ROTEIRO PARA O CASAMENTO DE ROGÉRIO
Quinta-Feira - Saímos 06:00 e chegamos em Petrolina por volta das 12:00. Almoçar no Bodódromo + Zé Aílton. Depois vamos visitar as Vinículas (Garziera e Terranova em Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista - Miolo está fechada para reformas). Na volta, tomar cerveja no Chalaco (?). Dormir em Petrolina.
Sexta-Feira - Ir para Calumbi - Almoço/Serra Talhada + Orlando, Diá e Cia.
Sábado - Almoço na casa de tio Pedro para 150 (!) pessoas emendando até o casamento de Rogério às 16:00. Levar um espumante, charutos, muito Engov, Epocler e afins. : P
Domingo - Voltar umas 09:00. Almoçar. Voltar por Euclides da Cunha (balsa R$ 12,00).
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Salvador/Feira de Santana = 107 Km
Feira de Santana/Petrolina = 400 Km
Petrolina / Serra Talhada = 360 Km
Serra Talhada /Feira de Santana
(via Euclides da Cunha) = 590 Km
Feira de Santana/Salvador = 107 Km
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TOTAL: 1.350 Km (no mínimo)
Escrito por Eduardo Lorenzo às 05h21
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VINÍCULAS DO VALE DO SÃO FRANCISCO
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Por Heloisa Bezerra, da Ascom/UFPE
O maior atrativo do Vale do São Francisco pernambucano ainda é a agroindústria. Estudos técnico-científicos encontram-se em segundo lugar como principal agente propulsor das viagens a essa região. Já os curiosos e apreciadores de vinho são responsáveis pela terceira maior leva de pessoas ao Vale. Entre outras, essas foram as conclusões a que chegou a mestranda em Geografia da UFPE, Patrícia Galvão, ao mapear qual o tipo de turismo existente no lado pernambucano do Vale do São Francisco e como se dá o deslocamento do turista para lá.
Ao comparar esta região com o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, tradicional pólo de enoturismo – turismo diretamente relacionado com a produção de vinhos - percebe-se que ainda é incipiente, no Vale do São Francisco, a presença de apreciadores de vinho ou de curiosos em conhecer aspectos relativos a esta bebida. Segundo Patrícia, com a consolidação da região como um pólo vitivinícola, o Governo e os empresários envolvidos no ramo vêm buscando meios de impulsionar e desenvolver o enoturismo. Em 2001, por exemplo, foi estabelecida uma parceria entre o Sebrae e as prefeituras dos municípios de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Petrolina, criando um Comitê de Turismo. No entanto, por parte do Governo, os projetos existentes na área turística nem sempre são considerados primordiais, pois há outras ações emergenciais a serem feitas.
Um dos maiores entraves para o aumento do fluxo de turistas no Vale do São Francisco é a distância. Petrolina, por exemplo, está localizada a cerca de setecentos quilômetros do Recife. As passagens áreas para aquele destino ainda são caras, e, por via terrestre, não há como garantir a segurança do turista, sobretudo devido ao Polígono da Maconha – área composta pelos municípios nos quais a produção e o tráfico de drogas geram muita violência.
O turismo, ainda assim, vem ocasionando mudanças perceptíveis na dinâmica social das populações do Vale do São Francisco. “Toda a cidade começa a pensar e a querer trabalhar com serviços, fazer cursos de recepção para poder trabalhar na portaria, na recepção ou na loja do varejo das vinícolas”, observa Patrícia. Além disso, a Festa da Uva e do Vinho, em Lagoa Grande, que acontecia de dois em dois anos, já está consolidada no calendário anual do município, ocupando o segundo final de semana de outubro. Uma das vinícolas, inclusive, tem a proposta de construir um hotel dentro de suas instalações, que já conta com uma estrutura de 23 apartamentos. Dessa forma, o turista não precisaria deslocar-se de Petrolina para Lagoa Grande, fato que estimularia a atividade turística nesta localidade.
Patrícia alerta que o turismo, entretanto, não deve ser visto como “a salvação da lavoura”, mas como uma alternativa econômica. O que ocorre em diversas regiões que se tornam pólos turísticos é que muitas pessoas se deslocam de suas atividades tradicionais para trabalhar com o turismo, que é sazonal, ocorrendo, às vezes, a marginalização dessas pessoas em épocas de baixa estação.
PESQUISA - Patrícia estudou a realidade das quatros vinícolas voltadas para a produção de vinho que abrem suas instalações para visitação. São elas: Vinícola Vale do São Francisco, em Santa Maria da Boa Vista; Adega Bianchetti-Tedesco, Vitivinícola Lagoa Grande e Vitivinícola Santa Maria, em Lagoa Grande. Além desses dois municípios, Petrolina também foi inserido no objeto de estudo, pois é a maior cidade, em termos de infra-estrutura turística, da região. O estudo, por ser um dos primeiros a analisar essa região, repercutiu positivamente na Academia e deve ser desdobrado em outras pesquisas mais direcionadas. |
Escrito por Eduardo Lorenzo às 05h20
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A região responde por 23% da produção brasileira de vinhos e é um dos habitats preferidos das uvas. Ali, a fruta cresce com a ajuda de um forte um aliado: o clima seco. No Vale do São Francisco quase não chove. A uva brota praticamente o ano inteiro e sem risco de rachar ou azedar. Apesar da indústria vinícola ser recente, o Vale já produz vinhos premiados internacionalmente. O Vale do São Francisco é considerado uma das melhores regiões do mundo para o plantio de uvas. O motivo: quase não chove. É que a chuva durante a colheita pode rachar ou azedar a uva. Como só há possibilidade de chuva entre dezembro e março, é possível produzir praticamente o ano todo no Vale. Em regiões produtoras de clima temperado, como Rio Grande do Sul, África do Sul, Chile, Argentina, Nova Zelândia, Califórnia e Europa, consegue-se produzir apenas uma vez por ano, num período curto de dois meses. No Vale, os produtores conseguem até dois ciclos e meio por ano. Essa boa convivência entre o clima e as plantações de uvas acabou gerando uma nova atividade também na região. O Vale, principalmente os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, está se constituindo num importante pólo vitivinícola do país. Atualmente, além da uva, são produzidos cerca de sete milhões de litros de vinhos finos por ano lá, o que representa 23% da produção brasileira. O Brasil todo produz 30 milhões de litros por ano e importa outros 30 milhões de litros de vinhos finos. Há 27 anos, o enólogo gaúcho Jorge Garziera foi convidado para viajar ao Nordeste e desenvolver projetos de uva de mesa. Cerca de 14 anos depois nascia o primeiro vinho do São Francisco, o Boticelli. "Plantei a semente de um sonho antigo que agora começa a dar frutos através da implantação do pólo vitivinícola. Temos hoje sete vinícolas produzindo vinhos de ótima qualidade (alguns já premiados internacionalmente)", diz o enólogo. Outras cinco já estão com protocolo de intenção para começar a produzir. Garziera investiu R$ 6 milhões para lançar suas próprias marcas, Garziera e Carrancas do São Francisco. Pela margem de lucro oferecida, porém, a produção de uva in natura ainda é mais atrativa. A fruta está mudando o perfil do agricultor do Vale. Mais da metade da produção é responsabilidade das pequenas propriedades. Tendo que trabalhar com técnicas agrícolas novas, esses produtores assimilaram o conceito de empresários rurais. É o caso do casal de agrônomos André Lira Machado, 38 anos, e Adriane Pinto de Sá Machado, 36. Em 1993, eles trocaram o Recife para trabalhar em fazendas de uva na região. Com a poupança que juntaram, mais um empréstimo no Banco do Nordeste, compraram 18 hectares de terra e iniciaram a carreira de produtores de frutas. Hoje, a produção deles é de 400 toneladas de uva por ano. Também produzem 150 toneladas de manga. O faturamento atinge os R$ 500 mil anuais. "Nos juntamos com outros sete pequenos produtores e montamos uma exportadora, a Néctar Agrícola. Conseguimos exportar 220 toneladas este ano", festeja André. O empreendedor afirma que a exportação direta é bem mais atrativa. "No mercado interno, o quilo da uva é comercializado a R$ 1,30. Se vendemos para uma exportadora, o dinheiro é garantido, mas não ultrapassa os R$ 2,70 por quilo. Exportando direto alcançamos até R$ 3,60 pelo quilo da mesma uva. Não dá para comparar", explica.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 05h19
