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Em causa própria
 


R.E.M. NO VIA FUNCHAL 

Uma análise comparada dos shows

Vi os dois shows do REM em São Paulo (e teria visto os de Porto Alegre e Rio, se não fossem impedimentos profissionais) e os achei, como esperava, sensacionais.

Certas bandas chegam num nível de experiência e profissionalismo (independentemente de seu gênero musical) que as torna um investimento 100% seguro, você pode ir ao show e ele sempre vai ter um padrão mínimo de qualidade muito elevado. O REM é assim, como o Pearl Jam ou, pra citar dois exemplos brasileiros, os Paralamas e a Nação Zumbi.

As duas noites do REM na Via Funchal foram complementares: o set list manteve alguns pontos-chave (como a abertura com "Living Well Is the Best Revenge", a saída pro bis com "It's the End of the World...", a volta com "Supernatural Superserious" e o encerramento com "Man on the Moon"), mas teve mudanças suficientes para fazer os shows diferentes e dignos de serem assistidos.

Vamos a elas:

  • Depois da sensacional "Living Well...", uma das melhores do "Accelerate", a banda tocou "I Took Your Name" na segunda-feira e "These Days" ontem; eu acho esta última superior
  • A quarta música também mudou, mas as duas são do mesmo nível: "Fall on Me" (segunda) e "Driver 8" (terça)
  • O momento "intimidade no piano" também foi melhor no show de terça, com "Nightswimming" (só com Stipe e Mills), ainda que "Let me In", na segunda, também tenha sido bem legal
  • Outra variação que ficou melhor na terça: entraram "Exhuming McCarthy" (esta, sensacional) e "I'm Gonna DJ" no lugar de "Electrolite" e de "Horse to Water"
  • "I've Been High" e "Seven Chinese Brothers" foram outras duas que só apareceram ontem; "She Just Wants to Be" e "Sweetness Follows" sumiram; achei zero a zero
  • O bis, em compensação, foi bem melhor na segunda: a terceira e quarta músicas (as demais não mudaram) passaram de "Animal" e "(Don't Go Back To) Rockville" para "Maps and Legends" e "Begin the Begin"; e isso porque o Stipe disse, antes de entrar nelas, que iam atender a pedidos de fãs; sério, não acredito que os fãs tenham pedido essas duas em vez de, sei lá, "Stand" ou "Walk Unafraid" ou tantas outras que eles não tocaram

Resumo da ópera: foram dois shows memoráveis, pra mim os melhores do ano, até onde me lembro. É claro que faltaram várias músicas legais (tipo "Walk Unafraid", que eles só tocaram em Poa, ou "Stand", "Pop Song 89" e "Finest Worksong", que estiveram no set list do Rock in Rio 3), mas não há muito o que fazer quanto a isso - só torcer por mais shows.

Acho que vale destacar, além do clima geral, o incrível telão que eles tinham, editando de modo bem moderno as imagens gravadas enquanto o show rolava.

E, como ponto negativo, a lamentável área VIP, cheia de espaços vazios. Somos totalmente contra área VIP na frente do palco (quer armar, faz como o Terra, arma no fundo); a fila do gargarejo é para os mais fãs, é para quem chega cedo e fica lá esperando pacientemente pela banda que adora.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 11h26
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A IDADE CHEGA PARA TODOS

Já aconteceu de você, ao olhar pessoas da sua idade e pensar: não posso estar assim tão velho(a)!!! Veja o que conta uma moça mais ou menos da nossa idade:

Eu estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava dependurado na parede. Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás e eu me perguntava: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?

Quando entrei na sala de atendimento imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velho pra ter sido o meu amor secreto.

Depois que ele examinou o meu dente, perguntei-lhe se ele estudou no mesmo colégio que eu.

 - Sim, respondeu-me.

 - Quando se formou? perguntei.

 - 1975. Por que esta pergunta? respondeu.

 - É que ... bem ... você era da minha classe, eu exclamei.


 E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma puta, me perguntou:

 - A senhora era professora de quê?'


Escrito por Eduardo Lorenzo às 11h21
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CRÍTICA + SET LISTS

Por Eduardo Kaneco 
   
Quem viu o show do REM no Rock In Rio 3, em 2001, um dos melhores daquele festival, sabia que assistiria a uma performance deslumbrante do trio norte-americano em São Paulo, na terça-feira, dia 11 de novembro, sua segunda e última apresentação na capital paulistana. E assim foi.

O REM apresentou um repertório diferente ao da noite anterior (veja os dois ‘set lists’ abaixo), o que é um presente para os fãs presentes nos dois shows. O show de terça teve muita energia e emoção, resultado direto do carisma e da animação do vocalista Michael Stipe, que é daqueles que cantam e demonstram sentir cada palavra de cada música.

A faixa de abertura é a que abre também o novo álbum, “Accelerate”, e se chama “Living Well Is The Best Revenge”, um rock rápido e contagiante, que já de início levanta a platéia que lota o Via Funchal. Em contraste a essa nova canção, a segunda é a antiguíssima “These Days”, de 1986, que mantém o pique, que sobe mais ainda em “What’s The Frequency, Kenneth?”. Em seguida, outra mais antiga ainda, a melodiosa “Driver 8”, do “Fables of Reconstruction” (1985), seguida de “Drive”.

