Sexta-feira Santa com peixes e massas
Roteiro de frutos do mar é opção para quem passa a Sexta-feira Santa na capital
do A TARDE
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Dia de penitência pela crucificação de Jesus, a sexta-feira da Paixão é uma data onde as famílias cristãs mais tradicionais dispensam a carne vermelha. Mas, cristãs ou não, as pessoas que quiserem comer pratos sem o ingrediente, nessa sexta-feira, possuem boas opções pela cidade.
Especializados em frutos do mar, restaurantes como Iemanjá, Ki Mukeka, Mundo do Bacalhau, Cantinho do Mar, Bacalhau de Martelo e Portal do Mar possuem opções diversificadas de moquecas, ensopados e grelhados à base de peixes, camarões, siris, lagostas e outros espécimes da fauna aquática.
Os preços das moquecas de camarão ou de peixe variam de 14,90 por pessoa no Bacalhau de Martelo (Rio Vermelho) até R$56,00 na de badejo que serve duas pessoas, especialidade do Iemanjá (Armação). No Ki Mukeka, o carro-chefe da casa serve três pessoas e custa R$ 49,90 (camarão), R$ 39,50 (pescada amarela ou dourado) e R$49,50 (badejo).
Para quem quer experimentar uma moqueca diferente, o Cantinho do Mar (Boca do Rio) oferece a de lagosta, a R$99,95, a de ostra, a R$32,95, a de siri mole, a R$ 55,95 (sempre para duas pessoas), e ainda a possibilidade do cliente criar pratos combinados, como pitu com lagosta ou peixe com camarão. Nestes casos, os preços são R$ 79,95 para quatro pessoas ou R$ 59,95, para duas.
O Cantinho do Mar também oferece boas opções de saladas com lagosta escaldada e legumes, cuja porção para três pessoas sai a R$128,50. Nessa faixa de preço, também é possível pedir uma mariscada com siri, lagosta, sururu, polvo e peixe no Portal do Mar (Porto da Barra), prato que vem acompanhado de arroz, pirão e farofa e pode ser feito com ou sem azeite de dendê.
No Chalézinho (Jardim de Alah), a especialidade do chefe Bartolomeu é a moqueca de peixe, que sai a R$39,90 para duas pessoas. O peixe utilizado é o badejo, trazido do Rio Grande do Sul.
BACALHAU - Se a opção da família for bacalhau, pode-se comê-lo na tradicional versão Gomes de Sá, com batatas, cebola e alho, por R$ 19,99 por pessoa no Mundo do Bacalhau (Jardim de Alah) ou a R$11,90 no Bacalhau de Martelo (Shopping Rio Vermelho). Ambos os restaurantes usam bacalhau norueguês. “É o melhor que existe”, garante Alberto Serra, proprietário do Mundo do Bacalhau, onde o peixe pode ser preparado de outras mil maneiras, inclusive na brasa.
No Bacalhau de Martelo, outra boa o spaguetti ao frutos do mar, com camarão, lula, chumbinho, peguari, siri catado e ostra. O prato sai a R$16,90 e é farto, chegando a servir duas pessoas, a depender dos apetites, segundo a proprietária Dedé, batizada Ademildes Valente.
Ainda para os interessados em frutos do mar, vale experimentar, no Porto Bardauê (Imbuí), o premiado Camarão do Porto, constituído de camarão e maturí (castanha de caju nova), servido com caruru, vatapá, arroz e farofa. O prato serve duas pessoas e custa R$ 48,50.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h16
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Justiça não reduz indenização porque vítima é pobre
É preconceituoso e discriminatório equiparar valor de indenização à condição econômica dos ofendidos. O entendimento é da 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que decidiu, por unanimidade, manter o valor de R$ 50 mil que devem ser pagos como indenização pela empresa Transol — Transportes Coletivos Ltda. para a faxineira Lucinda dos Santos, por danos morais. Lucinda perdeu sua filha de 10 anos em 2000, atropelada por um ônibus da empresa.
A Transol recorreu ao tribunal pedindo a redução do valor da indenização. Argumentou que o montante deveria ser compatível com a situação financeira e social da faxineira. "Totalmente descabido o argumento de que a verba indenizatória deve guardar proporcionalidade ou correspondência com o padrão de vida ou a condição econômica dos ofendidos", registrou o juiz, no acórdão.
