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Em causa própria
 


 
Crise dos alimentos encontra o caos no Chifre da África

A crise global de alimentos chegou à cabana de Safia Ali. Ela não mais consegue comprar arroz, trigo ou leite em pó. Uma seca dizimou o rebanho de cabras de sua família, transformando o único meio de vida da família em uma pilha de ossos secos e pele que lembra papel.

Safia, 25 anos e mãe de cinco, não come há uma semana. Seu filho de um ano -um menino adorável mas apático que não responde nem a um beliscão- também está passando fome.

A Somália - e grande parte do volátil Chifre da África- era o último lugar na Terra que precisava de uma crise de alimentos. Mesmo antes dos preços dos commodities começarem a subir por todo o mundo, guerra civil, deslocamento e operações de ajuda ameaçadas já deixavam muitas pessoas daqui à beira da fome.

Jehad Nga/The New York Times  
Nativos passam ao lado de ossos de gado em Daagari, na Somália

Mas com o preço dos alimentos subindo fora de alcance e os rebanhos caindo mortos na areia, aldeões por toda esta paisagem castigada pelo sol dizem que centenas de pessoas estão morrendo de fome e sede.

Isto é o que acontece, dizem os economistas, quando a crise global de alimentos se encontra com o caos local. Há uma colisão de problemas por toda a região: falta de chuvas, colheitas desastrosas, alta dos preços dos alimentos, morte dos rebanhos, escalada da violência, inflação desenfreada e redução da ajuda alimentar.

Do outro lado da fronteira na Etiópia, na região de Ogaden assolada pela guerra, a situação soa igualmente sombria. Em Darfur, Sudão, a ONU foi obrigada a suspender as rações de alimentos por causa do aumento do banditismo, que ameaça as entregas de ajuda.

O Quênia também parece vulnerável. Uma recente manchete em um dos principais jornais do Quênia declarou: "25 mil aldeões correm risco de fome", se referindo à combinação de seca, preços mais altos de fertilizantes e combustível e violência pós-eleitoral, que deslocou milhares de agricultores.

"Este lugares não estão à beira do precipício", disse Jeffrey D. Sachs, um economista da Universidade de Colúmbia e consultor da ONU, que recentemente visitou o vizinho Quênia. "Eles já caíram no penhasco."

Muitos somalis estão tentando protelar a fome com um mingau ralo feito de galhos amassados de um espinheiro chamado jerrin. Alguns anciãos disseram que seus filhos estavam mascando seus próprios lábios e línguas por não terem comida. O clima tem sido impiedoso com dias intensamente quentes.

Saida Mohamed Afrah, outra mãe emagrecida, deixou recentemente seus dois filhos sob uma árvore e saiu à procura de alimento e água. Quando ela voltou duas horas depois, as crianças estavam mortas.

Ela tinha pouco a dizer sobre a seca. "Eu só queria que meus filhos tivessem morrido no meu colo", ela disse.

A ONU declarou uma grande área central da Somália como de emergência humanitária, o estágio final antes de uma de fome. Mas Christian Balslev-Olesen, o chefe das operações do Unicef na Somália, disse que a situação provavelmente se tornará de fome nas próximas semanas.

A fome é definida por vários critérios, incluindo desnutrição, mortalidade, escassez de água e alimento e a destruição do meio de vida. Alguns destes fatores, como a taxa aguda de desnutrição de 24% em algumas áreas da Somália, já ultrapassaram os limiares de emergência anteriores e estão próximas da faixa da fome.

Balslev-Olesen disse que a Unicef recebeu recentemente relatos de pessoas morrendo de fome e sede. É difícil saber exatamente quantas, ele disse, apesar dos anciãos locais terem colocado o número em centenas.

"Nós temos todos os indicadores posicionados para uma catástrofe", disse Balslev-Olesen. "Nós não podemos ainda declarar isso. Mas estou muito preocupado que seja apenas questão de semanas até podermos."

Muitas pessoas já consideram a Somália uma catástrofe. Ela possui uma das taxas mais altas de desnutrição do mundo -em um bom ano. O colapso do governo central em 1991 lançou a Somália em disputa sangrenta de clãs da qual ainda não saiu. A era começou com uma fome que matou centenas de milhares de pessoas.

O consenso agora é de que todos os mesmos elementos do início dos anos 90 -conflito em alta intensidade, amplo deslocamento e seca- estão se alinhando de novo, e em um momento da maior alta global nos preços dos alimentos em mais de 30 anos.

A ONU diz que 2,6 milhões de somalis precisam de assistência e que o número poderá inchar em breve para 3,5 milhões, quase metade da população estimada. Se houver uma chuva excelente ou uma paz repentina, a crise poderá abrandar. Mas as projeções meteorológicas e até mesmo as previsões políticas mais otimistas não prevêem isso.

O mergulho ou não dos somalis na fome poderá depender da ajuda, mas no momento ela não parece muito boa.

Onze trabalhadores humanitários foram mortos neste ano, e as autoridades da ONU disseram que a Somália está mais complicada e perigosa do que nunca.

Além das disputas entre clãs e senhores da guerra, há um conflito em formação com os trabalhadores humanitários ocidentais. O governo Bush disse que terroristas da Al Qaeda estão escondidos na Somália, protegidos pelos radicais islâmicos locais, e os tem caçado com ataques aéreos. Mas um recente ataque americano contra um líder islâmico em Dhusamareb, uma cidade no centro da zona da seca, provocou ameaças de vingança contra os trabalhadores humanitários ocidentais. A ONU e organizações de ajuda humanitária privadas disseram que agora está perigoso demais para expandir seu trabalho em Dhusamareb.

"Nós estamos em um ambiente diferente agora", disse Chris Smoot, o diretor de projetos de ajuda da World Vision na Somália. Ele disse que há elementos inamistosos anti-Ocidente "que podem matar você de muitas formas e a qualquer momento".

A ajuda também enfrenta sérios problemas na disputada região de Ogaden da Etiópia, do outro lado da fronteira. Um recente relatório escrito por um funcionário de ajuda humanitária americano disse que a seca está "claramente piorando" e que a resposta do governo etíope, um dos principais aliados dos americanos na África, tem sido "absolutamente abissal".

Isto pode não ser por acaso. O governo etíope está lutando com uma insurreição em Ogaden, e o relatório disse que "os alimentos estão claramente sendo usados como arma", com o governo deixando as áreas rebeldes passarem fome, enquanto um misterioso depósito de alimentos doados pelos americanos foi descoberto em frente a uma base do exército etíope.

O governo americano "não pode em boa consciência permitir que a operação de alimentos continue da forma atual", disse o relatório. "Esta situação seria absolutamente vergonhosa em qualquer outro país."

O relatório não se tornou público, mas uma cópia foi fornecida ao "New York Times". Quando perguntado a respeito, um alto funcionário americano de ajuda humanitária o caracterizou como "apenas um retrato e as observações e impressões de uma pessoa".

Mas o alto funcionário, que falou sob a condição de anonimato, também disse: "Nós não estamos dizendo que não há uma crise em Ogaden. Nós não estamos dizendo que a resposta etíope é satisfatória. Mas algum progresso foi obtido. E precisamos de mais".

As autoridades etíopes se recusaram a comentar e há muito negam violações de direitos humanos em Ogaden.

Por toda a região, uma das mais pobres entre as mais pobres, as pessoas ficam à mercê do deserto. Na região central da Somália, por exemplo, menos de 127 milímetros de chuva caíram no último ano e meio, disseram autoridades de ajuda. Os ventos são duros, as gargantas são secas. Esta área, como grande parte do Chifre da África, é árida demais para a agricultura. As pessoas daqui, em postos avançados solitários como Dagaari, sobrevivem pastando cabras, ovelhas, gado e camelos, vendendo os animais pelo dinheiro que usam para comprar comida.

"Mas ninguém quer uma cabra esquelética", explicou Abdul Kadir Nur, um pastor em Dagaari. Isto é tudo o que lhe restou após a seca ter matado 400 de seus 450 animais.

Não longe de uma pilha de ossos de cabra se encontra um círculo de pedras. É a sepultura de seu filho bebê. Abdul Kadir disse que o menino morreu de fome e que foi disposto em sua sepultura em um ângulo "para que pudesse dormir".

Ele caminhou mais alguns passos, suas sandálias cavando na terra seca. Ele chegou na cabana de Safia, onde várias pessoas espiavam na porta, observando ela suar no chão de terra. O hospital mais próximo fica a apenas meia hora de distância, mas ninguém tinha dinheiro para pagar pela viagem. "Ela provavelmente morrerá", disse um ancião e então se afastou.

O filho de Safia parecia sentir isso. Ele se aconchegou ao lado de sua mãe enquanto ainda podia, seu rosto pressionado contra o pano úmido que a cobria. Suas costelas se moviam para cima e para baixo, para cima e para baixo, em rápidas respirações superficiais.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h32
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A tendinite é uma das doenças ocupacionais que mais acomete os profissionais no Brasil. Mas, diferente do que muita gente pensa,ela tem cura e pode ser evitada

FOTO: TÂNIA LUMENA / ILUSTRAÇÃO: GUSTAVO GARCIA

Ela vem devagarinho. Começa com um incômodo nos dedos. Você nem liga. Também, parar o trabalho só por causa de uma dorzinha no dedo mindinho... o que o seu chefe iria pensar? Mas, de repente, a dor se intensifica, sobe o braço e vai até o ombro. E aí você pede uma folga para ir ao médico, já que não consegue digitar uma linha do relatório que está em sua mesa.