O REM sempre foi considerada uma banda “cabeça”, por suas letras de cunho social, intimistas e politizadas. A banda reforça esta postura, distribuindo na entrada do show pulseiras da www.soudapaz.org e www.br.amnesty.org para pedir apoio ao desarmamento.
 
Além disso, no meio da platéia, algumas pessoas foram contratadas para circular com cartazes com mensagem nesse sentido. E, ainda, poucas vezes se viu, em um show, uma demonstração tão aberta de postura política. No palco, Stipe declamou várias vezes a favor do recém-eleito presidente norte-americano, o democrata Barack Obama, colocando até sua imagem no telão atrás da bateria.

À parte esse fato, o show rolou agitado, e a nova canção “Man-Sized Wreath” foi muito bem recebida, da mesma forma que a acelerada “Ignoreland” (dedicada a Bush). “Exhuming McCarthy” e “Imitation of Life” mantêm a platéia aos pulos. Além de McCarthy, o REM desenterra também “Pretty Persuasion”, lançada em 1984 - nostalgia pura!

“The Great Beyond” serve como prévia para um dos maiores ‘hits’ da banda, a balada melancólica “Everybody Hurts”. A tristeza dá lugar a um sorriso, com a apresentação de “7 Chinese Bros”, outra surpresa da noite.

Apesar de o guitarrista Peter Buck e o baixista e tecladista Mike Mills pouco se movimentarem, o show continua forte pela performance de Michael Stipe, que em “The One I Love” desce para o ‘pit’ dos fotógrafos e canta cara-a-cara com seus fãs.

Depois de “I’ve Been High”, o REM toca a bela e intimista “Nightswimming”. O guitarrista de apoio e o baterista, músicos contratados, e Peter Buck deixam o palco e, com Mike Mills no piano, Stipe canta a balada voltado para o colega, em quem dá um forte abraço ao final.

As furiosas “Bad Day” e “I’m Gonna DJ” (esta do “Accelerate”) voltam a agitar o público, mantendo o clima quente durante as outras duas músicas do show: “Orange Crush” e a “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)”. Durante esta última canção antes do bis, os fãs tentam acompanhar a letra que é cantada à velocidade de uma metralhadora por Stipe.

O telão no fundo do palco, que substituiu os telões laterais da casa, mostra cartazes com mensagem para agitar o público que responde pedindo a volta do REM aos palcos.

Cinco canções completam o ‘set list’ de 25 faixas. A nova “Supernatural Superserious”, o ‘superhit’ “Losing My Religion”, as antigas “Maps and Legends” e “Begin the Begin” e a climática “Man On The Moon”, durante a qual o publico já começa a sentir saudade da fantástica apresentação, dando vontade de pedir para a banda tocar mais do que as duas horas em que esteve no palco.

Resta aos fãs o trabalho de analisar qual das duas noites teve o melhor repertório. Na terça, a banda deixou de apresentar a maravilhosa “Fall On Me”, “I Took Your Name”, “Hollow Man”, “Electrolite”, “She Just Wants To Be”, “Sweetness Follows”, “Let Me In”, “Horse to Water”, “Animal”, “(Don’t Go Back To) Rockville”. Por outro lado, incluiu a emocionante “Nightswimming”, “These Days”, “Driver 8”, “Exhuming McCarthy”, “Pretty Persuasion”, “7 Chinese Bros”, “I’ve Been High”, “I’m Gonna DJ”, “Maps and Legends”, “Begin The Begin”. Para evitar a sensação de ter perdido algo muito bom, só tendo assistido às duas apresentações.


SET LIST DE SEGUNDA-FEIRA

01. Living Well Is the Best Revenge
02. I Took Your Name
03. What’s the Frequency, Kenneth?
04. Fall On Me
05. Drive
06. Man-Sized Wreath
07. Ignoreland
08. Hollow Man
09. Electrolite
10. The Great Beyond
11. Everybody Hurts
12. Imitation Of Life
13. She Just Wants To Be
14. The One I Love
15. Sweetness Follows
16. Let Me In
17. Bad Day
18. Horse To Water
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Animal
24. (Don’t Go Back To) Rockville
25. Man On The Moon


SET LIST DE TERÇA-FEIRA

01. Living Well Is the Best Revenge
02. These Days
03. What’s the Frequency, Kenneth?
04. Driver 8
05. Drive
06. Man-Sized Wreath
07. Ignoreland
08. Exhuming McCarthy
09. Imitation Of Life
10. Pretty Persuasion
11. The Great Beyond
12. Everybody Hurts
13. 7 Chinese Bros.
14. The One I Love
15. I’ve Been High
16. Nightswimming
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Maps and Legends
24. Begin the Begin
25. Man On The Moon


Escrito por Eduardo Lorenzo às 11h17
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R.E.M. CELEBRA "FIM DO MUNDO" EM SP

Pela primeira vez na cidade, grupo apresenta show emocionante embalado por euforia política e revisão de sua história.

