"O cachorro louco está mais calmo". A frase é de Jon "Maddog" Hall, presidente da Fundação Linux International e um dos maiores especialistas em software livre do mundo. No dia 30 de novembro, "Maddog" (em português, "cachorro louco") esteve em São Paulo para inaugurar uma sala de ensino de software livre.
Viajando sempre sozinho, Hall dedica a vida a hastear a bandeira do software livre nos quatro cantos do planeta. Após a cerimônia de inauguração da sala, Hall conversou com o UOL Tecnologia.
Apesar da fala tranqüila e da aparência simpática ("o apelido me foi dado por alunos, mas já não faz jus à minha postura"), Hall critica os softwares de código fechado, chama o Digital Rights Management (DRM) de "demoníaco", fala sobre mobilidade e um projeto para levar a Internet a 85% dos brasileiros. E também elogia o Brasil.
Vantagens do software livre
"Quando quero mostrar as vantagens dos sistemas abertos em palestras, uso os seguintes argumentos: programas proprietários dão problemas para 98% dos usuários que eu pergunto e, se os erros são reportados ao fabricante do software, não há feedback para 97% deles. A verdade é que as empresas simplesmente não conseguem dar suporte a seus clientes. Se uma empresa tem quatro mil funcionários e quatro milhões de licenças, cada funcionário teria de dar suporte a mil problemas todo ano. É humanamente impossível".
Para Hall, "outra desvantagem é requisitar sempre pagamento pelo produto, mesmo que seja só por uma atualização. Em suma, é pagar duas vezes pelo mesmo serviço sem ter a certeza de suporte para versões antigas", finaliza.
Pirataria
"O software livre é mais barato e mais gente usa", afirma Hall. "Quando você escreve o código, ele pode ser aprimorado por todos. O Windows tem cerca de 10 mil patentes criadas pela Microsoft. Alguém já leu todas para saber se está infringindo alguma lei?" questiona.
"Há uma posição falsa sobre a pirataria de programas: eles querem que você use os softwares, mas nem sempre as pessoas podem pagar (ainda mais nos países em desenvolvimento)", avalia Hall. "Proteger a informação e dar segurança ao usuário é bom. Tirar informação é ruim. O modelo de direitos autorais que temos hoje é derivado das idéias do tempo de Gutenberg, no século 15. O DRM é demoníaco".
Linux x Windows
O cachorro louco não economiza munição quando o alvo é o Windows. Em resposta a Bill Gates, que prefere que produtos piratas da Microsoft sejam usados em vez dos softwares livres, Hall pergunta: "Por que em vez de guerrear contra o código aberto, a Microsoft não se aprimora? Uma das vantagens do Linux é a facilidade no suporte. O Ubuntu tem suporte para mais de 200 idiomas. Os programas proprietários são uma anomalia da computação".
"Hoje, o Linux corresponde a apenas 10% do mercado. Mas o Linux é inevitável: 80% dos supercomputadores e um terço dos servidores usam sistemas baseados em Unix (programa em que o Linux se baseia)" explica Hall. "Uma pequena mudança na BIOS aliada ao abandono dos processadores Intel faria com que 96% dos usuários mudassem para o software livre e desistissem do padrão Wintel (junção de Windows e Intel)".
Desafios
"A maior dificuldade em relação ao software livre é a falta de documentação: tanto para programas quanto para aprimoramentos. Eu gosto de fazer essa tarefa, mas a maioria acha chato", responde Hall. "Existe uma inércia em relação ao software livre. As pessoas reclamam da interface, dos aplicativos e da necessidade de usar linhas de comando. Mas se eu resolver esses 10 motivos, as pessoas criarão outros 10. Ou seja, é um trabalho incessante de persuasão e convencimento", sintetiza.
Dicas sobre software livre
"Para quem quer se aprimorar em software livre, dou os seguintes conselhos: consiga expertise —se o cara da loja da esquina não sabe como fazer, ele indicará alguém que saiba— leia bastante sobre Linux; procure grupos de uso de software livre no seu bairro ou na universidade; e não tente aprender tudo sozinho", enumera. "E lembre-se de uma coisa que poucos sabem: os servidores que conectam você à Internet diariamente usam sistemas baseados em Linux".
Política
"A maioria da empresas de software do mundo é americana. Se acontece um incidente entre os dois países quem prestará manutenção desses programas? É uma questão também política", explica. "Sustento minha tese com a seguinte constatação: quais são os quatro países para quem as empresas americanas não vendem software? Síria, Irã, Coréia do Norte e Cuba. Óbvio que há uma conotação política nesse fato".
Brasil
"O Brasil é a estrela ascendente do software livre. Há outros países fazendo bons trabalhos nessa área, como Alemanha, Uruguai e Japão. Mas, sempre digo que o Brasil faz coisas interessantes" elogia. "Contudo, é preciso criar um "ecossistema de software". Não é apenas uma questão de informática. Envolve negócios e a segurança nacional", insinua Hall.
Inclusão digital
Outro projeto que leva a mão de Maddog é a popularização no Brasil de redes Wimax (conexão à Internet de banda larga sem fio e grande quilométrico). "A intenção é fazer o índice de penetração da Internet chegar a 85%. É um projeto para médio prazo, cerca de cinco anos", explica. "O projeto da OLPC (a Fundação One Laptop per Child, de Nicholas Negroponte, celeiro do laptop de US$ 100) tem uma falha. Alguém sabe onde está o servidor Web para esses PCs? Uma empresa chamada Koolu está ajudando a Linux International no projeto sobre o Wimax", afirma Hall.
Um decreto do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), convocou os servidores estaduais a trabalhar entre o Natal e o Ano Novo. A decisão surpreendeu o funcionalismo do Estado, pois o período entre os feriados sempre foi usado para recesso, sob argumento oficial de baixo movimento nas repartições públicas e economia de despesas com água e energia.
A decisão de Requião veio após a Justiça acatar, na semana passada, uma ação de quatro sindicatos de servidores para derrubar decreto anterior do próprio governador. Pela proposta, os dias do recesso - 12 neste ano - seriam descontados das férias regulares de cada funcionário. Obrigado a acatar a liminar (decisão provisória) que impediu o desconto dos dias de férias, Requião baixou o segundo decreto que suspendeu o recesso, exceto os feriados de 25 de dezembro e 1º de janeiro.
Em nota, Requião disse que decidiu revogar o recesso para evitar que servidores recebessem sem trabalhar. "Se o decreto que instituiu as férias coletivas não fosse revogado, os servidores não trabalhariam entre 24 de dezembro e 4 de janeiro, porém receberiam os salários referentes a esse período e, depois, ainda poderiam tirar 30 dias de férias regulares, o que seria ilegal e feriria o interesse público."
Os servidores estaduais ainda tentaram na Justiça impedir a convocação ao trabalho, mas o desembargador Vidal Coelho concedeu dez dias para que Requião se pronunciasse sobre a questão, anulando, na prática, a chance de haver recesso.
José Lemos, presidente da APP-Sindicato, que representa os professores, disse que está orientando os funcionários que se sentiram prejudicados por terem que dar expediente de última hora, anulando viagens ou compromissos em outras cidades, a procurar os departamentos jurídicos das entidades sindicais para entrar com ações por danos morais contra o Estado.
Força militar da Venezuela domina fronteira com Brasil
da Folha Online
Reportagem publicada na Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) mostra que na região das fronteiras entre Brasil e Guiana, a presença militar e governamental da Venezuela é ostensiva, em contraste com o vazio que se vê do lado brasileiro e do guianense.
Entre 11 e 20 de dezembro, a Folha percorreu a região das três fronteiras. Entrou nas selvas da Venezuela e da Guiana, localizou garimpeiros brasileiros atuando de forma irregular e chegou também ao local em que o Exército da Venezuela destruiu, em novembro, duas dragas da Guiana usadas na mineração de ouro, gerando um conflito diplomático entre os dois países.
Ao percorrer cerca de 500 km no interior da Venezuela, a partir da fronteira em Roraima, a Folha passou por nove barreiras do Exército venezuelano, sendo oito na rodovia (de asfalto impecável). Nessas barreiras, ao menos cinco militares armados revistam carros e conferem documentação, principalmente passaporte.
