ACONTECEU EM HADITHA (isso ainda vai virar filme)

Como foi cometido (e acobertado...) o massacre que pode mudar o destino da guerra no Iraque. O que ele revela sobre a ocupação, os EUA, a democracia e o controle do imaginário
Nem a história da guerra do Iraque, nem a imagem que o mundo tem dos EUA (e eles, de si próprios) serão as mesmas, depois de Haditha. Na manhã de 19 de novembro de 2005, praticou-se um massacre, nesta pequena cidade cercada de palmeiras e debruçada às margens do Rio Eufrates. Depois de sofrerem uma baixa [1], causada por explosão de uma bomba, os soldados da Companhia Kilo, do US Marine Corps [2] decidiram vingar-se contra a população civil.
Vinte e quatro pessoas foram assassinadas a sangue-frio. Nenhuma delas esboçou qualquer gesto que pudesse representar ameaça aos marines. Entre as vítimas estão sete mulheres, três crianças, um bebê de um ano e um ancião cego e aleijado, em sua cadeira de rodas. A vingança prolongou-se por cinco horas, o que exclui a hipótese (igualmente brutal) de um acesso de cólera, provocado pela morte do colega de armas.
Ao invés de punirem a selvageria, os oficiais que comandavam os soldados a acobertaram. Dois relatórios militares criaram versões fantasiosas para os fatos. O primeiro, de autoria dos próprios autores do massacre, atribui as 24 mortes à explosão que matou o soldado (supostas 16 vítimas) e a fictícia “troca de tiros” com “insurgentes” (outras 8). O segundo é mais grave e perturbador. Foi produzido em fevereiro, após surgirem sinais de que os fatos haviam vazado. Um coronel de infantaria deslocou-se a Haditha e fez, durante uma semana, dezenas de entrevistas – inclusive com testemunhas oculares dos crimes. Embora desconstrua a primeira mentira, seu relatório esconde o essencial – os assassinatos. Trata as mortes como... “danos colaterais” da guerra. Ao invés de esclarecer, o documento lança uma terrível pergunta: quantos episódios semelhantes terão sido abafados, no Iraque, ao serem classificados com tal rótulo, cada vez mais freqüente no jargão das guerras “modernas”?
Quando o acobertamento é vazado
Duas tendências também contemporâneas – a câmera digital barata e as redes de ONGs – permitiram que, em Haditha, a história fosse diferente. Um dia depois da chacina, o estudante de jornalismo Taher Thabet filmou alguns dos corpos e as quatro casas onde foram mortas 19 das vítimas. Thabet mostrou paredes internas, tetos e pisos estourados por rombos de balas e salpicados por jatos de sangue. Teve o cuidado de filmar, também, as fachadas – intactas – das construções. Demonstrou que não houvera combate: os soldados entraram sem resistência e atiraram. As circunstâncias em que as vítimas foram mortas são tenebrosas. [3] .
O estudante de jornalismo enviou o vídeo ao Grupo Hamurabi de Direitos Humanos, que tem sede no Iraque e se articula com o Human Righs Watch, dos EUA. O documento chegou à revista Time. Os repórteres Tim McGirk e Aparisim Ghosh foram ao local dos fatos e investigaram durante oito semanas. Em 27 de março, a revista publicou One morning in Haditha, um texto que, embora em tom ainda inconclusivo, revela todos os fatos essenciais do massacre.
Tem início então uma sucessão de fatos contraditória e complexa, muito reveladora sobre a natureza do sistema político e o controle do imaginário, nos Estados Unidos. As instituições da política se movem. O departamento de Defesa abre dois novos inquéritos. O Congresso instala comissões que as acompanham. Os militares exasperam-se tentando responder aos questionamentos feitos por estas. A própria publicação da reportagem revela, aliás, que a liberdade de expressão ainda encontra brechas, no mundo das comunicações oligopolizadas.
Mas este jogo democrático não abala o controle que os grupos hegemônicos exercem sobre os símbolos que movem a sociedade. Não há uma comoção nacional comparável, por exemplo, à que se produz no Brasil, com o massacre de Eldorado de Carajás – para não falar nos shows midiáticos em que se transformam as CPIs. Durante nove semanas, tudo se desenrola a frio, em gabinetes. Os fatos não chegam às TVs, não repercutem em outras publicações, não são retomados sequer por Time. Na internet, chama atenção a ausência do filme de Thabet.
O momento em que a tensão se rompe
Num caso chocante como este, em algum momento a tensão entre democracia e controle sobre o imaginário terá de se resolver. O momento de desenlace foi aberto no final de maio. Aparentemente, a Casa Branca e as correntes que apóiam a guerra prepararam-se para reduzir ao máximo seus possíveis efeitos. Devido à gravidade dos fatos, não é, contudo, algo cujo desfecho esteja definido. A sorte começou a ser jogada no final de maio e ainda não está definida em 6 de junho, momento em que este texto foi revisado.
Em 26/5, o New York Times revelou que um dos novos inquéritos abertos pelo Pentágono após a reportagem de Time estava próximo ao fim. O coronel Gregory Watt, seu condutor, havia apurado que muitos dos mortos em Haditha morreram com tiros na cabeça e no peito, típicos de chacina. Também havia apontado o sargento Frank Wuterich como um dos protagonistas dos crimes. Em 31/5 – exatos 64 dias depois de os fatos se tornarem públicos... – o presidente George Bush foi inquirido pela primeira vez sobre o tema, numa entrevista coletiva. “Se as leis foram violadas, haverá punição”, limitou-se a responder. Em 1/6, numa medida típica de relações públicas (mas que teve enorme repercussão, em todo o mundo), o general George Casey, comandante-geral das tropas dos EUA no Iraque, anunciou (sem oferecer qualquer dado complementar) que os soldados norte-americanos seriam agora submetidos a “treinamento” sobre “valores essenciais". Três anos depois de mergulhados numa guerra sangrenta, eles teriam finalmente a oportunidade de “refletir sobre os valores que nos separam de nossos inimigos”...
A operação não foi suficiente para neutralizar o potencial explosivo dos fatos. Ao contrário: em 2/6, surgiram duas novas denúncias. Um outro massacre teria ocorrido, em Ishaqui (80 quilômetros a norte de Bagdá), em março – e, neste caso, parece haver imagens. Num terceiro episódio, sete marines e um oficial estariam sendo acusados de assassinato, seqüestro e conspiração, cometidos em abril. “Parece que o assassinato de civis iraquianos está se transformando num fenômeno diário", afirmou o presidente da Associação de Direitos Humanos do Iraque, Muayed al-Anbaki, após assistir ao novo vídeo. Dois dias mais tarde, um texto do Washington Post sustentava que Bush sabia dos fatos desde o início de março; e sugeria que uma das questões cruciais era investigar até onde tinha se estendido a rede de autoridades envolvidas no acobertamento do massacre, antes da publicação da reportagem do Time.
Dois pontos muito vulneráveis
No caso Haditha, além deste, há dois pontos vulneráveis ao extremo. O primeiro são duas séries de fotos feitas após os assassinatos. Com exceção de algumas (uma é a que ilustra esta matéria), as imagens permanecem sob censura, acessíveis apenas às comissões de inquérito do Pentágono. A primeira série retrata os corpos dos iraquianos já ensacados. A segunda teria sido feita pelos próprios soldados, momentos após cometerem a chacina. Mostraria, por exemplo, um pai de família atingido enquanto rezava, diante do Corão.
