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Em causa própria
 


"GRANDE NOVIDADE..."

Manutenção ruim causou as mortes na Fonte Nova

Laje da arquibancada tem apenas 5 cm de espessura

do A Tarde

Viadutos, prédios históricos, pontes, túneis e outros espaços públicos. A dúvida agora é: quais são as outras construções públicas que escondem os perigos da falta de manutenção na cidade? O primeiro laudo sobre o acidente na Fonte Nova, ocorrido no último domingo, confirma a irresponsabilidade e o descaso dos poderes públicos. Para o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea), a falta de manutenção do estádio foi a principal responsável pela queda de parte da arquibancada, que matou sete torcedores, no final da partida entre Bahia e Vila Nova, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

O acidente foi ocasionado principalmente pela falta de manutenção. Na nova avaliação, observamos que as condições precárias se estendem por grande parte do anel superior. Além da falta de manutenção, o acúmulo de água nos degraus, a deficiência da drenagem, a umidade e a ação do tempo contribuíram para a corrosão”, concluiu o presidente do Crea/BA, Jonas Dantas, sobre o estádio que é de responsabilidade da Sudesb.

O laudo divulgado nesta sexta e enviado para o Ministério Público, Governo do Estado, Sudesb e Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Brasília (Confea), pouco acrescenta ao que já havia sido apresentado pela entidade, em advertências enviadas aos órgãos públicos antes do acidente acontecer. A quantidade de alertas sobre a precariedade da estrutura, a maioria delas presente em documentos antigos, escandaliza a falta de sensibilidade e preocupação dos órgãos competentes, que ignoraram todos os avisos e só decidiram por interditar o estádio, após as mortes.

Perícia –  Sete profissionais, entre engenheiros civis, arquitetos, técnicos de fiscalização e conselheiros, trabalharam na perícia. Durante a visita, realizada na última terça-feira, os funcionários do Crea chegaram a retirar parte da arquibancada com as mãos, mostrando a fragilidade da estrutura. “O nível de corrosão não estava somente naquela parte da laje. Vigas de sustentação e pilares estavam desgastados, comprometendo ainda mais a resistência e a segurança daquele anel. Havia pedaços de ferro em estado bastante acentuado de desgaste, quase rompendo, sem nenhum tipo de resistência”, afirmou Dantas.

O relatório apresentado pelo Crea, aponta ainda problemas como desplacamento do concreto, fiação elétrica exposta de forma indevida e manta de impermeabilização danificada. As fotos tiradas pelos engenheiros e arquitetos, que estiveram na Fonte Nova após o acidente, mostram a situação precária do local onde a arquibancada cedeu. A estrutura em volta do buraco de cerca de 5 m de comprimento por 0,78m de largura, apresentava a ferragem corroída. 

A espessura da laje da arquibancada era de apenas 5 cm, conforme mostrou a medição dos funcionários do Crea. Além dos problemas evidentes da falta de manutenção na estrutura, foram observadas falhas de condições de higiene nos banheiros e nas arquibancadas, com presença de poças de água e urina. A falta de acessibilidade também é destacada. No estádio não foram encontradas rampas de acesso para cadeirantes e pessoas com mobilidade física reduzida, ou mesmo sanitários para portadores de necessidades especiais.

Perícias –  Outros dois laudos sobre o acidente na Fonte Nova estão sendo preparados. Um deles é da Perícia Criminal do Departamento de Polícia Técnica (DPT). Por se tratar de um inquérito policial, o órgão afirmou não poder dar detalhes do andamento da perícia, mas disse que o resultado sai até o final da próxima semana, quando termina o prazo de dez dias para a divulgação da análise. Conforme explicou a assessoria de comunica, antes do parecer final, nenhum representante da polícia técnica está autorizado a dar entrevistas.
 
O que se sabe é que dois peritos e um coordenador do DPT estão envolvidos na elaboração do laudo. Uma equipe esteve na Fonte Nova na noite do acidente e uma nova visita foi feita na segunda-feira, pela manhã, para que se tivesse conhecimento da situação à luz do dia. Os materiais colhidos da estrutura que cedeu, foram encaminhados para análise no laboratório do DPT. Somente se forem exigidos exames mais minuciosos é que a análise poderá ser encaminhada  para outro laboratório.

Um último laudo é feito pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O professor Luiz Edmundo Prado de Campos, que comanda a perícia, não foi encontrado para falar sobre o andamento do laudo, que foi encomendado pela Sudesb. O professor estava em reunião pela tarde e até às 20 horas não havia voltado para o laboratório de geotécnica da escola, na Federação. A reportagem deixou telefone de contato, mas não recebeu retorno.
 
Procurado pela equipe de A TARDE, o diretor geral da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, não se pronunciou sobre o resultado do laudo do Crea. De acordo com a assessoria de comunicação da Sudesb, o órgão ainda não havia recebido oficialmente o documento, até esta noite. Disse ainda que assim que o laudo for encaminhado, dará o parecer oficial.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h44
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IMPLODE OU NÃO IMPLODE ?
 
Decisão de implodir Fonte Nova pode ser precipitada
 
 
Arquitetos e engenheiros defendem análise minuciosa de impactos sociais, econômicos e ambientais
 
 
 
Mesmo com a decisão anunciada na última terça-feira pelo governador Jaques Wagner de colocar abaixo o estádio da Fonte Nova – após o desabamento de parte da arquibancada ter provocado a morte de sete torcedores –, especialistas da área de engenharia e arquitetura consideram precipitado descartar um equipamento em funcionamento há quase seis décadas antes de um relatório minucioso sobre as condições da estrutura.

Até o momento, nenhum estudo de viabilidade foi apresentado pelo governo do estado, mas, além dos custos, orçados em R$350 milhões entre demolição e construção do novo estádio, impactos sociais, econômicos e  ambientais devem ser considerados, de acordo com os analistas consultados.