O ímpeto armamentista do presidente Hugo Chávez já preocupa as Forças Armadas brasileiras, que consideram o avanço militar chavista uma ameaça à estabilidade regional. Segundo os militares, não há necessidade de temor de uma investida venezuelana.
A inspiração pode vir da mitologia: Zeus, Têmis, Vênus, Netuno ou Morpheu. Da Bíblia: Sodoma, Iscariotes ou Zaqueu. Da geografia: Veneza, Roterdã ou Alasca. Do zoológico mais próximo: Rapina, Hiena, Lacraia, Zebra ou Camaleão. Ou até mesmo de um dicionário de inglês: Hurricane, Game Over, Wood Stock, Pen Drive ou Firewall. Para formar a maioria dos nomes das operações da Polícia Federal, o uso de metáforas é liberado.
A prática de batizar as ações teve início com os militares (a Operação Condor, de perseguição e morte de políticos de esquerda nos anos 70, é a de mais triste lembrança). E desde que o DPF (Departamento de Polícia Federal) foi criado, em 1944, o batismo existe na corporação para padronizar uma investigação e facilitar a organização das centenas de réus, investigados, empresas ou órgãos públicos envolvidos nos casos, e que devem prestar contas à Justiça.
No início, os nomes eram usados apenas no âmbito interno do órgão. Com a proliferação de ações pelo país, o órgão - que não confessa - passou a divulgar amplamente os tais apelidos, que acabaram virando tradição e uma discreta, mas existente, jogada publicitária.
Perder a conta de quantas operações da PF foram deflagradas neste ano não é difícil. Afinal, segundo balanço da PF, foram 188 ações especiais em 2007 (que culminaram em 2.876 prisões), fora as de menor expressão realizadas nos Estados, que não entraram na contabilidade.
As ações contra o tráfico de drogas lideraram o ranking: foram 35. Na seqüência, apareceram contrabando (29), crimes financeiros (17), crime ambiental (15) e crime previdenciário (14).
A instituição nega a existência de regras para o batismo e diz que ele acontece naturalmente, durante as investigações. O nome pode surgir de uma simples conversa entre os membros da equipe que acompanha determinado caso ou até mesmo de um termo usado pelo investigado durante uma escuta telefônica.
O apelido sempre sugere alguma coisa sobre a operação, mas há o cuidado de não revelá-la por completo. "É só mesclar um pouco de criatividade com um pouco de ironia que os nomes aparecem. Atualmente, a própria ousadia das quadrilhas e dos investigados já nos remete a bons nomes", diz o superintendente da Polícia Federal do Maranhão, Gustavo Gominho.
Gominho assume ser o responsável pelo batismo das operações Alvará, Sentença, Marola e Rapina no Estado. "Marola, por exemplo, é um termo muito usado no Norte, principalmente no Amazonas, para classificar uma conversa mentirosa. Neste caso, os investigados 'vendiam' sentenças falsas de juízes federais do Amazonas. Foi só juntar as coisas", disse, revelando como brinca com as palavras e seus significados.
Em outra ação naquele Estado, que ganhou o nome de Galáticos, hackers foram presos por desviarem dinheiro de contas bancárias pela Internet. "Os próprios membros da quadrilha deram o nome à operação, ao se considerarem tão 'bons' no crime quanto os jogadores do time do Real Madrid eram com a bola. Além disso, ostentavam carros e artigos de luxo dignos de jogadores renomados de futebol", explicou Gominho.
Sobre a dinâmica dos batismos, José Antônio Dornelles de Oliveira, delegado regional de combate ao crime organizado do Rio Grande do Sul, afirmou que é um verdadeiro trabalho de equipe, tipo mutirão. "Fazemos um 'toró de parpite', um nome mais popular para o 'brainstorm'. De várias opiniões, sempre acaba saindo uma que cai bem", afirmou o delegado.
Dornelles explicou que os nomes das operações funcionam como um código dentro da corporação. "É uma forma de compartimentar o órgão internamente. Só sabem detalhes de determinada operação os agentes que estão envolvidos nela. É mais uma forma de preservar o sigilo."
Segundo o delegado, há a preocupação de não denegrir a imagem de nada nem de ninguém na hora de nomear as operações. "Certa vez colocamos o nome de Cabo Verde em uma operação sobre envio de remessas de dólar para paraísos fiscais. Quando a operação estava para estourar, decidimos mudar o nome para Ouro Verde, para evitar qualquer problema com o país ou com pessoas nascidas lá", disse.
Mas nem todo o cuidado que cerca a escolha do nome pareceu surtir efeito em outubro deste ano, quando a multinacional que fabrica a lâmina de barbear Personna se viu obrigada a emitir uma nota explicando a seus clientes que seu produto nada tinha a ver com a operação homônima da Polícia Federal. O documento explicava que o nome referia-se à máscara do teatro grego, uma vez que as investigações derrubaram nomes importantes que compõe o mundo corporativo.
Em 2004, uma gafe passou despercebida aos olhares menos atentos. A operação que prendeu o empresário Law Kin Chong - considerado o maior contrabandista do país, em junho de 2004, em São Paulo, levou o nome de 'Shogun', um termo japonês. No entanto, o alvo da investigação era um chinês, naturalizado brasileiro. A PF paulista não explicou o porquê do nome, deixando no ar a máxima de que todo apelido tem um significado, mesmo que incompreensível aos olhos e ouvidos dos leigos.
Para a publicitária Marilu Rodrigues, da agência Young, o batismo das operações pela PF não lembra nem um pouco o complexo processo de criação de um nome para uma marca, por mais criativos que alguns nomes possam parecer.
"O nome é um elemento-chave para a identidade e a posterior divulgação de um produto. Se mal trabalhado, pode inclusive arruinar uma marca", explicou, citando como exemplos de mau-gosto as operações denominadas Matusalém e Zumbi, que apuraram fraudes no INSS. Mas como no caso da PF mais importa o conteúdo do que a embalagem, ficam perdoadas as ironias e a falta de conexão de alguns nomes com o objeto da investigação, diz Marilu. "Não comprometendo o resultado da investigação e prendendo quem deve à Justiça, o nome é o que menos importa", finalizou.
Em 2007, uma pesquisa da Associação dos Magistrados do Brasil apontou a Polícia Federal como a instituição com maior credibilidade no país (75,5% dos entrevistados).
Na prática, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) acabou ontem, embora a lei a mantenha em vigor até segunda-feira. De acordo com a Receita Federal, não deve haver incidência da CPMF já a partir de hoje sobre saques feitos em caixas eletrônicos e nas transferências bancárias via internet, como DOC e TED, pois, segundo determinação do Banco Central, toda movimentação em meios eletrônicos em dias em que não há expediente bancário ao público deve ser contabilizada no primeiro dia útil seguinte, no caso, 2 de janeiro, data em que a contribuição estará extinta.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos estão se preparando para manter a cobrança da CPMF mesmo nas movimentações eletrônicas realizadas de hoje até segunda-feira. A exceção, segundo a Febraban, é a Caixa Econômica Federal.
Embora a CPMF acabe dia 31, o correntista ainda terá o seu desconto até 4 de janeiro, referente ao fim de dezembro, alerta a Febraban. É que a maioria das instituições apura a contribuição semanalmente, debitando-a no terceiro dia útil da semana seguinte.
O procurador da República italiano Giancarlo Capaldo pediu a colaboração do governo do Brasil para interrogar e facilitar a extradição de brasileiros acusados de envolvimento na Operação Condor.
Na última segunda-feira, a juíza italiana Luisanna Figliolia pediu a prisão de 140 pessoas suspeitas de envolvimento na operação, incluindo 11 brasileiros, 61 argentinos, 32 uruguaios, 22 chilenos e cidadãos de outros países.
Todos são acusados de co-responsabilidade no desaparecimento de cidadãos de origem italiana durante o esquema de repressão a opositores de esquerda que uniu os governos militares latino-americanos nas décadas de 70 e 80.
"Assim como os parentes têm o direito de saber porque as vítimas da ditadura desapareceram, é importante que os culpados paguem por seus erros, mesmo que seja 20 ou 30 anos depois", disse Capaldo, em sua sala no Tribunal de Justiça de Roma.
"Esse processo nasceu na Itália porque os países unidos em torno da Operação Condor decidiram não abrir investigações sobre o assunto", acrescentou o procurador. "A Itália está fazendo o possível para evitar a impunidade e para que operações como essa não voltem a acontecer."