O funcionário José Francisco Felipe, que dirigia o veículo no momento do acidente, também deverá arcar com parte da indenização. Para o relator do processo, o desembargador Newton Janke, a condenação na esfera criminal resulta na obrigação incontornável de indenizar.
Apelação Cível: 2004.029.709-0
Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h15
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HERMENÊUTICA Em disputas contratuais, a boa-fé deve prevalecer
Freqüentemente nos deparamos com situações em que as cláusulas constantes nos contratos não são claras, deixando margem a interpretações distintas da intenção das partes quando os celebram. Tal inconveniente se agrava quando estamos diante de contratos cuja execução é continuada ou àqueles em que o prazo estipulado é indeterminado, e uma das partes resolve interpretá-lo de maneira distinta da que fazia, visando, por óbvio, locupletar-se às custas do outro contratante.
O novo Código Civil, visando corrigir tais situações que, inquestionavelmente, são injustas, inseriu regras e princípios, notadamente os artigos 421 e 422, que protegem ainda com mais rigor o contratante de boa fé.
Caso pairem dúvidas quanto à interpretação dadas a esta ou àquela cláusula contratual, ou mesmo, quanto ao próprio contrato em discussão, o julgador deverá levar em conta principalmente a intenção das partes (boa fé subjetiva) e o próprio caso concreto, antes de decidir sobre o teor de suas cláusulas ou sobre sua própria validade. Deverá ser examinado, primeiro, a intenção das partes, qual o intuito quando o instrumento foi firmado, seus próprios fins sociais. Tal intenção deverá prevalecer sobre a manifestação literal escrita expressa no documento (artigo 112 do Código Civil).
Nesta mesma esteira deverão ser examinadas as circunstâncias do caso concreto, os próprios costumes. Assim, se um contrato de prazo indeterminado está sendo, há anos, cumprido de determinada forma, não pode a outra parte contratante simplesmente deixar de cumpri-lo alegando que essa ou aquela cláusula é dúbia.
Tal lição decorre, como nos ensina o professor Caio Mario (Instituições de Direito Civil, Vol. III) da máxima de que o “direito deve repousar antes na realidade do que nas palavras”, devendo o intérprete “cogitar as condições em que o contrato tem sido anteriormente cumprido pelas partes, pois que são elas o melhor juiz de sua hermenêutica, devendo considerar-se que se executou num dado sentido, é porque entenderam os contratantes sua verdadeira intenção”.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h15
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MAGISTRATURA SEM CONCURSO
O Cesa (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados), que reúne os principais escritórios de advocacia do país, promoverá nesta terça-feira, em São Paulo, um debate sobre tema atual e relevante: "A Importância da Advocacia nos Tribunais".
A proposta de discussão foi bem pensada: o Cesa vai reunir advogados que se tornaram juízes pelo Quinto Constitucional e juízes que passaram a advogar após suas aposentadorias.O debate terá como foco dois pontos principais: (a) que contribuições positivas decorrem da presença de advogados nos Tribunais; (b) que sugestões podem ser feitas para aperfeiçoar esse sistema do Quinto Constitucional.
Confirmaram presença os desembargadores Américo Angélico, Maria Cristina Zucchi, José Luis Palma Bisson, Américo Lourenço Lacombe, Antonio Carlos Malheiros, Carlos Teixeira Leite, Edgard Silveira Bueno, Homar Cais, Jayme Queiroz Lopes, Luiz Carlos de Azevedo, Newton de Lucca e Walter Piva Rodrigues.
O encontro será realizado no Renaissance São Paulo Hotel. Informações: (11) 3104.8402 www.cesa.org.br cesa@cesa.org.br
Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h11
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FED faz sexto corte consecutivo
e juros caem nos EUA para 2,25%
da Folha Online
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) efetuou nesta terça-feira o sexto corte consecutivo de juros desde que deu início a seus esforços para tentar evitar uma recessão nos EUA. A taxa básica de juros do banco caiu 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano --nível em que se encontrava em dezembro de 2004.