O professor do Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Adailton Gomes, prefere não se posicionar nem contra nem a favor, devido à falta de informações sobre a análise estrutural da Fonte Nova. Acha importante, entretanto, considerar o montante necessário para realizar a demolição e reconstrução, além do aspecto simbólico do estádio para Salvador. “Eu poderia emitir uma opinião baseada num sentimento de saudosismo, mas acho que seria necessário um estudo mais demorado antes de tomar qualquer decisão”.

Recuperação - O engenheiro que traçou o diagnóstico das estruturas da Fonte Nova ano passado, Geraldo Luz, da empresa Geluz, também se abstém de opinar. “Não sou contra nem a favor”, adianta, mas tece considerações importantes para que se reflita sobre a viabilidade ou não da demolição. “Posso dizer que a Fonte Nova é recuperável, mas resta saber se ela atenderia às exigências de uma Copa do Mundo”, argumenta.

Geraldo Luz acredita que a Fonte Nova poderia ser recuperada por valores “bem mais amenos” que o custo da construção de um novo estádio. Além disso, acha difícil encontrar outra área tão privilegiada para a construção de um complexo esportivo.

A Fonte Nova é excelente para o que ela se destina. Tem acesso pelo Bonocô, Comércio, Dique, Avenida Joana Angélica, Djalma Dutra, Lapa e, futuramente, pelo metrô. Na Avenida Paralela (alternativa levantada para a construção de um novo estádio), o tráfego está próximo do limite e não há alternativa para chegar”, compara. Outro ponto importante levantado pelo engenheiro é o descarte do material proveniente de uma eventual implosão. “Depois de derrubado, o volume da construção cresce entre 30% e 40%. Vai jogar esse entulho onde?”, indaga.

***

Técnicas preservam entorno

Apesar da preocupação de moradores e comerciantes do entorno da Fonte Nova, arquitetos e engenheiros afirmaram, ontem, ao Correio da Bahia, que é tecnicamente possível implodí-la sem causar danos às residências e aos estabelecimentos da região. De acordo com especialistas, há tecnologias disponíveis para se fazer a demolição sem prejuízos aos bens tombados e às obras do metrô na região.

A grosso modo, implodir significa demolir uma construção com uso de explosivos (dinamite) e é neste aspecto que a técnica se diferencia das demolições convencionais. O governador Jaques Wagner confirma a intenção de pôr abaixo a Fonte Nova, inaugurada em 1951, mas ainda não sabe a forma pela qual isso será feito. “Não posso dizer que vou fazer desse ou daquele jeito porque não tenho expertise nessa área. O que posso garantir é que tudo será feito da melhor forma possível para que o maior benefício seja trazido à população”, atesta.

 O material usado é um tipo específico de dinamite e, normalmente, isola-se a região num raio de 150m a 300m. Já se sabe, pelo menos, que a quantidade de explosivos deverá ser muito superior à usada na implosão do Hotel Stella Maris, em janeiro de 1998 – 50 kg de dinamite gelatinosa. O recolhimento dos escombros pode levar até três meses. A título de comparação, a demolição do tradicional estádio inglês de Wembley, em Londres, demorou cerca de seis meses. Outros quatro anos foram necessários à reconstrução.

Toda ação na engenharia envolve um certo risco, mas pelas distâncias que observamos dos prédios e das obras do metrô em relação à Fonte Nova é perfeitamente viável realizar a implosão”, afirma o engenheiro consultor da Arcoenge/CDI, Manoel Jorge Dias. Com mais de 80 implosões no currículo,  ele fez uma “vistoria informal” na Fonte Nova, nesta semana. A empresa para qual trabalha é um consórcio que, em 2005, foi responsável pelas implosões do complexo penitenciário Carandiru, em São Paulo, até então o maior da América Latina.

Técnicas - Outros engenheiros e arquitetos menos interessados no processo licitatório da obra também confirmam a viabilidade técnica. “A engenharia dispõe de técnicas para se fazer a implosão  sem comprometer a área”, diz o professor do Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Adailton Gomes.

A opinião de Gomes é similar à do vice-presidente de ética da seccional baiana do Sindicato Nacional de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco), Carl Von Hauenschild: “Existem tecnologias disponíveis aqui no Brasil e no exterior que permitem que a implosão não cause prejuízo às construções ao redor do estádio”.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h04
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DEMOLIÇÃO ATRATIVA
 
 
Já surgem empresas interessadas em implodir ou demolir a Fonte Nova, mas moradores e Iphan estão receosos
 
 
 
O governo ainda não definiu data da implosão ou demolição da Fonte Nova, nem quando abrirá o processo licitatório, mas já aparecem empresas interessadas. A empresa paulista Ancoerge enviou a Salvador um engenheiro que, ontem à noite, fez uma “vistoria informal” no estádio. A demolição é vista com receio por moradores e comerciantes, e chama a atenção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Companhia de Transportes de Salvador, já que ela pode afetar bens tombados na região e as obras do metrô da capital baiana.

De acordo com a assessoria do governador Jaques Wagner, técnicos da secretaria estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) realizam estudos técnicos para fazer a “modelagem” de licitação da implosão do estádio Octávio Mangabeira. Além de comprovar qualificação técnica, a empresa vencedora será aquela que oferecer o menor preço. Não há estimativas de custo nem de tempo para a implosão que só deverá ser realizada mesmo no ano que vem. 

A derrubada dos 6,5 mil metros cúbicos de concreto distribuídos em 120 mil metros quadrados da Fonte Nova deve atrair empresas de todo o país, que deverão obter o “visto” do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-BA). Na Bahia, 69 empresas de engenharia têm a palavra demolição registrada em sua razão social, mas nenhuma traz especificamente o termo “implosão”. E concorrentes de porte nacional já se adiantam na disputa.

A paulista Ancoerge enviou um consultor, o engenheiro de minas Manoel Jorge Dias, que fez “vistoria informal” na Fonte Nova, ontem à noite. “A visita é apenas para fazer uma avaliação da viabilidade da implosão do estádio”, diz Dias. Em 7 de janeiro de 1998, pela empresa CDI, ele comandou a implosão do Hotel Stella Maris, quando foram usados 50kg de dinamite gelatinosa. “Já tenho mais de 80 implosões no currículo”.