A informação inicial era de que a lista incluía 13 brasileiros, dois a mais do que a relação apresentada à BBC Brasil pelo procurador.
O processo chegou a conter quase 200 acusados, mas foi diminuindo porque, ao longo dos anos, muitos acabaram morrendo - como o ex-presidente João Baptista Figueiredo, que governou o Brasil entre 1979 e 1985, e o ex-presidente chileno Augusto Pinochet.
De acordo com o procurador, alguns nomes foram retirados da lista depois que os responsáveis pela investigação na Itália receberam uma confirmação de que esses suspeitos já estavam mortos.
Entre os brasileiros, a lista inclui nomes como Octávio de Medeiros, ex-ministro do Serviço Nacional de Informações (SNI), os coronéis Carlos Alberto Ponzi e Luís Macksen de Castro e os generais Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho (irmão do ex-presidente Figueiredo) e Henrique Domingues.
A relação de brasileiros que tiveram pedido de prisão decretada apresenta ainda os nomes de Agnello de Araújo Britto (ex-superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro), Edmundo Murgel (ex-secretário de Segurança do Rio), Antônio Bandeira (ex-comandante do 3º Exército), João Leivas Job (ex-secretário de Segurança do Rio Grande do Sul), Átila Rohrsetzer (ex-diretor da Divisão Central de Informação) e do ex-delegado gaúcho Marco Aurélio da Silva Reis.
Capaldo diz esperar que principalmente os governos de Argentina, Chile e Uruguai - considerados pelo procurador os países que mais sofreram com a Operação Condor - ajudem de maneira mais efetiva.
O procurador também disse que deve pedir ao Ministério da Justiça da Itália que formalize os pedidos de extradição para que os acusados possam ser julgados na Itália.
"A Itália não quer passar por cima da soberania de nenhum país", afirmou. "Se forem abertos processos contra essas pessoas, ficaremos muito felizes que elas sejam julgadas em seus países de origem."
As investigações na Itália começaram em 1999, com base em denúncias apresentadas por familiares de 25 italianos que desapareceram no período da repressão de regimes militares na América Latina.
Todos acusados tiveram cargos importantes nas juntas militares e serviços de inteligência nos governos militares da região e enfrentam acusações de crimes pequenos a homicídios múltiplos com agravantes, massacres e seqüestros.
Apenas um dos acusados está preso e deverá ser interrogado em Roma nesta quinta-feira. É o uruguaio Nestor Jorge Fernandez Troccoli, que trabalhava para o Serviço Secreto da Marinha do Uruguai e é acusado de envolvimento no desaparecimento e na morte de quatro italianos.
O procurador Giancarlo Capaldo afirma que, a partir de documentos colhidos nos últimos oito anos, foi possível reunir evidências que comprovam a colaboração dos governos de sete países - Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai e Peru - para a eliminação física de opositores de esquerda.
Entre os casos investigados estão o dos argentinos Horacio Domingos Campiglia (detido no Rio de Janeiro em março de 1980, junto com Monica Susana Pinus de Binstock) e Lorenzo Viñas (visto pela última vez em junho de 1980, em Uruguaiana-RS).
Carlos Alberto Ponzi - ex-chefe do SNI em Porto Alegre Agnello de Araújo Britto - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro Antônio Bandeira - ex-comandante do 3º Exército Henrique Domingues - ex-comandante do Estado Maior do 3º Exército Luís Macksen de Castro Rodrigues - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul João Leivas Job - ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul Átila Rohrsetzer - ex-diretor da Divisão Central de Informações Marco Aurélio da Silva Reis - ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul Octávio de Medeiros - ex-ministro do Serviço Nacional de Informações Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho - ex-diretor e comandante da Escola Superior de Guerra e irmão do ex-presidente Figueiredo Edmundo Murgel - ex-secretário de Segurança no Rio de Janeiro
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello afirmou que a decisão da Justiça italiana de pedir a prisão de 13 brasileiros supostamente envolvidos na Operação Condor fere a Constituição Federal.
"A extradição de cidadãos nascidos no Brasil para julgamento em tribunais internacionais é vedada pela Constituição Federal", disse Marco Aurélio. “Precisamos conhecer as peculiaridades do caso para termos um enfoque seguro. Agora, de qualquer forma, nós temos esse obstáculo que é a impossibilidade de o Brasil conceder a extradição ante o texto constitucional”, disse o ministro, após ressaltar que não extraditar brasileiros natos é “regra constitucional inafastável”.
Marco Aurélio disse ser precipitado qualquer posicionamento antes da tramitação do processo em território nacional. “A situação ainda é muito embrionária e nós precisamos aguardar um pouco mais a elucidação dos fatos”, afirmou.
A Constituição Federal, lembrou o ministro, prevê possibilidade de extradição apenas para brasileiros naturalizados e em duas situações: envolvimento com o tráfico de drogas ou em crimes comuns, comprovadamente cometidos antes do processo de naturalização.
O ministro da Justiça Tarso Genro confirmou hoje que ainda não recebeu nenhum comunicado oficial sobre os pedidos de prisão de brasileiros, expedidos pela Justiça italiana. Tarso disse, porém, que a Constituição Federal não permite a extradição de brasileiros para responder a processos em outros países.
"Não recebemos pedido ainda. Vamos analisar com respeito. Mas posso falar em tese que a lei brasileira não permite a extradição", afirmou
Uma reportagem do diário econômico argentino "El Cronista Comercial" afirma que o real saiu "vitorioso" em relação ao dólar em 2007: foi a moeda que mais se valorizou ao longo do ano. "Em um ano negro para o dólar, o real foi a moeda que mais saiu fortalecida", diz o jornal, afirmando que a moeda brasileira ganhou 20,58% em relação à americana nos últimos 12 meses.
De acordo com a reportagem, o real encabeça uma lista de moedas de países que se beneficiaram dos altos preços de "commodities" (matérias-primas e mercadorias com baixo valor agregado) e do fluxo de recursos nos mercados internacionais. Neste ano, o preço do petróleo subiu 50%; o da soja, 65%; o do ouro, 30%, informou o "Cronista".
Depois do real, as moedas que mais subiram em relação ao dólar americano foram o dólar canadense (18,43%), a coroa norueguesa (12,71%), o dólar australiano (10,82%) e o euro (9,90%), afirmou o jornal. Um analista ouvido pela reportagem afirmou: "A demanda global por 'commodities' vai continuar, e isto dará força a essas economias e, por conseqüência, às suas moedas. O dólar pode fazer uma pausa, mas deve continuar caindo".
Projeto de transpor as águas divide ribeirinhos e sertanejos
O chão é árido a ponto de rachar. Os galhos quebram com facilidade de tão secos. Açudes e palmas de cactos que servem como alimento de animais -e até de seres humanos- também secam. Se vivo estivesse, Graciliano Ramos certamente diria que as vidas nunca deixaram de ser secas. Ele só não saberia explicar como pode haver tanta água a poucos quilômetros de um cenário tão ríspido.
Às margens do rio São Francisco, o agricultor Valdemar Bezerra Luna criou filhos e netos nessa região longe de grandes cidades e carente de infra-estrutura. Afinal, dos 84 anos 54 foram à beira do rio no sertão pernambucano. Depois de tanto tempo, ele garante que sua própria existência tornou-se uma extensão do rio, com benesses desde a água para consumo até a manutenção de uma pequena roça com a qual alimenta a família.
A vida de seu Valdemar não é muito diferente da de milhares de famílias às margens do gigantesco rio com 2.863 km de extensão, cuja nascente fica na Serra da Canastra (MG). As turvas águas da bacia hidrográfica do São Francisco percorrem 504 municípios, com população ribeirinha que ultrapassa os 13 milhões.
Seu Valdemar anda curioso com as conversas dos amigos sobre o tal projeto do governo de levar "um pouco d'água" para outros Estados do Nordeste. Alheio à polêmica, ele duvida de que o rio será prejudicado como tanto falam. "Estamos nos alimentando do rio e até hoje não nos faltou, acho que se tirar um pouquinho e levar para quem também precisa não vai fazer mal", pondera. Nostálgico, lembra os bons tempos de um vigoroso Velho Chico, bem diferente da condição precária de hoje, sem peixes e com água impossível de beber sem o uso controlado de remédios, como o hipoclorito de sódio, por conta da poluição.