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CALIFÓRNIA NORDESTINA
Vale do São Francisco é comparado à Califórnia A segunda reportagem da série mostra como a fruticultura irrigada valorizou a região do Vale. As receitas com as vendas internas e externas de manga e uva transformaram as cidades de Petrolina e Juazeiro em verdadeiros centros econômico-financeiros do Nordeste do Brasil. Um dos motivos: as frutas aumentaram a renda da população em geral - dos produtores e dos trabalhadores rurais.
A opção pela fruticultura irrigada se mostrou uma excelente escolha para a região do Vale do São Francisco. E não só pelas receitas geradas aos produtores, mas também pela geração de empregos. Estudos da extinta Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Assessoria Legislativa da Câmara Federal mostram que esta modalidade é a que apresenta menor dispêndio por emprego gerado, se comparado com outros setores da economia. Um hectare de terra irrigado no Vale do São Francisco custa hoje, em média, US$ 10 mil para o Poder Público. Se o plantio for de uva, serão necessárias cinco pessoas por hectare, o que dá um custo de US$ 2 mil por emprego gerado. A indústria automobilística, por exemplo, consome no mínimo US$ 47,4 mil por emprego gerado; a farmacêutica, US$ 42,4 mil; a petroquímica, US$ 38,6 mil; e a siderurgia, pelo menos US$ 15,6 mil. Além da geração de emprego a um custo barato, a fruticultura irrigada apresenta conseqüências positivas no aspecto social. Um dos mais óbvios deles é a fixação do homem no campo. Estima-se que hajam 400 mil trabalhadores empregados na agricultura irrigada do Vale do São Francisco. Em outra situação, esse contingente já teria migrado para as capitais nordestinas ou cidades do Sudeste brasileiro. Uma massa assalariada tão grande gerou também um sindicalismo bastante organizado. Atualmente existem na região 10 sindicatos com atuação nos municípios envolvidos na agricultura irrigada. Unidos, eles conquistaram benefícios sociais não muito comuns no interior do Nordeste. “Aqui, quase a totalidade dos trabalhadores regulares tem carteira assinada. O transporte é gratuito e seguro, feito em ônibus. Ninguém pode ser transportado na carroceria de caminhões. Nas fazendas, há vestiário masculino e feminino e todos possuem equipamentos de proteção individual”, relata o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina, Manoel Moreira.
Agricultores A pujança da fruticultura no Vale do São Francisco também fez nascer uma classe média rural significativa. Cálculos produzidos pela Vale Export, cooperativa de produtores da região, dão conta que um pequeno agricultor, que explore 6 hectares de uva, pode chegar a um faturamento anual de R$ 300 mil. Estimando-se um rentabilidade de 30%, este agricultor teria uma renda mensal de R$ 8 mil, o que é bem significativo para a região. Tal classe média acaba por impor uma demanda por produtos e serviços mais qualificados. Os efeitos disso são vistos a olhos nus no centro financeiro do Vale: as cidades irmãs de Petrolina e Juazeiro. A primeira localizada em Pernambuco e a segunda, na Bahia, são separadas apenas pelo Rio São Francisco, obstáculo que uma ponte já resolveu há 50 anos. Um dos setores mais aquecidos no local é o da construção civil. Edifícios luxuosos começam a ser erguidos na orla fluvial petrolinense, uma espécie de avenida Copacabana sertaneja. Um deles, o Morada do Rio, possui apartamentos de 250 metros quadrados e elevador panorâmico. “Temos mais facilidade em comercializar unidades com padrão A ou B. O público alvo são agricultores, funcionários públicos graduados e a classe médica”, detalha Audísio Venâncio, diretor da Construtora Venâncio, uma das cinco maiores do Vale. O depoimento do construtor revela um outro segmento em franca expansão no Vale. Petrolina e Juazeiro têm se configurado num significativo pólo médico interiorano, com clínicas especializadas e hospitais se multiplicando a cada ano. Serviços como tomografia computadorizada ou intervenções complexas como transplante de órgãos são realidade naquela parte do sertão. Medicina será uma das graduações da Universidade Federal do São Francisco, instituição já oficializada em Diário Oficial e cujas instalações físicas estão em construção. Califórnia
O prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, compara a experiência do Vale do São Francisco com o que ocorreu na Califórnia, nos Estados Unidos. “Com o fim do ciclo do ouro, na década de 30, a Califórnia se tornou a unidade mais pobre da federação norte-americana. Fez-se, então, um investimento fortíssimo em irrigação. Logo depois, vieram as universidades e, com elas, a tecnologia. Hoje, a Califórnia figura entre os mais ricos estados americanos”, diz o prefeito. Apesar dos evidentes benefícios, o Brasil ainda investe timidamente em agricultura irrigada. No país, há 2,9 milhões de hectares irrigados, o que corresponde a 6,4% da superfície total cultivada de 45 milhões de hectares. Estima-se que o potencial irrigável ultrapasse os 30 milhões de hectares, o que poderia duplicar a produção agrícola nacional. Segundo o International Management Institute, órgão que assessora a FAO, países como o México já estão em situação muito mais avançada do que a nossa no que diz respeito ao aproveitamento de solo irrigável. Lá, um projeto de irrigação público elevou de 200 mil hectares para 8,3 milhões de hectares a área irrigada. Isto em pouco mais de 50 anos. Os dois países mais populosos do planeta na atualidade, a China e a Índia, investem maciçamente em irrigação por causa de sua capacidade inigualável de criação de empregos no campo, motivo pelo qual conseguem manter mais de 80% de sua população fora das áreas urbanas. A China possui a maior área irrigada do mundo, com 50 milhões de hectares, e lançou um programa ambicioso que pretende irrigar 1 milhão de hectares por ano.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 05h19
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MALDITOS BANCOS E SUAS TARIFAS BANCÁRIAS
O governo elabora um plano de ação para conter a cobrança de tarifas bancárias. Vai-se mexer num filão que, em 2006, rendeu aos bancos brasileiros R$ 27 bilhões. Detalhes das providências que estão no forno constam de documento entregue por um secretário do Ministério da Fazenda a deputados, em reunião reservada da comissão de Defesa do Consumidor da Câmara.