Dias afirma que já estava no estado, onde vistoriava uma obra em Camaçari, na região metropolitana da capital. A Ancoerge foi responsável pelas demolições do então maior complexo penitenciário da América Latina, o Carandiru, e do prédio da TAM Express, atingido em julho por um avião da companhia, ambos em São Paulo, além do prédio Pálace 2, no Rio de Janeiro.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h57
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CAPÍTULO FINAL
 
 
Fonte Nova terá na demolição o seu epílogo
 
 
 
 
A morte de sete torcedores provocada pela falta de manutenção adequada em suas estruturas foi o último capítulo da outrora imponente Fonte Nova. A decisão de demolir o estádio e construir uma nova praça esportiva no mesmo local foi anunciada ontem pelo governador Jaques Wagner. O custo da obra, orçada inicialmente entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, será bancada através de uma parceria público-privada (PPP) ou com recursos do próprio estado.

O novo empreendimento não deve se limitar à prática de esportes como atletismo e futebol, possibilitando também a utilização da infra-estrutura para o funcionamento de um shopping center e um estacionamento. Através da assessoria de comunicação do governo do estado (Agecom), Wagner informou que já tem um projeto em análise. “Todos sabem da minha inclinação em implodir a Fonte Nova. Isso já foi dito diversas vezes antes da tragédia do domingo”, declarou.

Indefinição - A determinação de construir um novo estádio foi anunciada pelo governador na Suíça, após a confirmação pela Fifa, no mês passado, do Brasil como sede da Copa do Mundo em 2014. Segundo Wagner, algumas empresas já manifestaram o interesse em financiar o novo estádio.

Com a interdição da Fonte Nova, ainda não se sabe onde será realizado o jogo da Seleção Brasileira pelas eliminatórias para a Copa de 2010. Também não há data para o início ou o término das obras. Segundo especialistas, somente o processo de planejamento, implosão e retirada do material deve durar seis meses.

Depois de fazer uma vistoria na Fonte Nova, o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea-BA), Jonas Dantas, achou que seria muito elevado o preço para colocar o equipamento novamente em condições de uso. “É uma avaliação preliminar, mas, no mínimo, seriam gastos uns R$200 milhões para requalificar este estádio. São necessários muitos reparos estruturais”, afirmou.

***

Duelo de tricolores

Apesar das cinco decisões nacionais realizadas no estádio, as arquibancadas da Fonte Nova abrigaram o maior público oficial de sua história em um duelo de tricolores. Em 1989, o Bahia venceu o Fluminense por 2x1, diante de 110 mil pessoas. Não havia lugar para mais ninguém e os torcedores ficaram espremidos. Poucos pisavam o chão, mas a maioria vibrou de alegria com a classificação para a final.

Duas semanas depois, com Bobô no campo, veio o posterior título de campeão brasileiro, o único do tricolor desde o início da disputa do certame em 1971. No mesmo gramado, quatro anos depois, o Vitória perdeu para o Palmeiras e ficou sem o mesmo título que o rival. 

O campo ainda foi invadido por centenas de torcedores do Bahia no final de 2006, quando o time não conseguiu superar o Ipatinga e permaneceu na terceira divisão. Na ocasião, 40 pessoas saíram feridas, parte das arquibancadas foi depredada como prenúncio de uma tragédia.

O estádio passou quase todo o ano de 2007, total ou parcialmente interditado, mas foi reaberto pela Sudesb. O resto é história. No último domingo, o Bahia subiu para a segunda divisão, sete torcedores morreram e a Fonte Nova sofreu seu derradeiro golpe.

***

Vitórias, derrotas e tragédias

Inaugurada no dia 28 de janeiro de 1951, diante de 25 mil torcedores, a Fonte Nova foi palco de vitórias, derrotas e tragédias. O primeiro triunfo foi do Botafogo, por 1x0 sobre o Guarani, na época dois tradicionais clubes do futebol baiano, corroídos pelo tempo como o próprio estádio. O então governador, Otávio Mangabeira, deu o pontapé inicial para a viabilização do equipamento, ao qual emprestou o nome e de onde se despediu do governo.

O apelido Fonte Nova vingou pela força do uso popular. Dizem os historiadores que, mesmo antes da inauguração, o termo comum já vencia o nome de batismo, graças a três fontes de água que existiam na região. Durante muitos anos, principalmente na década de 60, foi palco para conquistas inesquecíveis de Bahia, Vitória, Ypiranga, Galícia, Leônico e Fluminense de Feira de Santana.

Em 1971, ganhou seu anel superior e a forma com a qual hoje se despede do cenário esportivo nacional. Mais de 6.500 m³ de concreto, 1,2 milhão de toneladas de ferro e 44.989 sacos de cimento foram usados na realização do projeto do arquiteto Diógenes Rebouças. A grandiosidade da obra e o clima de tensão durante a ditadura militar, além da aceleração do ritmo dos trabalhos, provocaram dúvidas sobre a sua segurança.

A população estava receosa. Mesmo assim, 90 mil ingressos foram vendidos e, diante do presidente Emílio Garrastazu Médici, ocorreu o que ninguém esperava, mas muitos temiam. No dia 4 de março, um boato ou o sobrevôo de um avião ou ainda problemas na estrutura dos holofotes provocaram uma correria e um tumulto nas arquibancadas, o que deixou pelo menos dois mortos e dois mil feridos. No entanto, acredita-se que um número bem maior de pessoas tenha perdido a vida naquele dia.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h48
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SUDESB (E BOBÔ) SABIA(M) !
 
Sudesb foi alertada para riscos da Fonte Nova 3 vezes
 
 
Documentos mostram que órgão sabia do desgaste das estruturas em vários pontos
 
 
 
Em pelo menos três oportunidades, a Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) foi alertada para os riscos de uma tragédia como a ocorrida domingo no estádio da Fonte Nova. Documentos anexados à ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra Sudesb e o Esporte Clube Bahia comprovam o conhecimento prévio da situação de desgaste das estruturas em vários pontos da arquibancada superior do estádio.