Os cinco cortes efetuados antes do ocorrido hoje, no entanto, pouco fizeram para evitar que a atividade econômica americana desacelerasse de modo alarmante: no quarto trimestre, a economia cresceu apenas 0,6%, contra um avanço de 4,9% um trimestre antes.
O corte de juros do Fed não conseguiu estimular os consumidores a continuar gastando, ou mesmo a ampliarem seus gastos - como se viu nas vendas no varejo nos EUA em fevereiro, que caíram 0,6% em fevereiro, mesmo com os juros do Fed tendo passado de 5,25% para 3%. Em janeiro houve uma ligeira alta de 0,4%, mas o dado do mês seguinte praticamente anulou o indicador positivo. A economia ainda sofreu outro abalo no mercado de trabalho: depois de eliminar 22 mil empregos em janeiro, a economia perdeu outros 63 mil no mês passado.
No governo, a eficácia das medidas para evitar a recessão já é, mesmo que veladamente, contestada. O chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, Edward Lazear, reconheceu que o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) americano pode registrar um resultado negativo neste primeiro trimestre. "Nós definitivamente reduzimos nossa previsão para este trimestre", disse Lazear.
O presidente americano, George W. Bush, sancionou no mês passado um pacote de estímulo econômico ao país que dará cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos. A estimativa inicial do Tesouro americano era de começar a enviar os cheques em 60 dias a partir da aprovação das medidas, ou seja, maio. Mais de 130 milhões de pessoas serão beneficiadas.
O pacote prevê uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, terá direito a cheques de US$ 300. No início deste mês, Bush chegou a pedir aos contribuintes que serão beneficiados com os cheques do pacote que gastem, e não guardem em poupanças, ou invistam e mesmo paguem dívidas.
Assim como os consumidores não se sentem estimulados a gastar mais com as ações do Fed, temendo uma retração da economia, os bancos também tendem a desconfiar da ação do banco central. No domingo, o banco cortou sua taxa de redesconto para 3,25%. A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro).
O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao "concessor do último recurso" --papel que cabe ao Fed.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h03
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Por que o crescimento do Brasil fica atrás da Argentina
Com artigo intitulado "A lebre e a tartaruga", a revista britânica "The Economist", que chega às bancas nesta sexta-feira, compara o crescimento econômico do Brasil e da Argentina e tenta explicar por que os "vagarosos brasileiros estão alcançando a veloz economia argentina".
"Pegue duas economias vizinhas, ambas extremamente dependentes de preços de commodities para obter bons resultados na balança comercial. Aplique a uma delas uma política monetária ortodoxa e veja ela acolher investidores estrangeiros e adotar o câmbio flutuante. Entregue o comando da outra a empreendores que recorreram à fixação de preços, proibição ou taxação de algumas de suas próprias exportações, e que mentem abertamente sobre a taxa de inflação. O resultado? O malandro - Argentina - continua a crescer a uma taxa de 9%, enquanto que, por contraste, o bem comportado Brasil segue vagaroso. É hora de reescrever os livros de economia? Os argentinos acham que sim. Mas há sinais de que o Brasil ainda pode chegar na frente."
Segundo o artigo, o Brasil adota uma política econômica mais cautelosa, voltada, principalmente, para o combate à inflação e para evitar o risco de um grande déficit na conta corrente do país. "Na Argentina, essa cautela é sinal de fraqueza. Os políticos do país parecem determinados a mostrar que tudo que a América Latina precisa para crescer tão rápido quanto a China é arrancar a camisa-de-força do "neoliberalismo" e de seus principais patrocinadores - aqueles horrorosos detentores de títulos e o FMI".
Previsões erradas
A "Economist" se refere à previsão errônea de vários economistas de que a Argentina iria enfrentar um desaquecimento econômico nos últimos cinco anos e afirma que, segundo uma fonte próxima à presidente Cristina Kirchner e ao seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, "esses economistas erraram diversas vezes. Talvez seja hora de acharmos novos economistas".
Segundo a revista, para entender como dois líderes de esquerda vieram abraçar políticas tão diferentes, é preciso olhar como seus respectivos países responderam aos problemas econômicos de 2001-2002. "A Argentina, depois de vários anos em crise, abandonou a taxa de câmbio fixa, desvalorizando o peso e dando um calote na dívida pública. O Brasil, que mantinha o câmbio flutuante desde 1999, respondeu à turbulência em seus mercados de câmbio e dívidas em 2002 apertando ainda mais suas políticas fiscal e monetária".