De acordo com o texto repassado aos deputados pelo secretário de Acompanhamento Econômico da pasta da Fazenda, Nelson Barbosa, são dois os principais objetivos da equipe econômica de Lula:
1) limitar o número de serviços bancários sujeitos à cobrança de tarifas;
2) ampliar a quantidade de "serviços básicos" sobre as quais a incidência de cobranças adicionais é proibida.
Hoje, os bancos impõem à clientela 74 tipos de tarifas – de taxas para a emissão de talões de cheque e extratos a cobranças que incidem sobre empréstimos bancários. Deseja-se reduzir essa quantidade. A Comissão de Defesa do Consumidor defende que as tarifas sejam limitadas a 20.
No encontro da última quinta, porém, o auxiliar do ministro Guido Mantega (Fazenda) não se comprometeu com o número pretendido pelos congressistas. Limitou-se a concordar com a necessidade de redução. Será feita, segundo confidenciou aos parlamentares, de maneira gradual.
Para deter a proliferação de tarifas bancárias, o documento da Fazenda prevê uma mudança nas regras que regulam a criação de novas taxas. Só poderiam ser instituídas mediante autorização do Banco Central. Hoje, exige-se das casas bancárias apenas que informem ao BC, com um mês de antecedência.
Para facilitar a vida dos correntistas, planeja-se também impor aos bancos uma padronização das tarifas. Em vez da barafunda em vigor, que permite que cada banco dê às suas tarifas o apelido que bem entendem, as taxas passariam a ter denominação única. O objetivo é facultar ao cliente a comparação dos preços.
As medidas em estudo têm altíssimo grau de interesse social. Os bancos são, hoje, vice-campeões no ranking de reclamações dos Procons. Respondem por cerca de 40% das queixas. Só perdem para as empresas de telefonia. Daí o interesse do governo e do Congresso de contrapor algum tipo de freio à sanha dos bancos.
Na véspera da reunião da comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, o ministério da Justiça promovera um outro encontro, para tratar do mesmo tema. Sentaram-se em volta da mesa funcionários do BC, da Secretaria de Direito Econômico e dos Procons. Decidiu-se constituir um grupo de trabalho, para elaborar um novo modelo de fiscalização das cobranças de tarifas bancárias.
A idéia é criar índices regionais de reclamações. Seriam baseados na quantidade de ocorrências protocoladas nos Procons. Sempre que as queixas ultrapassassem um determinado limite, a ser fixado, a fiscalização do Banco Central seria acionada.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h46
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Do Consumidor Moderno
Captar os hábitos dos consumidores por meio de suas atitudes inconscientes na hora da compra. Demais? Não para José Augusto Domingues, diretor da empresa de pesquisa e consultoria Sense Envirosell. “Quanto mais detalhes tivermos sobre os hábitos de uso do consumidor, mais completo fica o estudo e a certeza de que aquele produto realmente vai atingir os resultados esperados”.
Ficar de olho no que o consumidor faz dentro da loja está se tornando um nicho rentável para as empresas de pesquisa, que vêem a demanda por seus serviços aumentar dia a dia. A pesquisa por observação, também chamada de experimental, consegue maior riqueza de informações sobre o consumidor: ele é observado por câmeras ou pelo próprio pesquisador no ponto de venda.
Essas pesquisas proporcionam ao varejista uma nova visão sobre seu próprio negócio e a possibilidade de entender a importância de alguns detalhes: como o consumidor segura a embalagem, se olha o preço, lê as placas de promoção, como se desloca pela loja... Aspectos que o consumidor deixa transparecer, inconscientemente, por meio de suas atitudes.
Consumidores em observação
O antropólogo americano Paco Underhill foi um dos pioneiros em trazer estudos antropológicos e sociológicos para o ambiente corporativo. Há vinte anos, ele se dedica à atividade de filmar consumidores e analisar estas fitas para extrair delas equívocos de arquitetura, comunicação visual, disposição de produtos – parâmetros para o varejo testar suas estratégias. Os flagras podem revelar aspectos tão corriqueiros quanto decisivos para o sucesso ou fracasso de uma loja.
“Observando podemos entender quais barreiras dificultam a finalização de uma compra e adaptar o espaço para que ele seja convidativo”, explica Domingues, da Envirosell, da qual Underhill é CEO e fundador. “Quando entram em uma loja, as pessoas não estão interessadas só em adquirir o produto pelo melhor preço. Querem um ambiente agradável, em que seja fácil se movimentar e localizar os produtos; querem tocá-los e compará-los”, explica Underhill, autor de “Vamos as Compras” e “A Magia dos Shoppings”, no qual analisa diversos shoppings centers pelo mundo.
Após visitar mais de 300 e passear por seus corredores, muitas vezes acompanhado de amigas e amigos frequentadores, Underhill pôde tirar diversas conclusões sobre esses centros de compra: são subaproveitados. A começar pelos estacionamentos. Enormes labirintos que no lugar de recepcionar amistosamente o consumidor, acaba por confundi-lo e fazer com que gaste boas doses de energia para encontrar uma vaga e depois, a escada rolante.