Se a situação lhe é familiar, provavelmente é um forte candidato a vítima da tendinite, mal que atinge 70% dos profissionais brasileiros. Mas não se desespere. “Ela tem cura e as empresas estão atentas aos prejuízos causados por esse mal”, garante a fisioterapeuta Inês Milani.

Relatada pela primeira vez na história em 1700 pelo pai da medicina do trabalho, o médico italiano Bernadino Ramazzini, a tendinite é a inflamação dos tendões. Na época era apelidada de ‘doença dos escribas e notórios’. A conotação é um tanto classista, já que essa era uma atividade exclusiva dos mais abastados. Foi somente em 1920 que a tendinite desceu os escalões e adquiriu ares mais populares. Surgiram, então, registros das ‘doenças das tecelãs’ e, em 1965, ‘doença das lavadeiras’.

Tempos depois, a disseminação se deu com o surgimento do computador. Isso mesmo, no início da década de 80, quando as empresas passaram a adotar os micros e outros equipamentos tecnológicos, o problema tomou maior proporção e invadiu os escritórios.

Lesão democrática

Embora a tendinite seja associada ao trabalho com computadores, vários outros profissionais sofrem desse mal. Entre eles estão os pianistas, jogadores de vôlei, handebol e futebol, feirantes (que carregam caixas pesadas), estivadores, dançarinos e qualquer outro que trabalhe com movimentos repetitivos.

Porém, é preciso deixar claro que o fato de um profissional fazer um movimento repetitivo não significa que ele vá sofrer de tendinite. “Na realidade, ela surge de um movimento realizado de forma incorreta repetidas vezes”, esclarece a fisioterapeuta Rosane Cobra.

Outra questão que geralmente gera confusão é que a tendinite não é exclusiva dos tendões das mãos e dos calcanhares -- lembra do tendão de Aquiles? -- Esse tipo de LER (Lesões por Esforço Repetitivo) ou Dorts (Doenças ocupacionais relacionadas ao Trabalho) pode atingir qualquer parte do corpo que se dobre, ou seja, quase o corpo inteiro.

Prejuízo feminino

Para alívio dos homens, a tendinite ocorre com maior freqüência entre as mulheres. Segundo a fisioterapeuta Inês Milani, a causa está na composição orgânica feminina. “Elas têm estrutura osteomusculoligamentar diferente da masculina. São mais frágeis. Além da questão hormonal”, afirma. Antes, porém, de você sair por aí achando que está sofrendo desse mal, é preciso procurar um médico. A tendinite pode ser confundida inicialmente com artrite reumatóide, já que seus sintomas se assemelham. Portanto, é essencial um diagnóstico médico preciso. Entre os exames mais comuns estão raio-x, ultrassonografia e ressonância magnética.

Fases da tendinite
 

A lesão dos tendões apresenta uma evolução, e para cada etapa há sintomas diferentes. Veja quais são:

• GRAU 1: dor leve e uma pequena inflamação;
• GRAU 2: dores e inflamação mais intensas;
• GRAU 3: dores e inflamação mais intensas, falta de mobilidade, de força e de sensibilidade;
• GRAU 4: dores e inflamação mais intensas, falta de mobilidade, de força e de sensibilidade, e dores constante

 

Os sintomas mais comuns são dores localizadas durante a realização de um movimento, como subir ou descer escadas, caminhar, dobrar os joelhos, digitar, cortar um legume com faca ou qualquer outra atividade manual. No entanto, é preciso atentar para alguns detalhes, pois muitas vezes, por exemplo, a pessoa sente dor na mão, mas a inflamação ocorre na cervical. “É necessário perceber o movimento, a postura, a má utilização do corpo e identificar a origem da dor”, recomenda a fisioterapeuta Rosane Cobra.

Equipe multiprofissional

Curar a tendinite não é nenhuma missão árdua. Dependendo do grau de evolução, ela pode ser tratada com antiinflamatórios e imobilização do local, seguida de fisioterapia. De acordo com Rosane Cobra, uma boa dica quando a dor ainda é leve, é usar arnica - planta com propriedades medicinais usada como antiinflamatório - e gelo no local.

Já nos casos em que as dores são mais intensas, a fisioterapeuta Inês Milani indica tratamento com uma equipe multiprofissional, com médico, psicólogo, enfermeiro e fisioterapueta. Segundo ela, a utilização de uma equipe com vários profissionais ajuda no diagnóstico e no tratamento e já é uma prática comum no meio corporativo. “Quando um paciente sente dores muito fortes à noite, por exemplo, e acaba tendo insônia, é aconselhável que ele faça uso de antidepresssivos, desse modo é essencial que ele seja acompanhado por outros especialistas”, explica Inês.

Quanto às cirurgias de tendinite, elas são pouco recomendadas, somente em casos crônicos e quando há ruptura do tendão.

A LENDA
 

A mitologia grega conta que Aquiles, filho do rei Peleu e da rainha Tétis, tinha um único ponto vulnerável: o calcanhar. Para torná-lo imortal, a mãe o mergulhou nas águas do rio Estige, o qual tinha o poder de transformá-lo num ser invulnerável. O problema, porém, é que a rainha segurou-o pelo calcanhar e, justamente nessa parte, a água não o tocou, deixando um ponto fraco.

Durante a Guerra de Tróia, quando Aquiles já era considerado um herói, foi atingido por uma flecha no calcanhar, atirada por Páris, que acabou matando-o. Daí, surgiu a expressão ‘o tendão de Aquiles’, muito usada para apontar a fraqueza de uma pessoa.

 

Prevenir ainda é o melhor

Felizmente, a crença de que uma pessoa que trabalha com computador terá tendinite com o passar do tempo caiu por terra. Contudo, para que isso fique apenas no campo do imaginário coletivo, é necessário tomar algumas providências no dia-adia, seja em casa ou no trabalho.

Uma das recomendações é ficar atento à postura do corpo e tentar ao máximo sentar e caminhar de forma correta. Também não abuse da sorte deixando objetos longe de seu alcance, que exijam esforço do seu corpo para alcançá-los. Em casa, se for cortar legumes, por exemplo, tenha o cuidado ao utilizar a faca e com a postura durante o movimento.

A tendinite surge de um movimento realizado de forma incorreta repetidas vezes

Uma pausa ao longo de qualquer atividade é outra dica importante, pois evita os movimentos muito repetitivos. Segundo as fisioterapeutas Inês Milani e Rosane Cobra, o ideal é parar a cada 50 minutos, por cerca de 3 a 5 minutos e fazer movimentos circulatórios com as mãos, no caso de profissionais que trabalham com computador, e andar um pouco. Você pode aproveitar esses momentos para tomar um café com um colega de sala, por exemplo, e colocar a conversa em dia. Portanto, mexa-se, que é o melhor remédio. 



Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h14
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O NOVO NOME DO MAL:
 
"abaulamento retináculo carpal"
 
Leia mais:
 


Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h14
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MALDITOS BANCOS

Rentabilidade dos bancos aumenta na gestão Lula

Os bancos brasileiros com ações na Bolsa atingiram no primeiro trimestre deste ano a maior rentabilidade desde 1995, segundo pesquisa realizada pela consultoria Economatica.

Rentabilidade ou retorno é uma conta utilizada para definir quanto uma empresa ganhou em comparação com seu patrimônio líquido num determinado período. Para fazer isso, é só dividir o lucro líquido total da empresa pelo patrimônio líquido total que ela possuía na mesma época. O resultado, em percentual, será o retorno sobre o patrimônio líquido.

O estudo fez uma comparação do desempenho dos bancos nos períodos Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (de 2003 até o primeiro trimestre de 2008).

Os números consideram os resultados do primeiro trimestre de cada ano (com o lucro acumulado nos 12 meses anteriores) e o patrimônio médio dos dois anos anteriores.

A constatação foi de que, durante a gestão Lula, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) das instituições bancárias aumentou. Com exceção de 1995, em todos os anos do governo FHC o desempenho dos bancos foi inferior a qualquer momento da gestão atual.

No último ano da administração FHC (2002), a rentabilidade dos bancos foi de 10,09% no primeiro trimestre. No primeiro ano do governo Lula (2003), o primeiro trimestre já deu um salto de 51,5%, indo para 15,29%.

Agora o primeiro trimestre de 2008 atingiu a rentabilidade de 21,94%.

Nos Estados Unidos, o desempenho dos bancos iniciou em 2004 uma queda acelerada. O recuo se intensificou no primeiro trimestre deste ano, quando grandes instituições financeiras anunciaram novas perdas com a crise de crédito.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h11
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POEMINHA de 27.07.1996.
 
 
SONHEI COM UMA FOTOGRAFIA SUA
RASGADA À BEIRA DE UMA RODOVIA
 
Quase morto eu bebia seu espírito
Numa estrada sem fim
Em cima de uma ponte inacabada
Sobre um rio seco
Que rastejava para um leito doente
À procura de um oceano sedento
 
Qual seu plano?
 
Se afogar no meio do deserto?
Fechar os olhos e fingir que estou por perto?
Fotografar paredes vazias?
Cortar meu coração em fatias?
 
Vc não pode ter tudo o que quer.
Ninguém pode. Nem eu. Nem vc.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h10
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DE OLHO NO iPHONE

Os dados de crescimento dos acessos à internet via iPhone apurados pela Predicta, consultoria especializada no gerenciamento e otimização de estratégias de marketing digital, por meio da ferramenta WebAnalytics Atmosphere, apontam que o brasileiro não está disposto a esperar o gadget chegar ao Brasil.