Segundo a "Economist", a desvalorização do peso funcionou e em 2005 a maior parte da capacidade industrial do país estava de volta em ação, mas como os novos investimentos eram insuficientes para sustentar o rápido crescimento, o governo abriu os cofres, aumentando salários e aposentadorias. A revista acrescenta que "o crescimento continuou, mas a inflação pulou para 20% ao ano. Ninguém sabe o número exato, já que o governo o maquia".
Baixo crescimento
"Em contraste, o Banco Central do Brasil persegue uma meta de inflação, e não da taxa de câmbio. O real valorizou com a alta recorde do preço das commodities, gerando reclamações dos empresários industriais. Mas o Banco Central manteve a taxa de juros em 11,25% desde setembro passado. E ainda assim, a demanda doméstica é forte. Neste ano, com a alta acentuada do volume de importações, o Brasil deve apresentar um pequeno déficit de conta corrente, pela primeira vez desde 2002".
O crescimento argentino (de 8% no último trimestre de 2007) provavelmente se deve mais ao aumento do preço da soja no mercado internacional do que à política econômica do governo Kirchner, afirma Daniel Volberg, do banco de investimentos Morgan Stanley, entrevistado pela revista. Segundo Volberg, se as previsões feitas em 2003 para o crescimento do PIB mundial e evolução dos preços de commodities estivessem corretas, a Argentina teria crescido apenas 3,7%. Em contraste, o Brasil teria perdido apenas 1,6 pontos percentuais de sua taxa de crescimento de 6,4% no mesmo período.
"Então, apesar de os dois países terem se beneficiado enormemente das condições externas favoráveis, o Brasil está melhor posicionado do que pode parecer. Por causa da baixa inflação, em termos reais o crescimento da renda brasileira começou a alcançar a dos argentinos. Mas o Brasil tem muito mais espaço de manobra se a situação piorar. A Argentina, em contraste, se colocou em uma posição delicada. Qualquer diminuição da receita gerada pelas exportações prejudicaria sua base de arrecadação fiscal, e o Banco Central argentino dificilmente poderia imprimir mais dinheiro do que o nível atual".
A Economist conclui afirmando que o investimento direto estrangeiro cresceu 84% no Brasil, no ano passado, em comparação com um crescimento de apenas 12% na Argentina. "Os brasileiros podem ser perdoados por acessos ocasionais de inveja em relação aos vizinhos, mas as coisas boas acontecem para quem sabe esperar."
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h47
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DÓLAR EM QUEDA LIVRE
Nova York e outras cidades norte-americanas caíram significativamente no ranking de cidades mais caras do mundo, segundo estudo do banco suíço UBS. A queda ocorreu devido a desvalorização do dólar.
No caso de Nova York, que ocupava a 7ª lugar, a queda foi de 11 posições. Los Angeles e Chicago, caíram respectivamente, 13 e 14 pontos, e estão atualmente empatadas na 28ª posição.
Oslo (Noruega), Copenhague (Dinamarca) e Londres (Inglaterra) ficaram na 1ª, 2ª e 3ª posição, respectivamente. São Paulo é a 45ª e Rio de Janeiro, a 46ª.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h47
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EL GATO HA SUBIDO EN EL TEJADO
Cristina Kirchner completa cem dias acidentados de governo
A vida não tem sido um mar de rosas para a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em seus primeiros cem dias no cargo. Ela completou esse marco esta semana, entre protestos de agricultores contra o aumento de impostos sobre as lucrativas exportações de cereais que alimentam o boom econômico da Argentina e uma polêmica crescente sobre a suposta interferência do governo nos dados oficiais de inflação, o que tira a credibilidade do órgão nacional de estatísticas, Indec.
Suas promessas de uma política externa com um novo estilo e um pacto social para acalmar as reivindicações salariais e aumentar a produtividade não se materializaram. Ela enfrentou escassez de energia e de combustível e foi esnobada na semana passada quando a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, não incluiu a Argentina em sua turnê pela região. Além disso, os planos de renegociar a dívida de US$ 6,3 bilhões com o Clube de Paris de credores ocidentais -para melhorar a imagem do país e ajudar a liberar investimentos seis anos depois da maior moratória de dívida externa da história- hoje parecem inclinados a se arrastar.