“Tão logo entrasse no recinto, o usuário deveria ser recebido por um atendente, uma espécie de guarda de trânsito local. Acompanhado de mais três ajudantes, se encarregariam de indicar as vagas disponíveis, manter o trânsito fluindo e dar aos motoristas a sensação de ordem e segurança”, fala.
Página a página, o americano vai citando os equívocos mais comuns praticados pelos shoppings. Um deles diz respeito a localização das lojas. Nada muito próximo à entrada costuma funcionar. “Não estamos prontos para tomar decisões de consumo ao longo dos cinco ou seis primeiros metros depois da entrada de um shopping”, diz. Essa é uma das coisas, mais importantes que Underhill aprendeu em duas décadas de estudos sobre a movimentação dos consumidores nos ambientes varejistas. “Se houver uma sinalização qualquer, provavelmente, não será notada. Algumas lojas têm o péssimo hábito de acondicionar cestas de compra logo após as entradas. As pessoas passam direto por elas”, assegura.
O que as empresas de pesquisa já descobriram sobre o comportamento do consumidor observando-o nos pontos de venda:
- "Quando o consumidor é obrigado a percorrer toda a loja atrás do produto que o levou a entrar, geralmente acaba, no caminho, se deparando com algo que lhe desperta atenção e acaba incorporando-o a cesta. Por isso, alguns comerciantes optam por colocar produtos de grande saída como chicletes, chocolates e sodas no fundo da loja obrigando o consumidor a passear pelos corredores. Há o lado negativo desta opção: o consumidor pode invariavelmente se irritar por não encontrar o item e ir embora com as mãos vazias.
- Corredores estreitos não são bem vindos, especialmente para as mulheres. A proximidade, e o encosta-encosta desviam a atenção da compra e geralmente fazem as pessoas quererem sair mais rápido da loja.
- A falta do preço referente ao produto também acaba prejudicando o ato da compra. O consumidor fica ansioso em sua busca e se distrai em relação a outros produtos que poderia comprar. O mesmo acontece com displays e gôndolas que dificultam o manuseio de embalagens e comunicação visual confusa – muitos cartazes, banners e faixas. Em tempo: raríssimos consumidores lêem cartazes com textos extensos. Se um cartaz precisa de mais de vinte segundos para ser lido, significa que a pessoa precisa parar para ler.
- Quando se trata da compra de produtos eletrônicos, homens não gostam da ajuda de vendedores para se decidir. Ele prefere resolver sozinho. Precisa de tempo para analisar cada produto e informação técnica e se precisar de ajuda, pede. Já a mulher, prefere que alguém a aconselhe. Não tem paciência para pesquisar as marcas e as vantagens de cada aparelho.
- Mas quando o assunto é beleza, a cena se inverte. Uma mulher é capaz de passar até oito minutos na frente de uma gôndola de tintura para cabelos. Escolhe entre as marcas, variações de cor e apresentações.
- Nos supermercados, o homem tende a ser mais indisciplinado. A tendência é ele ir as compras com a intenção de trazer 1 litro de leite mas voltar para casa com seis sacolas lotadas de supérfluos. A mulher se concentra em alimentos e itens indispensáveis a alimentação da família e limpeza da casa.
- Ao observar consumidores em lojas de pisos, a câmera flagrou por diversas vezes pessoas cheirando azulejos - isso mesmo. A interpretação que se faz é que quando se refere a artigos para casa, o olfato agradável que remeta a algo confortável, deve estar presente, mesmo que a compra seja um novo piso. O insight deu a brecha para fabricantes inserirem aroma em diversos artigos para casa, do azulejo a tinta de parede.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h45
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ABSURDO!
"Paraíso Tropical" foi segunda pior novela da década em Ibope
da Folha de S.Paulo
"Paraíso Tropical" chegou último capítulo sexta-feira passada, mas, paradoxalmente, como um sucesso de crítica e um fiasco relativo de público. A novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares despertou a atenção até de intelectuais, mas não empolgou parcela do público tradicional da telenovela: o telespectador mais humilde e interiorano.
No Ibope da Grande São Paulo (que se reflete no resto do país), "Paraíso Tropical" será a segunda pior novela desta década. Registrava até o capítulo da última segunda média de 42,5 pontos. Na região, cada ponto equivale a 55 mil casas.
A atual novela das oito só ganha de "Esperança" (2002), que teve 38 pontos. Rompe uma seqüência muito bem-sucedida, que começou em 2004 com "Senhora do Destino" (recordista de audiência, com 50,4 pontos) e prosseguiu com "América" (49,4), "Belíssima" (48,5) e "Páginas da Vida" (46,8). Sua audiência é um fracasso relativo porque ficou abaixo do trilho considerado ideal pela Globo, de 45 pontos. Mas é o programa mais visto da TV brasileira, com pelo menos 40 milhões de telespectadores.
A história urbana da novela foi mais bem recebida nas grandes capitais, como São Paulo e Rio, do que no interior. Em Campina Grande (PB), por exemplo, foi apenas a quinta maior audiência em maio.
"Paraíso Tropical" teve rejeição do público logo no início, inclusive nas grandes capitais. Pesquisas da Globo mostraram que as donas de casa não gostaram das cenas de sexo da prostituta Bebel (Camila Pitanga) nem da vilania desumana de Olavo (Wagner Moura). A união dos dois personagens (e a censura ao sexo) acabou tornando os vilões personagens simpáticos, a ponto de boa parte do público torcer por eles.
Além disso, a trama das gêmeas de Alessandra Negrini demorou a entrar no ar e ninguém suspirou pelo romance de Paula, a gêmea boa, com o mocinho Daniel (Fábio Assunção).
A novela só não teve um desempenho pior no Ibope porque as mudanças feitas logo no final do primeiro mês de exibição interromperam a tendência de queda. No final, os autores inventaram uma troca de identidade entre as gêmeas e mataram a má, Taís, mas isso não foi suficiente para recuperar a audiência que desligou o televisor ou mudou de canal. A novela, inclusive nesta última semana, não conseguiu passar da casa dos 50 pontos/capítulo.