Em setembro do ano passado, um laudo emitido pela empresa de engenharia Geluz alertava para a necessidade urgente de reformas no anel superior. A interdição chegou a ser solicitada no início deste ano pelo diretor de operações da Sudesb, Nilo dos Santos Jr., em comunicação interna encaminhada à direção geral do órgão.

No documento, datado de 10 de janeiro – uma semana após a posse de Raimundo Nonato, o Bobô, como superintendente da Sudesb –, Nilo dos Santos relata o resultado de uma comissão de vistoria. “O estádio necessita de reparos urgentes na estrutura e nas acomodações de arquibancadas, tendo em vista que as mesmas não reuniam condições de uso, em razão do estado deplorável em que se encontram alguns trechos, podendo causar danos maiores aos usuários (...). Sendo assim, solicito de V.Sa. uma avaliação urgente destas informações para posterior deliberação e providências cabíveis, no sentido de providenciarmos todas as questões que envolvem uma interdição”.

A atual gestão da Sudesb tomou conhecimento do laudo numa audiência realizada com a presença do diretor de operações e da procuradora jurídica da Sudesb, Amélia Cristina Soares Santana, na qual as providências foram solicitadas. Por fim, em setembro deste ano, o arquiteto do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) durante vistoria nos estádios com possibilidades de receber jogos da Copa do Mundo, alertou o diretor Nilo dos Santos sobre os riscos de permitir o acesso de torcedores às arquibancadas superiores.

***

‘Não há justificativa’

A procuradora de justiça do Ministério Público Estadual (MPE) responsável pelo caso, Joseane Suzart, diz que não há justificativa para que a interdição não tenha sido feita. Para ela, o superintendente da Sudesb, Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, tinha o dever de conhecer os laudos. “A obrigação de quem assume um cargo é procurar a procuradoria jurídica, verificar os relatórios, se informar sobre tudo que existe. Se o anel superior já havia sido interditado (na gestão anterior) para haver a liberação teria que haver um parecer oficial. É um verdadeiro descaso”.

Segundo Bobô, a liberação da capacidade máxima do estádio só foi autorizada após serviços de substituição de placas de concreto – trabalho que, segundo ele, teria sido realizado pela Geluz engenharia. O escritório da empresa está fechado há vários meses, mas a reportagem do Correio da Bahia localizou o engenheiro Geraldo Luz, dono da empresa, que negou ter feito qualquer serviço para a atual gestão da Sudesb.

A Geluz foi contratada na gestão anterior para fazer o diagnóstico das estruturas da Fonte Nova e protocolou laudo junto à Sudesb, em setembro do ano passado, onde recomendava que fossem “efetuadas intervenções de recuperação estrutural, em caráter de urgência (...) O risco imediato refere-se à queda de partes da argamassa de recobrimento que se solta com o aumento de volume da ferragem oxidada”. Ainda de acordo com o relatório, foi “constatado em alguns pontos a ferragem já rompida e em outros a inexistência da mesma, concorrendo para a aceleração do processo de desagregação e do comprometimento imediato da estabilidade da estrutura”.

Geraldo Luz é taxativo ao falar sobre a recuperação das estruturas, atribuída a ele por Bobô. “Nunca fiz qualquer serviço de recuperação. Eu não faço esse tipo de serviço. A única coisa que fiz foi um diagnóstico”. De fato, a Sudesb contratou uma empresa para realização de serviços de engenharia no estádio da Fonte Nova este ano. No site Transparência Bahia, constam dois pagamentos à empresa Tecnocret, somando à quantia de R$ 45 mil, 1,3% do valor estimado pela Geluz para a primeira etapa de obras emergenciais. Em setembro de 2006, o custo da obra seria de R$3,5 milhões.

***

Acidente não abala Copa

A tragédia ocorrida na Fonte Nova não vai comprometer a realização da Copa no Brasil. Isso foi o que a Fifa garantiu em comunicado oficial nesta terça-feira. A entidade lamenta o episódio, mas destaca que o estádio baiano não estava entre os inspecionados para o mundial. “Este triste acontecimento não terá impacto na designação do Brasil como país-sede da competição”, anunciou na nota. 

Durante o período de candidatura para sediar a Copa, a Bahia apresentou o projeto de construção de um novo estádio em Salvador, inicialmente chamado de Arena da Bahia e cuja capacidade seria de 44.100 torcedores. Apesar de isentar o Brasil, a entidade máxima do futebol frisou a responsabilidade que se deve ter no momento da construção dos estádios e a necessidade deles receberem manutenção regular enquanto estiverem sediando partidas. 

O trágico acidente mostra como o trabalho de construção cuidadoso é importante, assim como é crucial a manutenção regular e detalhada de todos os estádios de futebol – completa o comunicado".  O discurso de que a Fonte Nova não estava nos planos para a Copa foi endossado pelo ministro do Esporte, Orlando Silva Junior. Para ele, diante da impossibilidade de se melhorar a estrutura do estádio, a saída é implodi-lo para a construção de um novo.  “Minha impressão é de que o custo de uma reforma, do jeito que o estádio está, não compensa. É melhor implodir”, disse. O ministro defende a tercerização dos estádios através de parcerias com a iniciativa privada.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h38
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INFOGRÁFICO
 
Veja como aconteceu o acidente clicando AQUI.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h38
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O publicitário Marcos Carneiro, 29 anos, estava a menos de dez metros da arquibancada que cedeu na Fonte Nova (confira ao lado o vídeo sobre o acidente). Ele disse que não teve noção da tragédia na hora em que aconteceu e afirmou que a situação poderia ter sido pior caso Nonato, atacante do Bahia, tivesse acertado o pênalti que desperdiçou. Confira o depoimento dele:

- Eram 35, 40 minutos do segundo tempo... e as pessoas já estavam comemorando porque o empate garantia a subida do Bahia. Ali fica todo mundo em pé vendo o jogo. Teve um princípio de confusão, uma discussão que não acabou em violência. O pessoal separou. Um minuto depois disso, o pessoal abriu. Sabe quando tem briga no carnaval? Abre e ficam os brigões no meio? Desta vez abriu e não tinha ninguém no meio. Uns sete, dez metros de arquibancada desabaram.