Pelas letras oficiais, o projeto de transpor as águas do rio São Francisco para abastecer partes do semi-árido nordestino coloca em lados opostos governo, comunidade científica, ambientalistas, movimentos sociais e religiosos. O ponto comum que une os sertanejos -a esperança da água- tornou-se alicerce de uma discórdia entre irmãos. Negros, índios, brancos, ricos, pobres, agricultores, famílias inteiras.
Acostumados à crueldade imposta pelas secas desde tempos imemoriais, agora falam em crueldade nos Estados vizinhos e dos técnicos do governo que não querem explicar o que vai acontecer com o rio. Conhecido como rio da integração nacional, hoje o São Francisco torna-se o rio da discórdia ao colocar em pé de guerra paraibanos, pernambucanos, baianos, sergipanos, cearenses e mineiros.
Não obstante a poluição, a vida às margens do São Francisco não é tão ríspida quanto em outras locações sertanejas, como ocorre com o casal de agricultores Ailton e Silvia Tavares, em Monteiro (PB). No centro de uma região seca e rochosa, à primeira vista os Tavares são privilegiados, pois moram a poucos metros de um açude. Mas a água é tão poluída e barrenta que até os animais rejeitam.
E na região do Cariri paraibano, a dificuldade de conseguir o hipoclorito de sódio é notória, já que o produto é distribuído pelo Ministério da Saúde -de acordo com a população local, está constantemente em falta. As pessoas estão sempre doentes com ameba, principalmente crianças.
A esperança da população rural de Monteiro atende por um nome: transposição. O agricultor Vlamir Bezerra Japyassu, 40, resume a espera ao repetir que "não quer dinheiro, quer apenas água". Para plantar, produzir, comer e vender. Sem água, garante, tudo morre. Eles também. Silvia Tavares tem uma fé quase cega de que, com a transposição, os piores problemas acabam. "Quem tem em abundância não sabe o que é beber um copo de líquido barrento para sobreviver."
Em matéria de sobrevivência pelo rio, poucos têm mais autoridade do que os índios trucás nos arredores de Cabrobó, de volta a Pernambuco, onde a primeira etapa da gigantesca obra da transposição tem início. Saindo do Recife, são seis horas de estrada até este pequeno município de 28 mil habitantes. Os trucás são os maiores produtores de arroz em Pernambuco e também abastecem várias cidades da região com feijão e cebola.
A tarde já começa a cair e, para chegar ao início das obras da transposição, é preciso percorrer mais 40 minutos entre rodovia e estrada de terra. A porteira de acesso ao primeiro canal do eixo Norte, previsto para ligar Pernambuco ao Ceará, está fechada. A entrada é proibida. E, para desespero da população que espera receber água da transposição, as obras estão paradas novamente.
Com auxílio dos índios, é preciso ir de canoa a um caminho alternativo, por onde o Exército não irá ver nossa chegada ao local onde estão as primeiras escavações. Os trucás reafirmam que ali naquela terra não vão deixar o governo construir nada, pois a terra é deles. Não cansam de repetir que, pela Constituição, não é permitido construir nada em território indígena sem a permissão dos índios. Segundo o cacique Neguinho, líder do movimento trucá de oposição às obras, não houve nem sequer diálogo para atender às reivindicações da tribo.
Em conjunto com a tribo dos tumbalalás, do outro lado do rio, já na Bahia, as lideranças indígenas argumentam que o São Francisco está morrendo e o governo nunca se prontificou a revitalizar a bacia, prejudicando toda a população ribeirinha. E agora, com a transposição, ambas as tribos acreditam ser a oportunidade de ouro para levantar a bandeira histórica da demarcação de terras. "Já nos enganaram uma vez quando construíram a barragem de Sobradinho, todo mundo tinha peixe em abundância e, agora, quem consegue pescar é um sortudo. Não há mais nada. Não vão nos enganar novamente", afirma Neguinho.
Enquanto isso, na região que espera a chegada das águas do São Francisco pela transposição, as obras são aguardadas como salvadoras de tempos secos e água escassa. No Cariri paraibano, a população não quer nem ouvir falar o nome dos trucás. Teoricamente, a área poderá ser uma das principais beneficiadas.
Projeto de transposição das águas remonta ao Império
A transposição do São Francisco é um "sonho" que data do Império. Sob a gestão de Lula, novamente levantou-se a bandeira do desenvolvimento do Nordeste a partir das águas do rio para programas de irrigação e abastecimento humano. Comandada pelo Ministério da Integração Nacional, a previsão oficial é usar 2% do volume total de água, com vazão mínima de 26 m3/s e máxima de 127 m3/s. São dois gigantescos canais construídos no coração do sertão. O eixo Norte liga Pernambuco ao Ceará; e o eixo Leste, cujo canal tem início em Floresta (PE), deve retirar água da barragem de Itaparica na Bahia e levar até a Paraíba.
Em abril de 2005, o Ibama concedeu licença prévia para o início das obras. Hoje, quase três anos depois, o cenário pouco mudou. O coordenador da Transposição no Ministério da Integração Nacional, Rômulo Macedo, afirma que respeita a reivindicação dos índios trucás para que o governo demarque as terras, mas não entende a insatisfação da tribo. "Eles [os trucás] são os maiores beneficiados com a transposição. Na ilha de Assunção, onde moram, a pista era toda de barro e hoje está com estrada. Construímos casas que antes não existiam, há o projeto paralelo de revitalização da bacia hidrográfica pelo qual estão tendo saneamento básico, que sempre foi uma demanda antiga", enumera. "Se todas as tribos disserem que a terra é deles sem comprovação, então não vai sobrar mais nada no Brasil", ironiza.
O coordenador do escritório da Transposição em Monteiro (PB), Lusbene Cavalcanti Júnior, classifica como "impropérios" as argumentações contrárias à transposição. "Esse pessoal não sabe o que é beber água barrenta, amarela, não conhece a realidade do sertão."
Lusbene cita um dos pilares mais fortes de quem defende o projeto: a evaporação. "Sem a adução que a transposição irá trazer, o sol leva boa parte da água nos açudes, é uma maldade completa." Para as lideranças da CPT (Comissão Pastoral da Terra) no Nordeste, o custo da transposição é um despejo de dinheiro público perigoso e desnecessário. Roberto Malvezzi, da CPT em Juazeiro (BA), diz ser perigoso porque os maiores beneficiados serão fazendeiros que lidam com fruticultura irrigada, carcinicultura (criação de crustáceos) e outras atividades com demanda de alto volume de água.
"O argumento de matar a sede é falacioso, mas conquista o público leigo pelo tom emotivo. Não somos contra o desenvolvimento econômico, como dizem os pró-transposição; mas é preciso estabelecer prioridades. Recursos públicos devem ser usados para benefício humano, não para um punhado de gente com grandes empreendimentos econômicos. Todo mundo sabe da existência da indústria da seca, é como se ganha voto no sertão, não vai mudar nada", contesta Malvezzi, ao contabilizar quase 500 alternativas viáveis elaboradas pela ANA (Agência Nacional das Águas), órgão do próprio governo, custando metade do valor calculado pela transposição para resolver o problema.
O diretor de engenharia e construção da Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), José Ailton de Lima, explica que inicialmente o órgão foi contra as obras porque poderia perder volume de água para geração de energia nas hidrelétricas, mas hoje os técnicos entendem que a relação custo-benefício vale a pena. "O melhor de todo o projeto é a geração de segurança hídrica para a região, pois antigamente acreditava-se que apenas açudes resolviam o problema, hoje o cenário é outro. Só o desperdício com a evaporação é maior do que todo o volume de água que a transposição pode tirar do rio. No Nordeste, essa perda (por evaporação) chega a 17% da água acumulada em açudes. Pior, hoje o governo não tem controle sobre as águas, tem açude público sendo controlado por aglomerados econômicos ou grupos de fazendeiros, sem fiscalização ou regularização alguma", afirma.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou no dia 6/12 a nova regulamentação das tarifas bancárias. A medida atende a algumas antigas reivindicações do Idec, entre elas o fim da Taxa de Liquidação Antecipada (TLA); a padronização de nomenclatura dos serviços - o que facilita a comparação do consumidor na hora de optar pela abertura de conta em uma instituição financeira -; a extinção de tarifas historicamente abusivas e, por conseqüência, o aumento da lista de itens gratuitos; e a determinação de um prazo mínimo a ser respeitado entre dois aumentos dos preços cobrados pelos bancos por um mesmo serviço.