Mesmo assim, a gravação de suas últimas cenas segue até o início da tarde amanhã. A Globo não chegou a montar barricadas, mas elaborou um forte esquema para evitar o vazamento precoce da identidade do assassino de Taís.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h44
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Presidente do Cazaquistão quer intercâmbio com a Justiça brasileira
Em visita ao Supremo Tribunal Federal o presidente da República do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, afirmou que espera manter um intercâmbio com o Brasil, também na área jurídica, além da cooperação bilateral que foi iniciada com sua visita ao país. Ele destacou que estão em andamento acordos nas áreas econômica e social, especificamente em relação à agricultura, petróleo e isenção de vistos para que nacionais de ambos os países possam neles transitar.
Nazarbayev foi recebido pela presidente da Suprema Corte, ministra Ellen Gracie, que explicou ao visitante o funcionamento da Justiça brasileira, especificando a composição e o papel do Supremo, dos tribunais superiores e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), este último citado como exemplo de eficiência na apuração de eleições informatizadas. Ela destacou o papel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o esforço para informatizar os andamentos judiciais, tornando-os mais rápidos e acessíveis.
O presidente cazaque explicou seu esforço para que o “império da lei” predomine em seu país, lembrando que a sua independência é recente (1991). Ele lembrou que em 15 anos o país fez uma mudança de "180 graus", mas que ainda falta muito para se atingir a esperada democracia plena, onde a lei sempre esteja acima de todos. A ministra concordou, lembrando que o primado do direito é que garante a liberdade.
O Cazaquistão, uma das repúblicas da ex-União Soviética, é o 9º país em extensão territorial do mundo e o 57º em população, fica na Ásia Central e os idiomas nacionais são o cazaque e russo.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h43
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OS ÚLTIMOS DIAS DE CHE GUEVARA
Ótima reportagem. Quase deu vontade de comprar a revista.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h42
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WILL CHUCK NORRIS BLEND ?
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h53
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SERÁ QUE A CARAS COBRIU O EVENTO ?
Beira-Mar se casa em presídio de Campo Grande
da Folha Online
O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, casou sexta passada com Jaqueline Alcântara Moraes, na penitenciária federal de Campo Grande (MS). A cerimônia começou às 13h30 (horário local, 14h30 em Brasília) e durou cerca de meia hora.
Quatro familiares adultos --dois escolhidos por cada um dos noivos -- foram as testemunhas e duas pessoas contratadas pelo casal filmaram e fotografaram a cerimônia. A lista de convidados foi completada por um sobrinho do casal, de 8 anos, e por uma das três filhas de Beira-Mar e Moraes, de 9 anos.
O casamento teve bolo, refrigerante e salgadinhos, que passaram por "rigorosa inspeção", segundo o Ministério da Justiça, a quem é subordinado o Depen (Departamento Penitenciário Nacional). Os noivos tiveram que brindar em taças de acrílico com refrigerante.
Depois da cerimônia, Beira-Mar teve que entregar a alianças aos agentes penitenciários, mas o casal teve direito a duas horas de visita íntima. De acordo com o ministério, o casamento envolveu um forte esquema de segurança, com homens da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e até agentes penitenciários que estavam de folga.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h50
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Os ditadores de Mianmar e o medo do purgatório
Em algum ponto no verão de 2005, o presidente da junta de Mianmar, Than Shwe, chamou seu principal astrólogo. O general tinha seguido seu conselho poucos meses antes e construído uma nova capital nas montanhas, que seria, segundo o assessor, a única forma de segurar o poder. Agora o general queria saber qual seria a melhor data para fazer a mudança.
O sábio, membro do clérigo budista do país, olhou as estrelas e disse: "Às 6h37 do dia 6 de novembro de 2005". Apesar de a nova capital nem ter ainda um fax funcionando, um comboio indeterminável de caminhões militares cheios de móveis de escritório viajou até as novas instalações no "dia auspicioso". O nome de Naypyidaw, que o general Than Shwe escolheu para seu novo esconderijo na mata, era uma indicação do estado mental do homem forte de Mianmar: significa "terra real".
Desde 1962, Mianmar vem sendo dominada por generais brutais que procuraram a salvação do país pelo "caminho birmanês do socialismo". Ainda assim, em nenhum outro país do Leste e do Sudeste Asiático a crença espiritual e supersticiosa está tão presente no cotidiano. Depois do reino fechado do Butão no Himalaia, Mianmar é provavelmente o país mais budista do mundo.
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| Um monge budista e um turista caminham em pagoda localizado em Myawadi, Mianmar |
Ao menos uma vez em sua vida, cada homem deve passar semanas se não meses em um mosteiro. O especialista Bertil Lintner acredita que, dos 53 milhões de habitantes, mais de 400.000 homens são atualmente monges de vestes açafroadas, o mesmo número de soldados. Outras estimativas colocam o número de monges em 800.000. A fé, no entanto, não é uma coisa só para o povo. O regime militar, em geral inescrupuloso, busca as bênçãos dos deuses, de Buda e dos 36 "Nats", como são chamados os espíritos de Mianmar, algumas vezes adotando medidas verdadeiramente estranhas.
Nos anos 70, por exemplo o ditador Ne Win -que governou o país de 1962 a 1988- invalidou a nota de 100 kyats e adotou notas de 90 kyats. Noventa é um número da sorte e, com essa medida absurda, Ne Win esperava não só conseguir a bênção de seu país, mas também escapar ao terrível purgatório pintado em todo templo budista.
É um temor claramente compartilhado por seus sucessores. E pode em parte explicar por que, em 2003, cinco anos após ter esmagado o movimento pela democracia com banho de sangue aterrador, a junta permitiu que um elefante branco encontrado na mata fosse trazido a Yangun. Um templo foi construído nos limites da cidade de 5 milhões de habitantes, especialmente para o animal poder ser publicamente exibido. De acordo com uma crença popular, os elefantes brancos simbolizam a sorte e, neste caso em particular, era um sinal que os deuses apoiavam o regime.
Os líderes militares ao longo do Irrawaddy talvez sejam insuperáveis em sua crueldade, mas, mesmo nas sociedades modernas e democráticas da Ásia, não é incomum os políticos fazerem incursões em áreas religiosas duvidosas, que nascem da tradição e da superstição asiática. Não é preciso ir mais longe que o afluente Taiwan. Há poucos meses, o general que é secretário do partido de oposição Kuo Mintang (KMT), fez uma curta viagem a San Francisco. Ele foi visitar Lin Yun, mestre do budismo tântrico da Seita Preta, que mora em uma mansão opulenta perto da Universidade de Berkeley.