Prova disso, é o resultado apurado entre os meses de março e abril, quando foram contabilizados mais de 330 mil pelo aparelho. Já o total de acessos via outros dispositivos móveis contabilizou mais de 600 mil nos meses de março e abril, crescimento de 46%.

Para chegar ao resultado, a ferramenta, que utiliza uma série de métricas de audiência, identifica o sistema operacional pelo qual o visitante está acessando os sites dos clientes da Predicta.

As expectativas para a internet como um todo são favoráveis. O número de brasileiros com acesso regular à internet deve triplicar até 2010, segundo dados divulgados recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
 
 A previsão é que o número de internautas no país passe dos atuais 60 milhões para pelo menos 150 milhões. Já de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil já conta mais de 125 milhões de aparelhos celulares, sendo que cerca de 70% desses modelos já permitem o acesso à internet.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 09h08
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REVISITANDO MY LAI
 
Vila sediou o maior massacre de civis
ocorrido durante a Guerra do Vietnã.

do
El País

"Ainda ouço com nitidez os gritos dos soldados que irromperam em minha casa naquela manhã. 'Tudi maus, tudi maus!' Não sei o que isso queria dizer. Nem sei se era inglês ou uma imitação de vietnamita, mas era o que gritavam enquanto apontavam para nós e faziam sinais para sairmos.
 
'Tudi maus, tudi maus!' Minha mãe me disse para fugir e me esconder. Minhas irmãs corriam atrás de mim seguidas pela minha mãe com meus dois irmãos pequenos; o menor, tinha dois anos. Quando íamos entrar no abrigo, nos metralharam. Seus corpos caíram sobre mim.

Estava aterrorizado e ferido. Não sabia se os corpos que se empilhavam sobre minhas costas estavam vivos ou mortos. Eu estava vivo e consciente. Não sei quanto tempo me mantive imóvel e calado. Desmaiei e acordei à tarde, quando os habitantes de outro povoado chegaram para ver o que havia acontecido e começaram a recolher os cadáveres.
"
 
David Brunnstrom/Reuters - 18.jul.2001  

Memorial erguido no local onde ocorreu o massacre de My Lai

 
Cong Pham Thanh tinha então onze anos, e ainda hoje vive entre os fantasmas dessa manhã aterrorizante de 16 de março de 1968. Ele é diretor do museu que foi construído no local da tragédia para que "ninguém volte a repetir uma barbárie semelhante". Ele diz que, todavia, os fantasmas só atormentam seus sonhos quando ele fala sobre o que aconteceu, quando se lembra e escuta eles gritarem 'tudi maus, tudi maus!' Então, na quietude da noite, aqueles três soldados - dois negros e um branco - retornam com seus vozeirões e o despertam.

No Ocidente o episódio é conhecido como o massacre de My Lai, e no Vietnã, como Son My, o nome do povoado a que pertenciam as quatro aldeias, entre elas My Lai, que serviram de cenário para a orgia matinal de sangue, vingança, ódio e violência celebrada pelos homens da Companhia Charlie, 1º Batalhão da 20ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos, dirigida pelo capitão Ernest Medina.
 
O tenente no comando da divisão que esteve mais envolvida na matança era William Calley. No total, 504 pessoas (segundo os vietnamitas), em sua grande maioria idosos, mulheres e crianças (cerca de 170), foram assassinadas a sangue frio em apenas quatro horas. Ron Haeberle, fotógrafo militar que acompanhava o pelotão, encarregou-se de imortalizar o horror.

Sobreviveram apenas umas vinte pessoas. As casas foram incendiadas, e as quatro aldeias, reduzidas a cinzas. Quando acabou a guerra, em 1975, alguns voltaram para recomeçar a vida na terra de seus ancestrais, situada a 13 quilômetros de Quang Ngai, capital da província de mesmo nome, no centro do país do sudeste asiático. Seis deles permanecem na comunidade rebatizada pela República Socialista do Vietnã como Tinh Khe.

Casado e com três filhos, Cong Pham diz que não sente mais raiva, apesar de ainda se perguntar: que dispositivo imoral e inumano acionou os soldados para agirem de forma tão selvagem contra crianças, bebês, mulheres e idosos? Os camponeses que o tiraram debaixo dos corpos de seus familiares o levaram a uma pequena clínica próxima e cuidaram dele durante os mais de três meses que suas feridas levaram para sarar. A raiva o consumia por dentro. "Eu queria matar os invasores porque eles tinham vindo me matar."

Aos 15 anos ele já havia se juntado aos Vietcongs, como os norte-americanos chamavam a guerrilha comunista com base no sul do país. O inimigo voltou a feri-lo em 1974. Seu pai, que na manhã da matança não estava em casa, enterrou a mulher e os filhos e o localizou somente semanas depois, quando ele já havia se juntado ao exército de libertação. "Os americanos mataram meu pai dois anos depois", disse, engolindo a amargura da solidão em que a guerra o lançou.

Obcecado com a expansão do comunismo na Ásia, e depois que a guerra da Coréia (1950-1953) terminou num empate, os Estados Unidos foram deslizando para o vespeiro do Vietnã até enredarem-se em sua mais vergonhosa aventura militar. Começaram no início dos anos 50 com o envio de militares e armas para apoiar as tropas francesas que lutavam para manter a colônia. Paris se retirou depois da derrota de Dien Bien Phu em 1954, e Washington foi ocupando o vazio de poder deixado pelos franceses, até que em 1965 aconteceu o primeiro desembarque de tropas de combate nas praias de Danang.

My Lai fica a cerca de 140 quilômetros ao sul dessa idílica praia de areias finas como o talco. Se em 1963, os Estados Unidos tinham 23 mil militares no Vietnã, três anos depois o número do efetivo havia crescido para 184 mil, e em 1968, no ano do massacre, tinham mais de meio milhão de soldados no país, que tem uma área parecida com a da Itália (326.797 quilômetros quadrados).

A única sobrevivente que voltou e reconstruiu sua antiga casa foi Ha Thi Quy, que hoje tem 83 anos. Apesar do trauma sofrido, as rugas profundas que sulcam seu rosto não conseguiram apagar um certo ar de inocência. Ela preparava o café da manhã quando sentiu os helicópteros se aproximarem. O marido e o filho mais velho fugiram imediatamente, mas foram vistos e feridos por balas vindas do alto.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h13
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"Eram muitos soldados, aproximaram-se da casa atirando nas galinhas e os patos. Matavam tudo o que viam. Sentimos um medo atroz. Eles nunca haviam se comportado assim. Vinham com freqüência para o povoado. Pediam água do poço e nos davam comida em troca. Não tínhamos medo deles, mas naquela manhã eles eram outros. Na casa, estávamos minha mãe, minha filha de 16 anos, meu filho de seis e eu, que estava grávida. Apontaram suas armas para nós e pediram que saíssemos e fôssemos até o açude. A uma vizinha bem mais velha, que não conseguia se mover de tanto medo, mataram ali mesmo. Havia muita gente no açude. Empurraram-nos para dentro dele a coronhadas. Juntávamos as mãos e implorávamos para que não nos matassem, mas eles começaram a disparar", contou, com a voz trêmula e gesticulando com as mãos.

Ha Thi sentiu como se as balas lhe mordessem nas costas e na perna, viu como elas arrancaram metade do rosto de sua filha, e então desmaiou. "O frio me devolveu a consciência", relata. "Meu filho pequeno jazia a meu lado. Vi umas crianças procurando suas mães e pedi que elas me ajudassem a sair daquela confusão de cadáveres. Não conseguia andar. Arrastei-me para chegar à minha casa e beber água porque estava com uma sede terrível. No caminho encontrei os corpos nus de muitas jovens. Eles as haviam violado e assassinado. Eu tinha a intenção de cobri-las quando eles chegaram com o helicóptero e aterrisaram".

Depois de safar-se da morte nessa indescritível carnificina, Ha Thi pensou que eles vinham novamente para matá-la. Tratou de arrastar-se o mais rápido que pôde e de se esconder, mas dois soldados a carregaram, em vôo, por debaixo dos braços, colocaram-na no helicóptero e levaram-na a um hospital. O médico retirou várias balas de sua perna, mas, para tirar a que estava nas costas, precisava operá-la, o que não fez para não prejudicar sua gravidez. A bala continua incrustada em seu corpo. Ela não se importa, porque seu filho nasceu meses depois sem problemas.

Ela deu a luz no acampamento de Tra Khuc, um dos inumeráveis campos onde o exército norte-americano mantinha escondidos os camponeses das áreas consideradas zonas de fogo, que eram alvo militar dos bombardeios norte-americanos e sobre as quais eles disparavam contra tudo o que se movia, porque estavam supostamente "infectadas" com vietcongs. Os helicópteros lançavam panfletos em que advertiam os habitantes para abandonarem suas terras se não quisessem ser bombardeados. A maioria obedecia. Cidades e aldeias ficaram vazias e milhões de sul-vietnamitas foram forçados a se instalar em acampamentos, nos quais viveram até o fim da guerra.

Quarenta anos depois de My Lai, Ha Thi atravessa um doce momento em sua vida. Há alguns anos, um compatriota do sul lhe deu o dinheiro para construir uma casa nova e maior. A antiga - um cômodo pequeno separado por um pátio da nova - agora faz as vezes de depósito de grãos. Ao lado deste, o filho menor construiu uma casa minúscula, e, em conseqüência, a casa de Ha Thi está sempre cheia de netos e até de bisnetos, já que o filho mais velho vive lá perto com a família. Além disso, há dois anos ela arrendou o terreno de 750 metros quadrados que o governo comunista lhe deu em 1977 para cultivar arroz.
 