Para o Instituto, com a iniciativa, finalmente, o conselho e seu órgão regulador, o Banco Central (Bacen), assumem perante a sociedade o que há muito deveriam ter feito, ou seja, coibir os abusos praticados pelos bancos em suas cobranças tarifárias.
Apesar disso, o Idec acredita que algumas modificações são tímidas, a começar pela data estabelecida de 30 de abril de 2008, para sua implementação e incidência. No caso da extinção da TLA, ela só valerá para contratos firmados entre consumidor e instituição financeira a partir dessa data. "Essa cobrança é uma aberração. A liquidação antecipada de crédito não reflete a prestação de um serviço, já que se configura como uma iniciativa do consumidor sem qualquer prejuízo ao banco, o que afasta a 'quebra de contrato' alardeada pelas instituições", avalia Marcos Diegues, gerente jurídico do Instituto.
No que diz respeito à unificação de nomenclatura, o Idec espera que ela seja compreensível, respeitando um dos princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor (CDC): o direito à informação clara e objetiva. "De nada adiantam tabelas repletas de códigos. Eles precisam ser 'traduzidos' para o perfeito entendimento do consumidor", declara Paulo Pacini, advogado do Idec.
Outra medida já prevista pelo CDC e que foi regulamentada pela resolução é a obrigatoriedade de as instituições informarem previamente o Custo Efetivo Total (CET) na contratação de operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro. Isso quer dizer que o consumidor poderá comparar as ofertas de crédito disponíveis no mercado e conhecer a taxa efetiva que vai pagar, incluindo juros, tributos, tarifas, seguros e outras despesas cobradas.
Vale ressaltar que muitas das 'novidades' apresentadas já figuram no CDC, como é o caso do fim de algumas cobranças sabidamente ilegais, como a tarifa por excesso de limite no cheque especial e a de cheque de alto ou baixo valor. Ambas trazem desvantagem exagerada para o consumidor, o que é expressamente proibido pela legislação.
O 'exagero" se repete no que se refere ao prazo estabelecido para o reajuste das tarifas. De acordo com a nova norma, os bancos devem respeitar o mínimo de 180 dias entre dois aumentos de preços cobrados por um mesmo serviço. O Idec questiona o aumento semestral e defende a extensão do prazo para 1 ano e que sejam apresentadas, por parte da instituição, justificativas para tanto. "A lei que criou o Plano Real diz que contratos não podem sofrer reajustes em prazo inferior a 12 meses", argumenta Diegues.
Mas a maior atenção do Idec está voltada para as práticas que poderão ser adotas pelos bancos na tentativa de minimizar as restrições impostas. "A alteração contratual que elimina os abusos deve atingir os contratos vigentes, mas não deve ser implementada aquela que fere o que foi pactuado em contrato e, prejudica o cliente bancário. Não pode haver nivelamento 'por baixo'", finaliza Pacini.
O comediante britânico Rowan Atkinson, famoso pelo personagem Mr. Bean, bateu seu carro ao sair de uma vaga em uma rua em Aspen (EUA). Ele não percebeu que um carro de uma mulher estava na parte de trás. Segundo a polícia, o carro da mulher ficou um pouco amassado. O ator dirigia um Volkswagen Jetta. Devido às pequenas proporções do incidente, a polícia não fez registro formal da ocorrência.
Não é a primeira vez que Atkinson se envolve em acidentes de trânsito. Em 2001, ele já havia batido um Aston Martin contra uma mureta de proteção. Em 1999, Atkinson também sofreu um acidente a bordo do McLaren que havia comprado para celebrar o sucesso do filme "Bean".
As trapalhadas de Rowan na vida real acabam ajudando a colocá-lo na mídia. Alguns casos parecem histórias de ficção. Em 2001, durante férias no Quênia, o piloto do avião que havia alugado desmaiou a 5.000 metros de altitude. Rowan Atkinson teve que tomar o comando do aparelho até que o piloto voltasse a si e conseguiu antes pousar o aparelho.
Com o argumento de fazer justiça social, magistrados como Jorge Luiz Souto Maior beneficiam alguns poucos em prejuízo de milhões de trabalhadores brasileiros
O motorista Luiz Aparecido Ricardo, paulista, de 50 anos, não acreditou quando soube da sentença da ação trabalhista que move contra seus ex-patrões desde 2004. No final do ano passado, o juiz Jorge Luiz Souto Maior, titular da 3a Vara Trabalhista de Jundiaí, no interior de São Paulo, determinou que ele recebesse 110 000 reais de indenização por ter trabalhado durante três meses sem registro em carteira e não ter recebido as garantias estabelecidas na lei quando foi demitido.
O veredicto surpreendeu não só os empregadores acionados por Ricardo - entre os quais a Spal, adquirida posteriormente pela Femsa, maior engarrafadora da Coca-Cola no país - mas também o próprio advogado do motorista. "Acho que a indenização será derrubada na segunda instância, porque o valor é desproporcional ao pedido do cliente", afirmou José Aparecido de Oliveira, que representa o motorista. (O caso aguarda julgamento do recurso aberto pelas empresas no tribunal de Campinas.)
A indenização estipulada por Souto Maior equivale a mais de 140 vezes o salário que Ricardo recebia na época, de 760 reais. O mais surpreendente é que, do valor total estabelecido pelo juiz, 100 000 reais foram definidos a título de indenização suplementar, uma espécie de corretivo exemplar para que os empregadores não incorram no mesmo crime.
Esse tipo de sentença já se tornou rotina na 3a Vara de Jundiaí, onde Souto Maior é titular desde 1998. Em outra ação, esta envolvendo uma auxiliar de limpeza, cujo salário era 347 reais, ele determinou uma indenização suplementar de 50 000 reais, fora o valor referente a direitos como décimo terceiro salário e férias. Essas decisões são um dos principais motivos da alcunha que vem sendo dada a Souto Maior -- a de juiz Robin Hood, em referência ao personagem do folclore inglês que saqueava os ricos para dar aos pobres.
Sua atitude é representativa de uma corrente do direito que defende a utilização ideológica da lei - e não sua simples aplicação. Souto Maior é a face radical de uma justiça trabalhista que, além de anacrônica, é imprevisível. E a imprevisibilidade, como se sabe, é o maior veneno do capitalismo.
É também a representação da supremacia do individualismo sobre as instituições. "Boa parte dos juízes brasileiros, principalmente os da área trabalhista, considera mais importante atender às necessidades sociais do que aplicar a lei à risca", afirma Leandro Silveira Pereira, professor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. "Eles entendem que estão promovendo justiça social com esse tipo de decisão."
Essa suposta justiça social se transforma em mais custo para as empresas e, em conseqüência, num número menor de empregos protegidos pela legislação que Souto Maior se comprometeu por dever de ofício a seguir. "Quanto mais direitos na lei, mais despesas compulsórias e mais informalidade e desemprego são gerados", afirma o sociólogo José Pastore. "Esse é o círculo da mediocridade no mercado de trabalho do país."
Sem CPMF, salário até R$ 1.140 pagará mais ao INSS
da Folha de S.Paulo
A nova tabela de contribuições ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já valerá para os recolhimentos referentes a dezembro que forem feitos a partir de 1º de janeiro. A tabela será usada para o recolhimento das contribuições previdenciárias dos trabalhadores assalariados, inclusive os domésticos.
Segundo a assessoria de imprensa da Previdência Social, a nova tabela deverá ser divulgada nesta semana. Ela terá três faixas, em vez das quatro atuais. As alíquotas de 7,65% e 8,65% serão elevadas para 8% e 9%, respectivamente, devido ao fim da CPMF (o tributo do cheque) a partir de 1º de janeiro.
Assim, a nova tabela será esta: salário-de-contribuição até R$ 868,29 terá alíquota de 8%; de R$ 868,30 até R$ 1.447,14, a alíquota será de 9%; e de R$ 1.447,15 até R$ 2.894,28 será de 11%.