Ele esperava que Lin Yun pudesse aconselhá-lo sobre suas chances nas eleições presidenciais que se aproximam no Taiwan. O mestre Lin Yun morou durante anos no Taiwan e foi conselheiro espiritual e político para inúmeros políticos da ilha. Seus seguidores acreditam que pode fazer rituais mágicos para alterar o destino. Mesmo os líderes do Partido Comunista chinês e suas famílias entregaram-se à religião e ao ocultismo.
Nos anos 90, por exemplo, o diretor do partido insistiu em encontrar a reencarnação de Panchen Lama -que fica logo abaixo do Dalai Lama na hierarquia religiosa tibetana -com a ajuda do ritual religioso antigo da Urna Dourada. O principal ponto da medida, é claro, era frustrar a tentativa do Dalai Lama de nomear seu próprio Panchen Lama, mas não é segredo em Pequim que a filha de Deng Xiaoping, gigante do Partido Comunista, foi atraída para o budismo mesmo enquanto seu pai ainda era vivo.
Na prática, entretanto, as coisas parecem um pouco diferentes na China. A constituição garante ostensivamente a liberdade de religião, mas os serviços de segurança da China oprimem as freiras e monges tibetanos, assim como fazem com pastores de igrejas cristãs não oficiais e praticantes de Falun Gong. O serviço secreto chinês e grupos de estudos advertiram por anos que a liberdade de religião poderia ser um perigo para o controle do poder pela ditadura.
Não é difícil para os chineses encontrarem exemplos dos perigos que a religião impõe ao Estado. Nas Filipinas, a revolução do Poder do Povo nos anos 80, contra o ditador Ferdinand Marcos e o presidente corrupto Joseph Estrada, por exemplo, dificilmente teria sido possível sem o apoio da Igreja Católica. Na Indonésia, a medida do ex-presidente Mohamed Suharto para esmagar um levante muçulmano em Tanjung Priok em 1984 fez com que tivesse que se virar sem o apoio de importantes grupos muçulmanos.
Portanto, não foi uma surpresa quando o clérigo islâmico cego Abdurrahman Wahid se tornou o primeiro presidente da Indonésia democrática em 1999. Gus Dur, como é chamado por seus seguidores, era, na época de sua vitória eleitoral, diretor do Nahdatul Ulama que, com 40 milhões de membros, é o maior grupo religioso do país muçulmano.
No entanto, é duvidoso que a junta militar de Mianmar esteja dedicando tempo demais atualmente a pensar sobre a religião de seu país e continente. Toda a magia oculta não funcionou, e agora estão apenas pensando em como sobreviver politicamente e reter o poder. Enquanto dezenas de milhares de monges marchavam pelas ruas de Yangun ao meio dia na quinta-feira (27/09), recitando sutras e canções de paz e compreensão, veículos militares cheios de soldados e policiais de confrontos já estavam assumindo suas posições nas ruas laterais.
"No passado, os generais de fato retrataram-se como fiéis budistas para permanecerem no poder", diz Soe Aung, líder da oposição no exílio em Bangcoc. "No entanto, os generais podem chegar a qualquer extremo para se manterem no poder." Por mais absurdo que pareça, a salvação para os monges das ruas de Yangun agora só pode vir de Pequim. A junta de Mianmar dificilmente sobreviveria sem o apoio econômico do superpoder ao Norte.
Diplomatas chineses recentemente aconselharam os generais supersticiosos em Naypyidaw a resolverem seus problemas por reformas democráticas moderadas. A indicação chinesa não foi motivada por reverência aos homens sagrados de vestes laranjas. Pequim só quer certificar-se que as Olimpíadas de 2008 não serão ameaçadas por problemas em seu quintal.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h45
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O tema tarifas bancárias ganhou espaço nas discussões entre bancos, clientes, Ministério Público - que pediu a proibição de algumas cobranças - e, agora, na Câmara dos Deputados - com a comissão de Defesa do Consumidor querendo fixar em 20 o total de cobranças diferentes. Além disso, na última semana, a Federação Brasileira dos Bancos lançou um sistema que garante a comparação das 46 principais tarifas cobradas do correntista em dez bancos diferentes.
Seis principais
Em meio a tantas informações sobre o tema, o usuário pode acabar ficando confuso. Porém, de acordo com a cartilha "Uso consciente da conta-corrente", elaborada pelo Banco Itaú, são seis as principais tarifas impostas aos correntistas:
- Manutenção de conta: em geral, o débito ocorre mensalmente e, em grande parte dos bancos, está incluso no pacote de serviços da conta-corrente;
- Adiantamento a depositante: é uma tarifa imposta quando o banco permite ao cliente efetuar uma retirada ou qualquer outro débito em sua conta sem que haja saldo suficiente ou, ainda, além do limite de cheque especial contratado. É importante ficar atento, porque haverá cobrança toda a vez que o serviço for utilizado;
- Cheque de baixo valor: cobrança pela compensação ou pelo pagamento de cheques emitidos pelo cliente abaixo de um valor predeterminado por cada banco. As instituições justificam o débito afirmando que a compensação de um cheque possui um custo muito elevado. Mas órgãos de defesa do consumidor entendem a prática como abusiva;
- Cheque de alto valor: assim como ocorre com as folhas de baixo valor, aquelas que permitem a compensação de mais de R$ 5 mil são oneradas pelos bancos. A prática ocorre porque desde 2002, com a implantação do novo Sistema Brasileiro de Pagamentos, os bancos devem efetuar depósitos prévios correspondentes a percentuais sobre os cheques com valores iguais ou superiores a esse valor;
- Devolução de cheque por falta de fundos: é uma forma de remunerar os bancos pelos procedimentos operacionais que devem ser adotados em análise e devolução. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), só pode haver cobrança dessa tarifa por falta de fundos (com o código 11 na primeira ocorrência e 12 na segunda), conta encerrada (motivo 13) e prática espúria (motivo 14);
- Exclusão do Cadastro de Emitentes de Cheque sem Fundos: é a cobrança que o banco faz para retirar o nome do correntista do cadastro de inadimplentes pela emissão de folhas "voadoras".
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h44
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Preso no lugar de homônimo em SP ganha ação contra o Estado
da Folha de S.Paulo
João Pereira da Silva, 35, o "João negro", ladrão que passou dez meses a mais na cadeia de São Paulo cumprindo por engano a pena de "João branco", seu homônimo, também criminoso, processou o Estado e ganhou em primeira instância o direito a uma indenização de R$ 70 mil.