O segundo ponto vulnerável é a punição – e, pior, o julgamento – dos assassinos. Eles foram identificados, a crer no New York Times. Segundo as leis norte-americanas, pode-se aplicar, no caso de assassinato cometido em tempo de guerra, a própria pena de morte. Qual seria a repercussão midiática (e política) de um júri militar, no qual cidadãos norte-americanos podem ser executados por atos cometidos em uma guerra que o Estado quer levar adiante, mas a maioria já rejeita? E no exterior: como prosseguir com o julgamento de Saddam Hussein, que pode ser condenado à morte precisamente porque seus soldados teriam promovido a execução de civis inocentes?
Nosso dossiê:
No Le Monde Diplomatique:
O que estamos fazendo no Iraque, Howard Zinn, agosto de 2005
Bush II, Ignacio Ramonet, dezembro de 2004
Imagens e carrascos, Ignacio Ramonet, junho de 2004
Do sonho imperial ao lamaçal iraquiano, Philip S.Goloub, junho de 2004
Vitória certa, paz impossível, Pierre Consea, janeiro de 2004
[1] O soldado Miguel Terrazas, um texano de El Paso, morreu aos 20 anos, quando a bomba deflagrada por controle remoto explodiu ao lado do jipe militar humvee que dirigia. Dois outros soldados feriram-se levemente. O jipe era o último carro de um comboio de quatro, que participava de ofensiva norte-americana na província de Anbar, durante a qual contaram-se 90 vítimas civis.
[2] O United States Marine Corps é uma das cinco forças militares dos Estados Unidos (além de Exército, Marinha, Aeronáutica e Guarda Costeira). Foi fundada em 1775 (antes da independência). Seus 180 mil membros (os marines) são vistos como um grupo de elite.
[3] Os primeiros a morrer foram quatro passageiros e o motorista de um táxi que passava em frente ao comboio de jipes norte-americanos atingido pela bomba. Atendendo a uma ordem dos soldados, o condutor parou o veículo e os cinco desembarcaram. Foram metralhados na hora. Tinham entre 21 e 25 anos. Em seguida, os marines dirigiram-se para um grupo de três casas, distantes cerca de 150 metros do local do primeiro crime. Lá, cometeram 19 novos assassinatos. Uma das testemunhas, a menina Iman Walid, perdeu seis parentes – alguns mortos a bala (como o pai, que rezava diante do Corão), outros devido à explosão de granadas, atiradas na cozinha e banheiro. No corpo do avô de Iman, o ancião em cadeira de rodas, foram encontrados nove projéteis. Sobreviveram apenas a menina e um irmão, de 8 anos. Na casa ao lado, a porta foi aberta pelo chefe de família, Yunis Salim Khafif, que balbuciou, em inglês, aos soldados: “I am a friend. I am good” [“Sou amigo. Sou bom”]. Foi morto a tiros, assim como a esposa, cinco filhos (entre um e 14 anos) e uma oitava pessoa. Na terceira casa, os homens foram separados das mulheres, obrigados a entrar dentro de um armário e metralhados em seguida. Relatos mais detalhados (em inglês) podem ser lidos na Time ou no jornal britânico The Sunday Times, que também enviou repórteres ao Iraque
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h49
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EUA acertam míssil contra satélite defeituoso



Autoridades americanas disseram ter acertado com um míssil um satélite espião defeituoso que orbitava 210 km quilômetros acima do Oceano Pacífico. Segundo o Pentágono, o satélite USA 193 perdeu controle pouco depois de seu lançamento, em 2006, e carregava combustível tóxico que poderia ser liberado em uma grande área, colocando em risco a vida de humanos.
Nesta quinta-feira, os militares revelarão se atingiram o tanque de combustível abastecido com cerca de 450 kg de hidrazina, que poderia sobreviver intacto à reentrada na atmosfera. A China acusou os Estados Unidos de praticar uma política de dois pesos e duas medidas por ter criticado um teste semelhante feito pelos chineses no ano passado.
Na época, um míssil balístico terra-ar de médio alcance atingiu um satélite meteorológico obsoleto, sublinhando o avanço do poderio militar chinês. O governo chinês pediu esclarecimentos aos americanos e disse estar preocupado com o impacto de uma ação dos Estados Unidos sobre a segurança de outros países e do espaço.
A Rússia criticou a operação, que considerou um pretexto para os Estados Unidos testarem armas de defesa anti-satélite, em resposta à demonstração feita pela China no ano passado. O Ministério do Exterior russo argumentou que outros satélites já se chocaram contra a Terra no passado sem que isso significasse "medidas extraordinárias". O armamento utilizado na operação faz parte do sistema de defesa anti-satélite americano.
Míssil numa agulha
O correspondente da BBC em Washington Jonathan Beale ressaltou o caráter ambicioso da operação da madrugada desta quinta-feira, descrevendo-a como "tentar passar um míssil por uma agulha". Os militares tiveram uma janela de apenas dez segundos para atingir a sonda, a partir do navio de combate USS Lake Erie, estacionado na costa oeste do Havaí.
Segundo o correspondente da BBC, o míssil SM-3 e o satélite viajavam a uma velocidade combinada de 35 mil km/h. Espera-se que mais da metade dos destroços caiam na Terra em até 15 horas após a colisão, com o restante tardando até 40 dias para voltar ao planeta. "Quanto menor os destroços, mais chances eles terão de serem consumidos (na reentrada)", disse à BBC o especialista Richard Crowther, do instituto britânico de pesquisas Science and Technology Facilities Council (STFC).
Escrito por Eduardo Lorenzo às 18h35
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ENTREVISTA DO DIA: ZACK SNYDER
Escrito por Eduardo Lorenzo às 18h33
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Mas que história mal-contada!
Bancário morre após dirigir por 4 km na contramão
Na manhã do domingo, um homem de 27 anos parou seu carro por alguns instantes no acostamento da rodovia Castello Branco. Deu meia-volta e acelerou na contramão. Vários veículos tiveram de desviar abruptamente quando se deram conta do motorista que, obstinado, vinha na direção contrária. Dirigiu por cerca de quatro quilômetros até atingir um caminhão de carga que não conseguiu sair do caminho. O motorista morreu preso nas ferragens de seu carro.
Em sua Parati, o bancário Kleber Rodrigo Plens, 27, dirigia originalmente em direção à cidade de São Paulo antes de entrar na contramão. O motorista do caminhão atingido, Alessandro da Silva, 31, sofreu ferimentos leves e tentou socorrer Plens. Quando o resgate chegou, porém, o bancário já estava morto. A batida ocorreu por volta das 6h45, no quilômetro 25 da Castello Branco, em Barueri (Grande São Paulo).
O acidente está sendo investigado pela delegacia central de Barueri. Uma perícia foi feita no local. Testemunhas dizem que o bancário dirigia em alta velocidade. O corpo de Plens passou por exames toxicológicos, para determinar se ele dirigia sob efeito, por exemplo, de bebida alcoólica. Ele vinha do baile de sua formatura -havia se formado em direito, numa faculdade particular de São Paulo, em julho do ano passado- e, segundo amigos, havia bebido na festa.
O corpo do bancário foi enterrado ontem, em sua cidade natal, Paranapanema (256 km oeste de São Paulo). Ele deixou um filho de dois anos. O momento em que Plens parou no acostamento e deu meia-volta foi captado pelas câmeras da ViaOeste, a empresa que administra a rodovia. Outras imagens mostram carros e caminhões desviando da Parati, que ia com os faróis acesos. A colisão, segundo a ViaOeste, ocorreu num ponto da rodovia que não era filmado.
O bancário Kleber Rodrigo Plens, 27, que morreu num acidente de carro anteontem, após dirigir quatro quilômetros na contramão, tinha um filho de dois anos, havia terminado recentemente o curso de direito e estava prestes a ser promovido no trabalho, de acordo com parentes e amigos. "Ele estava feliz e fazendo planos. Estávamos combinando fazer um cruzeiro no ano que vem", diz o primo Flávio Plens, 28.