Mas apesar de seus índices nas pesquisas terem caído ligeiramente em março a ex-senadora goza de alto apoio três meses depois de conquistar a presidência em uma avalanche eleitoral alimentada pela promessa de manter o forte crescimento produzido pelo governo anterior, de seu marido, Néstor Kirchner.
Três novas pesquisas de opinião situam seus índices de aprovação entre 47% e 65%, provando que apesar da alta inflação -estimada por economistas independentes em cerca de 20%, apesar do índice oficial divulgado de 8,5% em 2007- o boom econômico está dando à maioria das pessoas dinheiro, crédito e empregos suficientes para mantê-las felizes por enquanto. "As pessoas a vêem como uma continuação de Néstor Kirchner, e ele ainda é o político mais popular do país", disse o pesquisador Ricardo Rouvier, que realizou enquetes para o governo.
Uma pesquisa de mercado do Banco Central vê um crescimento de 7,3% em 2008, comparado com 8,7% em 2007, e Fernández diz que a economia expandiu 10,1% em janeiro, em relação a um ano antes. "A percepção é de que Kirchner está puxando muitos cordões", disse o economista Miguel Kiguel.
Mas o analista político Carlos Germano disse que o governo precisa acordar para o fato de que a Argentina hoje enfrenta novos desafios, e a receita pós-crise aplicada por Kirchner não vai funcionar para sempre. Apesar do crescimento benéfico, a confiança do consumidor caiu ao seu menor nível em cinco anos em março, segundo um estudo da Universidade Torcuato di Tella.
Cristina Kirchner prometeu reformas institucionais mas depois cobrou novos impostos das mineradoras, que segundo os mineiros vão contra uma lei de estabilidade fiscal existente. Apesar de terem esperado que ela esfriasse as relações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a escassez de energia a obrigou a depender mais do país, que também é um grande comprador de títulos argentinos.
Enquanto isso, a Argentina continua isolada dos mercados de capitais internacionais pela ameaça de ação jurídica dos detentores de mais de US$ 20 bilhões em dívida argentina não paga.
Cristina reforçou a contabilidade fiscal do país e o Banco Central tem um recorde de US$ 50,4 bilhões em reservas, mas o ministro da Economia, Martín Lousteau, reconhece que a Argentina não é imune à fragilidade financeira global. E mesmo sem dúvidas sobre os dados de inflação e sem preocupações institucionais ela já enfrenta uma forte concorrência por investimento estrangeiro de seus pares regionais.
"O Brasil recebe em um mês o que a Argentina recebe em um ano", disse Germano. "A presidente está seguindo um modelo econômico que ainda dá certo por enquanto, mas vai enfrentar problemas a menos que faça aperfeiçoamentos institucionais, como resolver o Clube de Paris, os 'holdouts' de títulos e o [instituto de estatísticas] Indec", ele acrescentou.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h46
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ESPECIAL IRAQUE 5 ANOS
Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h01
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FRASE DO DIA:
"Nós vamos enfrentar essa ameaça agora, com nosso Exército, Força Aérea, Marinha, Guarda Costeira e marines para não termos de enfrentá-la mais tarde, com bombeiros, policiais e médicos nas ruas de nossas cidades."
Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h58
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A invasão dos EUA ao Iraque completa agora cinco anos. A guerra no Afeganistão já tem mais de seis.
A proposta de orçamento militar do governo Bush para 2009 é de US$ 515 bilhões, um recorde na seqüência de aumentos reais de seus dois mandatos. Isso sem contar os créditos suplementares já aprovados para sustentar as duas guerras, um valor superior ao próprio orçamento proposto. Descontada a inflação, é um orçamento anual próximo do que foi gasto durante a Segunda Guerra Mundial.
A política social mais agressiva proposta pelas candidaturas democratas diz respeito à universalização da saúde. Custaria a cada ano entre US$ 50/65 bilhões (Barack Obama) e US$ 110 bilhões (Hillary Clinton). Para proteger os proprietários mais pobres da crise imobiliária, Hillary Clinton propõe um fundo de crédito de US$ 1 bilhão. Obama prevê US$ 10 bilhões.