Em agosto do ano passado, a Folha mostrou a história de "João negro": após ser condenado a um ano de prisão por ter furtado uma carteira com R$ 10, João Pereira da Silva não conseguiu mais ser solto. Um homônimo, que tinha os mesmos nomes de pai e mãe que ele, mas era branco, também havia sido condenado à prisão por três anos e meio por roubar, com uma arma, R$ 162. "João branco" passou seis meses na penitenciária e fugiu. Em seu lugar, ficou "João negro", confundido pela Justiça.
Sem carteira de identidade, foram necessários meses para o exame datiloscópico (registro das impressões digitais) que provava a diferença entre os homônimos ser aceito. "João negro" só deixou a penitenciária de Franco da Rocha (Grande SP), onde estava, quando a reportagem foi publicada. Um mês após estar em liberdade, ele conseguiu ser readmitido no açougue onde trabalhava antes, mas não pôde ser registrado até maio, conta, porque seus documentos não estavam regularizados. "Demorou para que tudo ficasse certo. Eu não podia ser contratado porque ainda constava a pena do outro João para mim."
Situação organizada, ele foi transferido para um açougue em Osasco, onde trabalha 15 horas por dia e ganha R$ 800. Mas continua morando em um albergue da prefeitura, no centro de São Paulo. "Só agora é que estou, aos poucos, conseguindo juntar dinheiro", afirma. "Com a indenização, vou comprar uma casa." Falta só escolher o local: em Osasco ou na Bahia, onde tem parentes. "Meu sonho é ter um canto para morar e ficar em paz. Ainda tenho muito medo de ser confundido com o outro João e ir para a cadeia de novo."
Foi por conta dos danos morais que os advogados da Pastoral Carcerária, que ajudam João há dois anos, entraram com uma ação indenizatória contra o Estado por erro judiciário. "Ele precisa ter algum tipo de compensação. Dez meses a mais na cadeia não é pouca coisa", afirma Cezar Augusto Foganholo, um dos advogados.
O pedido de indenização era de R$ 300 mil, mas o juiz Ronaldo Frigini, da 1ª Vara da Fazenda Pública, deu a sentença no dia 7 de agosto condenando o Estado a pagar R$ 70 mil. "Vamos entrar com uma apelação para tentar aumentar o valor, até porque, como a ação é contra o Estado, automaticamente ele recorre da sentença", afirma Foganholo. Não há previsão para o fim do processo. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do governo estadual informou que é praxe entrar com recurso.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h44
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RODEIO
Três amigos estavam reunidos tomando uma cervejinha, entre outras coisas falavam sobre as melhores posições durante o ato sexual: Um deles disse:
- Para mim a melhor é o 69!!!! O outro disse:
- Para mim é o papai e mamãe!!!! E o último disse:
- Não há nada melhor do que o RODEIO!!!!
Os outros dois amigos o olharam assombrado e perguntaram do que se tratava.
O homem explicou:
- Bem, fale para sua mulher que se coloque de quatro... Comece a transar e uma vez que as coisas estejam bem quentes...
Apóie seu peito sobre as suas costas, abrace-a fortemente, e diga com delicadeza, bem baixinho, ao seu ouvido: "Esta é a posição favorita da minha secretária..." E DEPOIS TENTE SE MANTER EM CIMA DELA POR MAIS DE OITO SEGUNDOS...
Seguuuuuuuuuuuuuura Peãooooooooooooooooo!
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h43
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ARACY DE ALMEIDA: "Vai levar dez pau"
> > > > Como diria Aracy de Almeida: "Vai levar deisch pau..." > > deculpe-me a ignorância, mas o que Aracy de Almeida > queria dizer com "Vai levar deisch pau..."? Sei que não é > algo bom, tendo em vista a disposição das companheiras de > cela dela. Depois, sou eu que surjo com expressões novas! > > Espero ansiosamente pelo esclarecimento! Bjs, Milena.
Por onde começar...
Bem, Aqui (http://pt.wikipedia.org/wiki/Aracy_de_Almeida) vc descobre que Aracy de Almeida foi uma das maiores sambistas do Brasil, contemporânea de Noel Rosa e que fez muito sucesso durante as décadas de 30/50.
A partir da segunda metade da década de 60, Aracy participou como jurada em vários festivais da canção, tendo retornado aos holofotes da mídia na década de 70 ao ser jurada do Chacrinha na Globo e principalmente graças a Silvio Santos ao ser convocada para ser a jurada mais enfezada do Brasil ao dar sempre as piores notas e comentários mais sarcásticos de todos os candidatos do "Show de calouros" no SBT.
Aqui vc tem mais detalhes deste período no trecho transcrito abaixo (http://www.paralelos.org/out03/000368.html) retirado do livro Araca, a arquiduquesa do Encantado, de Hermínio Bello de Carvalho (Folha Seca, 2004), da crônica Dama do Encantado, de João Antonio, e dos sites Agenda do Samba-Choro e Dicionário da MPB.
"Ainda na televisão, chegou a trabalhar como jurada na Buzina do Chacrinha, na Tv Globo -- Chacrinha a chamava de "Dama da Central" --, posto no qual encerraria a vida. Embora tenha sido a sua imagem mais conhecida na posteridade, é de se perguntar quantos espectadores do "Show de Calouros" (a versão nacional do "Gong Show", de Chuck Barris) do Programa Silvio Santos sabia ou, ao menos, desconfiava, que aquela velha coroca e mau humorada tinha andado nos círculos intelectuais de mais prestígio do país, ou que tinha sido intérprete de Noel Rosa. A ranzinzice e o rigor com que julgava os aspirantes ("o matusquela vai levar dez pau") fez dela a mais conhecida e bem paga dos jurados que compunham um plantel dos mais bizarros do audiovisual brasileiro. Pode-se creditar seu mau humor característico a uma combinação de ranhetice da idade, excesso crítico e exigência profissional com a interpretação de uma caricatura perfeita para provocar a audiência. Paradoxalmente, o mau humor aumentou sua ligação afetiva com o público, com quem trocava gentilezas na rua, e acabou tornando-se um grilhão: teve seu pedido de demissão negado, porque era grande responsável pelos índices do Ibope.
Debilitada por problemas físicos, abandonou a televisão na segunda metade da década de 80, sendo hospitalizada em função de um edema pulmonar que a levou ao coma por dois dias. Após mais dois dias em lucidez, faleceu. Foi velada no Teatro João Caetano (onde fizera seu último show -- do projeto Seis e meia, com Albino Pinheiro) e seu corpo percorreu, no carro dos bombeiros, diversos bairros freqüentados por ela ao longo da vida: Copacabana, Glória, Lapa ,Vila Isabel, Méier, Encantado. Era o adeus final da Arquiduquesa do Encantado, que partiu sem gravar o disco de composições de Cartola sonhado por Sérgio Porto".