"Na colheita passada [são duas por ano] fiquei com dez sacas. É muito para nós [ela vive com um neto de 15 anos desde que ele tinha 16 meses]. Vou vender uma parte agora porque o preço está muito alto", disse com um sorriso satisfeito.

As fotos de Haeberle cobrem as paredes do museu de My Lai. Ao sair do exército, 14 meses depois, o fotógrafo vendeu as 18 imagens do horror para a revista Life por 25 mil dólares. Sua publicação em novembro de 1969 teve um efeito devastador para a imagem dos Estados Unidos tanto dentro quanto fora do país. O governo norte-vietnamita pagou 11 mil dólares à Life por onze fotos em 1971, conforme explica a guia do museu, Tran Thi Thanh Huong.

Até então, a matança havia sido encoberta pelo Pentágono, cujas autoridades relataram, no informe oficial, que haviam ocorrido combates na área que resultaram na morte de "128 membros do Vietcong". Ninguém levou em consideração a denúncia apresentada por Hugh Thompson, piloto do helicóptero de reconhecimento que viu como o capitão Medina chutou e matou uma jovem vietnamita ferida, estendida no chão.

Thompson aterrissou seu helicóptero OH23 e enfrentou seus companheiros que ainda estavam em My Lai, evitando que eles continuassem a matança. O piloto e dois atiradores que o acompanhavam recolheram e levaram ao hospital do exército nove vietnamitas feridos, incluindo cinco crianças. Para isso tiveram de realizar várias viagens.

No magnífico livro "A Guerra do Vietnã", Christian G. Appy recolheu, entre muitas vozes de testemunhas, a de Larry Colbrun, um dos atiradores: "sobrevoamos uma vala em que haviam sido mortos mais de cem vietnamitas. [Glenn] Andreotta [o outro atirador, morto em combate uma semana depois] percebeu movimentos, então Thompson aterrissou novamente. Andreotta foi diretamente até a vala. Teve que caminhar entre cadáveres que chegavam à altura de sua cintura para resgatar um menino pequeno. Eu fiquei de pé, em campo aberto. Glenn se aproximou e me entregou o menino, mas a vala estava tão cheia de cadáveres e de sangue que ele não conseguia sair. Estendi o meu rifle para ele e o ajudei a sair".

Pham Thi Thuan, que então tinha 30 anos, também não conseguia sair do açude. Levava em seus braços sua filha de três anos - "quase asfixiada pelo peito que eu havia colocado em sua boca para que ela se calasse". Nenhuma das duas estava ferida. Os corpos de seus vizinhos as haviam salvado. Pham Thi, cujo marido havia morrido dois anos antes em um ataque das tropas invasoras, recorda o caos e a gritaria que tomou conta da aldeia quando os helicópteros começaram a jogar potes de fumo e disparar. Pegou sua filha e se escondeu num buraco que havia escavado em sua cabana como esconderijo. Mas isso de pouco lhe serviu. Teve que obedecer as ordens para ir até o açude.
 
"Depois de jogar a todos nós lá dentro com coronhadas, houve uma primeira rajada de disparos. Quando as metralhadoras calaram, algumas pessoas se levantaram. Vi meu pai. Quis dizer para que ele ficasse deitado, para que não se movesse, mas tive medo e me calei. Vi ele cair na segunda rajada, e depois disso ainda teve uma terceira. Continuei ali dobrada, apertando minha filha, que temia estivesse afogada. Depois de algum tempo, quando não se ouvia mais nada, fui afastando os corpos para poder sair. Duas mulheres que também saíram da vala foram vistas por soldados que ainda estavam por lá. Eles as perseguiram e as mataram. Não vieram atrás de nós duas."

O exército norte-americano pensava que My Lai era a base de abastecimento do 48º Batalhão do Vietcong. No ano anterior haviam sofrido grandes baixas nos combates nessa região, e dois dias antes uma bomba havia matado um sargento e deixado um soldado cego. Na tarde de 15 de março, quando o capitão Medina reuniu as tropas que iam participar da operação de "aniquilação" de My Lai, primeiro fez um minuto de silêncio pelo companheiro morto.

Vingança, medo, inexperiência e a exigência por parte do comando militar de contar o número de inimigos mortos para valorizar as vitórias talvez tenham se somado à selvageria e humor negro reinante na Companhia Charlie, cujo tenente Calley havia sido visto naquela manhã em My Lai com as calças arriadas e apontando uma arma para a cabeça de uma jovem que tinha os joelhos à sua frente.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h10
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Os soldados entenderam que tinham ordens para ficarem calados, já que oficiais como o coronel Oran Henderson haviam sobrevoado a zona a baixa altitude e visto dos helicópteros os cadáveres dos civis. Pediram a Henderson nessa mesma tarde para investigar o que havia acontecido e ele se limitou a perguntar aos soldados se eles haviam participado de alguma matança indiscriminada. "Não, senhor", respondeu a maioria. Algum se atreveu a responder um "sem comentários". Dias depois, Henderson informou por escrito que uma centena de civis haviam sido mortos de forma "inadvertida".

O odor putrefato que se desprendia de My Lai chamou a atenção de um dos quase 500 jornalistas que reportavam ao mundo in loco sobre a guerra do Vietnã. Seymour Hersh, que trabalhava por conta própria, entrevistou vários soldados que chegaram a acusar o tenente Calley do assassinato de 109 civis. Hersh também entrevistou Calley e escreveu três artigos sobre My Lai que enviou à grande imprensa. Nenhum veículo se interessou.

Finalmente conseguiu vender os artigos à Dispatch, uma pequena agência que tinha 36 jornais como clientes. Em 13 de novembro, todos eles publicaram o primeiro artigo. O escândalo estava servido. Antes do final do mês as outras matérias e uma nova reportagem haviam sido publicadas. Além disso, a revista Life publicou as fotos de Haeberle.

Truong Thi Le, de 80 anos, ainda lamenta ter recomendado à sua filha de 17 anos que se escondesse entre os idosos reunidos próximo da torre de vigilância das quatro aldeias.

"Tive medo que quisessem estuprá-la. Pensei que estaria mais segura se passasse despercebida. Estávamos aterrorizados. Havíamos visto um soldado colocar um velho na boca do poço de minha casa e atirar nele para que caísse lá dentro. Nos escondemos debaixo da cozinha, mas os americanos nos viram e disseram para irmos à torre de vigilância. Eu agarrava meu filho de cinco anos. Quando se descuidaram, nos escondemos debaixo da palha de arroz, que estava amontoada lá perto porque havíamos acabado de fazer a colheita. Minha filha, entretanto, ficou entre o grupo, que foi todo morto por uma arma com um cano muito largo."

A estrutura da antiga casa de Truong Thi, que havia ficado viúva dois anos antes, foi reconstruída e faz parte, juntamente com o açude e os alicerces de outras dezenas de casas, do parque memorial que se juntou ao museu nos últimos anos. Muitos de seus atuais visitantes são norte-americanos. "Estou orgulhoso de representar os mortos", diz o diretor, que confessa que não gosta de ver os veteranos do exército inimigo.

Depois de 2.590.000 soldados dos EUA terem passado pelo Vietnã, o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, em 1999, levou muitos veteranos a visitarem em estado de paz o que eles viveram na guerra. Entre eles está o atual candidato republicano à presidência, John McCain, que voltou em 2000 para visitar a prisão de Hoa Lo.
 
Nesse antigo cárcere construído pelos franceses ao final do século 19, e no qual foram presos muitos nacionalistas, estiveram encarcerados os 591 americanos capturados na guerra. A maioria era de pilotos, como McCain. A prisão, situada no centro de Hanoi, agora é um museu. Entre as fotos expostas, uma mostra o resgate de McCain por civis e soldados. Ele havia caído no lago Truc Bach, em 26 de outubro de 1967. Outra foto, colorida, mostra sua visita recente.

O primeiro trimestre de 1968 foi muito difícil para os Estados Unidos. Tão difícil que levou ao ponto de inversão da guerra. Para Washington, foram meses muito penosos. Primeiro, por causa do grande número de baixas; segundo, porque perdeu o apoio massivo de seus cidadãos à guerra, e terceiro, porque William Westmoreland, comandante em exercício das tropas americanas no Vietnã, disse em novembro de 1967, que o princípio do fim da guerra estava próximo. Não sabia que o inimigo havia começado a preparar a ofensiva Tet.

Em 31 de janeiro de 1968, durante a celebração do Tet - o ano novo lunar -, uma nova operação conjunta do exército norte-vietnamita e da Frente Nacional de Libertação (o Vietcong) atacou de surpresa mais de uma centena de cidades por todo o Vietnã do Sul. Foi uma ação perfeitamente sincronizada da qual participaram cerca de 80 mil homens. A ousadia dos atacantes foi tanta que penetraram no centro nevrálgico do inimigo: a embaixada dos Estados Unidos em Saigon. Sua fúria forçou combates corpo a corpo para defender o território conquistado, como na cidade de Hue, o que ocasionou numerosas baixas. Houve mais de 2 mil mortos entre os americanos e 4 mil do Exército do Sul, e os comunistas perderam quase 50 mil homens.