O vocalista do R.E.M., Michael Stipe, durante apresentação, no Via Funchal

Lá pelo final do show, Michael Stipe começa a se despedir: "Pela primeira vez, estou animado por ter que voltar para casa". Fora de contexto, seria a mais antipática das declarações, mas, anteontem, no Via Funchal, tudo que o cantor do R.E.M. dizia adquiria novos significados.

Foi um daqueles típicos shows apoteóticos: banda e público emocionados, hipnotizados, entoando hinos, entre muitas luzes, calor infernal etc., ou seja, tudo aquilo que é insuportável e a um passo do brega quando não se entra no clima.

Mas, em sua primeira apresentação em São Paulo, o grupo conseguiu manter a equação equilibrada. Se, em Porto Alegre, a euforia pela eleição de Barack Obama dava o tom, anteontem Stipe tentou ser mais contido, deixando a música falar por si própria.

O show começa punk, urgente, como se liberasse em som altíssimo a raiva reprimida durante anos de governo Bush. A primeira música, a nova "Living Well Is the Best Revenge" (viver bem é a melhor vingança), já dá a dica. Stipe, sabemos, é da turma dos militantes, mas sem cair na caricatura de Bono.

Excelente showman, o cantor passa a maior parte do tempo sorrindo, em estado de graça. "A história mudou para melhor há alguns dias", diz. "Durante os anos, temos feito músicas que refletem a política." O público urra, aplaude, como se o R.E.M., e não Obama, fosse o real vencedor.

Além de sorrir, Stipe faz graça. Coloca óculos escuros e ensaia a dancinha do robô durante a roqueira "What's the Frequency, Kenneth?". Mais tarde, vai de flamenco, como se tocasse castanholas; depois, fica de costas para o público rebolando loucamente. E, milagre, continua um dos astros mais cool do rock, vestindo um blazer escuro que só tira lá pelo fim, indiferente ao calor.

Repertório

Nas músicas, o R.E.M. foi democrático e usou bem as melhores faixas do disco novo, "Accelerate", e fez um show mais roqueiro, entre algumas baladas. Eles sabem bem que o público não se interessa por novidades e quer mais é ver os clássicos, dos anos 80 e 90.

"Fall on Me", "Everybody Hurts" e "The One I Love" são momentos de emoção/catarse; "Drive" e "Orange Crush" relembram o momento em que a banda estava entre o mundo indie e o mainstream.

Em "Losing My Religion", seu maior sucesso, a casa vem abaixo, mas Stipe parece não ter muita fé ao cantar que está perdendo sua fé. Em "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)", ele canta a plenos pulmões "I feel fine" (eu me sinto bem). Neste momento, Stipe parece dar uma piscadela para o público, anunciando o fim de uma era. Nem precisou fazer discursos, para felicidade de todos.

Avaliação: ótimo



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h26
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DEFINIÇÃO DO DIA:

"Cartão de crédito, aquele plástico inofensivo, que anestesia a dor de gastar".


Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h24
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R.E.M. CELEBRA OBAMA EM SÃO PAULO

O R.E.M. encerrou sua passagem pelo Brasil celebrando no palco a vitória de Barack Obama na corrida presidencial dos Estados Unidos. Foi o desfecho de uma festa que começou a misturar rock com política na última quinta-feira, dia 6, em Porto Alegre - primeira apresentação da banda após as eleições - passou pelo Rio de Janeiro e havia desembarcado em São Paulo para uma apresentação na véspera.

O que se viu na noite de terça-feira foi uma banda de rock tocando feliz como nunca no palco do Via Funchal. O vocalista Michael Stipe, de paletó e gravata, comandava o público entre pedidos de aplausos ritmados e coreografias manuais diversas, enquanto o R.E.M. alternava sucessos como "What's the Frequency, Kenneth" e "Drive" com músicas do seu último álbum, "Accelerate".

A certa altura, o guitarrista Peter Buck e o baixista e tecladista Mike Mills pararam de tocar. "Nós estamos muito felizes porque Barack Obama vai ser o nosso próximo presidente", disse Stipe.

O vocalista continuou a falar, tendo como pano de fundo uma sorridente imagem do presidente eleito. O rosto de Barack Obama era projetado em um imenso telão, sobre a frase "Obamatic for The People". Trocadilho com um dos álbuns históricos da banda, "Automatic for The People", lançado em 1992, em pleno governo do republicano George H. W. Bush, pai do atual presidente dos EUA, George W. Bush.

Bush pai, aliás, foi também lembrado por Stipe, que lhe dedicou "Ignoreland", um dos sucessos de "Automatic for the People", cuja primeira frase é a seguinte: "These bastards stole their power from the victims of the US" ("Esses bastardos roubaram seu poder das vítimas dos EUA").

Bush filho e "uma certa governadora do Alaska" também foram homenageados. John McCain, rival de Obama na eleição e colega de chapa da "laureada" Sarah Palin, foi poupado por Stipe.

Depois da pausa política, amplamente apoiada pelo público, o show pegou fogo. "Everybody Hurts" foi entoada por quase todos presentes. E Stipe resolveu mergulhar na platéia em "The One I Love".