Enfim, quando se fala em Aracy de Almeida, a primeira imagem que me vem a cabeça é dela como jurada do Sílvio Santos. Na época, já uma enfezada senhora, ela parecia uma bruxa de óculos escuros, emoldurada por um pixaim black power, com o humor de uma sogra com TPM. só anos depois é que fui entender porque era ela que gongava os calouros, ao som do famoso bordão "vai levar dez pau" pronunciado com inconfundível sotaque carioca: "vai levarrrr deisch pau", o qual reproduzi acima pra ilustrar a resposta q ela teoricamente daria a Suzane Richtofen se fosse não a jurada, mas sim a juíza da ação indenizatória proposta pela infame assassina dos próprios pais...
Alguns vídeos rápidos dela sacaneando os jurados:
Aracy de Almeida - Show de Calouros (Aracy sendo ranzinza)
Aracy de Almeida - Show de Calouros - 1986 (o som tá ruim, mas Aracy tá ótima!)
Show de Calouros - Apresentação dos Jurados - 1988 (vídeo de qualidade ruim, mas sensacional!)
Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h50
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DISCURSO DO EMBAIXADOR DO MÉXICO
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
Eis o discurso:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país - com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento de juros.
Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívidahistórica..."
Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa.
Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais. Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados. Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE.
Trechos de cartas enviadas à Espanha por Hernan Cortez nas quais ele narra como aniquilou a civilização asteca entre 1519 e 1526.
Segunda carta
Enviada à sua sacra majestade do imperador nosso pelo capitão geral da Nova Espanha, chamado dom Hernan Cortez.
.....
Antes que os nativos pudessem se juntar, queimei seis povoados e prendi e levei para o acampamento quatrocentas pessoas, entre homens e mulheres, sem que me fizessem qualquer dano. (Pag. 33)
....
Antes do amanhecer do dia seguinte tornei a sair com cavalos, peões e índios e queimei dez povoados, onde havia mais de três mil casas. Como trazíamos a bandeira da cruz e lutávamos por nossa fé e por serviços de vossa sacra majestade, em sua real ventura nos deu Deus tanta vitória, posto que matamos muita gente sem que nenhum dos nossos sofresse dano. (Pag. 33).
...
No outro dia vieram cerca de cinquenta índios que traziam comida e começaram a olhar as saídas de nosso acampamento, bem como as cabanas onde dormíamos. Os de Cempoal vieram até mim e alertaram-me para olhar aqueles homens que eram maus e vinham espionar. Dissimuladamente prendi um deles sem que os outros vissem. [ ...] Depois tomei mais outros cinco ou seis e todos confessaram a mesma coisa. Em vista disso, mandei prender todos os cinquenta e cortar-lhes as mãos e os enviei a seu senhor para que dissessem a ele que quando ele viesse saberia quem éramos. (pag. 33, 34).
...saí uma noite, depois de rendida a guarda da prima, com os peões, índios e cavalos, e antes que amanhecesse dei com dois povoados onde matei muita gente, (pag. 34).
Terceira carta
Enviada por Hernan Cortez, capitão e justiça maior de Yucatán, chamada a Nova Espanha do Mar Oceano, ao mui alto e potentíssimo César e invictíssimo senhor dom Carlos, imperador sempre augusto e rei da Espanha, nosso senhor.
....
...continuamos a fazer nossos constantes ataques à cidade, sempre provocando muito dano e matando muita gente . Há uns vinte dias que vínhamos fazendo fazendo esse tipo de ação, quando os nossos começaram a insistir comigo, dizendo que era preciso tomar o mercado. Eu me escusava argumentando que só o faria quando tivesse plenas condições. Até o tesoureiro de vossa majestade veio me dizer que todo o real queria que eu tomasse logo o mercado, pois assim os inimigos perderiam o seu posto de abastecimento e morreriam de fome e de sede, pois só lhes sobraria a água salgada da lagoa. (Pag. 89)
....
...Como sempre que batíamos em retirada ao final do dia os índios atrás dos nossos cavalos em grande alarido, resolvi preparar-lhes uma cilada. [...] Depois que os nossos passaram por ali no retorno do fim da tarde, os de cavalo caíram sobre os inimigos que vinham logo atrás fazendo seu constante alarido. Foi uma cilada muito bem feita e conseguimos matar uns quinhentos dos índios mais bravos e mais corajosos. [...] graças a esta vitória que Deus Nosso Senhor nos concedeu neste dia, se tornou mais próximo o momento de se ganhar toda a cidade, porque os nativos sofreram um grande abalo [...] A única perda lamentável que tivemos naquele dia foi uma égua cujo cavaleiro caiu, e que saiu em corrida sem rumo, indo parar no meio dos nossos inimigos que a flecharam... (Pag. 93)
....
Permanecemos no real uns três dias ou quatro dias descansando, enquanto se fundia o ouro recolhido, o que deu mais de cento e trinta mil castelhanos, do que se entregou o quinto ao tesoureiro de vossa majestade, enquanto que o restante foi repartido entre eu os espanhóis, de acordo com a qualificação e o serviço de cada um. Entre os despojos havia tantos discos de ouro, penachos e plumagens, coisas tão maravilhosas que por escrito não se pode fazer compreender sua beleza. Por serem tão maravilhosos, juntei todos os soldados e roguei que não fossem quintadas, mas enviadas todas a vossa majestade. (Pag. 98)
Quarta carta
...
Mas, a 5 de fevereiro o dito capitão partiu novamente para lá e espero que desta feita ele possa realizar o seu trabalho, pois além de ser aquela uma terra rica em minas os seus nativos não param de importunar os seus vizinhos que se tornaram nossos amigos. [...] pedi ao capitão que os derrotasse, os matasse e tomasse por escravos os que sobrassem vivos, ferrando-os com a marca de vossa majestade. Tenha por certo, mui excelentíssimo príncipe, que a menor destas entradas me custa mais de cinco mil pesos de ouro e que as Pedro de Alvarado e de Cristóbal de Olid custam mais de cinquenta, sem contar outros gastos de minha fazenda. Porém, como é para o serviço de vossa majestade, se a minha pessoa fosse junto, isto seria uma grande honra e recompensa. (Pag. 113)
Veja mais em CORTEZ, Hernan. A conquista do México, Porto Alegre, LP&M Editores, 1986.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h49
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