Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, SALVADOR, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Viagens



Arquivos
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009
 26/07/2009 a 01/08/2009
 19/07/2009 a 25/07/2009
 12/07/2009 a 18/07/2009
 05/07/2009 a 11/07/2009
 28/06/2009 a 04/07/2009
 21/06/2009 a 27/06/2009
 14/06/2009 a 20/06/2009
 07/06/2009 a 13/06/2009
 31/05/2009 a 06/06/2009
 24/05/2009 a 30/05/2009
 17/05/2009 a 23/05/2009
 10/05/2009 a 16/05/2009
 03/05/2009 a 09/05/2009
 26/04/2009 a 02/05/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 12/04/2009 a 18/04/2009
 05/04/2009 a 11/04/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 22/03/2009 a 28/03/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 22/02/2009 a 28/02/2009
 15/02/2009 a 21/02/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 01/02/2009 a 07/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 04/01/2009 a 10/01/2009
 28/12/2008 a 03/01/2009
 21/12/2008 a 27/12/2008
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 30/11/2008 a 06/12/2008
 23/11/2008 a 29/11/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 02/11/2008 a 08/11/2008
 26/10/2008 a 01/11/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 21/09/2008 a 27/09/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 24/08/2008 a 30/08/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 13/07/2008 a 19/07/2008
 06/07/2008 a 12/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 15/06/2008 a 21/06/2008
 08/06/2008 a 14/06/2008
 01/06/2008 a 07/06/2008
 25/05/2008 a 31/05/2008
 18/05/2008 a 24/05/2008
 11/05/2008 a 17/05/2008
 04/05/2008 a 10/05/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 06/04/2008 a 12/04/2008
 30/03/2008 a 05/04/2008
 23/03/2008 a 29/03/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 09/03/2008 a 15/03/2008
 02/03/2008 a 08/03/2008
 24/02/2008 a 01/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008
 10/02/2008 a 16/02/2008
 27/01/2008 a 02/02/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 13/01/2008 a 19/01/2008
 06/01/2008 a 12/01/2008
 30/12/2007 a 05/01/2008
 23/12/2007 a 29/12/2007
 16/12/2007 a 22/12/2007
 09/12/2007 a 15/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 18/11/2007 a 24/11/2007
 11/11/2007 a 17/11/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 30/09/2007 a 06/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 02/09/2007 a 08/09/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 06/05/2007 a 12/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 29/10/2006 a 04/11/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL
 Orph
 CBDB
 Noblat
 É-Blog
 EuPodo
 Kerblog
 Batistão
 Candela
 4shared
 Gibizada
 Mercurio
 Picolinos
 Philipinas
 Coexist 1
 Coexist 2
 Cynical-C
 BlogAdão
 Inutiologia
 Webvinho
 Léo Jaime
 Geek Roar
 F.A.R.R.A.
 DICTATOR
 Q.U.A.C.K.
 PROTESTE
 Podtropolis
 HQ SCANS
 Juca Kfouri
 Contrapeso
 Neil Gaiman
 Al Vaqaeda
 Pé na África
 Universo HQ
 Salada Mista
 Flog de Alice
 BAND NEWS
 Deu no jornal
 The Long Tail
 Drama Queer
 Sérgio D'avila
 MP3 - Br Midia
 MANDEIBEM 1
 Beacoupkevin
 Watchmen BR
 HD VIRTUAL 1
 HD VIRTUAL 2
 Blog do Vesgo
 Mariana Ferrão
 O mico na rede
 Mulher Honesta
 Gardenal Music
 Contexto é tudo
 Blog do Carloso
 Comic Tread Mill
 Diário da Tutuca
 Viaje na Viagem
 The Consumerist
 Invincible Comics
 Clandestine Critic
 Strategy Informer
 Bruna Surfistinha
 Four the first time
 O Homem Sincero
 Comic Movie Critic
 Pop Culture Shock
 Depósito do Calvin
 Cabide D'Askhalsa
 Cinema sem cortes
 XYZ - Comic Scans
 Alice in Wonderland
 Pérolas para Porcos
 Natalie - Word Press
 Blog dos Quadrinhos
 Um olhar em Portugal
 Uncanny X-Men Forum
 SCANS - Barker Scans
 CULT VOX - Livros grátis
 Dave's Long Comics Box
 What were they thinking?
 Assunto de Zelador - Flog
 Assunto de Zelador - Blog
 RAPADURA AÇUCARADA
 Entidade Maligna Misteriosa
 Revista Connect - CELULAR
 SEQUART - Sandman Covers
 NYC: Guia para os Mão de vaca
 Top 20 covers of the copper age
 Blog da Maria Inês Dolci - Consumidor
 



Em causa própria
 


Watchmen # 1Título: WATCHMEN (Editora Abril) - Minissérie em seis edições

Autores: Alan Moore (roteiro) e Dave Gibbons (arte).