Hanói, contudo, não conseguiu o levante geral da população que esperava que sua ofensiva desencadeasse, e em poucos dias seus guerrilheiros foram expulsos novamente para a selva. A contra-ofensiva norte-americana desatou bombardeios massivos. Militarmente, o Tet foi uma batalha perdida pelos norte-vietnamitas, ainda que sua conseqüência final tenha sido a vitória da guerra por Hanói. A opinião pública norte-americana se opôs radicalmente à guerra mais cruel que haviam visto contra a população civil.
 
Westmoreland não conseguiu os 200 mil soldados a mais que havia pedido para acabar a guerra e foi transferido para Washington. O presidente Lyndon Johnson não se candidatou à reeleição. Em maio, tiveram início as negociações de paz e o senador Robert Kennedy tornou-se o grande favorito para a candidatura democrata à presidência, com uma campanha contra a guerra, mas foi assassinado em 5 de junho de 1968 no hotel Ambassador de Los Angeles quando pronunciava o discurso de celebração de sua vitória nas cruciais primárias da Califórnia.

Enquanto isso, o segredo de My Lai atormentava tanto o soldado Ronald Ridenhour, que em março de 1969 ele escreveu uma carta ao presidente Richard Nixon, ao chefe do Pentágono, ao secretário de Estado, aos chefes do Estado Maior e a numerosos congressistas, em que delatou os acontecimentos. Apesar de não revelar o fato ao público, o Congresso iniciou uma investigação.

Pham Dat, de 80 anos, recorda que os helicópteros levaram o telhado de sua casa. A memória lhe falha às vezes, mas pouco a pouco dá alguma coesão ao relato de sua história. "Os soldados, que haviam matado minhas quatro vacas, entraram em casa disparando. Em um instante assassinaram os 11 membros de minha família: minha mulher e meu filho de sete meses que estava em seus braços, minha mãe, minha irmã, cunhadas e sobrinhos. Atiraram em meus pés. Meu filho de quatro anos e minhas duas filhas de sete e nove ficaram feridos nas pernas".

Quando os soldados se foram, Pham se escondeu com as três crianças atrás da porta e se cobriram com uma esteira. Depois entraram numa espécie de esconderijo subterrâneo que havia fora da casa. Pham diz que "pouco depois os soldados voltaram e usaram a palha de arroz para atear fogo em tudo".

A investigação do extermínio de My Lai promovida pelo Congresso teve como única conseqüência a detenção do tenente Calley, que foi acusado do assassinato premeditado de pelo menos 22 civis. O tribunal o condenou à prisão perpétua, mas logo sua pena foi reduzida, e por fim ele só cumpriu prisão domiciliar por três anos e meio.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h09
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Presidente sai em defesa do etanol

O Brasil empreendeu uma cruzada. Na linha de frente, galvanizando suas tropas, está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao seu lado, flutuando no vento, está a bandeira orgulhosamente levantada de uma nova grande causa nacional: a do etanol. Todos os dias, ou quase, Lula sobe até o front para travar combate. Ele defende com ardor o seu biocombustível predileto, cuja produção, que aumentou de maneira espetacular, representa há trinta anos um eixo fundamental da política energética do Brasil.

Rafael Andrade - 27.out.2007 / Arquivo Folha Imagem  
Lula levanta amostras de sementes em centro de pesquisas no Rio

Esta cruzada, em primeiro lugar, constitui um contra-ataque. A crise mundial dos alimentos está conduzindo o Brasil, que é o segundo maior produtor mundial de etanol (à base de cana-de-açúcar), a ocupar o banco dos réus, ao lado dos Estados Unidos, o maior produtor de agrocombustíveis (à base de milho). A fabricação de etanol, afirmam os seus detratores, acarreta numa redução das superfícies alocadas para as culturas de gêneros alimentícios e, com isso, contribui, ao menos parcialmente, para o aumento dos preços dos produtos agrícolas.

Dominique Strauss-Kahn, diretor geral do FMI, estima que os biocombustíveis representem um "verdadeiro problema moral". O ex-relator especial da ONU para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler, que no caso parece um tanto exagerado nas suas declarações, os considera como responsáveis por um possível "crime contra a humanidade". Por sua vez, o presidente francês Nicolas Sarkozy fustiga o "dumping fiscal sem precedente" que vem sendo praticado por Brasil e Estados Unidos para estimular a expansão "de certos biocombustíveis".

Esta avalanche de críticas pegou o Brasil de surpresa. Até ainda recentemente, o mundo, e, em primeiro lugar, a Europa, rasgava elogios para o país, por ele ter atuado como pioneiro ao optar por desenvolver maciçamente uma fonte de energia "limpa" que gera quantidades cinco vezes menores de gases de efeito-estufa do que o petróleo. Hoje, muitos colocam em dúvida a conveniência ecológica e ética desta escolha. Pior ainda, estariam prestes a condenar o Brasil por ser um "esfomeador" de populações.

Decidido a encarar de frente aquilo que ele considera como uma campanha de desinformação, o Brasil se posiciona como uma vítima colateral das queixas, segundo ele legítimas, que têm sido dirigidas aos Estados Unidos. Ele opera uma distinção, chegando até mesmo a colocá-los em oposição, entre o "bom" etanol -o dele- e o "mau" -o americano. O primeiro é o único a ser mais barato de fabricar do que a gasolina. Um hectare de cana produz mais que o dobro de etanol de um hectare de milho. A cultura e a transformação do milho consomem sete vezes mais energia do que as da cana.

Sobretudo, a cana-de-açúcar, diferentemente do milho, não é uma fonte de alimentação nobre. A sua transformação não desfalca a humanidade de um alimento potencial. O Brasil orgulha-se de ter feito progredir, paralelamente, as suas culturas de cereais e de cana, esta última ocupando hoje 12% das superfícies cultivadas. "Nós abastecemos sem problema tanto os estômagos quanto os reservatórios dos carros", resume Lula. A cultura da cana, em sua maior parte, ocupou espaços que até então eram de pastagens abandonadas. Conclusão do presidente brasileiro: acusar o etanol de ameaçar a segurança alimentícia é "uma mentira deslavada".

Frente ao "bombardeio" que alveja o seu país, Lula contra-ataca questionando os argumentos que têm sido admitidos por uma grande maioria. Se os preços estão explodindo, é porque, muito além dos revertérios climáticos, e não raro por causa deles, o consumo está aumentando além do que se poderia esperar, e porque a demanda vem alcançando e até mesmo ultrapassando a oferta: "Há muito mais gente em todo o mundo que se alimenta três vezes ao dia. Os chineses comem mais, os indianos comem mais, os brasileiros comem mais, e as pessoas vivem por mais tempo".

Os alimentos também estão mais caros porque o aumento dos preços do petróleo encarecem o transporte dos gêneros alimentícios e o custo dos adubos. Eles também estão mais caros por causa da crise imobiliária e financeira, que incita os especuladores a aplicarem seus fundos num mercado agrícola promissor.

Mas o contra-ataque do Brasil não se limita a estes argumentos. Ele também condena o protecionismo dos países ricos, e as suas duas ferramentas privilegiadas: as subvenções agrícolas, que protegem os fazendeiros e satisfazem os consumidores locais, mas desestimulam os produtores dos países pobres; e os direitos alfandegários, que pesam sobre os produtos vindos do Sul. Estes mecanismos dizem respeito ao etanol em primeiro lugar, uma vez que a Europa lhe impõe uma taxa de 60%.

O Brasil, que, apresar de tudo, já vende para os europeus 30% do etanol que eles consomem, denuncia "esta taxa absurda" e, desde outubro de 2007, vem negociando com a União Européia no sentido de reduzi-la. Até o momento, sem qualquer resultado. Sem se fazer de rogado para condenar o "lobby petroleiro", ele critica também os Estados Unidos por estes não comprarem o seu etanol.

O protecionismo dos países ricos

O interesse do Brasil pela Europa aumentou drasticamente desde que esta tomou a decisão de que os biocombustíveis, e principalmente o etanol e o biodiesel, deveriam, até 2020, entrar na composição, numa proporção de 10% -contra 2% atualmente- do líquido consumido pelos seus veículos. Isso representará um mercado anual de cerca de 20 bilhões de litros, do qual o Brasil, o maior exportador mundial, espera abocanhar uma boa fatia.

Assim, tanto neste campo como em outros, o Brasil pensa ter um compromisso com a História. "Todo mundo sabe", observa Lula, "que o nosso país será um concorrente imbatível, porque nós temos a terra, a água, os conhecimentos, a tecnologia e trinta anos de experiência".

Esta confiança no futuro autoriza o presidente a adotar um tom mais glorioso: "O Brasil não é mais um figurante. Ele é um artista de primeiro plano". Ou ainda, incentiva Lula a lançar mão de ironia para fustigar aqueles que criticam o etanol: "Daqui a pouco, eles vão dizer que a carne da nossa pecuária não é boa e que o café do Brasil é de má qualidade".

Contudo, o etanol não apresenta apenas virtudes. A cana-de-açúcar precisa de bastante água para crescer. A sua cultura, rentável, conduz os camponeses a abandonarem outros tipos de cultura. Da mesma forma que toda monocultura, ela desgasta os solos. Ela intensifica a especulação e a concentração das terras nas mãos de poucos proprietários.

Os brasileiros rebatem que a cana, uma cultura semi-permanente, coabita em parte com produtos alimentícios tais como a soja, o amendoim e o feijão. Eles lembram que o etanol enriqueceu as campanhas, criou um milhão de empregos e deteve o êxodo rural.