No Bis, o vocalista tirou a gravata. "Alguém aí está entusiasmado com o Obama?", perguntou. E o R.E.M. começou a tocar a que estava faltando: "Losing My Religion". Depois de duas horas e 25 músicas eletrizantes, a festa estava completa. E o público, arrebatado.

FESTA PARA OBAMA

Se não era possível estar em casa, ao menos o R.E.M. encontrou no Brasil um público camarada para celebrar a vitória democrata com a banda.

"É uma nova era que já está começando, com o fim do governo Bush. E esse espírito de mudança se refletiu no palco", disse o advogado Luciano Figueroa, 33 anos.

A secretária Cleo Turili, 28 anos, concordou: "Eu achei ótimo, porque é uma banda politizada. Ele acreditam numa melhora não só da crise econômica, mas também de outros setores com o fim da era Bush."

A figura de Barack Obama acompanhou o R.E.M. durante toda a sua passagem pela América do Sul. Em Bogotá, primeira escala em 29 de julho, a banda declarou apoio ao democrata. Passou por Buenos Aires e comemorou "o fim da era Bush" em Santiago, no dia 3, véspera da eleição nos EUA.

Antes de voltar para casa - e para perto de Obama - o R.E.M. faz shows em Peru, Venezuela e México, onde encerra a turnê em 18 de novembro.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h23
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NEVER MORE, MICHAEL
 
Michael, 50, nunca mais crescerá
 

O resto da vida de Michael Jackson começou em 16 de maio de 1983. Foi quando ele deixou para sempre de ser o pequeno Michael dos sucessos do Jackson Five e se transformou no rei do pop.

Nessa noite, Michael Jackson subiu ao palco de um teatro em Los Angeles para comemorar os 25 anos da gravadora Motown. Começou a cantar "Billie Jean". Foi até o lado esquerdo do palco e voltou deslizando... de costas. Os 3.000 convidados ficaram de queixo caído.

Era o "moonwalk", o "passo da lua", que ajudaria a transformar Michael Jackson no maior vendedor de discos do planeta. Sim, porque a música de Jackson não era mais para ser apenas ouvida. Era para ser vista.

Impossível pensar na canção "Thriller" hoje sem lembrarmos imediatamente de Jackson maquiado e dançando como monstro no videoclipe.

O álbum é o mais vendido de todos os tempos, tendo aberto caminho para ele faturar US$ 1 bilhão na carreira.

Por outro lado, o ex-negro Michael Jackson teve um queda tão espetacular que é difícil de acreditar: algemado numa delegacia, acusado de embriagar meninos por sexo.

Apesar de absolvido nos tribunais, Jackson nunca mais se recuperou como artista. Seu último disco de inéditas, "Invincible" (2001), nem sequer pagou o investimento: US$ 55 milhões de custos de produção e propaganda. Relançamentos de canções antigas, entretanto, vendem como água.

Há 25 anos, desde aquela noite em Los Angeles, a vida de Michael Jackson é uma sucessão de nuncas. Nunca será esquecido (nem nunca mais poderá andar sozinho nas ruas). Nunca deixará de realizar sonhos (nem nunca mais deixará de ser ridicularizado por eles). Nunca mais terá vida normal. Nem crescerá, como acontece com crianças na Terra do Nunca.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h19
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R.E.M. encanta com antigas canções

 
 
 
O R.E.M. precisou do álbum "Accelerate", lançado em 2008, para ser novamente relacionado à volátil filosofia do rock. Coincidentemente, as composições cruas e estridentes do novo CD, como "Living Well Is The Best Revenge", tema de abertura do show da banda realizado em São Paulo, na noite de segunda-feira, estão em sintonia com as regras do presente. De acordo com a organização, 5.500 pessoas assistiram ao show.

Para a realidade de "Accelerate", o vocalista Michael Stipe não canta mais com tanto esmero, Mike Mills reprime a delicadeza das linhas de baixo e Peter Buck congestiona os acordes de guitarra com mais volume em cada música do álbum novo executada no Via Funchal. A receita parece funcionar em tempos de MP3 cujo som não combina com equalização.

Com exceção do hit "Supernatural Superserious", as outras quatro canções de "Accelerate" apresentadas em São Paulo transportam a banda a um novo plano, desenhado em uma dimensão bem distante dos conceitos definidos pelo trio (ou quarteto, antes da saída do baterista Bill Berry, em 1997) durante os anos 1980 e 1990.

O contraste entre "Accelerate" e os demais trabalhos pôde ser identificado logo na segunda música do show, "I Took Your Name", de "Monster", álbum visceral de 1994, carregado por guitarras distorcidas, mas ainda criado sob os conceitos mais poéticos de Stipe, Mills e Buck.

E um show de R.E.M. vale exatamente pela energética e elegante atuação de Stipe, quase um pierrô pela ingenuidade e sentimentalismo mostrados em canções como "Electrolite", do CD "New Adventures In Hi-Fi" (1996) e "Everybody Hurts" e "Swetness Follows", ambas de "Automatic For The People", disco referencial, lançado em 1992.

Um espetáculo do R.E.M. vale também pela bucólica presença de Buck sobre o palco, exímio representante do guitar rock, que geralmente só abre um sorriso quando dedilha cada nota de cada acorde de canções como o clássico "Losing My Religion" e "Fall On Me", de "Lifes Rich Pageant", o fundamental quarto álbum do grupo, projetado em 1986.