- Aí começou a descer policial de todo lado. A impressão que dá, de fora pra quem conhece a Fonte Nova, é que se alguém cair da arquibancada superior vai cair na inferior. Mas o pessoal estava num ponto bem alto, então caiu direto na rua. Como não tinha ninguém sentado, quem caiu, caiu direto. Não vi ninguém se segurando, nada. E dou graças a Deus que o Nonato perdeu o pênalti no jogo. Se ele marca o gol, ia ter morrido mais gente. A Fonte Nova já balança... Imagine se todo mundo pulasse com um gol do Bahia?


Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h37
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Juíza nega competência da 2ª Vara no caso da Fonte Nova

do A Tarde

A juíza Lícia Pinto Fragoso Modesto entendeu que a Ação civil pública do Ministério Público estadual (MPE), de janeiro de 2006, que pedia a interdição da Fonte Nova, não é da competência da 2ª Vara Especializada de Defesa do Consumidor. “Meu convencimento é que é de competência da Vara da Fazenda Pública”, afirmou a magistrada, nesta terça à tarde, quando autorizou a publicação de transferência.

Apesar do longo tempo de tramitação, a ação era desconhecida na 2ª Vara de Defesa do Consumidor. “Só fiquei sabendo ontem. São 15 mil processos, 500 petições por dia e temos apenas oito funcionários, quatro pela manhã e quatro pela tarde. É muito pouco”, alegou a juíza.

Se soubesse, já teria despachado”, garantiu a magistrada, que se disse injustiçada. “É uma injustiça. Assim que chega o processo eu despacho logo”, defendeu-se. A juíza também cobrou entrosamento do MP. “Eles nunca procuram para saber o andamento. Poderiam mandar um estagiário saber”, sugeriu a juíza.

Uma lista de 51 ações do MP, entregues pela promotora de justiça Joseane Suzart Lopes da Silva, foi repassada à juíza Lícia Modesto. “A imprensa está prestando um serviço, porque eu vou mandar pesquisar se esses processos são daqui”, avisou a juíza, antes de tirar xerox das duas páginas do documento, onde constam ações contra a Federação Bahiana de Futebol, processo nº 1718444-9/2007, Esporte Clube Vitória, 944869-9/2006, faculdades, bancos e empresas de telefonia, entre outras instituições. “É até bom divulgar na imprensa, porque assim ajuda a ser mais rápido”,  defendeu a promotora Joseane Suzart, ao entregar a lista.

Resultado –  A morosidade do processo foi comentada. “Uma ação civil pública não é individual e não pode ficar um, dois 4 meses ou anos sem resultado“, cobrou a representante do MP.

Segundo a promotora, esta semana ainda os membros da Procuradoria-geral do MPE vão se reunir para decidir se entram com ação civil pública solicitando demolição da Fonte Nova. “Tem que ter um relatório técnico para ver se a demolição é vantajosa e segura”, ressalvou.

A responsabilidade pela tragédia também será rigorosamente apurada. “Já existem investigações. O MP, através de outra promotoria, vai solicitar cópia do inquérito civil para responsabilizar a gestão atual e a anterior da Sudesb“, afirmou a promotora.

De acordo com o cronograma do MP, nos próximos dias a Procuradoria-geral do MP vai encaminhar  o que já está apurado para o Tribunal de Justiça. Outra questão diz respeito à improbidade administrativa. “Se os recursos que foram destinados à Fonte Nova foram aplicados. Quem está à frente disso é a colega Rita Tourinho”, explicou Joseane Suzart.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h35
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FONTE VELHA SERÁ IMPLODIDA!
 
Governador da Bahia decide implodir a Fonte Nova

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), decidiu nesta terça-feira implodir o Estádio da Fonte Nova e fazer uma parceria com uma empresa privada para erguer no lugar uma nova arena esportiva.

A decisão contraria afirmação anterior do próprio Wagner, que disse preferir esperar a emissão de laudo sobre a causa do acidente que matou sete pessoas no último domingo, durante a partida entre Bahia e Vila Nova. O documento só deve ser divulgado em dez dias.

De acordo com o governo da Bahia, o novo estádio será construído sem nenhum gasto para os cofres públicos. A empresa contratada ficará responsável por todos os custos e terá direito de explorar a praça esportiva.

A decisão do governador baiano teria como justificativa a necessidade de a Bahia ter um estádio moderno para receber jogos da Copa-2014. Entre as favoritas para ser cidade-sede do Mundial, Salvador não havia definido ainda se reconstruiria a Fonte Nova, derrubaria o estádio para construir outro no lugar ou ergueria uma nova arena em local diferente.

Wagner defendia a construção do novo estádio onde hoje está a Fonte Nova porque assim teria uma arena moderna e próxima ao centro histórico de Salvador, fator considerado economicamente mais vantajoso pelo governo estadual.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h32
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FONTE VELHA: EU ESTAVA LÁ !
 
 
(clique na imagem para ampliar)
 
 
(clique na imagem para ampliar)
 
 
Não sou nenhum grande fã do futebol baiano, quer dizer, eu torço para que ambos os times estejam bem, na primeira divisão se possível, revelando jogadores para seus times e para a seleção brasileira, representado bem o estado, gerando empregos, renda e diversão principalmente para as camadas mais carentes, além de atraindo grandes equipes grandes para a cidade, ajudando a turbinar a economia local, com venda de ingressos, passagens aéreas, diárias de hotel, divulgando o estado e aumentando a arrecadação de impostos, numa espécie de círculo virtuoso.
 
Ter um estádio em bom estado de conservação permitiria a realização de eventos esportivos, religiosos, musicais (U2?) e, ainda que apenas eventualmente, jogos da seleção brasileira, como aquele realizado em Salvador em 1995, jogo contra o Uruguai em q eu fui só pra ver Romário e Ronaldo jogando juntos. Ronaldo marcou os 2 gols da vitória.
 