As companhias petroleiras européias e americanas, por sua vez, estão apostando no etanol brasileiro. A BP (British Petroleum, britânica) acaba de anunciar a sua decisão de efetuar importantes investimentos no setor. No sentido inverso, a maior companhia açucareira brasileira, a Cosan, comprou a filial local da distribuidora de combustíveis Esso. Com isso, ela passa a controlar toda a cadeia de produção do etanol, da plantação até os automóveis.

Cerca de 90% dos carros novos comercializados no Brasil funcionam com etanol ou com gasolina, e até mesmo com os dois alternadamente, mas, pela primeira vez, em abril, o primeiro foi mais consumido do que a segunda. O Brasil está esperando que outros grandes países emergentes, tais como a China ou a Índia, imitem as suas opções energéticas.

No dia em que isso acontecer -um dia, sem dúvida, ainda longínquo- o etanol será uma "commodity" cotada em Bolsa num mercado global, do qual o Brasil está decidido a se tornar o líder inconteste.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h36
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NEGOCIE O SEU SALÁRIO

O segredo é agir de maneira planejada antes de falar com o seu chefe... e levar alguns bons argumentos na manga

Querer aumento, todo mundo quer. Mas há uma fórmula para consegui-lo? Resposta: sim. Existem alguns passos que podem deixar a promoção salarial mais perto de você. Primeiro: antes de bater na porta do chefe para negociar uns reais a mais no fim do mês, melhor avaliar sua postura profissional.
 
Analise se está comprometido com a empresa, cumpre seu trabalho com eficiência e está pronta para novos desafios. Ah, e deixe isso claro no dia-a-dia. Dessa forma, as chances de seu superior refletir sobre o pedido crescem bastante”, recomenda Mário Fagundes, coordenador de remuneração do Grupo Catho, de recrutamento e seleção, de São Paulo.
 

Testes:


Augusto Costa, diretor-geral da Manpower/Brasil, também de recrutamento e seleção, de São Paulo, complementa: “Avalie sua carreira a longo prazo. Invista em si mesma, em aperfeiçoamento profissional constantemente”. Se você já cumpre todos esses requisitos, então é hora de conversar com o superior. Veja como munir-se de argumentos e boa sorte:

1. Construa uma imagem positiva de você na firma. Ser lembrada como quem resolve problemas e dá conta do recado é sempre bom! Afinal, ninguém briga para ser o reserva, mas, sim, o titular da equipe.

2. Não descuide do básico: assiduidade, pontualidade, competência, qualificação, profissionalismo, bom relacionamento interpessoal e respeito aos colegas – sejam eles seus superiores ou não! – são necessários em todas as ocasiões.

3. Faça cursos constantemente. Recicle-se e aprimore-se sempre.

4. Procure saber se a companhia tem uma política de planos de cargos e salários, como funciona exatamente e se há uma forma de se beneficiar dela.
 
5. Escolha um momento oportuno para efetuar o pedido e negociar. Se a companhia passa por uma época de crise, por exemplo, não gaste cartucho à toa. Espere uma oportunidade melhor!
 
6. Quando for conversar, mostre conhecer a empresa na qual trabalha. Não importa o cargo: recepcionista, secretária, administradora ou arquiteta – revelar familiaridade com os assuntos ligados à ela denota comprometimento!
 
7. Para ter embasamento na argumentação com a chefia, tenha em mãos a média salarial de seu cargo. Realize uma boa pesquisa de mercado, recorrendo ao sindicato de sua categoria ou a anúncios em publicações e na internet. Se sua remuneração for menor, use essa informação a seu favor no bate-papo.
 
8. Peça um aumento um pouco superior ao pretendido. Na negociação, você pode perder um pouco e, ainda assim, sair com o valor que realmente ambicionava.
 
9. Durante a reunião, exale entusiasmo e confiança por todos os poros. Nada de se fazer de vítima, de coitadinha. Isso não a tornará merecedora de aumento e, sim, suas competências e qualificações.
 
10. Mesmo se a resposta não for satisfatória, não desanime. A promoção ou o salário maior pode estar mais à frente. Não desista na primeira negativa. Argumente, debata, tente de novo.
 
11. E se depois de lançar mão de todos os seus recursos para mostrar como merece essa oportunidade ainda não obtiver nem um centavo a mais nos rendimentos, discuta sobre vantagens como plano de saúde e odontológico, subsídio de cursos de idiomas ou de especialização e participação nos lucros e resultados.

Com a recusa, só terá dois caminhos: aceitar o “não” e esperar uma outra chance ou procurar uma recolocação, mais de acordo com suas pretensões salariais. Mas lembre-se: não troque o certo pelo duvidoso. Analise bem se a mudança vale a pena antes de tomar qualquer atitude precipitada e se prejudicar.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h36
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LINHA DE FRENTE

Brasil chega à 'linha de frente' dos emergentes

Uma reportagem do jornal americano "Wall Street Journal" publicada nesta terça-feira afirma que o Brasil "se juntou à linha de frente das novas potências econômicas", alcançando Rússia, Índia e China.

A reportagem, assinada pelo repórter Matt Moffett, de São Paulo, afirma que o Brasil "está colocando o 'B' em Bric", em referência ao acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China, usado para designar as potências emergentes.

"Por muito tempo nesta década, o lento Brasil parecia fora da sua liga, jogado no mesmo bojo das economias emergentes dinâmicas da Rússia, Índia e China, no chamado grupo Bric. Céticos diziam que RIC seria mais correto", afirma o texto.

"Mas lentamente e sem grande estardalhaço, a economia do Brasil dobrou uma grande esquina. Já uma grande potência na agricultura e em recursos naturais, o Brasil adicionou um ingrediente chave que muito tempo lhe faltou: uma moeda com poder de permanência."

O repórter afirma que a moeda estável ajudou o país a desencadear o maior movimento de prosperidade no país das últimas três décadas, atraindo investidores estrangeiros em grande número.

O "Wall Street Journal" destaca que o Brasil deve alcançar um crescimento de 5% pelo segundo ano consecutivo, um índice muito distante da China, mas impressionante para um país que "parecia na beira de uma moratória em massa de dívidas em 2002".

"O Brasil não tem a poupança e os níveis de investimento da China e da Índia. Mas o Brasil atingiu um estado mais maduro de desenvolvimento do que a China e a Índia, com uma população urbanizada maior e uma riqueza per capita mais alta - então é simplesmente menos provável que ele dê grandes saltos hoje em dia."


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h36
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TRANSA BEM CALCULADA

Um Casal de contadores chega ao consultório de um terapeuta sexual.

O médico pergunta: - O que posso fazer por vocês?

O rapaz responde: - Você poderia ver a gente transando!

O médico olha espantado, mas concorda.

Quando a transa termina, o médico diz:

- Não há nada de errado na Maneira com o vocês fazem sexo.

E então, cobra R$ 70,00 pela consulta.

Isto se repete por várias semanas! O casal marca horário, faz sexo sem nenhum problema, paga o médico e deixa o consultório.

Finalmente o médico resolve perguntar:

- Afinal, o que vocês estão Tentando descobrir?

E o rapaz respondendo, diz:

- Nada.O problema é que ela é casada e eu não posso ir à casa dela. Eu também sou casado e ela não pode ir até minha casa. No Motel Dallas, um quarto custa R$ 140,00. No Forest Hills custa R$120,00. Aqui nós transamos por R$ 70, 00, tenho acompanhamento médico, descolo um atestado, sou reembolsado em R$ 42,00 pela UNIMED e ainda consigo uma restituição do IR de R$ 19,20. Tudo calculado o custo é só de R$8,80.

E VIVA A CONTABILIDADE!!


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h35
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Editora Abrams relança M, de Jon J. Muth
 
M

 A editora Abrams lançou este mês uma edição em capa dura de M, obra de Fritz Lang adaptada para os quadrinhos por Jon J. Muth.

M, o filme, conhecido no Brasil como M - O Vampiro de Dusseldorf é a obra-prima de Fritz Lang, e foi produzida em 1931. Foi o primeiro filme falado de Lang, e lançou alguns recursos narrativos, incluindo um uso diferente para a trilha sonora (que incluía a música In the Hall of the Mountain King, de Edvard Grieg). Também é o primeiro papel importante de Peter Lorre.

A adaptação para aos quadrinhos foi lançada em 1990, pela Eclipse Comics, numa minissérie de quatro partes em formato prestige (lombada quadrada, 48 páginas). A belíssima arte pintada de Jon J. Muth foi anunciada na época como uma mudança de técnica para o artista, que estava experimentando um novo estilo.

O primeiro volume incluía um flexidisc com a banda de Muth interpretando In the Hall of the Mountain King. A quarta edição só foi lançada em 1992.

M, o personagem central da história, é um assassino pedófilo que cantarola a música tema do filme e seduz criancinhas com doces e balões.

A edição da Abrams tem 192 páginas e traz uma introdução de Adam Kempenaar. O volume custa 24,95 dólares.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h52
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DIÁLOGO DO DIA
 
Ganesha diz:

Cara, eu tomar vacina contra gripe *de grátis* hoje no Tribunal

Ganesha diz:

meu braço ainda está doendo...

Ganesha diz:

        :- (

Luiz Meneses diz:

Rapaz, é bom tomar logo mesmo...

Luiz Meneses diz:

Pq uma injeção dessa custa uns 60 real...

Ganesha diz:

QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANTO?