Os braços levantados com punhos cerrados, os celulares agitados em busca de uma fotografia da banda e os gritos das seis mil pessoas que esgotaram os ingressos do Via Funchal só apareciam exatamente na execução das músicas antigas, responsáveis pela alegria contagiante de Stipe.

"Estou muito honrado com a eleição de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos", disse o vocalista. "Quero muito voltar para casa e participar do que está acontecendo por lá."

"Finalmente estou tocando em São Paulo", prosseguiu o vocalista. "Sempre desejei fazer um show aqui. Esta é uma linda cidade, com pessoas maravilhosas".


Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h31
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Vigilante das Casas Bahia mata cliente
dentro de loja da zona sul de SP
 

Um cliente das Casas Bahia foi morto com um tiro por um vigilante da loja na noite de segunda-feira (10), zona sul de São Paulo. A vítima, Alberto Milfort Júnior, 23, tinha ido ao estabelecimento comprar um colchão, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública). Ele estava acompanhado da namorada, de 22 anos, e de um amigo, de 17.

O crime aconteceu por volta das 18h15, dentro da loja da rede na Estrada de Itapecerica, Vila Prel. De acordo com a SSP, Milfort Júnior tinha acabado de fazer a compra e, enquanto a namorada dele foi ao caixa pagar, ele e o adolescente que acompanhava o casal sentaram em um sofá exposto do lado de fora da loja.

O vigilante Genilson Silva Souza, 29, se aproximou dos dois rapazes e teve inicio uma discussão. Milfort Júnior foi até o caixa pegar um recibo para comprovar que ele era cliente da loja, mas a discussão continuou.

Segundo a secretaria, em determinado momento, o cliente começou a falar que duvidava que Souza tivesse coragem de atirar. O vigilante, então, sacou a arma e deu um tiro no rosto do cliente. Milfort Júnior chegou a ser levado ao pronto-socorro do Campo Limpo, mas não resistiu aos ferimentos.

O vigilante foi detido e levado para o 37º DP, de Campo Limpo, e autuado por homicídio qualificado. A arma que ele usava no serviço - um revólver calibre 38 - foi apreendida para ser encaminhada à perícia. A polícia não soube informar se o suspeito constituiu advogado.

Em nota, a assessoria da Casas Bahia informou que está à disposição da polícia para cooperar na investigação. A empresa disse ainda que a segurança de suas filiais é terceirizada e que vai exigir dos responsáveis os esclarecimentos.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h26
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Processos por erro médico no STJ
aumentaram 200% em seis anos
 
Nem todo mau resultado é sinônimo de erro, mas essa é uma dúvida que assombra médico e paciente quando algo não esperado acontece no tratamento ou em procedimentos cirúrgicos. O erro médico pode envolver o simples diagnóstico errôneo de uma doença, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nos últimos seis anos, a quantidade de processos envolvendo erro médico que chegaram à Corte aumentou 200%. Em 2002, foram 120 processos. Neste ano, até o final do mês de outubro, já eram 360 novos processos autuados por esse motivo, a maioria recursos questionando a responsabilidade civil do profissional.

O STJ tem assegurado a pacientes lesados por erros médicos três tipos de indenizações. Os danos materiais referem-se ao que o paciente gastou no tratamento ineficiente e ao que eventualmente deixou de ganhar por conta do erro médico (dias de trabalho perdidos, por exemplo). Assegura-se, também, o direito de receber os danos morais, valor para compensar a dor moral a que foi submetido (como ocorre com a supressão indevida de um órgão). Por fim, o paciente pode receber por danos estéticos, isto é, o prejuízo causado à sua aparência, como nas hipóteses em que o erro causou cicatrizes e outras deformidades. As indenizações são cumuláveis.

Relação de consumo

Superar um tratamento médico mal-sucedido pode levar muito tempo. Não raro, as cicatrizes permanecem no corpo por toda a vida, insistindo numa lembrança indesejável. Mas, ainda que traumatizado pelo episódio, o paciente deve considerar que há prazos legais para se buscar a reparação na Justiça.

O STJ entende que deve ser aplicado o Código de Defesa do Consumidor (CDC) aos serviços prestados por profissionais liberais, inclusive médicos. Nestes casos, prescreve em cinco anos a pretensão à reparação, contados do conhecimento do dano ou de sua autoria. No entanto, a presidente da Segunda Seção, ministra Nancy Andrighi, ressalta que há uma peculiaridade. “A responsabilidade do médico, ao contrário do que ocorre no restante das leis consumeristas, continua sendo subjetiva, ou seja, depende da prova da culpa do médico”, explica a ministra.

Em um julgamento ocorrido em 2005 na Terceira Turma, os ministros aplicaram esse entendimento e não atenderam o pedido de um cirurgião plástico de São Paulo para que fosse considerado prescrito o direito de ação de uma paciente. Ele alegava que já teriam transcorrido os três anos estabelecidos pelo Código Civil para a reparação do dano. A paciente, que ficou com deformidades físicas após cirurgias plásticas, conseguiu que o médico custeasse todo o tratamento para restabelecimento do seu quadro clínico, além de reparação por dano moral e estético.