"Na última vez em que conversamos, no final do ano, ele disse que queria fazer uma pós-graduação e viajar para o exterior", acrescenta um amigo, que pediu que seu nome não fosse publicado. Plens morava no bairro do Limão, zona norte de São Paulo, sozinho, havia cerca de três anos. Ele era de Paranapanema, uma cidade de aproximadamente 17 mil habitantes localizada 256 km a oeste da capital. Em São Paulo, havia se formado recentemente no curso de direito e trabalhava como gerente de contas numa agência do Bradesco.
"O pai, a mãe e a família toda tinham muito orgulho dele, por ter saído de uma cidadezinha, estar trabalhando em São Paulo, ter terminado a faculdade e estar crescendo na vida", diz o amigo, que o conhecia desde a infância, em Paranapanema. Assim que chegou à capital paulista, Plens começou a namorar uma jovem com quem teve um filho. "Ele era um pai corujão", conta o primo Flávio Plens. O menino mora com a mãe. O casal terminou o namoro e, desde o final do ano passado, o bancário tinha relacionamento com outra jovem.
Segundo o primo, o bancário havia brigado com a namorada na festa de formatura, na madrugada do mesmo domingo. Para ele, porém, isso não seria motivo suficiente para levá-lo a arriscar a própria vida numa rodovia expressa movimentada como a Castello. Na avaliação dos amigos, o bancário era extrovertido, brincalhão, amigo de todos e não passava por uma fase problemática em sua vida. Dizem que proximamente receberia uma promoção no trabalho.
Seus colegas de banco não se lembram de atitudes agressivas ou de alterações no comportamento ou no humor. "Todos estão embasbacados. Eu não consegui dormir desde que fiquei sabendo do acidente. O Kleber era um rapaz muito legal, ninguém sabe o que pode ter motivado isso", disse a aposentada Dirce Plens, 60, prima do bancário.
Kleber Plens, diz o amigo que não quis que seu nome fosse publicado, gostava de beber e de dirigir em alta velocidade. O carro do acidente, de acordo com esse amigo, era turbinado. "No começo de janeiro, eu disse a ele: "Vende essa Parati turbo e compra um carro mil. Você não precisa disso". O Kleber era uma pessoa que fazia as graças dele, vivia dando descarga [no turbo]. Eu me preocupava", conta.
O bancário já havia se envolvido num acidente de carro, diz o amigo. Cerca de oito anos atrás, ele perdeu o controle do carro numa estrada de terra em Paranapanema e capotou. Conseguiu sair ileso. Quando visitava a família na pequena cidade, nos fins de semana, gostava de sair com os amigos para beber cerveja em algum bar. Outra diversão era jogar futebol e assistir a partidas pela TV. Era corintiano.
O acidente ocorreu pouco antes das 7h do domingo. A família soube da tragédia três horas mais tarde. Uma vizinha da família Plens, que conhecia o bancário desde criança, disse que ouviu os gritos de desespero da mãe. "Pelo jeito, pensei que fosse briga. Logo ela saiu de casa chorando. Saiu andando sem rumo, desesperada", conta a vizinha, que também pediu que seu nome não fosse publicado.
O velório foi realizado na casa da avó de Kleber Plens, com o caixão lacrado. O enterro foi ontem, no cemitério de Paranapanema.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 18h33
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FRASE DO DIA:
"O que vale não é não ter dívida, mas sim ter dinheiro para pagar tudo aquilo que se deve."
Perigoso ditado popular.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 18h32
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Reservas internacionais poderiam pagar dívida externa
O Banco Central divulgou documento nesta quinta-feira no qual estima que as reservas internacionais brasileiras superaram a dívida externa do país em cerca de US$ 4 bilhões. Em outras palavras, o fato, que é inédito, significa que o Brasil possui moeda estrangeira suficiente para honrar seus compromissos internacionais, o que lhe confere o título de credor externo.
É importante ressaltar, contudo, que isso não significa que o país vá efetivamente pagar tudo e ficar sem nenhuma dívida. As reservas internacionais são usadas para outras finalidades também. Além disso, o resultado das contas externas será anunciado pelo BC apenas na próxima semana e a notícia otimista faz parte, por enquanto, de um relatório do órgão sobre a evolução recente dos indicadores de sustentabilidade externa do país.
Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro. "A análise dos resultados observados pelo setor externo da economia brasileira nos últimos anos e seus impactos nos indicadores de sustentabilidade externa mostram um inquestionável fortalecimento da posição externa do país", avaliou o BC no documento.
"Em resumo, diante de um cenário internacional por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos", diz o órgão.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 18h30
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MORREU CHICO PINTO
Ex-deputado será sepultado em Feira de Santana
Do A Tarde On Line*
Aos 77 anos, faleceu na tarde de ontem (terça-feira), dia 19, o ex-deputado federal baiano Francisco Pinto, internado na UTI do Hospital São Rafael, de infecção bacteriana generalizada. Internado desde 13 de novembro do ano passado na instituição, ele apresentava um quadro de infecção urinária.
A pedido do próprio ex-prefeito de Feira de Santana, o corpo será velado na Câmara Municipal da cidade. Em seguida, às 16h, será levado à Capela Metropolitana de Santana, padroeira do município, para uma missa de despedida. O corpo de Pinto será sepultado no Cemitério Piedade, comum às famílias tradicionais de Feira.
No momento de sua morte, Pinto estava acompanhado de sua esposa e filha. No hospital, amigos e figuras políticas compareceram em apoio aos familiares.
Cassado duas vezes pelo regime militar: em 1964, quando era prefeito de Feira de Santana; e em 1974, como deputado federal do MDB, Chico Pinto se tornou um dos ícones das esquerdas durante o regime militar, integrando a chamada “ala autêntica” do MDB.
Leia mais:
>>>Conheça a trajetória de Chico Pinto >>>Chico Pinto começou vida política como vereador >>>Briga pública com Delfim Neto entrou para a história >>>Última homenagem aconteceu no ano passado >>>Morre o ex-deputado Chico Pinto
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h50
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FRASE DO DIA:
“O bom ladrão salvou-se, mas não há perdão para o juiz covarde”.
Rui Barbosa, jurista e político baiano.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h49
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CONSTRUA QUE ELE VIRÁ
O Carnaval é, sem dúvida, uma festa de desigualdades. Entrevistado sobre o preço dos abadás do seu bloco, o garotão, Durval Lelys disse que não considera ruim se alguém paga R$ 1.500,00 por uma fantasia...
Perguntado se havia possibilidade de melhorar a remuneração para os cordeiros (hoje em média é de R$ 15,00/dia), saiu-se com esta pérola:
- "Bem... Aí, depende. Será necessário conseguirmos mais patrocínios..." !?!
Esqueceu o Durvalino que sua produtora prevê um lucro de cerca de 10 milhões na festa e que alguns reais a menos não fazem falta e sua troupe... Enquanto, na festa, alguns pagam uma pequena fortuna para estar nos camarotes tomando uisque escocês e receber cumprimentos, o folião pipoca toma capeta e recebe safanões no meio da muvuca.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h49
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JURISPRUDÊNCIAS INTERESSANTES:
MULTA. ATRASO. PAGAMENTO. SERVIÇO. TELEFONIA. ART. 52, § 1º, CDC.