O aumento das alíquotas é necessário para compensar o fim da CPMF - durante a vigência do tributo, as alíquotas para rendimentos até R$ 1.140, ou três salários mínimos, tiveram de ser reduzidas para que não houvesse pagamento a mais (é que sobre o pagamento das contribuições era cobrado o tributo do cheque). Para salários acima de R$ 1.140, nada muda, uma vez que eles não tinham isenção da CPMF.
A partir de janeiro, sem a CPMF, as alíquotas voltam a aumentar. Os acréscimos variam conforme o salário do trabalhador, mas são pequenos - de R$ 1,33 a R$ 3,99 por mês, ou R$ 17,29 a R$ 51,87 por ano, incluindo a contribuição do 13º salário.
Com o fim da CPMF (o tributo do cheque) a partir de 1º de janeiro, os trabalhadores assalariados (com registro em carteira) que recebem entre R$ 380 e R$ 1.140 por mês (um a três salários mínimos) terão de pagar mais à Previdência Social -o desconto será feito nos salários pagos em fevereiro.
Os acréscimos variam conforme o salário do trabalhador, mas são pequenos -de R$ 1,33 a R$ 3,99 por mês, ou R$ 17,29 a R$ 51,87 por ano, incluindo a contribuição sobre o 13º salário. O desconto a mais vale para todos os trabalhadores com registro em carteira, inclusive empregados domésticos e trabalhadores avulsos. Como a legislação garante isenção da CPMF para quem ganha até três salários mínimos por mês, a Previdência Social foi obrigada a reduzir a contribuição previdenciária paga por esses trabalhadores. Era uma forma de "compensação".
Assim, com a CPMF atual de 0,38%, a alíquota de 8% foi reduzida para 7,65%. A de 9% foi reduzida para 8,65% até a faixa correspondente a três mínimos, ou R$ 1.140. Com o fim da CPMF, esses salários voltarão a pagar 8% e 9%, respectivamente, como antes da criação do tributo.
Para os salários maiores do que R$ 1.140 não houve redução, uma vez que eles não têm isenção da CPMF. Assim, para quem ganha de R$ 1.140,01 a R$ 1.447,14 a contribuição continuará sendo de 9%. Para ganhos de R$ 1.447,15 ou mais, o desconto permanece em 11% até o teto do salário-de-contribuição (R$ 2.894,28).
Até o final do ano o Ministério da Previdência Social divulgará portaria com os novos percentuais. Como são três alíquotas de contribuição, a nova tabela voltará a ter apenas três faixas, como antes da criação da CPMF (hoje são quatro faixas e quatro alíquotas).
Os segurados da Previdência Social que recebem até dez salários mínimos - R$ 3.800 por mês, em valores atuais--, deixarão de ter o acréscimo da CPMF em seus benefícios (pagos em conta corrente, cartão magnético, pagamento alternativo de benefício, ordem bancária ou cupom liqüidável por instituição) a partir de janeiro.
Isso ocorrerá porque, com o fim da CPMF, não haverá mais o desconto da contribuição quando houver o saque no banco. O fim do acréscimo não acarretará prejuízo aos segurados, uma vez que ele é feito --em valor correspondente à CPMF - exatamente para que ocorra a "compensação" no momento do saque. Os segurados que recebem mais do que dez mínimos não gozam da isenção da CPMF.
Como a folha de pagamento do INSS deste mês já está pronta, os benefícios até dez mínimos ainda serão pagos com o acréscimo da CPMF. Mas o INSS provavelmente fará a "compensação" para uma parte deles em fevereiro, quando estiverem sendo pagos os benefícios de janeiro próximo.
Há uma explicação para que a "compensação" não alcance todos os benefícios. É que os aposentados e pensionistas que ganham até um salário mínimo (R$ 380), cujos benefícios tenham finais 1 a 5, receberão seus benefícios deste mês já a partir da próxima quinta-feira, dia 20. Nesse caso, como o pagamento está sendo feito ainda na vigência da CPMF, o "acréscimo" correspondente será descontado normalmente na hora do saque do dinheiro.
Quem receber os benefícios entre 2 e 8 de janeiro (todos os demais, à exceção dos de finais 1 a 5, de até R$ 380) terá o "acréscimo" correspondente à CPMF mas não terá de pagá-la, uma vez que o dinheiro será sacado quando o tributo não mais existirá.
Assim, tudo indica que em fevereiro, quando pagar os benefícios de janeiro, o INSS descontará o valor da CPMF que acrescentou em janeiro mas que não foi descontado pelos bancos.
Tabela atual
A alteração das alíquotas a partir de 1º de janeiro provoca uma situação atípica no caso de empresas e de empregadores domésticos que quiserem recolher as contribuições deste mês de seus empregados entre amanhã e sexta-feira - último dia para pagamento neste ano (no dia 31, os bancos não abrem).
É que, nesse caso, a CPMF ainda estará em vigor. Assim, o pagamento terá de ser feito pela tabela atual, com alíquotas de 7,65% e 8,65%, devido à cobrança da CPMF.
Para os contribuintes individuais (facultativos, empresários/empregadores e autônomos), nada muda, uma vez que, para eles, não houve redução de alíquotas durante a vigência da CPMF.
'Faxina' é principal atividade dos brasileiros em Londres
O estudo Brazilians in London (Brasileiros em Londres), conduzido pela Universidade Queen Mary, em 2006, estima que a principal atividade desempenhada por brasileiros em Londres envolve trabalhos de limpeza. O levantamento, que analisou dados obtidos a partir de um questionário aplicado a 423 brasileiros entre os meses de setembro e outubro de 2006, mostrou que 32% dos entrevistados faziam faxina em casas e escritórios. Deste total, cerca de 80% eram mulheres.
O ramo de hotelaria e restauração aparece em segundo, com 26% dos imigrantes empregados no setor. Em terceiro vem os que trabalham como motoristas e motoboys (10%), seguidos pelos que atuam na construção civil (9%) e pelas que disseram trabalhar como babá (3%). Outros 13% disseram estar fazendo "outros serviços" e apenas 1% disse não estar trabalhando.
Benefícios Yara Evans, coordenadora do estudo e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade Queen Mary, afirma que os resultados mostram que a comunidade brasileira "está contribuindo para a economia de Londres", pois "os brasileiros estão atuando em áreas essenciais para a economia e que normalmente não são desempenhadas pelos ingleses. É uma relação que traz benefícios para os dois lados", avalia.
O brasileiro Otavio Braga, de 27 anos, chegou a Londres em 2001 com o sonho de dar uma "vida mais digna" a seus pais. Apesar de descender de italianos, ele entrou na Grã-Bretanha como turista e ao fim dos seis meses permitidos para sua permanência conseguiu o visto de estudante. "Essa foi a forma de comprar a minha permanência aqui. Não dava para ir ao curso de inglês porque trabalhava todos os dias como camareiro de um hotel", conta Otavio, que renovou o visto de estudante três vezes antes de conseguir o passaporte italiano.
Do hotel, Otavio foi trabalhar num bar e hoje é gerente de um restaurante no centro de Londres. Seis anos e meio depois de ter deixado a pequena cidade de Sarapuí, no interior de São Paulo, ele faz o balanço: conseguiu comprar uma casa e um carro para os pais e duas casas na Sardenha, na Itália. "Aqui a vida é mais fácil, esse tipo de trabalho aqui é muito mais valorizado que no Brasil. Eu só voltaria agora se fosse para abrir o meu negócio, mas acho que não vale a pena arriscar".
Já a brasileira Aline Cabianca, de 26 anos, diz que pretende voltar para o Brasil em março do ano que vem. Ela conta que chegou a Londres em 2002 como turista e nunca se legalizou no país. "Ficar legal só compensa porque você pode entrar e sair do país. Mas para o resto nunca tive problema. Sempre consegui alugar apartamento e arrumar emprego", diz a brasileira, que conta já ter morado com outros 23 brasileiros numa casa de seis quartos.
Aline conta que nos últimos cinco anos chegou a trabalhar como chef de um restaurante e diarista, mas atualmente só está fazendo faxinas em escritórios. Com a agenda lotada de segunda a sexta-feira, ela diz que trabalha até 72 horas por semana. Aline acredita que o esforço compensa: já comprou uma casa para a mãe e uma loja que está alugada. Quando voltar ao Brasil, pretende conseguir um emprego e completar a renda com aluguel da loja e de outras duas casas que deseja adquirir.