Preço: Cz$ 950,00 (# 1), Cz$ 1.200,00 (# 2), Cz$ 1600,00 (# 3), NCz$ 1,60 (# 4) NCz$ 1,60 (# 5) e NCz$ 1,60 (# 6) - preços da época

Número de páginas: 64 páginas por fascículo

Data de lançamento: Novembro de 1988 a abril de 1989

Sinopse: Como seria uma história de super-heróis no mundo real? Um mundo em que policiais fazem manifestações públicas contra a atividade dos vigilantes, forçando-os a abandonar a atividade. Um mundo que dorme sob o medo de uma iminente guerra nuclear.

Nesse contexto se desenvolve aquela que, aparentemente, seria a história principal. O misterioso assassinato de um agente do governo. Afinal, quem matou o ex-vigilante conhecido como Comediante? Quem poderia liquidar um super herói? Quais as razões do crime?

Watchmen # 2Positivo/Negativo: Apesar de Stan Lee, na década de 1960, ter acertado "na mosca" ao usar personagens com problemas comuns (como prestações para pagar), até bem pouco tempo seria impensável, imaginar super-heróis falíveis e incoerentes, como qualquer ser humano normal.

Em geral, os super-heróis, sobretudo os da DC, seguiam uma moralidade maniqueísta, simplista e desprovida de quaisquer conflitos psicológicos.

Após décadas de uso, a velha fórmula começava a cansar os leitores, sobretudo os mais jovens, que não entendiam tão bem por que aqueles heróis ainda se comportavam como se vivessem sob aura dos anos 30 e 40.

Eis que, de repente, num período relativamente curto, começaram a surgir artistas com novas propostas para os super-heróis. Lançamentos como Monstro do Pântano, V de Vingança, A Piada Mortal, Batman Ano Um, O Messias e, sobretudo, Watchmen ajudaram a mudar o panorama e a forma de encarar o universo dos heróis.

Velhos paradigmas foram quebrados. O que aconteceria se pessoas comuns, com seus problemas, traumas, crise, anseios, vaidades e contradições, por perseverança ou acaso do destino, passassem a ter poderes que as diferenciassem do restante da humanidade?

E o que levou os autores a pensar que o fato de terem superpoderes e boas intenções redimiria os heróis dos defeitos que os caracterizavam como seres humanos?

Watchmen # 3Nesta série, cenas simples e cotidianas, aparentemente apenas de preenchimento, na verdade estão carregadas de significado. Moore e Gibbons desencadeiam um processo de associação e repetição de imagens, deixando pistas que ajudam a compor a magnitude da obra.

Na verdade, mais que uma obra de criação, Watchmen é uma obra de desconstrução, de mudança de paradigmas, uma crítica contundente e feroz aos heróis de colante e à forma como eram retratados. Obviamente, um trabalho de tal magnitude gerou protestos e aclamação.

Uma parte significativa dos fãs, sobretudo os admiradores do gênero que não viveram ou conheceram as eras de ouro e prata das HQs, elegem Watchmen como um dos exemplos máximos do bom quadrinho. Mas há um outro grupo de leitores - e até de escritores deste mercado - que acha a série um desrespeito ao gênero super heróis.

A exemplo de outras obras do roteirista britânico, Watchmen não se restringe à grandiosidade que foi propor uma nova leitura para os heróis. Se a idéia era fazer uma história contemporânea, Moore e Gibbons levaram o plano a complexidades nunca antes vistas.

A história trata de modo sério e crítico alguns problemas político-sociais e assuntos ainda hoje obscuros para grande parte da população mundial (relatividade, sistemas caóticos, teoria de fractais, metafísica, componentes subatômicos etc.). Tudo foi harmonicamente colocado como parte da história, tanto no roteiro, quanto nos desenhos.

Usando temas complexos de física avançada, fica difícil tachar as HQs de "gênero menor de literatura" ou "leitura para crianças"... Não é à toa que esta série ainda hoje é recomendada por fãs a pessoas que têm um contato esporádico com os quadrinhos. E isso é um erro, pois quem não é leitor pode até gostar da série, mas sem o conhecimento prévio do universo dos gibis e, sobretudo dos super-heróis, a obra perde em compreensão.