Ganesha diz:

Se eu soubesse tinha tomado logo DUAS! :- P



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h51
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CÂMBIO E TURISMO

Compra de dólar para as férias deve ser feita agora

Comprar agora ou esperar mais alguns dias? Não é possível afirmar com certeza qual será a cotação do dólar em determinada data e, por isso, fica a dúvida ao turista sobre quando adquirir a moeda para viajar para o exterior nas próximas férias de julho.

De acordo com o professor de economia internacional e empresarial da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Nassif, o momento é agora. "O turista deve adquirir imediatamente, porque ele estará pagando muito barato pelo dólar", diz.

Nassif afirma que especialistas já apostavam em uma cotação atual de R$ 2 o dólar. "Entre R$ 1,65 e R$ 1,70 já está bastante barato e as altas que acontecem são marginais". Sobre o cenário futuro, ele disse não haver nenhuma perspectiva imediata de desvalorização do Real.

Compras no exterior

A oscilação do dólar também precisa ser considerada quando o assunto é a forma de pagamento das compras no exterior. Quando levado em conta o cartão de crédito, é preciso ter em mente que o valor cobrado do dólar é o fixado no momento de emissão da fatura, e não da compra.

"Particularmente, nunca indico a compra com cartão de crédito, só quando for essencial", diz o presidente da EFC - Engenheiros Financeiros e Consultores, Carlos Daniel Coradi.

Dividindo a mesma opinião de Coradi, o professor da FGV afirma que a melhor forma de comprar no exterior é com travel check, levando um pouco da moeda em espécie.

Aumento de demanda

Quando questionado sobre uma possível alta do dólar frente ao crescimento da demanda pela moeda para viagem, o presidente da EFC disse não ser relevante a valorização. "Essa busca de dólar para viagens não vai fazer ele pular de R$ 1,68 para R$ 2,00. Será para, por exemplo, R$ 1,72, é uma diferença muito pequena".

Ele também afirma que o dólar está barato. "Em 1994, quando foi lançado o Plano Real, estipulou-se que um real era igual a um dólar. Se pegar esse valor e colocar a inflação, teríamos um dólar como cerca de R$ 4. Por enquanto, o Brasil está com um dólar barato", diz Coradi.

Para se ter uma idéia, na quinta-feira passada (8), o dólar comercial sofreu alta de 0,36%, sendo cotado a R$ 1,6920 na compra. Cinco dias depois, nesta segunda-feira (12), ele já abriu cotado em baixa de 0,30% frente ao fechamento anterior, a R$ 1,6790 na compra.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h50
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Escolha as cidades do jogo Banco Imobiliário

O jogo de tabuleiro Banco Imobiliário, da Brinquedos Estrela, ganhará uma versão que terá pontos turísticos de todo o País e os consumidores terão a oportunidade inédita de ajudar a empresa a escolher quais localidades farão parte desta corrida pela fortuna em imóveis. 

Através de um concurso pelo site da Estrela, os internautas poderão votar em 22 dos 66 mais populares pontos turísticos brasileiros. Uma vez definidos os pontos, o jogo trará avenidas, ruas e bairros conhecidos de paulistanos e cariocas no tabuleiro.

Conhecendo o Brasil

O Banco Imobiliário é um fenômeno. É líder em jogos cartonados no Brasil tendo vendido cerca de 20 milhões de unidades. Só em 2007, foram comercializadas aproximadamente 500 mil unidades, um crescimento de 15% com relação ao ano anterior.

“O jogo é sucesso no Brasil inteiro. As crianças que moram fora das capitais São Paulo e Rio de Janeiro muitas vezes não conhecem os locais que figuram no tabuleiro. Os pontos turísticos que escolhemos agora são referências bastante fortes. Todo mundo sabe das Cataratas do Iguaçu, mesmo que nunca tenha visitado o Paraná, por exemplo”, revela Aires leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela.

As votações vão até 31 de maio. Os internautas podem votar quantas vezes quiserem em seus favoritos. O novo Banco Imobiliário Brasil chegará às lojas em junho.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h50
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FAMÍLIA FELIZ
 
Casal vai adotar garota órfã:

Pai: Alexandre Nardoni

Mãe: Ana Carolina Jatobá

Garota Órfã: Suzane Richthofen
 



Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h14
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FRASE DO DIA:
 
"O tempo é o senhor da razão... e do veneno".
 
Provérbio popular


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h14
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A conta-salário foi criada em 2000. Atualmente, o patrão negocia com o banco como será o pagamento – se em conta salário ou conta corrente comum – e o funcionário é obrigado a seguir a determinação, sem poder negociar serviços e tarifas.

Aquelas vantagens todas que você teria como correntista, hoje quem tem é a própria empresa, que negocia sua folha de pagamento com o banco”, reconhece Jorge Higashino, superintendente de projetos especiais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Com as regras,estabelecidas pela Resolução 3402 do Conselho Monetário Nacional (CMN), o vencimento será obrigatoriamente depositado numa conta-salário, em banco escolhido pelo patrão. E o trabalhador poderá resgatar ou mesmo transferir o dinheiro para o banco de sua escolha, sem custos.

Isso é bastante importante, atende ao princípio básico da livre escolha. O trabalhador não fica mais vinculado ao banco que o patrão negociou”, avalia Higashino. “Pode escolher o  que presta um serviço melhor, tem melhores tarifas ou tem uma rede que atende às suas necessidades”.

O trabalhador pode, ainda, optar por não abrir conta corrente em banco algum e simplesmente sacar o dinheiro da conta-salário, sem nenhum custo.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h09
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Brasil

DIREITO

Abertura de conta-salário é obrigação dos bancos

Agência Brasil

O trabalhador não precisa tomar nenhuma providência para abrir uma conta-salário. A iniciativa cabe aos bancos, que têm obrigação de realizar o procedimento e comunicar aos clientes a abertura da chamada conta de registro. A informação é do Banco Central.

A nova conta-salário entrou em vigor segunda-feira (2). Nesse primeiro momento, só terão direito ao benefício de receber seu pagamento onde quiser, sem pagar nada por isso, os funcionários de empresas privadas que tenham negociado a folha de pagamento com o banco depois de 5 de setembro de 2006. Não importa a data de contratação do trabalhador.

Quem quiser saber se já tem direito à conta-salário deve procurar o departamento de recursos humanos de sua empresa e verificar a data do contrato com a instituição financeira. Se for posterior a 5 de setembro e o banco não comunicar a abertura de conta-salário até a data do pagamento de abril, o trabalhador deve encaminhar queixa ao Banco Central, por meio do telefone 0800 9792345.

Os bancos que não cumprirem a determinação (prevista na Resolução 3402 do Conselho Monetário Nacional) estão sujeitos a processo administrativo que pode resultar em três tipos de punição: 1- advertência, 2- multa de até R$ 100 mil e 3- desabilitação do diretor da instituição para trabalhar no sistema financeiro.

De acordo com o BC, a partir do momento de abertura da conta-salário o cliente tem três opções:

A primeira é deixar tudo como está - a remuneração será automaticamente transferida para a conta corrente atual do trabalhador. Outra alternativa é abrir conta corrente em outra instituição. Nesse caso, a decisão deve ser comunicada por escrito ao banco atual, que deverá transferir o salário automaticamente. Por fim, é possível trabalhar apenas com a conta-salário.

Esse tipo de conta não tem taxa de manutenção nem de emissão de cartão de débito. Débitos automáticos podem ser programados normalmente. No entanto, há certas limitações. O cliente não tem direito a talão de cheque e não pode receber outros depósitos além do salário.

Além disso, são autorizados apenas cinco saques por mês e dois extratos sem cobrança de tarifa. Para transferir o valor total, de uma única vez, para outra conta, não há cobrança de DOC ou TED. No caso de transferências parciais - mesmo que para uma única conta -, as taxas incidem normalmente a partir da segunda.

No caso de empresas que tenham fechado contratos com banco para pagamento da folha antes de 5 de setembro de 2006, os trabalhadores só terão direito à conta-salário a partir 2 de janeiro de 2009. Os prazos são diferentes para servidores públicos. Confira.

O Procon orienta os trabalhadores a negociar serviços e tarifas que melhor se adaptem às suas necessidades.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h09
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DOR DE CORNO
 
Mulher é condenada a pagar indenização a ex-marido traído

A 1ª Turma Recursal do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) condenou uma professora a pagar R$ 7.000 de indenização por danos morais ao ex-marido. Ela foi flagrada tendo relações sexuais com outro homem, na residência e na cama do casal. Não cabe mais recurso da decisão.

A Turma Recursal reformou sentença do juiz do 1º Juizado Especial Cível de Planaltina e reduziu a indenização, inicialmente fixada em R$ 14 mil.

O autor da ação impetrou o pedido de indenização após a homologação da separação litigiosa pela vara de família competente. Na época do litígio, ficou comprovada a culpa da esposa que, segundo a sentença homologatória, “incorreu em quebra do dever de fidelidade, previsto no artigo 1.566 do Código Civil”.

Insatisfeita com a condenação, a mulher entrou com recurso na 1ª Turma Recursal, alegando a incompetência do juizado para julgar o pedido, o fato de já ter sido apenada com a perda do direito à pensão alimentícia à época da separação e não possuir condições financeiras para arcar com o exagerado valor estabelecido pelo juiz a título de indenização.

Em resposta à contestação, os julgadores do recurso foram unânimes em confirmar tanto a competência do juizado para julgar o pedido quanto o dever de indenizar da ex-esposa. No entanto, por maioria de votos, decidiram que o valor determinado pelo juiz deveria ser reduzido, por conta da condição financeira da ré, que é professora contratada.