"A minha passagem por Londres está perto do fim. No início fiquei deslumbrada com o poder do dinheiro, mas agora estou desiludida. Quero voltar para perto da família, ter uma vida mais calma e não me matar de trabalhar." A pesquisa Brazilians in London (Brasileiros em Londres) investigou informações sobre a comunidade brasileira residente na capital britânica a pedido da campanha "Strangers into Citizens" ("Transformando estranhos em cidadãos", em tradução livre), uma iniciativa que prega a anistia para imigrantes ilegais na Grã-Bretanha.
De presidente, já tinha Bush pai e filho, Bill Clinton ("Eu não tive relações sexuais com aquela mulher") e Ronald Reagan, cada um falando 17 frases ao ser apertados. Agora é a vez do ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, talvez o autor das frases mais hilariantemente (ou sombriamente, se você é iraquiano) desconexas da história do Pentágono. A TalkingPresidents.com acaba de lançar o boneco de ação ("action figure") de Rummy, a tempo das festas de fim de ano.
Apertado, ele solta pérolas como "There are known knowns, there are things we know that we know. There are known unknowns; that is to say, there are things that we now know we don't know. But there are also unknown unknowns, there are things we do not know we don't know; and each year we discover a few more of those unknown unknowns". São 28 gotas de sabedoria no total, todas ditas pela versão em carne e osso em entrevistas coletivas. Custa US$ 19,95.
Avião com presidente do Senado tem problema técnico
da Folha Online
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), dois deputados federais e o prefeito de Natal, Carlos Alberto Alves (PSB), levaram um susto na segunda-feira. Eles estavam no vôo 3371 da TAM de Natal com destino a Brasília quando a aeronave teve problemas técnicos no ar. Os parlamentares informaram que o piloto conseguiu retornar e pousar em Natal.
"Foi um susto terrível. Fiquei assustado. Foi uma experiência lamentável e desagradável. Não desejo isso a ninguém", reagiu o deputado Felipe Maia (DEM-RN), filho do líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), e primo de outro parlamentar que também estava no vôo, João Maia (PR-RN).
De acordo com Felipe Maia, o vôo atrasou uma hora antes de deixar o aeroporto de Natal. Já no ar, com 40 minutos de vôo, a aeronave apresentou problemas técnicos. "As luzes internas apagaram e as turbinas desligaram espontaneamente", contou.
Segundo ele, foi a habilidade do comandante que conseguiu garantir a continuidade da viagem. Felipe disse que o piloto relatou o problema aos passageiros e tentou reativar uma das turbinas, o que acabou conseguindo.
O deputado contou ainda que vários passageiros ficaram assustados. De acordo com ele, pessoas passaram mal e até desmaiaram. Ele disse também que houve cenas de desespero que só não agravaram por causa do piloto. "O comandante realmente demonstrou ser competente e experiente e conseguiu resolver o problema".
Garibaldi, os dois deputados e o prefeito deverão pegar uma carona com o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) --que sairá de Recife e passará por Natal em torno das 22h, chegando a Brasília na madrugada de terça-feira.
Em nota, a TAM informou que a aeronave retornou para o aeroporto internacional de Natal por conta de uma pane elétrica.
De acordo com a TAM, o avião pousou normalmente às 16h35 (horário de Brasília). "Os 78 passageiros desembarcaram, estão sendo atendidos pelas equipes da TAM no aeroporto de Natal e serão acomodados em outros vôos da companhia", diz a nota.
“Como, para um homem comum, uma coisa pode ser correta hoje e um crime amanhã? Os homens precisam ser guiados, não é culpa deles. São questões complexas, e não há respostas simples. Quem sabe onde está a Lei? Todos devem procurá-la, mas isso é difícil, e é normal curvar-se ao consenso.”
Maximilien Que, oficial da SS nazista, encarregado de organizar o extermínio dos judeus no livro "As Benevolentes", de Jonathan Littell. Maximilien é o Capitão Nascimento deste romance de ficção em que quase nada é ficção. Sua filosofia reproduzida nesse parágrafo é o manifesto daquele que, enquanto no poder, pode fazer o que quiser. Simplesmente porque está no poder. A violência é um método em que está em jogo o poder. A barbárie é a destruição pela vontade de destruir de quem está ou quer estar no poder. Entre violência e barbárie há pouca distância em espaço ou tempo. As Benevolentes (Editora Alfaguara) poderia ser um pouco mais curto do que suas 900 páginas, mas se torna obrigatório neste ano em que mentes do mal têm sido analisadas.
Os cientistas ainda não desvendaram o segredo dos bons biscoitos: se vendem mais porque são fresquinhos ou se são fresquinhos porque vendem mais. Mas já são capazes de definir se eles estão crocantes.
Pesquisadores do Laboratório de Física Aplicada e Computacional da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP de Pirassununga criaram um sistema que avalia a "crocância" dos biscoitos. Com a tecnologia, que deverá estar disponível em um ano, a indústria alimentícia terá uma ferramenta de controle de qualidade para essa propriedade.
"O controle até existe, mas não tão perfeito e automatizado quanto aquele que estamos propondo", diz Ernane Xavier, que coordena a pesquisa. "Algumas fábricas se baseiam no que pessoas que morderam o biscoito dizem. Essa é uma avaliação sensorial e subjetiva".
O aparelho desenvolvido pela USP tem um compressor de ar ligado a um sistema eletrônico computadorizado que aciona um pistão sem emitir barulho (veja quadro acima). Um biscoito é então colocado embaixo do pistão, que o quebra. O som do "crec" é captado por um microfone direcionado ao biscoito e comparado por um computador com outros ruídos previamente registrados.
Há uma escala com quatro sons de "crocância": biscoitos recém-tirados da embalagem (chamados de tempo-zero), depois de 30 minutos fora do pacote, após uma hora e um período superior a 24 horas. "Às vezes biscoitos que acabaram de ser tirados da embalagem podem ter características de um biscoito que ficou exposto à umidade durante 24 horas. Então, a "crocância" está ruim", afirma Xavier.
Um estudo sobre o invento descreve testes feitos em biscoitos água e sal, mas outras variedades já foram analisadas pelo grupo. O trabalho foi publicado no periódico científico "Journal of Food Engineering".A idéia surgiu, de acordo com Xavier, depois de os pesquisadores identificarem em publicações internacionais, principalmente européias, a importância da "crocância".
"Na França, eles têm muita preocupação com a qualidade dos alimentos e até diferem os produtos crocantes em "crisp", "crackly" e "crunch'", diz.
Segundo Xavier, o objetivo da pesquisa é elevar a qualidade dos alimentos industrializados. "Não basta ingerir o alimento. Precisamos descobrir como podemos melhorar a sensação de se morder um biscoito e de onde ela vem", afirma.
Agora, com o aparelho concluído, é possível, segundo Xavier, que a indústria de alimentos desenvolva produtos com "crocância" sob medida. "Podem pedir produtos, como o chocolate, com a "crocância" parecida com a de uma batata frita, de uma maçã ou de uma castanha", diz ele. O trabalho foi financiado com recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
A CIA já deve estar de olho no ex-craque Diego Armando Maradona. Depois de conhecer e estreitar laços com o líder cubano Fidel Castro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agora o ex-camisa 10 da Argentina quer conhecer o presidente do Irã, Mahmud Ahmadineyad. Os três países são mal vistos pelos norte-americanos.
No sábado, o astro recebeu um funcionário da embaixada do Irã em Buenos Aires que fez um convite para visitar Teerã. “Eu conheci [Hugo] Chávez e Fidel [Castro]. Agora só me falta conhecer o presidente do Irã. Quero conhecer Ahmadineyad. Estou com o povo do Irã de coração. Digo de verdade”, afirmou Maradona.
Fly me to the moon And let me play among the stars Let me see what spring is like On Jupiter and Mars In other words hold my hand In other words darling kiss me
Fill my life with song And let me sing forevermore You are all I hope for All I worship and adore In other words please be true In other words I love you
PS: Se vc gostou tanto quanto eu não deixe de assistir a versão de Diana Krall clicando AQUI.
"Paraíso Tropical" vence em quatro categorias dos melhores de 2007
O último capítulo de "Paraíso Tropical" foi ao ar há três meses, mas o público não esquece a trama. A novela escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares levou as quatro das cinco categorias de dramaturgia da eleição dos melhores do ano promovida pelo UOL e pelo noticiário PopTevê.