Aplica-se o disposto no art. 52, § 1º, do CDC (Lei n. 8.078/1990) aos contratos de prestação de serviços de telefonia, uma vez que há relação de consumo, logo incidirá o percentual de 2% em decorrência de atraso no pagamento pela prestação dos serviços telefônicos. A Portaria n. 127/1989 do Ministério das Comunicações, a qual estabeleceu multa de 10% a ser cobrada pelo inadimplemento de contas telefônicas, não pode sobrepor-se a uma lei ordinária, de interesse público e hierarquicamente superior àquela. Assim, a Turma, ao prosseguir o julgamento, negou provimento ao recurso. Precedentes citados: AgRg 460.768-SP, DJ 19/5/2003, e REsp 476.649-SP, DJ 25/2/2004. REsp 436.224-DF, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 18/12/2007.
CONCESSIONÁRIA. TELEFONIA. NÃO-DISCRIMINAÇÃO. IMPULSOS EXCEDENTES. CDC.
Na espécie, questiona-se a forma de tarifação que é imposta pela concessionária de telefonia, em razão da não-discriminação de todos os impulsos consumidos pelo usuário, o que violaria o direito básico de transparência e de informação do consumidor, previsto no art. 6º, III, do CDC. A Min. Relatora, baseando-se em seu voto proferido no REsp 942.546-RS, entendeu que, após o necessário processo de modernização do setor de telecomunicações capitaneado pela Anatel, a transparência exigida pelo art. 6º, III, do CDC e pelo art. 3º, IV, da Lei Geral de Telecomunicação, no que toca à política de tarifação dos serviços públicos prestados pelas concessionárias, encontra-se, na atualidade, plenamente atendida, não havendo que se falar em violação de tais dispositivos legais. Ademais, examinada a questão sob a ótica do princípio da razoabilidade, vê-se que a complexidade técnica e operacional exigida para promover a alteração na sistemática de medição dos serviços de telefonia e para implementar o detalhamento de todas as ligações locais, objeto de gradativa e progressiva política pública para a modernização do setor de telefonia, não poderia ser determinada de forma simplista, em curto espaço de tempo, mediante interferência do Poder Judiciário, como pretendido pela autora da presente demanda. REsp 975.346-MG, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 18/12/2007.
VÍCIO. QUALIDADE. AUTOMÓVEL. EXEGESE. ART. 18, § 1º, I, CDC.
Constatado o vício do produto, concede-se ao fornecedor a oportunidade de saná-lo no prazo máximo de trinta dias. Não sendo reparado o vício, o consumidor poderá exigir, à sua escolha, as três alternativas constantes dos incisos do § 1º do art. 18 do CDC. No caso, inexiste ofensa ao mencionado dispositivo, pois, imediatamente após a reclamação, o fornecedor prontificou-se a reparar o produto – um veículo automotor. Não aceita a oferta pelo consumidor, propôs a substituição do bem por outro da mesma espécie e em perfeitas condições de uso ou a compra pelo preço de mercado e, ainda assim, o consumidor manteve-se renitente. “A primeira solução que o código apresenta ao consumidor é a substituição das partes viciadas do produto. Não se está diante de uma opção propriamente dita, uma vez que, como regra, o consumidor não tem outra alternativa a não ser aceitar tal substituição” (Antônio Herman de Vasconcellos Benjamin, in comentários ao Código de Proteção do Consumidor, coordenador Juarez de Oliveira – São Paulo – Saraiva, 1991). Não sanado o vício de qualidade, cabe ao consumidor a escolha de uma das alternativas prevista no art. 18, § 1º, do CDC. O dispositivo em comento não confere ao consumidor o direito à troca do bem por outro novo, determina apenas que, “não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I – a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso (...)”. Precedentes citados: REsp 185.836-SP, DJ 22/3/1999, e REsp 109.294-RS, DJ 12/5/1997. REsp 991.985-PR, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 18/12/2007.
AÇÃO. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL.
Trata-se de recurso em que se discute a indenização por dano moral alegadamente causado aos autores em razão de alarme soado quando de sua saída de estabelecimento comercial onde haviam feito compras. Mas a Turma não conheceu do recurso ao argumento de que a decisão foi tomada com base nos fatos dos autos, que não têm como ser revistos pelo STJ (Súm. n. 7-STJ) e segundo os quais, tal como posto pelo TJ, não houve qualquer atitude dos empregados da loja no sentido de agravar o incidente, emprestando a ele repercussão maior do que o soar do alarme. Este fato, por sua vez, ainda que desagradável, representa um dissabor, um contratempo, mas não chega a gerar, por si só, direito indenizável, porquanto distante de causar dor ou sofrimento a ponto de reclamar ressarcimento material. Destacou o Min. Relator que há, evidentemente, situações em que, soado o alarme, os prepostos do estabelecimento agem de modo agressivo, ríspido, espalhafatoso, até de condução do cliente a local reservado para revista, o que, aí, sim, reclama posicionamento diverso, pois atinge a esfera moral da vítima. Mas não foi este o caso, absolutamente. Ao inverso, retrata o acórdão que a reação imediata do gerente foi de polidez, acompanhada de pedidos de desculpas dele e da caixa que deixara de retirar o lacre de segurança, não possibilitando fazer supor aos presentes que houvera suspeita de furto. Também, segundo a Corte estadual, não ficou comprovada a alegada revista no carrinho de compras. Cada caso apresenta circunstâncias próprias, e, aqui, restou patente a inexistência de ato ilícito indenizável, senão um aborrecimento prontamente contornado. REsp 470.694-PR, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 7/2/2008.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h48
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Em homenagem a este dia histórico para Cuba e para o mundo, clique na imagem acima para jogar o melhor jogo já feito para o saudoso ZX Spectrum.
Benditos emuladores!
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h10
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FRASE DO DIA:
"Se você chama de liberdade de imprensa o direito dos inimigos de Cuba de falar e escrever contra a Revolução cubana, eu diria que não estamos a favor dessa liberdade"
Fidel Castro, autor de dezenas de frases antológicas, em entrevista a Ignácio Ramonet, no livro "Biografia a duas vozes"
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h08
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EMBARGO A CUBA PERMANECE
Apesar da renúncia de Fidel Castro à Presidência de Cuba, o embargo dos Estados Unidos à ilha seguirá vigente, devido a uma série de dispositivos legais que impedem o presidente americano, George W. Bush, de revogá-lo, dando tal competência apenas ao Congresso.
São dispositivos previstos na Lei Helms-Burton, de 1996 e que endureceu o bloqueio econômico, comercial e financeiro a Havana e que estabelece claramente que enquanto um membro da família Castro estiver no poder, o presidente dos EUA não poderá promover o fim da medida coercitiva.
O líder cubano Fidel Castro anunciou nesta terça-feira (19) que não voltará a ocupar a presidência do país. A renúncia foi divulgada por meio de uma carta publicada no jornal oficial do país, o "Granma". Lutando para manter-se em boa saúde após uma cirurgia no intestino, Castro estava afastado do poder desde julho de 2006, quando passou o comando do país ao irmão, Raúl.
Na mensagem ao povo cubano, Fidel prometeu continuar escrevendo artigos, mantendo o papel de "soldado das idéias" que assumiu nos últimos meses em Cuba. Leia mais.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h08
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EVOLUÇÃO DO EMBARGO AMERICANO A CUBA:
O embargo econômico, imposto em fevereiro de 1962, é um dos mais duradouros empecilhos impostos por um país a outro na história moderna. Veja, abaixo, as datas principais dessas restrições:
1960 - EUA reduz em 700 mil toneladas a cota de açúcar importado de Cuba
1961 - Relações diplomáticas entre os dois países são rompidas
1961 - John Kennedy estende embargo herdado do presidente anterior, Dwight Eisenhower
1992 - Lei Torricelli - proíbe subsidiárias estrangeiras de empresas americanas de comercializarem com Cuba
1996 - Lei Helms-Burton - sujeita a sanções empresas não-americanas que negociarem com Cuba
2000 - Clinton suaviza embargo, permitindo venda de alimentos e medicamentos para Cuba por razões humanitárias.
