluetooth, o que significa que não é necessário um fio para que se ouça música ao telefone. Com ele, a experiência do ouvinte pode ser wireless.
- PREÇO. De forma geral, jamais houve uma ilustração melhor daquela regra segundo a qual aquilo que obtemos corresponde ao preço que pagamos. O caro AKG K495 (US$ 350), por exemplo, é o Lexus dos headphones: um design maravilhoso de metal escovado, materiais luxuosos, fio coberto de tecido que evita emaranhados e é extremamente confortável. O som desse aparelho é ótimo e ele elimina completamente os ruídos de frequência baixa e intermediária dentro do avião.
Entretanto, nem mesmo o AKG supera o sistema de cancelamento de ruído do Bose (US$ 300). A tecnologia da Bose ainda está alguns anos à frente da concorrência.
O compacto Sony MDR-NC200D (US$ 200) também se destaca pelo excelente sistema de cancelamento de ruídos e pelo som claro e alto. Entre os modelos que cobrem totalmente a orelha o Panasonic RP-HC720 é uma excelente pedida: US$ 90 por cancelamento de ruído e uma qualidade sonora, recursos que justificariam que ele custasse US$ 250.
Headphones NC de qualidade fazem uma enorme diferença no que diz respeito ao estresse provocado pelo voo. Agora que as passagens já estão caras, pode parecer loucura sugerir que alguém gaste mais algumas centenas de dólares com acessórios como esses. Mas a alternativa pode ser ainda pior: ter que algum dia gastar dinheiro com fisioterapeutas e massagistas, com aparelhos de audição ou com terapia para os nervos.