Ainda sob a ótica da lei de defesa do consumidor, naquelas hipóteses em que o Poder Judiciário identifica a hipossuficiência do paciente, isto é, a dependência econômica ou de informações, pode haver inversão do ônus da prova. Isto é, o juiz pode determinar que cabe ao médico fazer prova da regularidade de sua conduta. De acordo com a ministra Nancy Andrighi, a aplicação do CDC facilita muito a defesa dos direitos do consumidor. “Com ele, o juiz dispõe de meios mais eficazes para detectar práticas comerciais e cláusulas contratuais abusivas. Isso certamente é um avanço em relação à legislação comum”, analisa a ministra.

Revisão de valores

Atualmente, estão em análise no STJ 444 processos sobre essa matéria. Boa parte dos recursos que chega ao Tribunal contesta os valores das indenizações por erro médico arbitrados em instâncias ordinárias, ou seja, a Justiça estadual ou federal. Mas ser admitido para julgamento no STJ não é sinal de causa ganha: a orientação consolidada na Corte é de somente revisar o valor quando for exorbitante ou insignificante. A quantia deve ser razoável e proporcional ao dano.

Ao julgar cada caso, os ministros analisam o fato descrito nos autos, sem reexaminar provas. Com base nas circunstâncias concretas, nas condições econômicas das partes e na finalidade da reparação, decidem se o valor da indenização merece reparos. E, por vezes, uma indenização por dano moral devida por erro médico pode ser maior do que aquela obtida por parentes pela morte de um familiar.

Foi o que ocorreu na análise de um recurso do Rio de Janeiro em que a União tentava a redução do valor de uma indenização de R$ 360 mil por danos morais. A vítima era uma paciente que ficou tetraplégica, em estado vegetativo, em decorrência do procedimento de anestesia para uma cirurgia a que seria submetida em 1998.

A relatora do recurso, ministra Denise Arruda, da Primeira Turma, afirmou que não se tratava de quantia exorbitante. Ela entende que não foi possível estabelecer, neste caso, um paralelo com qualquer indenização devida em caso de morte da vítima. “O sofrimento e a angústia vividos diariamente pela agravada [paciente] e a irreversibilidade das seqüelas sofridas potencializam, no tempo, o dano moral”, explicou a ministra.

Co-responsabilidade

Além do médico responsável pelo procedimento, a clínica ou hospital em que se deu o atendimento também estão sujeitos à responsabilização pelo erro médico. O STJ já decidiu, inclusive, que a operadora de plano de saúde pode responder, solidariamente, por eventual erro do médico que indicou ao segurado. Mas cada caso traz peculiaridades que podem levar a um desfecho judicial diferente.

Em setembro passado, a Segunda Seção concluiu o julgamento de um recurso em que um hospital de Santa Catarina contestava a condenação solidária por erro médico. A Justiça estadual havia condenado o hospital e o médico ao pagamento de danos morais, materiais e pensão vitalícia à vítima, paciente que se submeteu a uma cirurgia de varizes.

Os ministros entenderam que a entidade não poderia ser responsabilizada solidariamente por erro médico, pois o cirurgião não prestou quaisquer serviços no interesse do hospital ou sob as suas ordens. De acordo com o relator para o acórdão, ministro João Otávio de Noronha, o fato de receber remuneração pela locação de espaço físico não torna o hospital solidariamente responsável por danos causados por imperícia médica.

Entretanto circunstâncias diferentes podem levar a uma conclusão oposta. Há casos em que o hospital responde como fornecedor do serviço médico-hospitalar prestado do qual decorreu o dano. Em 2002, a Quarta Turma do STJ manteve decisão da Justiça do Rio de Janeiro que condenou uma instituição médica a responder solidariamente pela falta de informação por parte de seu médico sobre os riscos que envolviam uma cirurgia.

A paciente acabou perdendo completamente a visão e ingressou com pedido de indenização por danos materiais, físicos e morais contra o hospital e o médico. Um ano antes, a mesma Quarta Turma já havia decidido que o médico-chefe pode vir a responder por fato danoso causado ao paciente pelo terceiro que esteja diretamente sob suas ordens.

Pós-operatório

A responsabilidade do médico pelo estado de saúde do paciente não se encerra no atendimento em si. Recentemente, a Quarta Turma confirmou o pagamento de indenização de R$ 300 mil a uma paciente que perdeu o útero, trompas e ovários devido a complicações ocorridas após uma tentativa de fertilização in vitro, realizada em 2001.

Baseados na análise dos fatos feita pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), os ministros consideraram negligente o atendimento pós-operatório que acarretou dano à paciente, sendo, por isso, passível de responsabilização civil. O relator do recurso foi o ministro João Otávio de Noronha.

Em processo analisado pelo Conselho Regional de Medicina fluminense, o médico não foi responsabilizado pela ovário-histerectomia. A paciente ingressou na Justiça contra a clínica e o médico que realizou o procedimento. Disse que o procurou para atendimento com queixa de dor e febre, mas, após exame, foi encaminhada por ele a outros profissionais. Passado cerca de um mês, foi constatado por outro médico um abscesso no tubo ovariano, o que exigiu a intervenção radical.