Por aí já se vê o quanto essas duas guerras são decisivas também do ponto de vista do Orçamento dos EUA. Só que não são mais um tema central da campanha presidencial. As duas candidaturas democratas prometeram muito vagamente "trazer as tropas de volta". Não falam em prazos nem em números. O indicado republicano fala de sucesso e de vitória.
O conservadorismo dos anos Bush pode ter sido neutralizado no momento. Mas os efeitos de seu governo serão sentidos por muito tempo ainda. E uma das armadilhas é justamente a da necessidade de orçamentos militares crescentes. A invenção da chamada guerra preventiva vem junto com ocupações longas e custosas.
O grande êxito de Bush foi o de ter conseguido tornar naturais as guerras que promoveu. Lê-se todos os dias sobre bombas e mortes no Iraque e no Afeganistão como se lê sobre um terremoto em um lugar distante e desconhecido.
O complexo militar dos EUA aprendeu bem a lição do Vietnã.
Com um exército profissionalizado e estratégias para minimizar ao máximo as baixas, não é mais só o caso de entrar para vencer militarmente. Hoje, a superioridade tecnológica garante isso com relativa facilidade.
O segredo é entrar em uma guerra para não sair. Nessa lógica, é fundamental manter frentes militares permanentes. Além de deixarem patente para o resto do mundo o próprio poderio, os Estados Unidos garantem com isso "campos de teste e de treinamento" para tropas e armamentos.
Bush precisou do cataclismo do 11 de Setembro para instituir essa nova estratégia bélica. Vai ser preciso mais do que uma eleição presidencial nos EUA para conseguir desmontar a idéia de que guerras são coisas naturais.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h56
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No dia 8 de março de 1998, um domingo, Tim Maia subiu pela última vez ao palco. O cantor morreu uma semana depois, no dia 15, há dez anos. O último show do Síndico seria um espetáculo acústico gravado pelo canal pago Multishow no Teatro Municipal de Niterói, no Rio. Mas esse foi um show que não aconteceu, afinal duas músicas, sendo só uma delas com a presença do cantor, não configuram um show propriamente.
Famoso pelo não comparecimento a inúmeros espetáculos e pelos atrasos, Tim Maia demorou a aparecer também no último show de sua vida. O evento era especial. Na platéia lotada estavam convidados, artistas, celebridades, atores, músicos e jornalistas. Era a reabertura do pequeno e charmoso Teatro Muncipal de Niterói, que havia passado por uma reforma e cheirava a tinta fresca.
Mais de uma hora depois do início programado, a banda Vitória Régia, que acompanhava o músico havia uns 20 anos, finalmente deu início ao show apenas com os backing vocals. Cadê o Síndico? Nada. Na segunda música, "Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)", aplausos. Eis o carioca da Tijuca, 55 anos, imenso, terno azul claro, camisa branca, suor no rosto.
Reclamou do "ré menor" e interrompeu a música - outra característica marcante do cantor era a eterna insatisfação com os técnicos de som a quem pedia sempre o "retorno" e mandava tirar o "reverb" ou qualquer outra coisa que o incomodasse.
A música começou novamente. "Vou pedir...", "Vou pedir...", cantou Tim, e a platéia completava os versos que todo mundo conhece. Com sinais claros de que daquele jeito não dava mais para continuar, Tim Maia deixou o palco sob risadas do público, que imaginava se tratar de mais um episódio temperamental do cantor.
Não era possível, ele iria dar o cano num especial de TV ao qual ele havia comparecido? A banda terminou a música pouco depois da saída do cantor. "A semana inteira fiquei te esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando", cantou a platéia com palmas, pedido claro para que Tim retornasse. Não houve retorno - cadê o retorno?
"Tim Maia não está passando bem. Tem algum médico na platéia?", foi o que saiu do sistema de som do teatro para perplexidade geral. Até havia um, Drauzio Varella, acompanhado de sua mulher, a atriz Regina Braga.