Segundo o acórdão da Turma, “a possibilidade de haver indenização deriva de mandamento constitucional que diz ser inviolável a honra das pessoas, sendo assegurado o direito à indenização pelo dano moral decorrente de sua violação (Artigo 5º,X, CF)".

Para o relator do recurso, “o caso em questão não versa sobre uma mera negligência da relação de casamento que poderia ficar limitada à vara de família, mas sim a uma situação fática que colocou o autor da ação em uma delicada situação de exposição.

Ainda de acordo com o voto do relator, “a infidelidade sozinha não gera nenhuma causa de indenizar, pois pode ser tratada como um vexame pessoal que, quando muito, provoca o desencanto no final de um relacionamento amoroso. Todavia, por exceção, como nesse caso concreto, quando a situação adúltera causa grave humilhação e exposição do outro cônjuge, aí sim, a responsabilidade civil tem vez.”

Desde março de 2005, a Lei 11.106 alterou diversos dispositivos do Código Penal Brasileiro. Dentre as mudanças, houve a descriminalização do adultério, antes considerado crime com previsão de pena de 15 dias a seis meses de detenção.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 08h08
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Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h35
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Aumento da Selic motiva captação negativa da poupança

No mês de abril deste ano, pela primeira vez desde agosto de 2006, o número de saques na poupança superou o de depósitos. Um motivo para explicar o fato pode ter sido a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de aumentar a taxa básica de juros, a Selic.

Historicamente, no momento em que a taxa de juros aumenta, a poupança tende a esvaziar. Isso já aconteceu no passado e tende a se repetir. Em 16 de abril, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar em 0,50 ponto percentual a taxa Selic, deixando-a no patamar de 11,75% ao ano. Foi a primeira elevação desde maio de 2005.

No mês, a caderneta de poupança registrou captação líquida negativa de R$ 1,848 bilhão, resultado do resgate de R$ 105,715 bilhões contra a aplicação de R$ 103,867 bilhões. A análise diária mostra que, em apenas 7 dos 21 dias úteis de abril, a captação líquida da poupança ficou positiva.

Outros motivos

Outra justificativa é uma possível fuga para outros investimentos. Para se ter uma idéia, até 29 de abril, a captação líquida estava positiva em R$ 557,349 milhões, mas, no dia seguinte, passou ao valor negativo de R$ 1,848 bilhão.

Vale lembrar que, no dia 30 de abril, a agência de classificação de risco Standard & Poor's elevou o rating do Brasil para grau de investimento, o que sugere uma migração de investidores para aplicações mais atrativas, como renda variável, por exemplo.

Financiamento de imóveis

Os recursos da poupança também são utilizados para financiamento de imóveis, mas, segundo Leite, o volume maior de saques do que de depósitos não terá tanto impacto. O financiamento conta com outras fontes, como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Outro ponto que confirma essa visão é o saldo da poupança, que está em mais de R$ 242,040 bilhões.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h33
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VACINA CONTRA A AIDS

pós 25 anos, vacina contra HIV permanece inalcançável

Indomável é o melhor adjetivo para qualificar o vírus HIV. Após 25 anos da publicação, na revista "Science", do primeiro isolamento desse parasita, a comunidade científica só acumula frustrações. Nenhuma barreira bioquímica desenvolvida até agora conseguiu conter a infecção. O desenvolvimento da tão almejada vacina ainda é apenas um sonho distante.

"A comunidade científica está deprimida, porque nós não vemos esperança de sucesso", declarou em fevereiro o biólogo americano David Baltimore, que ganhou o Nobel por ter descoberto o mecanismo de replicação de vírus como o HIV.

"Penso que o maior erro que cometemos até agora foi colocar muito foco nos testes em larga escala de vacinas e não dar atenção suficiente para a pesquisa básica. Nós precisamos aprender com isso", afirma à Folha Dennis Burton, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia (EUA).

O pesquisador assina um dos artigos do especial de 25 anos da descoberta do HIV, publicado na última sexta-feira (9) pela mesma "Science".

O retrocesso científico do fim do ano passado é exemplar. O teste mais avançado de uma vacina contra a Aids, criada pela farmacêutica Merck, foi suspenso após 82 voluntários (49 vacinados e 33 do grupo de controle) terem sido contaminados pelo vírus.

"O número foi pequeno e não foi a vacina que causou a contaminação, o que seria inaceitável", diz Esper Kallás, infectologista, professor da Unifesp e coordenador dos testes com a vacina no Brasil. No mundo, 3.000 pessoas receberam doses do medicamento.

"A defesa imunológica que a vacina conferiu aos participantes não foi suficiente. O vírus continuou passando [pelas defesas do corpo]", afirma.

Apesar de desde o começo das pesquisas, há 25 anos, o HIV ser qualificado como versátil, o desafio a cada novo estudo é maior. O vírus não pára de surpreender por causa da sua alta velocidade em desenvolver novas formas genéticas.

"O HIV consegue driblar o sistema imunológico com mais habilidade do que nós imaginávamos", diz Kallás, que concorda com a necessidade da volta rápida para a pesquisa básica. "Apesar de o vírus ser o mais estudado do mundo, temos de aprender mais sobre o comportamento dele", diz.

Toda a comunidade científica concorda com a volta para a bancada. E, mesmo depois dos últimos insucessos, em continuar na busca pela vacina. A urgência é grande. Números da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que a cada dia mais de 6.800 pessoas são contaminadas. E 5.750 morrem.

Como os resultados do fim de 2007 que levaram o projeto da vacina a dar errado ainda não estão prontos, afirma o infectologista da Unifesp, a lista de perguntas que precisam ser respondidas é enorme.

"Nós colocamos pequenos fragmentos do HIV na vacina que foi aplicada. Será que precisava ser mais? Será que foi a quantidade de vacina em cada uma das doses? Será que temos de fazer combinações de vacinas? Ou mudar a forma de apresentar os fragmentos do vírus para o organismo"?

Para John Moore, outro pesquisador que participou do especial da "Science", a questão do desconhecimento sobre como fazer uma vacina é a que tem mais peso no momento.

"Efetivamente, nós não sabemos como fazer uma vacina que seja realmente eficiente", diz o pesquisador da Universidade Cornell (EUA).

Circuncisão e gel

O fracasso de uma vacina não é o fim do mundo, segundo os cientistas ouvidos pela Folha. Pelo menos há uma base de onde é possível continuar.

"Não podemos abandonar a vacina. Ela tem de continuar a ser um sonho", afirma Kallás. "Não podemos dar uma declaração de derrota e voltar as costas para aquilo que pode ser a maior esperança para combater a epidemia. Hoje são 33 milhões de pessoas contaminadas. Daqui a 20 anos, talvez sejam 150 milhões."

Segundo Kallás, existem poucas opções que possam ser aplicadas como políticas de saúde pública, apesar de a circuncisão, por exemplo, já ter se mostrado eficaz em barrar a transmissão e vários géis vaginais estarem em teste hoje com o mesmo fim. "A circuncisão e o uso de géis têm problemas.Temos que partir do princípio que a maioria das pessoas gosta de fazer sexo e o vírus se transmite por via sexual."

Mesmo com pelo menos 20 projetos em curso hoje no mundo para o desenvolvimento de uma vacina contra a Aids, é difícil encontrar um otimismo rasgado entre os atores da comunidade científica.

O pesquisador da Escola Médica de Harvard, Bruce Walker, é um dos que fogem um pouco dessa regra. "Certas pessoas estão infectadas com o HIV há 30 anos e não estão doentes. Estou otimista que poderemos usar esse dado para criar uma vacina efetiva", diz. "Mas isso, como foi visto nos últimos 25 anos, não será fácil."



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h32
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"Lost terá final mais claro que Família Soprano"

A série "Lost" terá um final mais claro que "Família Soprano", disse um de seus criadores em declarações divulgadas hoje pelo "The Hollywood Reporter".

Damon Lindelof, que divide a autoria da série com Carlton Cuse, confirmou que "Lost" termina em 2010, quando os sobreviventes do vôo 815 da Oceanic dirão adeus a seu público fiel. As duas últimas temporadas do show terão uma hora a mais de duração e revelarão muitos dos mistérios da ilha onde se passa a ação.

"Podemos garantir que nosso programa não terminará com uma tela preta. Será mais claro que isso. No entanto, quando algo de que você gosta termina (...), há uma certa decepção", explicou Lindelof, que se referiu ao criticado último capítulo de "Família Soprano", que terminou com um final aberto.

Lindelof também rejeitou esticar a série para além dos episódios previstos para seu fim. "Carlton Cuse e eu trabalhamos muito duro para conseguir levar a série até seu final e penso que dizer de repente que temos outra temporada seria trair todo o mundo. É melhor sair quando se está por cima", assinalou.

Sobre a quarta temporada, cujo episódio final, duplo, será exibido em 29 maio nos Estados Unidos, Lindelof declarou que terá uma hora a mais de duração para compensar parte das horas perdidas pela greve de roteiristas.

A paralisação cortou três horas das 16 estipuladas com a "ABC" por cada ano de série até seu final, razão pela qual os produtores de "Lost" ajustarão os minutos que faltam ao acrescentar uma hora por temporada.

Lindelof explicou que o final da quarta temporada terá mais ação e acrescentará menos confusão à trama que o de períodos anteriores, mas "terá um gancho e intrigará o público para que continue vendo 'Lost'".



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h32
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