2006 - Governo Bush intensifica investigação e punição a americanos que forem a Cuba via outros países (Cuba não carimba os passaportes de seus visitantes)
Hoje - Norte-americanos não podem gastar dinheiro em Cuba. Quem violar embargo pode ser punido com até 10 anos de prisão, multa de US$ 1 milhão para a companhia e US$ 250 mil para indivíduos
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h07
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"GUERRA IRREGULAR"
Fidel Castro tomou o poder em Cuba em 1959 depois de ter liderado, nas montanhas de Sierra Maestra, uma guerrilha que, em seus momentos mais críticos, teve apenas 20 homens. Ele teve como aliados guerrilheiros que se tornariam mitos da esquerda do século 20, como Camilo Cienfuegos e Ernesto Che Guevara, além de seu irmão Raúl Castro.
Com menor poder de fogo que o Exército do ditador Fulgencio Batista, Fidel apostou no conceito de "guerra irregular", usando o que ele chama de "os ardis do segredo e da surpresa" contra o inimigo. Segundo Fidel, o romance "Por Quem os Sinos Dobram", de Ernest Hemingway, sobre a Guerra Civil Espanhola, o teria inspirado a criar e aplicar suas táticas guerrilheiras.
"Desenvolvemos uma guerra de movimento, como já disse, de atacar e retirar-se. Surpreendê-los. Atacar e atacar. Desenvolvemos a arte de confundir as forças adversárias, para obrigá-las a fazer o que queríamos. E muita arma psicológica", disse Fidel sobre a guerrilha.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h04
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SAMBA DO CIENTISTA LOUCO
by Ruy Castro
Nelson Rodrigues contava que, toda madrugada, acordava com a úlcera em chamas e, de pijama e meias, ia à cozinha tomar um copo de leite para aplacá-la. Com o leite, a úlcera amansava e, dizia, só faltava ronronar como uma gata amestrada. Nelson morreu em 1980, de outras causas. Imagino seu choque, hoje, se soubesse que, segundo as últimas descobertas da ciência, leite é um veneno para quem tem úlcera.
E a manteiga? Depois de séculos sendo louvada, com justiça, como uma das maiores invenções do homem, levou os últimos 50 anos acusada de vilã para vários órgãos, inclusive o coração. Para a ciência, boa mesmo era a insípida, insossa e inodora margarina. Agora a mesma ciência, num lance de gênio, concluiu que a margarina é que é a vilã, por causa da mortal gordura trans.
E temos a saga e anti-saga do ovo. Certo dia, decretaram que ele era o pior inimigo do colesterol e do coração, e só faltaram proibir as galinhas de produzi-lo. Pois, há pouco, descobriram que, ao contrário, ele faz bem ao coração, porque ajuda a emagrecer, não influi no colesterol e até protege nossos olhos dos raios ultravioleta -o que é ótimo, porque nos permitirá ir à praia sem óculos escuros.
Sem falar no café. Por conter cafeína, ele também já freqüentou todas as listas negras. Criaram inclusive o café descafeinado. Pois os cientistas vêm de concluir que a cafeína é uma maravilha: estimula o sistema nervoso central, o coração, os vasos sangüíneos e os rins. Já o café descafeinado faz subir a pressão e aumenta o colesterol e o risco de doenças cardíacas.
Finalmente, esta semana, a ciência mandou dizer que, ao contrário do que ela própria afirma há anos, o açúcar é uma beleza e são os adoçantes que engordam! É o maravilhoso samba do cientista louco, em cuja letra certeza rima com dúvida.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 22h03
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Chapter 27 reconta a infame história de Mark Chapman
O trailer de Chapter 27, filme estrelado por Lindsay Lohan (Herbie) e Jared Leto (Alexandre) que conta a história do assassino de John Lennon, caiu no YouTube. Assista abaixo à transformação física a que Leto se submeteu - 29 quilos a mais, na base do sorvete de chocolate - para viver o personagem:
A história se concentra no fim de semana de 8 de dezembro de 1980 em que o fanático, então com 25 anos, viajou do Havaí, onde trabalhava como vigia, até Nova York para matar o ídolo. Depois de dar um autógrafo ao seu assassino em frente ao Edifício Dakota, onde morava, Lennon levou cinco tiros e morreu na hora. Condenado a prisão perpétua, teve o pedido de condicional por bom comportamento negado em 2000, 2002 e 2004.
O roteiro é de Jarrett P. Schaefer, que estréia na direção. Lohan interpreta uma fã devota dos Beatles que se torna amiga do assassino. O Capítulo 27 do título talvez seja uma menção a O apanhador no campo de centeio, clássico de J.D. Salinger que o assassino levava no bolso na hora dos tiros e que sempre foi citado como um dos catalisadores do crime.
O filme estreou no Festival de Sundance do ano passado e desde então seu lançamento comercial tem sido uma incógnita. A Peace Arch Entertainment pretende lançar Chapter 27 nos EUA em março.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h11
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FRASE DO DIA
"Contra a truculência e a arbitrariedade há dois remédios: educação e justiça. Se os bancos, por seus diretores, renunciam à primeira, que tomem o remédio amargo da segunda".
Antonio Hermann Benjamim, ministro do STJ ao justificar aplicação de elevada multa pecuniária ao Banco Bradesco em decisão de nítido cunho pedagógico.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h10
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Brasil se tornou reino do álcool a frente de seu tempo
O jornal americano "The New York Times" publica nesta quinta-feira um artigo assinado pelo colunista Roger Cohen que aponta o Brasil como um país que, nos últimos anos, mudou sua imagem radicalmente, como poucos já fizeram, graças ao álcool.
"Da terra pouco séria de samba, favelas, futebol e florestas tropicais incendiadas, [o Brasil] se tornou o reino da produção de álcool a frente de seu tempo, carros flexíveis rodando com qualquer combinação de álcool e gasolina, e uma revolução do biocombustível que poderia distribuir ao mundo, onde o barril de petróleo custa US$ 100", escreve o colunista.
Apesar dos elogios, o artigo de Cohen, que tem como título a pergunta "O álcool é para todos?", lembra que os problemas sociais causados pela produção do álcool persistem, inclusive para cortadores de cana e trabalhadores de usinas. "O álcool, renovável e relativamente limpo, é adorável", diz o texto. "A vida do trabalhador rural migrante no Brasil, finita e quente, não é."
Metas
O artigo no New York Times também cita metas já alcançadas no Brasil: 80% dos novos carros produzidos são flexíveis, toda a gasolina contém quase 25% de álcool e o álcool responde por mais de 40% do consumo de combustíveis. Roger Cohen afirma que os números revelam que as metas americanas de substituir um sexto do consumo de gasolina por álcool até 2020 são atrasadas e pequenas.
"Em outras palavras, o Brasil estava ocupado vendo o amanhã enquanto os Estados Unidos miravam o passado, um lugar muito frívolo para ser futurístico", acrescenta o artigo. "De fato, as duas imagens trazem um pouco de verdade."
"O Brasil liderou o caminho ao demonstrar o potencial do álcool, tem terra para expandir a indústria, usa o álcool a base de cana-de-açúcar cujo rendimento por hectare é oito vezes maior do que o álcool de milho americano, que está sendo produzido a um custo mais alto do que alimentos, e demonstrou a viabilidade de uma frota flexível."
"Mas um dia visitando plantações de cana da CBAA, uma usina de açúcar e álcool, mostrou a dureza com que esses resultados são arrancados", ressalva o colunista do jornal americano. O artigo defende que a produção de álcool no Brasil e nos países africanos venha acompanhada de desenvolvimento, especialmente para os trabalhadores rurais e suas famílias.