Watchmen # 4Depois de Watchmen, uma gama de escritores se voltaram para as ditas "HQs adultas", resultando numa enxurrada de histórias de qualidade duvidosa, nas quais o personagem principal cometia erros e sofria. Assim, ficaram irritantemente repetitivas.

HQs mais simples, mesmo as bem escritas no velho estilo do super-herói platônico, passaram a ser tachadas de "inferiores" pelos próprios fãs. Mesmo os bons artistas, que tinham algo diferente a mostrar, seguindo a vontade do mercado se voltaram para o nicho "adulto", gerando um vácuo.

Assim, boas histórias de super-heróis para o público mais jovem foram ficando cada vez mais raras.

O próprio Alan Moore criou excelentes histórias de super-heróis baseadas nos velhos moldes, usando o Super-Homem,
Supremo e, mais recentemente, Tom Strong.

Com isso, o escritor inglês mostrou que o problema do declínio dos super-heróis não era o estilo dos personagens, mas a qualidade dos escritores. Usando os mais antigos clichês do gênero, Moore, de forma genial, criou algumas das melhores histórias de todos os tempos. Infelizmente, o dano já havia sido feito.

Watchmen pode ser encarada, com um pouco de boa vontade, como uma ficção científica, que tem mais de 15 anos, mas que ainda hoje trata de temas atuais e traz incluída em seu bojo uma tremenda dose de crítica social, encoberta por simbolismos.

Outra coisa interessante na obra é que a mesma ação é contada sob diversos pontos de vista. Um excelente exercício de metalinguagem, pois cada personagem percebe o entorno sócio-ambiental de forma distinta, e Moore mostra essas diferentes percepções. Assim, numa ação com vários super-heróis, cada um recorda a ação com níveis de detalhamento e perspectivas distintas; e a somatória disso tudo, aliado à percepção única do leitor, vai, aos poucos permitindo o entendimento do que realmente se passou.

Watchmen # 5Muitas vezes, o leitor é surpreendido, ao perceber que a expressão facial de um personagem, vários capítulos atrás, tem um sentido que não foi percebido pelo seu ponto de vista (e nem pelos de alguns personagens).

Se a complexidade da história é fabulosa, o que dizer dos desenhos e da narrativa? Uso de Caos e Fractal em quadrinhos é algo a ser adjetivado no mínimo de genial. A disposição simétrica dos quadros espelhados em diferentes escalas na página, na revista e na série como um todo, e o uso de planos de enquadramento em seqüência recorrente nunca tinham sido usados nas HQs.

Em cada uma das histórias, os formatos dos quadros são diametralmente opostos (espelhados). Os quadros duplos se repetem do outro lado. A decupagem da última página tem o mesmo formato (só que com a distribuição de quadros inversa) da primeira.

Da mesma forma, a ultima edição é uma imagem espelhada da primeira e até os enquadramentos são opostos. Ou seja, um magnífico exemplo de utilização de fractais. A simetria é total do início ao fim.

Se a história é cruel com o leitor ao expor suas ignorância em temas discutidos há mais de três décadas, a arte contribui, mostrando que todo aquele texto futurístico se passa no pretérito. Gibbons, com seu talento característico, se inspira nos desenhos antigos imprimindo à série um maravilhoso clima noir.

A variedade de referências visuais e conceituais apresentadas na obra é imensa. Há diversos fãs que se dedicam a buscar e explicitar suas fontes; e numerosos trabalhos acadêmicos de graduação e pós-graduação já foram feitos sobre Watchmen.

Watchmen # 6Infelizmente, a série não recebeu o capricho que merecia. A Abril a editou em seis partes (no original são 12) e, claro, suprimiu seis capas. Uma pena, nelas havia um trabalho gráfico utilizando a noção de tempo. Essa supressão compromete a intenção dos autores.

Além disso, nas três primeiras edições, a Abril errou, e manteve parado o pequeno relógio, cujos ponteiros deveriam aparecer em posições diferentes a cada número.

Depois, a Abril lançou uma edição encadernada e uma excelente versão completa em 12 fascículos, capa cartonada e papel excelente. Infelizmente, o erro ridículo do relógio parado se manteve.

Watchmen é uma das maiores HQs de todos os tempos. Recomendação máxima. Vale a pena procurá-la nos sebos. A série, entretanto, tem uma peculiaridade: precisa ser lida várias vezes, o que, acredite, é uma atividade extremamente prazerosa.