Condenados em primeira instância, médico e clínica apelaram, mas o TJRJ descartou a realização de uma nova perícia e manteve a condenação solidária. No STJ, o julgamento definiu que o médico deveria responder pelo dano causado, porque não agiu com a cautela necessária. A negligência está na falta de assistência pós-cirúrgica à paciente, que teve o estado de saúde agravado, alegando que a piora não decorreu do ato cirúrgico que realizou, mas de outras causas, encaminhando-a a profissionais diversos. Ainda cabe recurso desta decisão.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 01h24
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Chá refrescante de verão
Uma opção saudável e deliciosa para os dias de calor
 
 
Ingredientes:

500ml de água
Suco de um limão
2 saquinhos de chá de hortelã ou menta
2 saquinhos de chá de erva doce
Açúcar ou mel a gosto.

Modo de preparo:

Aqueça a água até próximo da fervura.
 
Adicione os saquinhos de chá e tampe o recipiente, deixando descansar por 10 minutos.
 
Retire os saquinhos e espere esfriar com o recipiente tampado.

Transfira o chá para um recipiente com capacidade para um litro, adicione o suco de limão ao chá, complete o volume com água bem


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h22
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De 30 de Outubro a 8 de Novembro - das 14h às 22h - entrada até as 21h
Dia 9 de Novembro, último dia do evento - das 11h às 19h - entrada até as 17h
 
Informações Importantes

Ingressos:

Adultos: R$30,00
Crianças de 5 a 12 anos: R$20,00
Menores de 5 anos e maiores de 65 anos têm entrada gratuita.

Compra de ingresso somente em dinheiro. Há caixas eletrônicos (Banco 24h, Itaú e Bradesco) na entrada do pavilhão, mas para sua comodidade e para agilizar sua entrada, retire dinheiro antes de chegar ao Anhembi.

ATENÇÃO: Não compre ingresso de cambistas. Se comprar, com certeza terá problemas no acesso ao Salão Internacional do Automóvel.

Como Chegar:

Utilize na estação Tietê do Metrô (Linha Norte-Sul), Terminal Rodoviário, ônibus circular com ida e volta ao Parque Anhembi, funcionando uma hora antes da abertura até uma hora após o fechamento da feira. Os ônibus estarão na saída da Estação-Shopping.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h20
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EXHUMATING MACCARTHY
 
R.E.M. celebra "fim da era Bush" em show no Chile

Santiago do Chile, 4 nov (EFE).- A banda americana R.E.M. "comemorou" em seu primeiro show no Chile "o fim da era Bush e o começo de uma nova revolução nos Estados Unidos e em todo o mundo ".

"Este é o último show do R.E.M. com (o republicano) George W. Bush como presidente dos Estados Unidos, amanhã vamos celebrar o início de uma nova era na história", gritou entusiasmado o vocalista do grupo, Michael Stipe.

Milhares de jovens começaram nesse momento a cantar o nome do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, enquanto os telões exibiam a foto de um sorridente Barack Obama.

Na apresentação, o R.E.M. não economizou nos hits, como "What's the Frequency, Kenneth", "Everybody Hurts", "It's the End of the World (as We Know It)" e "Losin My Religion".

A lendária banda americana, que está em turnê para promover seu novo álbum, "Accelerate", se apresentará no Brasil nas próxima duas semanas.

O primeiro show do R.E.M. em território brasileiro acontece na próxima quinta-feira, dia 6 de novembro, em Porto Alegre. O grupo ainda se apresentará no Rio de Janeiro, no sábado, dia 8, e em São Paulo, na segunda e terça-feira da próxima semana, dias 10 e 11.

Até agora, a banda se apresentou no Brasil apenas uma vez, durante a terceira edição do Rock In Rio, em 2001.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h18
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A pintura em um automóvel é algo fundamental para instigar o consumidor no momento da compra. Os fabricantes sabem disso, tanto que, quando lançam modelos novos, certamente eles vêm acompanhados de tonalidades gritantes.

Mal sabia Henry Ford que o bordão usado para o Modelo A se tornaria tão real em tempos considerados modernos: "você pode ter o Ford que quiser, desde que seja na cor preta". Hoje a tonalidade é uma das mais procuradas do mercado. Não pela preferência, mas sim pela facilidade de revenda.

Para desmistificar o mundo das cores automotivas, buscamos um especialista no assunto. Eder Polizei, de 37 anos, é mestre em administração com ênfase em marketing e trabalhou como consultor para multinacionais como Ford, Hyundai, Subaru e Kia Motors.

De acordo com Polizei, os fabricantes criam cores emblemáticas para testar as tendências de mercado e para reforçar a divulgação do novo automóvel. Outro detalhe apontado pelo consultor é que o produto precisa saltar do cenário em um comercial de TV ou revista. Logo, a cor utilizada na propaganda deve estar disponível nas concessionárias.

Segundo Polizei, as tonalidades criadas seguem as tendências da moda. Ele coloca que a tonalidade terra já esteve em alta, assim como o azul. “As cores dos automóveis acompanham as tonalidades das coleções de biquínis, vestidos e camisas”, explica o consultor.