Os vilões mais uma vez se tornaram os tipos preferidos. Em 2007, os personagens de má índole e de caráter duvidoso continuaram a fazer a festa. Wagner Moura foi eleito o melhor ator, com 63,87% dos votos, pela interpretação do sádico Olavo de "Paraíso Tropical". "O Olavo foi diferente de tudo o que já fiz até hoje. Foi uma brincadeira com a figura do vilão. Me diverti muito fazendo", diz o ator.
Quem também conquistou a simpatia do público foi Camila Pitanga, que deu vida à impagável prostituta Bebel de "Paraíso Tropical". Com a estrondosa marca de 68,67% dos votos, a atriz venceu na categoria melhor atriz.
Ela venceu a experiente Vera Holtz, que interpretou a decadente Marion de "Paraíso Tropical" e obteve 9,56% dos votos, e a carismática Giovanna Antonelli, a doce Clarice de "Sete Pecados", que totalizou 4,24% dos votos. "Contracenar com atores tão talentosos e generosos como o Wagner Moura e o Chico Diaz foi fundamental para a Bebel conquistar tantas pessoas", diz Camila.
Para fechar os prêmios da novela, "Paraíso Tropical" --que disputou a preferência do público com "Luz do Sol" e "Vidas Opostas", da Record -- também levou a melhor na categoria melhor novela e garantiu 45,97% dos votos. "Não se pode fazer uma história atraente sem bons personagens", defende Gilberto Braga, autor da novela.
Beber oito copos de água por dia faz bem. Unhas e cabelo continuam crescendo após a morte. Ler com pouca luz faz mal à visão. Cientistas americanos descobriram que esses e outros quatro "mitos" da crença popular comuns nos Estados Unidos e em outros países, não podem ser comprovados através de evidências científicas.
Além dos três "mitos" citados acima, os pesquisadores, da Universidade Escola de Medicina de Indiana, em Indianápolis, tentaram averiguar a verdade de premissas como a de que o homem usa apenas 10% do cérebro; que raspar os pêlos faz com que eles cresçam em maior quantidade e mais grossos; que telefones celulares podem ser perigosos em hospitais por causa da interferência magnética e que comer peru provoca sonolência.
Os resultados, publicados na revista científica British Medical Journal, sugerem que essas crenças ou são falsas ou não contam com evidências suficientes para serem comprovadas cientificamente. Os pesquisadores disseram não ter encontrado evidências de que beber oito copos de água faz bem para a saúde. Os estudos sugerem que o consumo adequado de líquidos é alcançado pela ingestão de sucos de fruta, leite, café e chá.
A crença de que usamos apenas 10% do cérebro também não parece ser verdade. De acordo com a pesquisa, não há nenhuma parte do cérebro "completamente inativa" e exames feitos no cérebro "falharam ao não conseguir identificar os outros 90% que não funcionam".
Ainda para os cientistas, a teoria de que cabelos e unhas continuam crescendo em defuntos pode ser apenas uma "ilusão ótica" devido à retração da pele após a morte. Eles argumentam que o crescimento de pêlos e unhas requer uma complexa interação hormonal que não existe depois que a pessoa falece.
Outro mito seria o de que raspar os pêlos faz com que eles cresçam mais rápido, mais escuros e mais grossos. Na explicação dos especialistas, ao ser raspado, o pêlo perde a ponta fina que tem antes de ser barbeado e como conseqüência, nasce eriçado e mais espesso.
As advertências de que ler com pouca luz é prejudicial à visão também é questionada pelos pesquisadores. A autora do estudo, Rachel Vreeman, explica: "As condições de leitura no passado eram muito piores. As pessoas usavam velas e lanternas. Então o aumento crescente dos casos de miopia nos últimos séculos não pode ser explicado pela leitura com luz precária".
Os cientistas ainda dizem que não há evidências de que ficar com o telefone celular ligado dentro de hospitais causa interferência magnética que afeta equipamentos médicos. Aliás, descobriu-se, durante a pesquisa, que o papel dos celulares em salas de operações tem um lado benéfico. Um levantamento feito entre anestesistas mostrou que o uso dos celulares "reduziu em 20% os riscos de erros médicos que resultam de comunicações tardias".
Finalmente, a pesquisa afirma que comer peru não provoca peso no estômago e causa sonolência. Eles explicam que o aminoácido triptofano presente na ave - que seria o causador do sono - também é encontrado em quantidades semelhantes em outras carnes, como frango e carne moída. Outras fontes de proteína, como porco e queijo ainda teriam maior concentração do aminoácido.
O médico David Tovey, editor da revista científica Clinical Evidence disse que "a ausência de evidências não significa falta de efeitos e de qualquer forma, muitos desses mitos são inofensivos", afirmou Tovey
1- "tendência para fugir à realidade ou à rotina, esp. a coisas vivenciadas como desagradáveis, desviando a mente para outras ocupações ou entretenimentos" e 2- "Derivação: por metonímia. Desvio ou digressão mental de defesa".
Etimologicamente temos:
escapar + -ismo adap. do ing. escapism (1933), der. de escape subst. "distração mental ou emocional, principalmente por meio da literatura ou da música, como forma de fugir dos fatos ou acontecimentos".
Pois bem, espero reduzir significamente a presença desta palavra em minha vida a partir de 2008... mas não ao ponto disso implicar em minha insanidade, é claro.
NSCRIÇÃO. NOME. BANCO DE DADOS. AUSÊNCIA. COMUNICAÇÃO.
A recorrente alega que, nos termos do art. 43, § 2º, do CDC, não comprovou a ré a prévia comunicação da negativação no banco de dados a que estava obrigada, motivo pelo qual estaria configurado o dano moral. O Min. Relator esclareceu que, constatada a irregularidade, a mencionada negativação deve ser comunicada à inscrita, o que não aconteceu. Porém a autora não questionou, quando da inicial, a existência da dívida. Não bastasse isso, o acórdão recorrido também reconhece a existência de várias outras anotações negativas. Também, a autora não demonstrou, ao longo da ação, haver quitado a dívida, o que corrobora a suposição de que a prévia comunicação sobre sua existência teria tido algum efeito útil. Em tais excepcionais circunstâncias, não vê o Min. Relator como se possa indenizar a autora por ofensa moral, apenas pela falta de notificação. Destarte, bastante que se determine o cancelamento da inscrição até que haja a comunicação formal à devedora sobre aquela, mas dano moral nessa situação não é de ser reconhecido à autora. Isso posto, a Turma conheceu do recurso e lhe deu parcial provimento para improver o pleito de indenização por dano moral, determinando, contudo, o cancelamento dos registros requeridos pela empresa até que haja o cumprimento da formalidade da comunicação. Precedente citado: REsp 752.135-RS, DJ 5/9/2005. REsp 986.913-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 27/11/2007.
PLANO. SAÚDE. CLÁUSULA. CARÊNCIA.
A matéria consiste em saber se a cláusula que estabelece a carência em plano de saúde é ou não abusiva. O Min. Relator observou que, em si, a cláusula que fixa a carência não é abusiva porquanto não se afigura desarrazoada a exigência de um período mínimo de contribuição e permanência no plano de saúde para que o contratante possa fruir de determinados benefícios. As condições são voluntariamente aceitas, os planos são inúmeros e oferecem variados serviços e níveis de assistência médica, tudo compatível com a contraprestação financeira acordada e de conhecimento da pessoa que neles ingressa por livre escolha. Todavia a jurisprudência deste Superior Tribunal tem temperado a regra quando surjam casos de urgência de tratamento de doença grave, em que o valor da vida humana sobrepuja-se ao relevo comercial, além do que, em tais situações, a suposição é que, quando foi aceita a submissão à carência, a parte não imaginava que poderia padecer de um mal súbito. No caso, a autora foi acometida de doença surpreendente e grave e, aliás, já quase ao final do período de carência, vinha contribuindo há quase três anos, para uma carência de trinta e seis meses. Nessas condições particulares, torna-se inaplicável a cláusula, não propriamente por ser em si abusiva, mas pela sua aplicação de forma abusiva, em contraposição ao fim maior do contrato de assistência médica, que é o de amparar a vida e a saúde, tornando-o verdadeiramente inócuo na espécie.REsp 466.667-SP, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 27/11/2007.