A partir daí, foi o caos. Vários minutos depois, chegou a ambulância do Corpo de Bombeiros, que entrou no átrio do teatro, ocupado agora pelos convidados que haviam saído da sala de espetáculo. Amparado dos dois lados e com máscara de oxigênio, o hipertenso Tim Maia subiu na ambulância com pés trêmulos. Fotógrafos, cinegrafistas e curiosos dificultavam o trabalho de resgate do rei do soul brasileiro.
Às 23h, o cantor foi encaminhado ao hospital Antônio Pedro, em Niterói, que parecia mais uma delegacia, com grades na entrada a impedir a entrada de quem fosse. Aflita, só se via a secretária particular do cantor, Adriana Silva, ao celular. Uma semana depois, Sebastião Rodrigues Maia morria no mesmo hospital de infecção generalizada em conseqüência de um edema pulmonar, seguido de parada respiratória.
Leia mais:
Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h09
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REDAÇÃO DO CONCURSO NA VOLKSWAGEN
No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência'?
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.
REDAÇÃO VENCEDORA:
Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar, Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, Já subi em árvore pra roubar fruta,Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, Já escrevi no muro da escola, Já chorei sentado no chão do banheiro, Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando,Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar, Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios, Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?' . Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h07
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BRASILEIROS PERDEM COM ELEIÇÃO NA ESPANHA
Brasileiros depois de terem sido barrados na Espanha.
A manicure brasileira Eliane (sobrenome preservado a pedido) cobra 15 euros (quase R$ 39) para fazer mãos e pés, trabalha em geral da manhã à noite sem parar, sem fim de semana, carregando para um lado a outro de Madri sua pesada maleta com os utensílios.
Um dado dia, uma de suas clientes lhe perguntou: "Vale a pena continuar por aqui?"
Ela respondeu: "Vale, porque não quero morrer em uma maca num corredor de hospital. Aqui não corro esse risco".
A resposta dela vale por todo um compêndio a respeito da emigração de brasileiros, não só para a Espanha, mas para incontáveis países do mundo.
Confirma Duval Fernandes, professor do programa de pós-graduação em geografia da PUC de Minas Gerais, após entrevistar 404 brasileiros na capital espanhola, entre março e julho de 2007, para uma pesquisa ainda a ser publicada:
"A mais alegada razão para emigrar foi a busca por melhores condições de vida".
No caso da Espanha, onde há hoje eleições, não dá para dizer quem ganhará, mas já é possível saber quem perde: brasileiros com intenções de emigrar.
Se ganhar o candidato da oposição, Mariano Rajoy (do conservador Partido Popular), valerá uma frase que se tornou um dos "hits" da campanha, no quesito imigração: "No cabemos todos" (espanhóis e imigrantes).
Se for reeleito o presidente do governo, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, na melhor das hipóteses se manterá a situação atual, cheia de obstáculos. Na pior, mais repatriações: "Sempre que tivermos ilegais, vamos repatriá-los", disse ao jornal "El País".
Claro que tanto Zapatero como Rajoy estão falando de imigrantes ilegais - caso de Eliane. Mas também para os que podem obter a legalização (com contrato de trabalho), as perspectivas não são brilhantes.
Na maioria dos casos, os brasileiros que vêm para Madri trabalham na construção civil. Acontece que o estouro da bolha imobiliária que fora o motor do crescimento espanhol nos últimos anos levou a uma crise no setor. As grandes imobiliárias construirão 72% menos apartamentos do que no ano passado, com o que cerca de 1,1 milhão de trabalhadores não encontrarão emprego.
"Justo agora que eu estava começando a me estabilizar", lamenta Mário Luiz dos Santos, ainda empregado, feliz mesmo ganhando menos do que a média de 1.100 euros (R$ 2.800) que o pesquisador da PUC-MG constatou em suas entrevistas.
Os R$ 2.800 parecem uma fortuna em se considerando o nível dos salários no Brasil. Mas é pouco na Espanha. Se é pouco ou muito, não importa. Vale mais a perspectiva de um hospital (público) em que não se corra o risco de morrer em uma maca no corredor, como diz a manicure Eliane.
Para ter a possibilidade de aceder ao serviço público de saúde basta "empadronarse", palavra mágica no vocabulário do imigrante. Significa registrar-se junto às autoridades, passo que já foi dado por cerca de 70 mil brasileiros, segundo os dados não tão recentes fornecidos ao consulado do Brasil.