(clique na imagem para ampliar)
 
Enfim, o fato é que tinha bem uns 3 ou 4 anos q eu não ia pra Fonte Nova (quando fui com o BUL - torcedor do Vitória - pra assistir aquele traumático Bahia 2 X 3 Brasiliense), mas devido à pentelhação de alguns amigos tricolores acabei me motivando para ir assistir ao "BA-VI" (Bahia e Vila Nova-GO) ontem na Fonte Nova.
 
Como os 60 mil ingressos postos à venda - diga-se de passagem que haviam apenas DOIS pontos de venda em toda a cidade - se esgotaram no primeiro dia (!) de vendas e compramos os nossos com cambistas na véspera do jogo, chegamos cedo (um de meus amigos levou o pai idoso junto e o outro tinha fratura o pé mas mesmo assim fez questão de ir pro jogo), pegamos lugares bacanas, na sombra na chamada "arquibancada especial" e no lado diametralmente oposto de onde rolou o acidente instantes depois do jogo terminar, de forma q não testemunhei o ocorrido.
 
Pra ser sincero só fiquei sabendo quando chegamos num barzinho pra comemorarmos o retorno à série B e quem estava no bar nos falou da bagaceira q tinha acontecido... só acreditei quando vi na tv.
 
(clique na imagem para ampliar)
 
Assim q fiquei sabendo liguei pra casa pra dizer q estava bem. Meus amigos riram, mas segundos depois os seus celulares começaram a tocar com ligações de seus pais e esposas ligando pra perguntar se eles estavam vivos... é foda. Nessas horas todo mundo pensa q aconteceu o pior justamente com algum ente querido... numa expectativa de ver em prática a infalível Lei de Murphy. E infelizmente ela foi realmente infalível para 7 pessoas...
 
(clique na imagem para ampliar)
 
Cara, é tudo muito, muito, muito sinistro.
 
Imaginem só o chão se abrir sob seus pés e vc cair de uma altura de 15 metros ?
 
Absurdo!
 
No intervalo do primeiro pro segundo tempo eu fui comprar cerveja, mas antes decidi ir tirar água do joelho... velho, o banheiro da Fonte Nova me lembrou aquele banheiro do filme Trainspotting... ainda bem q só tinha ido dar uma mijada... não tinha nem como dar descarga.
 
Fiquei lembrando de uma coluna, creio que do Diogo Mainardi, em que ele conta do dia em que compareceu a uma audiência na Justiça americana e ao aproveitar uma pausa no julgamento, decidiu ir no banheiro constantando o alto padrão das instalações, com piso de granito, sensores que ligavam e desligavam as luzes, davam descarga e despejavam água da torneira sozinho, além do agradável aroma floral do ambiente.
 
Ao sair de lá e ver a sentença proferida rapidamente e a outra parte forçada a fazer um acordo para resolver menos dolorosamente o caso, traçou um paralelo com o governo e o  vagaroso e corrompido judiciário brasileiro, pois recordava-se amargamente de ter ido conhecer as precárias instalações dos banheiros dos tribunais tupiniquins... adotando dali em diante os banheiros dos fóruns judiciais como parâmetro de dignidade, civilidade e eficiência da Justiça de um país....
 
Mas, voltando ao futebol, sou da opinião de q não há outra opção senão fazerem como fizeram com Wembley e implodirem a Fonte Nova e construírem um estádio realmente novo - e talvez poderiam eproveitar o embalo e implodir metade da cidade e reconstruir do zero de novo)  ou então nada de deixarem Salvador ser a sede de jogos da Copa de 2014
 
Putz, podia ter sido EU ou algum de meus amigos a me estabacar lá embaixo e agora não estaria aqui teclando com vcs... essas coisas fazem a gente pensar na efemeridade da vida... Acho q vou terminar de ler uns gibis e assistir uns dvds q eu comecei e nunca terminei... sei lá se ainda vou ter outra oportunidade de saber o final deles de novo.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h51
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FONTE VELHA - PARTE IV

Governo admite falha e teme perder a Copa-2014

O secretário estadual do Trabalho, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, admitiu que o Governo da Bahia tinha conhecimento dos problemas na estrutura do estádio da Fonte Nova, que teve parte da arquibancada despencada neste domingo, o que resultou em sete mortes.
 
"Sabíamos que havia trecho do concreto se soltando. Em janeiro desse ano interditamos 75% do estádio. A liberação se deu depois de tratamento da ferragem exposta para controlar a corrosão. Várias medidas foram tomadas no período. Havia preocupação com estrutura, mas nada que sugerisse uma tragédia dessa proporção", declarou.

A Fonte Nova é mantida pela Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), órgão do governo estadual comandado pelo ex-jogador Raimundo Nonato, o Bobô. "As estruturas do estádio serão examinadas, mas esse acidente é uma surpresa. Uma vistoria realizada no fim da gestão passada garantia que a Fonte Nova tinha todas as condições de funcionar", disse o ex-atleta do Bahia e do São Paulo.

Um relatório apresentado pelo Sinaenco (Sindicato de Arquitetura e Engenharia)
contraria o que diz o ex-atleta. O documento alertava, entre outras coisas, a falta de manutenção na Fonte Nova. O temor das autoridades é que o acidente comprometa o compromisso firmado entre governo estadual e a Confederação Brasileira de Futebol de a seleção brasileira disputar na Fonte Nova um dos jogos das eliminatórias da Copa de 2010 - ainda sem data prevista.

A maior tragédia da história do futebol baiano também afeta as pretensões de Salvador sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Até então, o governo ainda não havia decidido se pretende remodelar a Fonte Nova, demolir e reerguer um novo estádio no mesmo local ou construir em outro ponto da cidade.

"Não podemos dizer que sairemos incólumes desse processo, a nossa imagem fica arranhada. Laudos de empresas de engenharia afirmavam que o estádio era seguro. Queremos que a perícia técnica emita laudo. Só a partir do laudo teremos condições de anunciar medidas", disse Vasconcelos.