Para isso, Cohen sugere que os investidores internacionais com interesse em álcool exijam condições mínimas para os trabalhadores da indústria, a abertura do comércio global ao álcool e o desenvolvimento de um mercado global de commodities de álcool, com normas estabelecidas. "Um novo combustível não deve trazer a maldição frequente do petróleo: o enriquecimento de uma pequena elite."
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h10
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PIRATEX CHIC
Receita apreende R$ 1,5 mi em bolsas piratas
da Folha Online
A Alfândega da Receita Federal em Santos apreendeu sete toneladas de bolsas de marcas famosas falsificadas. As mercadorias estão avaliadas em R$ 1,5 milhão e estavam contidas em contêiner que teria sido despachado do porto de Chiwan, na China.
Segundo a Receita, os produtos estavam escondidos entre diversas caixas de bolsas sem marca, "com a intenção de dificultar a fiscalização da Receita".
Após inspeção da Divisão de Vigilância e Controle Aduaneiro foram localizadas aproximadamente 12 mil bolsas e mochilas falsificadas das marcas Miu Miu, Dolce & Gabbana, Gucci e Kippling.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h09
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Meirelles teme crise mais séria na economia dos EUA
Agencia Estado
A crise "é séria" e aumentou muito a possibilidade de recessão nos Estados Unidos, na avaliação do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Em análise didática, sem conotação otimista ou catastrófica, Meirelles mostrou, nesta entrevista ao Estado, antes de embarcar para Davos, na Suíça, as nuances da crise do subprime, que nas últimas semanas arrastou bancos estrangeiros para a zona dos prejuízos e obrigou o Fed (o banco central americano) a reduzir os juros em 0,75 ponto básico. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Os Estados Unidos vão mesmo entrar em recessão?
Ainda é prematuro dizer isso. A recessão não é algo que acontece gradualmente, como um crescimento econômico. Todos projetam, alguns com razoável grau de acuidade, um processo de aceleração econômica e chegam a estimar quando isso vai se dar nos trimestres subseqüentes. A recessão, no entanto, se dá por um processo de descontinuidade de séries de dados. Ela acontece abruptamente, na medida em que existe uma reação de aversão ao risco de pessoas, investidores, etc., muitas vezes com movimentos psicológicos grandes, de massa, o que leva a um fenômeno recessivo. Não está claro ainda, pelos dados americanos, se os Estados Unidos já estão em recessão ou se de fato vão entrar em recessão. O que existe, portanto, são análises econômicas que mostram que a possibilidade de recessão é importante e está lá.
Se, de fato, ocorrer uma recessão nos Estados Unidos, é possível saber a duração e a profundidade desse processo?
Também vai depender de todos esses fatores que estamos analisando e, de novo, não estão absolutamente claros neste momento. Mas existe essa possibilidade, de fato, de uma recessão americana mais séria, digamos assim. A questão é saber como se chegará ao fim desse processo.
E como será?
Será quando o valor dos imóveis americanos atingir um piso, na medida em que já não haja mais empréstimos subprime sendo feitos, em que o estoque de casas novas comece a se estabilizar, comece a cair. Ainda está subindo. Toda uma série de indicadores vai fazer com que o processo se reverta. Isso todos estão olhando. Além de dados de desemprego, de confiança do consumidor, de produção da indústria automobilística, de estoques, etc., que todos também estão olhando nos Estados Unidos.
Em que medida a crise americana atingirá outros países?
Isso também não está claro. Qual é a capacidade, de fato, de a economia chinesa resistir a uma queda pronunciada das importações americanas de produtos chineses? De quanto será essa queda (das importações), o que não está claro, e qual será o impacto disso na economia da China? Quanto a China vai ter condições de absorver com o consumo doméstico? Qual será o efeito sobre a Índia e a própria Europa? Existem graus diversos de possibilidades. Certo impacto certamente terá, pois a economia americana é muito importante e grande importadora.
E os efeitos sobre o Brasil?
Quando analisamos isso, temos de olhar três fatores: qual o efeito da crise na economia americana, portanto, na diminuição das importações americanas; qual o efeito nos demais países; e, em terceiro lugar, qual o efeito sobre o Brasil, na medida em que o Brasil exporta para os Estados Unidos e para os demais países. Se diminuir a importação americana, outros países passarão a exportar menos para os Estados Unidos e a comprar menos de outros países, por exemplo, do Brasil. Só assim teremos condições de avaliar os efeitos sobre o Brasil. Além do mais, há efeitos sobre os fluxos de capitais, que podem ter redução em razão de todo esse quadro.
O sr. tem dito que o Brasil está preparado para enfrentar uma recessão nos Estados Unidos. Como?
O Brasil está preparado para enfrentar essa situação, que tem graus diferentes de seriedade e de gravidade. O Brasil está bem preparado. Essa é uma mensagem importante.
Por quê?
Olhando a área externa, o Brasil tem, em primeiro lugar, uma conjugação importante. O País tem não só US$ 185 bilhões de reservas cambiais, de longe as maiores da nossa história, mas também o câmbio flutuante. O câmbio flutuante funciona como um absorvedor de choques ou corretor de desequilíbrio de preços relativos. O câmbio flutuante e esse volume de reservas dão ao País um bom grau de segurança para olhar uma flutuação no balanço de pagamento e no fluxo de capitais. Em segundo lugar, o governo brasileiro hoje é credor em moeda externa. No passado, ele era devedor líquido em dólar.
O que significa isso na prática?
No passado, quando ocorria uma crise cambial, o dólar subia e isso aumentava a dívida pública, que estava muito indexada ao dólar. Isso gerava pouca solvência do Estado, o que criava o maior problema. Era um círculo vicioso. Hoje, invertemos esse processo. O Estado brasileiro é credor líquido, o que significa que, quando há depreciação da nossa moeda, o real, uma fuga de capitais depreciando-a, a dívida pública cai, ao invés de aumentar. Isso funciona como um sistema contracíclico, um amortecedor importante. Outro dado da questão é a relação da dívida pública com o Produto Interno Bruto (PIB), que está cadente. Estamos produzindo superávit primário nos últimos anos.
O governo vai manter o superávit primário?
É um compromisso do governo continuar produzindo o superávit primário. O superávit é importante nesse quadro de solvência do Estado, solvência fiscal. Depois, a inflação está na meta. O Banco Central está comprometido em entregar a inflação na meta. Isso é um dado. Há mostras disso, indubitáveis. A existência de confiança na estabilidade da moeda é um fator muito importante.
O governo tem destacado que o crescimento do Brasil está sendo puxado pelo mercado interno.
Exato. Hoje, o Brasil está crescendo 5% ou mais. O Brasil está com o crescimento impulsionado pela demanda doméstica, que resulta do aumento da renda, do salário, do crédito. Por isso, o País tem condições de sofrer menos com uma queda da demanda externa. E tem toda uma série de situações completamente diferentes - muitas vezes opostas - à situação que nós vivemos no passado. Isso dá ao País melhores condições para enfrentar essa crise.
A crise afetará a atividade econômica do Brasil?
É uma crise séria, que estamos monitorando, mas podemos olhá-la com serenidade. Essa é a razão pela qual o Banco Central, tendo uma previsão para o crescimento em 2007 de 5,2%, fez uma previsão para 2008 de 4,5%. Por quê? Porque estamos assumindo a hipótese de que vai, de fato, haver uma desaceleração importante da economia americana, com reflexos em outras economias. Somado com outros fatores, dará essa taxa de crescimento (de 4,5%), que resume as nossas estimativas sobre os efeitos da crise americana no Brasil. Mas, de novo, tudo isso são hipóteses baseadas em avaliações, análises e modelos macroeconômicos.