"Dá direito à carteira de saúde e a educação gratuita", diz Fabiana Maria Gama Pereira, pernambucana de 34 anos, que trocou mestrado em antropologia pela presidência da AHBAI (Associação Hispano-Brasileira de Apoio ao Imigrante).
Para empadronarse nem é preciso estar em situação legal. Basta apresentar um certificado de residência. Mas nem isso é tão simples. A maioria dos proprietários de imóveis não aluga um apartamento, mas um cômodo, no qual dormem várias pessoas.
É o que se chama de "cama caliente". O modelo é assim descrito por outro pesquisador brasileiro que estudou a imigração, Leonardo Cavalcanti, doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca: "Trata-se de uma cama dividida por duas pessoas com horários invertidos. Enquanto um trabalha o outro dorme. Por isso, a cama fica "caliente".
"A impressão que tenho é que vários foram na busca de um eldorado e não é isto o que encontram. Vão dividir apartamento, coisa que não faziam no Brasil, aceitam qualquer trabalho e ficam sonhando em voltar e mostrar os frutos do sucesso", disse Duval Fernandes.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h34
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FRASE DO DIA:
"Se Obama fosse branco, ele não estaria nesta posição"
Geraldine A. Ferraro, candidata democrata à vice-presidência em 1984 e atual assessora de Hillary Clinton. Ferraro integrava o comitê de finanças da senadora e deixou a campanha após ser criticada pelos assessores de Obama por seus recentes comentários. Mesmo após seu afastamento Ferraro não retirou o comentário.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h33
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ESTUPIDEZ DIPLOMÁTICA
Sinto muito pelos estudantes brasileiros que têm sido barrados na Espanha. É um erro crasso da política de imigração espanhola. Como alguém que estudou e trabalhou fora do país durante oito anos, conheço bem as frustrações e humilhações às quais os portadores do passaporte verde e amarelo estão sujeitos pelos aeroportos do mundo.
A solução da diplomacia brasileira para o problema, porém - de expulsar turistas espanhóis do país, em represália - é apenas a contraposição de um erro ao erro original. E só na matemática é que dois negativos dão um positivo.
Pode haver preconceito, ignorância e má-fé de policiais de Barajas e de seus superiores, mas o fato é que há uma diferença objetiva entre os turistas espanhóis e os brasileiros: muitos dos nossos compatriotas se utilizam da livre entrada para turistas para residir ilegalmente em países europeus, vários deles (certamente não a maioria) praticando atividades ilegais, como a prostituição. A entrada desregulada de turistas brasileiros na Espanha pode, portanto, ser danosa ao país.
O nosso caso é o contrário: a probabilidade de imigração ilegal de espanhóis é mínima e, mesmo que acontecesse, tenderia a ser positiva para o país. O espanhol médio tem maior renda e maior instrução que o brasileiro, de forma que o país se beneficiaria com a sua chegada. (O que não quer dizer, antes que me escrevam os profetas do óbvio, que aqueles de baixa instrução, sem dinheiro ou que vêm fazer atividades ilegais aqui não devam ser devidamente expulsos.)
Caso o turista venha aqui para fazer turismo, e não emigrar – o que é bem mais provável – só temos a ganhar com a entrada de moeda forte e a geração de empregos no setor do turismo. Em suma, o Brasil só perde controlando a entrada de espanhóis, a Espanha tem uma boa chance de ganhar ao limitar a entrada de brasileiros, então a vigilância deles faz sentido, enquanto que a nossa é uma patacoada.
Não sou partidário das manifestações de nacionalismo que têm como único resultado prejudicar o bem-estar dos próprios cidadãos brasileiros. Não tenho o menor problema de reconhecer que hoje a Espanha é um país superior ao Brasil em indicadores econômicos e sociais. Nem de notar que a solução para o fim dos inconvenientes dos brasileiros honestos no exterior é justamente a melhoria dos indicadores do próprio país.
Minha maior tristeza não é de que não nos aceitem nos países desenvolvidos, mas sim que estejamos numa situação tal que faz mais sentido ser um expatriado, ilegal e prostituído do que viver e construir o futuro no próprio país.
Escrito por Eduardo Lorenzo às 23h32
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