Apesar da enxurrada das cores vibrantes a cada lançamento, elas representam uma pequena fatia no volume de vendas, cerca de 2% do total. De acordo com Polizei, as montadoras criam padrões de cores no início da produção e, conforme a demanda, a linha fabril vai se ajustando aos pedidos.

Geralmente os carros maiores utilizam tonalidades mais sóbrias; a finalidade é deixá-los menos enjoativos, já que chamam a atenção pelo tamanho e estilo. Ao contrário dos automóveis compactos, que precisam de cores mais vibrantes para marcar o território.

A preferência nacional

As cores menos rejeitadas na hora da revenda, na ordem, são: prata, cinza e preto. As pinturas perolizadas ou metálicas são valorizadas apenas na concessionária. Elas são mais caras por utilizarem aditivos e cristais.
 
Um Fiat Punto com cor metálica, por exemplo, custa R$ 844 a mais. Na Chevrolet a opção metálica custa R$ 837 para o Astra Sedan e a perolizada, R$ 1.105.
 
Ao vender o automóvel para um terceiro, dificilmente o primeiro comprador terá o dinheiro da pintura especial de volta. Não existe uma tabela que designa valores especiais para os tipos de cores. A mesma regra que se aplica para o usuário que equipa o modelo com rodas de liga ou som automotivo.

Segundo Polizei, as opções metálicas deixam o carro mais “espelhado”, ele reflete com maior intensidade os raios solares. Já quando o carro está pintado com tinta perolizada, a idéia transmitida é de ressalto da cor. Mais ou menos como se o automóvel fosse maior.

Dinheiro no bolso

Com a onda dos financiamentos mais elásticos, o automóvel mais do que nunca continua sendo um investimento. E para ele ser realmente rentável é necessário colocar na ponta do lápis uma série de itens. Um deles é a cor.

Se você procura um carro para revendê-lo em pouco tempo, opte pelas cores mais procuradas (prata, cinza e preto). Estas pigmentações cresceram porque o consumidor sabe que a manutenção é facilitada e que a possibilidade de uma rejeição da tonalidade é pequena. Pense friamente: o que seria do rosa se não fosse...

Um carro pink pode ser tudo que um motorista sonhou, porém a probabilidade de existir uma outra pessoa com o mesmo gosto é menor do que alguém que prefira o prata.

Emblemáticos

Qual é a cor que vem a cabeça quando o assunto é Ferrari? O vermelho é certo nos modelos da marca italiana. Aliás, o “vermelho Ferrari” já até virou nome composto para designar tonalidade em automóveis fabricados no Brasil.

Quando a Volkswagen lançou o Gol GTi uma das cores que emplacaram foi a amarela. A mesma estratégia foi utilizada pela Chevrolet na estréia da versão GSi do Kadette. Em tempos mais modernos, a audácia aumentou.
 
O Palio laranja inaugurava a segunda geração do compacto no Brasil e recentemente o verde abacate entrou na linha 1.8R. Vale lembrar também do Stilo Schumacher amarelo e do Idea na cor terra. A Ford também teve seus dias de glória. Fiesta laranja, Ka roxo e dourado e o Focus marrom.

Veja os pontos positivos e negativos das cores

Preto - A terceira cor na preferência das revendas deixa o interior do automóvel mais quente que o natural, pois absorve mais os raios solares. Tanto que nas regiões mais áridas e secas o carro preto perde valor. Em contrapartida, ele é bem-vindo no Sul do país. Outro ponto negativo desta tonalidade são as lavagens freqüentes. Qualquer sujeira aparece bem. Em determinados casos, este fato pode prejudicar a imagem. A cor é uma boa pedida para automóveis maiores e clássicos.

Prata e cinza - As duas cores que são consideradas garantias de boa venda e de valorização são bem aceitas porque combinam com tudo. O ponto negativo é que ambas são muito comuns na frota nacional. Logo, comprar um carro prata ou cinza é sinal de lugar comum. Outro item positivo é que estas tonalidades agüentam determinadas sujeiras sem prejudicar a imagem do automóvel.

Cores emblemáticas - Comprar um automóvel na cor do lançamento é perder dinheiro na certa. Isso ocorre porque a tonalidade de estréia identifica o carro com o ano de fabricação. Quando um carro aparenta ser mais novo que o seu ano de produção é sinal de boa venda. Um automóvel com tonalidades específicas pode ser considerado um mico. Ele acaba caindo muito no gosto pessoal de cada um.
Os carros de cores vivas são bem aceitos em mercados com a temperatura climática mais elevada. Eles são bonitos e seguem tendências modernas, porém fique atento quando o assunto for investimento. As cores vivas são ideais para carros menores.

Branca - Uma tonalidade fácil de vender, mas que não é valorizada. Os modelos com esta cor são confundidos com carros de empresas ou automóveis que foram utilizados como táxi, em determinadas regiões do país.
Na região Nordeste o carro branco é um dos mais aceitos. Preço baixo e fácil manutenção da pintura (lavagem e difícil de queimar). Já na região Sul, o modelo branco tem pouca valorização.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h12
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