Então, o Brasil pode ser afetado?
De novo, recessão não é uma coisa boa para ninguém, afeta todas as pessoas no mundo todo, inclusive o Brasil. O importante é que desta vez estamos preparados para encarar tudo com serenidade e não sofrer como outros países ou como o Brasil sofreu no passado.
Já é possível saber se a economia americana caminha para uma forte desaceleração ou para uma recessão, mesmo que de pequena intensidade?
Isso não está claro, ainda. Aumentou muito a possibilidade de recessão. Por outro lado, o Fed tem tomado medidas agressivas. Não há esse consenso. O que existe é a consciência de que a possibilidade de recessão é real.
Ou seja, não se sabe o tamanho do monstro da crise americana.
Exatamente.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h07
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PERSÉPOLIS: Muito além do véu muçulmano

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Em ‘Persépolis’, que ganha edição completa, Marjane Satrapi relembra dias amargos do regime iraniano
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Quando a revolução islâmica chegou ao Irã, no finalzinho da década de 70, radicalizando a fé dos muçulmanos de lá e fechando, literalmente, o país para o resto do mundo, Marjane Satrapi tinha 10 anos e morava em Teerã. Sua família, remanescente da realeza, prezava a liberdade intelectual acima de tudo. Por isso, o regime xiita caiu como uma bomba em sua cabeça.
De repente, ela, que vivia sob a modernidade, passou a ter que usar véu, estudar em escola somente para meninas e ser proibida de vários hábitos cotidianos, como ouvir música, falar com homens ou incorporar objetos símbolos do capitalismo, como um simples par de tênis, ao dia-a-dia. Foi um drama na vida da pequena Marji, que, 25 anos mais tarde, preferiu expressar sua revolta fazendo arte, como se lê na magnífica HQ Persépolis, originalmente publicada em três volumes, que retorna às livrarias brasileiras numa edição completa e fundamental de se ter na estante.
Na obra transparece o que a menina viu com seus olhos inocentes e a mulher interpretou com consciência política e social, numa autobiografia que comove, diverte e choca – tudo ao mesmo tempo. Em Persépolis, a cultura pop encontra o histórico, o Ocidente tangencia o Oriente, a comédia disputa espaço com o drama. É uma história simples, contada e desenhada de forma muito objetiva, transportada do mesmo jeito para as telonas: desenhos em preto-e-branco, com traços fortes e um ar naiff.
O longa dirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud, que foi aplaudido de pé na última edição do Festival de Cannes e eleito vencedor da Mostra Internacional de São Paulo, tem previsão de estréia por aqui neste mês, com as vozes de Catherine Deneuve e Chiara Mastroiani, mãe e filha no filme e na vida real.
Persépolis é calorosa e surpreendente. Marjane, que hoje mora em Paris e assina cartuns em alguns jornais de peso, entre eles o New York Times, se retrata com humor vivo e pouquíssima amargura, transformando (e estilizando) as cidades por onde passou (especialmente Teerã e Viena) em poesia geográfica.
Talvez se fosse convencional em sua narrativa, a autora não conseguisse o êxito que teve. Primeiro, porque desse jeito ela dilui o peso do regime iraniano, mesmo informando ao resto do mundo os rigores de suas diretrizes ao longo das décadas.
Depois, porque conseguiu transformar Persépolis num fenômeno de vendas. Foram 400 mil exemplares somente nos EUA e isso traduz e amplia a discussão básica da obra, que é reforçar a liberdade de expressão como um direito de todos, acima de tudo.
Uma reação direta a uma vivência política que inclui guerra, tortura e assassinato. Na sua luta contra a intolerância e a superstição, Marjane assume uma postura combativa – e sempre bem-humorada. Depois de vivenciar os primeiros anos da ditadura em Teerã, ela é mandada pela família para Viena, onde sente o gostinho de uma liberdade impensada. E sua adolescência ganha contornos típicos. Descobre as drogas, o álcool, os rapazes, a falta de autoconfiança e as esquisitices de sua religião.
Sempre que volta para casa, sente as diferenças mais claras. O legal é que a obra nunca faz juízo de valor. Marjane Satrapi toma o cuidado de não medir as virtudes dos mundos islâmicos e não-islâmicos. Não é esse seu objetivo, já que ela nunca quis deixar de ser muçulmana. Persépolis não é uma obra construída à base da negação, até porque a religião sempre esteve para ela em plano muito alto. A questão aqui é como viver isso da maneira mais sábia, sem tolher o livre arbítrio de ninguém.
Ela demonstra claramente que aprendeu isso na infância, ouvindo os comentários dos pais, da avó (sua grande referência) e do tio comunista, torturado em uma das prisões do regime e mais tarde assassinado. Marjane vê a guerra entre o Irã e o Iraque começar quando ela tinha 14 anos. Estava demarcado ali o fim definitivo de uma era já difícil e o início de outra ainda mais sombria, na qual ser um tantinho diferente significava estar sujeito ao exílio, que ela encontrou em Viena, onde a solidão aflorou ainda mais.
O sucesso de Persépolis, nome dado pelos gregos à então monumental capital do Império Persa, cujas ruínas são hoje patrimônio histórico da humanidade, na França foi tamanho que o filme, além de ter recebido o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes, foi indicado ao Oscar de melhor animação, concorrendo com Ratatouille e Tá dando onda. Em Cannes, Satrapi fez questão de ressaltar que seu filme não se posiciona “contra o Irã”, como os governantes do país tentaram fazer crer quando do lançamento do longa. “Minha tarefa é fazer rir, pois rir pode ser uma arma bastante subversiva”, arrematou a artista, completando que se refere a um Irã que existe muito além do véu muçulmano, dos mulás e dos “guardiães da moral”.
***
FICHA
Livro: Persépolis – Completo Autora: Marjane Satrapi Editora: Cia. das Letras Preço: R$39 (352 páginas) |
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h47
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UNBELIEVABLE!
Primeira piada de português escrita em inglês da história:
Three men, an Italian, a Frenchman and a Portuguese went for a job interview in England.
Before the interview, they were told that they must compose a sentence in English, with three main words: ' GREEN', 'PINK', and 'YELLOW '.
*The Italian was the first*: 'I wake up in the morning. I see the YELLOW sun. I see the GREEN grass, and I think to myself, I hope it will be a PINK Day.'
*The French was the next*: 'I wake up in the morning. I eat a YELLOW banana, a GREEN pepper and in the evening I watch the PINK panther on TV.'
*Last one was the Portuguese*: ' I wake up in the morning. I hear the phone GREEN... GREEN... GREEN..., I PINK up the phone and I say YELLOW ! '
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h42
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SLOGAN DO DIA:
"Era uma vez uma boca que se apaixonou por uma orelha. No dia em que eles ficaram juntos, nasceu o arrepio".
Comercial de algum produto que eu vi na tv mas não lembro qual.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h40
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CMN altera cálculo da TR para garantir
a remuneração mínima para poupança.
da Folha Online, em Brasília
O CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou a fórmula de cálculo da TR (taxa referencial), que é o índice utilizado para remunerar as cadernetas de poupança, as contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e alguns contratos de financiamento imobiliário. Pela nova regra, que começa a valer hoje, essa taxa não poderá ter variação negativa. O objetivo da medida é garantir que as cadernetas de poupança, o investimento mais acessível do país, tenham remuneração mínima de 0,5% ao mês.