"Não havia indicação alguma de possibilidade de rompimento da estrutura. Em toda discussão sobre a reforma não se falava em risco iminente de desabamento", completou Vasconcelos.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h40
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Fonte Nova é o pior estádio do país
 
Um relatório divulgado pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) no dia 1º de novembro aponta o estádio da Fonte Nova como o pior entre os 29 vistoriados pela da entidade em todo o país.
 
Foto de relatório do Sinaenco mostra buraco em parte da arquibancada do estádio da Fonte Nova

Foto de relatório do Sinaenco mostra buraco em
parte da arquibancada do estádio da Fonte Nova

O diagnóstico, que será entregue às autoridades durante o 8º Enaenco (Encontro Nacional de Arquitetura e Engenharia), nos dias 29 e 30, em São Paulo, diz que o estádio está em estado lastimável pela falta de manutenção.

As fotos divulgadas no site da entidade mostram a precariedade do Octávio Mangabeira - nome oficial do estádio -, que foi construído em 1951 e tem capacidade para 60 mil pessoas. Uma das fotos mostra um buraco na arquibancada. Em outra imagem é possível observar os ferros que dão sustentação para o concreto corroídos.

No relatório os integrantes da comissão classificam as condições do estádio de "lastimável e sem nenhum conforto e segurança para os usuários". O estudo foi realizado em 29 estádios de 17 capitais. A Fonte Nova é de propriedade do governo da Bahia.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h32
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FONTE VELHA - PARTE II

"Eu vi a tragédia"
 
Leia os depoimentos dos torcedores e colaboradores do site www.baheaminhaporra.com, e de outras pessoas que estavam na Fonte Nova na hora do acidente.
 
 
"Estava do lado oposto ao da torcida Bamor, bem próxima à Povão. Assim como eu, ao final do segundo tempo, muitos dos torcedores estavam com olhos tão fixos no gramado, que só pensavam como o Bahia estava tocando bola, diante daquela numerosa torcida, ávida por um gol. A decepção era tão grande, que tornou ainda mais difícil perceber que algo grave havia acontecido do lado da Bamor. Só me dei conta de que havia um vazio estranho no anel superior oposto quando o jogo já havia acabado, e o campo estava sendo invadido. Neste momento, comentei com minha irmã que os invasores provavelmente teriam vindo daquela área da Bamor que esvaziara rapidamente. Estava enganada... Infelizmente a festa de ontem foi marcada por esta imensa tragédia".

Nádia François


"Eu estava lá perto. Pelo barulho que fez quando o concreto caiu, parecia que uma bomba tinha explodido. Só as pessoas que estavam muito perto perceberam. Não houve nem correria. Todo mundo estava olhando pro campo na hora. A Bamor estava em alta, pulando e cantando. Era o final do jogo e tudo balançava na Fonte, mas é comum ficar assim naquela área. Aí a polícia veio abrindo caminho, tirando as pessoas da frente. Eles isolaram a área e foram mandando as pessoas saírem do local. Muita gente pensou que fosse briga, ou algo assim. Quando eu desci um anel, aí já deu pra ver o buraco".

Dinho, estudante

 

"Estava do lado oposto, onde normalmente a torcida do Vitória se concentra no anel superior. Percebi em torno dos 35 minutos do segundo tempo, uma pequena área isolada pela PM e comentei com meu irmão que instantes atrás aquela área estava tomada de gente (como o restante do estádio) e que aquele isolamento da PM era sinal de alguma ocorrência que a princípio não entendemos. Indignado estamos, porque é óbvio que ali haviam em torno de 90 mil pessoas (ou onde caberiam mais 50 mil como em 1988) quando a capacidade que o estádio suporta dizem ser de 60.000. Ao chegar em casa e deparar-me com meus 03 filhos (16, 11 e 03 anos) correndo ao meu encontro, senti um enorme vazio e perguntei-me. Terei coragem de um dia voltar ali? Amo o Bahia, mas amo muito mais a minha família!"

Marcelo Carvalho, assistente de RH

"É com muito pesar que constatamos hoje o que já estava anunciado, infelizmente só não sabiamos quando ocorreria. O estádio da Fonte Nova já não tem estrutura para sediar qualquer evento de grande porte a muito tempo.
 
Eu e meu pai somos engenheiros Civil e inclusive já nos manifestamos através de e-mail para a Sportv bem como redes de rádio como a Transamérica FM onde não fomos ouvidos nem ao menos fizeram nenhum tipo de pesquisa para verificar as condições que relatamos no estádio.
 
Somos tricolores mas antes de mais nada somos pessoas humanas e prezamos pelas nossas vidas e queremos ter segurança para que possamos assistir nosso time de futebol a salvo de qualquer evento desta natureza.
 
Fomos hoje, 25/11/07, à Fonte Nova onde mais uma vez verificamos as precárias condições em que se encontram as instalações e as condições estruturais do estádio. Ficamos atrás do gol da ladeira onde julgamos ter mais segurança a salvo de qualquer evento. Já no final do segundo tempo houve uma confusão na torcida BAMOR onde houve corre corre com a intervenção da polícia militar. Esta intervenção se deu de forma rápida entretanto consideramos que tenha provocado uma maior concentração de pessoas nas escadas e na parte superior do estádio na parte central do anel superior. As pessoas ficaram se espremendo e como alí havia muito mais pessoas que o comportado pelo setor uma parte do guarda corpo cedeu e provocou o lançamento de alguns torcedores.
 
Senhores, esta situação não foi o principal motivo pela ocorrência do acidente e sim as péssimas condições em que se encontravam e se encontram as instalações do estádio bem como a conservação de sua superestrutura.
 
É importante salientar que o estádio não foi projetado para receber cargas dinâmicas, provocando assim desconforto e sensação de "balanço" a quem nele se encontra. A torcida se concentra na parte central do anel superior e pula com sincronia o que proporciona um fenômeno chamado de punsão. Somente exemplificando, há muito tempo uma ponte nos EUA foi projetada pela engenharia da época onde consideravam que nem um batalhão marchando junto faria entrar em ressonância, chamada de ressonância destrutiva, causando a ruina da estrutura, ela pouco tempo depois ruiu com a ação do vento.
 