Em janeiro de 2008, o rendimento está em 0,6%, um pouco acima da taxa de dezembro de 2007, de 0,56%. No acumulado do ano passado, a modalidade registrou sua menor rentabilidade dos últimos dez anos, segundo a consultoria Economática, com retorno fechado de 7,77%.
No passado todo a poupança rendeu acima de 0,5% todos os meses. Assim, na prática, a decisão de hoje é cautelar, à medida que impede uma queda forte do rendimento no futuro, haja vista que nos últimos anos tem sido registrada uma desaceleração dos ganhos.
"O Conselho Monetário Nacional aprovou aprimoramento na metodologia de cálculo da TR. O aperfeiçoamento garante que a TR não apresente valores negativos, e portanto, garante a remuneração mínima de 0,5% ao mês para os depósitos em caderneta de poupança, conforme previsto em lei", diz a nota divulgada nesta quinta-feira.
A última alteração no cálculo da TR foi feita em março do ano passado. O cálculo leva em conta a TBF (Taxa Básica Financeira) --média das taxas dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) das 30 instituições com maior volume de captação desses papéis-- e o chamado "parâmetro b", que funciona como uma espécie de redutor e leva em conta a remuneração dos CDBs.
A medida de hoje determina que caso a TR fique negativa, ela será considerada igual a zero. Dessa forma, a caderneta de poupança terá a remuneração mínima de 0,5%. Segundo Alexandre Tombini, diretor de Normas do BC, isso foi feito porque fevereiro terá menos dias úteis, o que influenciará no cálculo da TR e ela poderá ficar negativa.
As mudanças na forma de cálculo da TR começou em 2006, quando o CMN retirou a Selic do cálculo do redutor para que ela não afetasse a TBF e, conseqüentemente, a TR. Isso foi feito devido ao processo de redução das taxas de juros --que foi iniciado em setembro de 2005 e durou até setembro do ano passado.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h38
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Da Folha Online e do "Financial Times"
A produção de petróleo do megacampo de Tupi, na bacia de Santos, pode ser muito maior do que a anunciada. Sócia da Petrobras no projeto, a britânica BG informou ontem, em nota, que as reservas de petróleo e gás do campo, localizado na bacia de Santos, têm potencial para atingir de 12 bilhões a 30 bilhões de barris.
Antes, a BG estimava as reservas entre 1,7 bilhão e 10 bilhões. A nova estimativa da BG, que tem 25% do campo, supera as projeções iniciais da Petrobras, que apontavam para um reservatório de 5 bilhões a 8 bilhões de barris. As previsões da petroleira britânica foram confirmadas pela portuguesa Galp, também sócia do empreendimento, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários de Portugal. A Galp tem uma participação de 10% no projeto.
Ao todo, as reservas da Petrobras no Brasil chegam a 13,9 bilhões de barris. Ou seja, se a estimativa de BG e Galp estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro. O anúncio mexeu com os papéis da Petrobras. As ações ordinárias da petroleira brasileira tiveram alta de 3,31% ontem, num dia em que a Bovespa fechou estável (-0,01%).
Procurada ontem, a Petrobras informou apenas que ninguém da empresa iria comentar o conteúdo dos comunicados das suas sócias em Tupi. A estatal brasileira é responsável pela operação do campo. Ou seja, fica a cargo da companhia desenvolver todos os projetos de perfuração de poços e de sistemas de produção (plataformas).
A discrepância das estimativas da Petrobras e de suas sócias pode ser explicada por uma diferença de critério adotado. A estatal divulgou o volume de óleo recuperável, ou seja, possível de ser extraído do subsolo. Já as companhias européias anunciaram o volume total que existe sob o mar, que, em geral, não pode ser totalmente extraído.
Maior descoberta da história da estatal, o campo está localizado na chamada camada pré-sal, nova e promissora fronteira exploratória do subsolo marinho brasileiro. A área se estende ao longo dos litorais dos Estados de Santa Catarina ao Espírito Santo (bacias de Santos, Campos e Espíritos Santo). Fica abaixo de uma espessa camada de sal -sobre ela se concentrava até agora a exploração de petróleo no Brasil.
Quando anunciou o tamanho estimado da descoberta de Tupi, em novembro do ano passado, a Petrobras informou que a descoberta colocava "o Brasil como uma das mais importantes áreas petrolíferas do mundo". A estatal foi a única empresa do mundo a perfurar rochas na camada pré-sal. Para estimar a reserva de até 8 bilhões de barris de Tupi, a estatal perfurou e testou oito poços, analisando a qualidade e a quantidade do óleo (leve, de 28 graus).
Com o objetivo de dimensionar a descoberta, a estatal programou para o segundo semestre deste ano um teste de produção de longa duração, com uma pequena plataforma alugada provisoriamente e capaz de extrair até 40 mil barris/dia. Ao final de 2010, a empresa espera alugar um sistema de produção de médio porte com capacidade de 100 mil barris/ dia, que irá operar no campo até que a plataforma definitiva fique pronta em 2013, quando a expectativa é atingir uma produção de 180 mil barris/dia.
Em todas as perfurações realizadas na camada pré-sal, a estatal encontrou petróleo. No mês passado, anunciou uma grande descoberta de gás vizinha ao campo de Tupi. Em entrevista recente, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, ressaltou que o sucesso exploratório nessa nova fronteira petrolífera era de 100%.
Por esse motivo, o executivo defendeu a revisão do modelo de concessões, a fim de a União se apropriar de uma fatia maior das reservas. Sugeriu os mecanismos usados no Oriente médio, como os de produção compartilhada (onde parte fica com o Estado) e de prestação de serviços, pelo qual uma empresa é contratada para explorar o campo e é remunerada pela empreitada.
Petrobras se torna a 11ª do mundo em 2007
A confirmação das reservas do campo de Tupi foi um dos fatores que levaram a Petrobras a se tornar a 11ª maior empresa do mundo em valor de mercado no ano passado, a US$ 8 bilhões de estar entre as dez maiores. A companhia brasileira terminou 2007 valendo US$ 241,67 bilhões em Bolsa, um aumento de 124,1% na comparação com 2006, quando era a 50ª maior, segundo estudo da Ernst & Young. A internacionalização, o "dever de casa bem-feito" e os bons resultados são alguns dos motivos que ajudam a explicar o crescimento da estatal brasileira.
A valorização da empresa também se deve ao aumento do preço do barril de petróleo, que se aproximou dos US$ 100, e a um crescimento mundial das empresas petrolíferas estatais. A maior empresa do mundo em Bolsa foi a Petrochina, que ganhou cinco posições e superou a privada Exxon, a campeã do ano anterior. Outra estatal, a russa Gazprom, terminou 2007 entre as dez primeiras: foi a 7ª colocada.
As petrolíferas privadas estão tendo dificuldades para entrar em novos mercados, e a produção dos seus campos de exploração está caindo. Enquanto isso, a Petrobras anunciou o campo de Tupi, e a Shell, devido às pressões do governo russo, cedeu o controle do campo de Sakhalin 2º para a Gazprom. A Vale foi a outra brasileira a entrar no ranking das cem maiores, na 39ª posição. Ela tinha valor de mercado de US$ 154,77 bilhões no final de 2007. Em 2006, a mineradora era a 105ª colocada e valia US$ 69,03 bilhões.
Miranda diz que os motivos para o crescimento da empresa são parecidos com os da Petrobras, como bons resultados e maior presença internacional. Nesse caso, a compra da mineradora canadense Inco, no final de 2006, ajudou no processo. "Ela começou a ser percebida como uma empresa global." A lista também dá uma noção do impacto da crise do "subprime" (hipotecas de alto risco) no Citigroup. O banco americano, que tinha o quarto maior valor de mercado em 2006, aparecia apenas como a 47ª maior empresa no fim de 2007.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h36
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