O nosso estádio vêm sofrendo com a ação das cargas dinâmicas há algum tempo e se não me falha a memória já foram feitos estudos no mesmo estádio onde houve a medição do deslocamento da estrutura e houve um reforço estrutural. A movimentação das estruturas é normal, comum em edificações grandes e com cálculos avançados. Toda estrutura de concreto trabalha com micro rachaduras, estas estão consideradas nos cálculos preeliminares entretanto as mesas podem contribuir com a oxidação das suas ferragens e comprometer a sua funcionalidade. É uma patologia completamente contornável sem causar danos nem prejuízos se tamadas ações em tempo e com critério.
 
Infelizmente nossas autoridades negligenciáram às informações e "fecharam os olhos" para o óbvio de uma trágedia anunciada.
 
Felizmente este acidente ocorreu com poucas vítimas, aproximadamente 10, em detrimento de mais de 60 mil pessoas presentes neste domingo de sol em Salvador.
 
O estádio está completamente obsoleto às normas de segurança, higiene e bom senso. Faz-se necessário a sua interdição e posteriormente demolição para construção de um moderno que atenda às necessidades da nossa torcida. Um estádio para 40 mil pessoas é um absurdo tendo em vista a média de público que o Bahia tem levado ao estádio.
 
Temos que ter um estádio para pelo menos 80 mil pessoas, atendendo perfeitamente às solicitações de público que há no estado diante da grande torcida que lá frequenta regularmente.
 
A manutenção deste estádio bem como apenas uma reforma, por maior que seja, não atende às necessidades de segurança. A tradição está na história e não na manutenção de um, infelizmente, "Elefante Branco", que se tornou o nosso ex maior patrimônio.
 
Um forte abraço a todos e sorte a nosso acesso a série A
".

Flávio Lordello, engenheiro civil

 

"Estava bem próximo do acidente, do outro lado da torre. Ouvi um forte estrondo, pensei que era um bomba fora do estádio. Fui até ver o que era, vi alguns policiais, mas não deu para ver mais nada. Depois só vi alguns policiais correndo, pensei que era ladrão. Depois um cara me falou: ´velho, caiu uma parte da arquibancada ali´. Passou uma mulher chorando, desesperada. Vi o buraco e me assustei. Que absurdo! Vamos para série B de luto!"

Leandro Diniz, prof. de Matemática

 

"Meu irmão Téssio Santiago, 22, é torcedor do Bahia e foi ao estádio da Fonte Nova nesta fatídica tarde de domingo. Junto com ele, mais três amigos, conhecidos meus, que já estavam de posse do ingresso. Ele não. Chegando à porta do estádio, Téssio acabou não encontrando bilhete no guichê. Pensou em recorrer aos cambistas, mas não encontrou nenhum "a não ser um rapaz que vendia ingressos falsos e acabou apanhando de um grupo de torcedores que tentou enganar". Triste, Téssio voltou pra casa, se despedindo de seus amigos que curtiriam o jogo do "Ex-quadrão de Aço" (sou Vitória) do mesmo lugar de sempre: anel superior, próximo à torcida organizada Bamor.

Mal tinha começado o jogo, e meu irmão já tava em casa, de volta. Do Nazaré até Marechal Rondon, meia-hora levou. Acompanhou todo o jogo pelo rádio e, ao final da partida, ficou sabendo do acidente no local onde estaria, caso conseguisse o ingresso. Preocupado, passou a ligar para os amigos que, como de costume, haviam deixado os celulares na caixa - é impossível atender o celular no estádio.

Uma hora e meia levou, da notícia do acidente ao reencontro com a galera, já em casa. Um dos rapazes (não quer se identificar) contou como foi o momento do acidente: `A gente tava dois degraus acima da parte que a galera caiu. O pessoal começou a gritar, dizendo que tava desabando tudo. Quando eu e os caras começamos a correr pra parte de cima, o pessoal queria descer, achando que era briga. Acabaram nos empurrando para baixo, mas forçamos a passagem e conseguimos subir. Achei que ia desabar toda a arquibancada. Os policiais chegaram rápido e isolaram a área. Passei por um rapaz que estava desesperado, querendo se jogar do mesmo local que seu colega a pouco caíra.  Um policial o conteve. Quando saí, acabei passando pelos corpos, ainda descobertos. Uma cena horrível. Não consegui jantar e nem contei a minha mãe o que realmente aconteceu".

João Gabriel Galdea, 23, estudante de jornalismo



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h29
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FONTE VELHA - PARTE I

Perícia vai apurar as causas do acidente na Fonte Nova

do A Tarde On Line

A Polícia Técnica e a Coordenadoria Especial de Defesa Civil de Salvador (Codesal) realizaram na manhã desta segunda-feira, 26, uma vistoria no Estádio Otávio Mangabeira - Fonte Nova - , para avaliar e identificar as causas do desabamento de parte do piso da arquibancada, durante a partida entre Bahia e Vila Nova, no último domingo, 26, pelo Octogonal final da Série C.

A estrurura de concreto do anel superior, construído na década de 70, não suportou o peso da torcida e desabou, provocando a morte de sete torcedores. Mais de 50 pessoas ficaram feridas. Os técnicos retornaram à área, nesta manhã, para examinar toda a estrutura da praça esportiva e as condições de segurança.

Desde o início da manhã, a Superitendeência de Engenharia de Tráfego (SET), interditou parte da rua que margeia o estádio, próximo ao Portão 11, pois ainda havia pedaços de concreto pendurados que poderiam cair a qualquer instante na pista interna de acesso ao estádio.

O secretário estadual de Esportes, Nilton Vasconcelos, concedeu uma entrevista coletiva para falar sobre a vistoria no estádio, mas segundo ele ainda não há prazo para divulgação do laudo da perícia.

O governador Jaques Wagner, que determinou a interdição da Fonte Nova, esteve reunido, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, com representantes da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) e secretários, nas dependencias da Fonte Nova, onde fizeram uma visita ao local do acidente.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h22
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