Agradecimentos ao cartunista e pesquisador Ota, que deu algumas ótimas dicas para a confecção desta resenha.

Classificação: -
Gilberto M. M. Santos



Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h10
[] [envie esta mensagem
]





ABSOLUTE WATCHMEN DVD
 
A few months ago, we told you about the three dvd's Warner Bros. is planning on releasing for their upcoming WATCHMEN, the Zack Snyder directed feature adaptation of the iconic Alan Moore graphic novel of the same name. We mentioned that the film itself would be the first, an animated version of the comic within the story, TALES OF THE BLACK FREIGHTER, would be the second and the third would be a combination of the two.
 
The folks at io9 recently learned from "Watchmen" comic animator Dave Gibbons, however, that this last dvd is an Absolute Edition in which the animated film isn't just packaged with the main film but will play alongside the main film as in the graphic novel, taking the film's runtime to more than 3 hours, LORD OF THE RINGS director's cut style. That's hella long but it should play out pretty great.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h09
[] [envie esta mensagem
]





WATCHMEN QUIZ
 
Teste seus conhecimentos sobre Watchmen clicando AQUI.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h07
[] [envie esta mensagem
]






Ilustrador de Watchmen visita os sets da adaptação

Do Omelete

O blog da produção de Watchmen, adaptação para as telas da celebrada graphic novel, amanheceu com um depoimento do ilustrador da obra, Dave Gibbons. Espertíssimo esse Zack Snyder... Afinal, quem melhor para acalmar os fãs mais radicais que o co-criador da HQ? Só mesmo Alan Moore... Mas esse segue bem distante de toda e qualquer adaptação ao cinema de seus trabalhos.

Gibbons esteve no set alguns dias antes do Omelete visitar as filmagens. Na ocasião, Snyder nos disse que o quadrinista entrou na nave do Coruja e saiu de lá com lágrimas nos olhos, não acreditando que estava sentado dentro de sua própria criação. Agora, mais detalhes sobre a visita são detalhados pelo próprio artista - que também colaborou nos desenhos de produção. Confira:

PARTE 1

Essa é talvez a experiência mais surrealista da minha vida.

Ali estão eles, numa sede escura, em pé ao redor de um mapa nos Estados Unidos - do jeito que eu os imaginei. A fumaça do cigarro do Comediante enche o ar enquanto eu absorvo os detalhes da cena. Quadros na parede emolduram velhas edições do New York Gazette que registram antigos feitos, troféus brilham dentro de caixas de vidro, a arma solar de Moloch exposta num canto poeirento e logo ali, num manequim, o desgastado uniforme do Coruja original mantém sua vigília silenciosa.

Subitamente, um flash de luz azul anuncia a chegada do Dr. Manhattan e a pintura ganha vida. As vozes dos heróis aumentam e silenciam, um isqueiro Zippo é aceso e o mapa pega fogo.

Em algum lugar, alguém grita "Corta!"

E lá estou eu, em pé entre eles. O Coruja aperta minha mão. O Comediante me dá um tapinha nas costas. A Espectral sorri radiantes boas-vindas. Estou pasmo pela profundidade e detalhamento do que estou vendo.

Mas mais do que isso, estou pasmo com o empenho, a paixão, o palpável desejo de fazer isso direito.

Estou começando a sentir um brilho que eclipsa até mesmo o do Dr. Manhattan...

Dave Gibbons
Dezembro de 2007

 

PARTE 2

No fundo do estúdio, como um marinheiro de folga, eu olho extasiado para uma Nova York que nunca existiu de verdade. Este lugar era uma serralheria canadense, agora tornou-se um complexo de ruas dos Estados Unidos.

Na esquina, a loja Treasure Island promete diversão na forma de revistas pulp; descendo o quarteirão, lá está o Gunga Diner, completo com couro roxo e cromados; e mais adiante o letreiro da Rumrunner brilha pálido. Nem mesmo a austera fachada do Instituto de Estudos Extra-espaciais não estraga a diversão.

Num segundo andar vejo as janelas do Estúdio de Artes Marciais Judomaser. Não consigo acreditar. Judomaster? Os detalhes se acumulam de maneira atordoante.

A chuva está caindo forte agora e sou levado para dentro, através de um barraco atulhado de manequins, e passo pelas imensas muralhas de Karnak até o sobrado aconchegante de Dan Dreiberg, onde desço para o porão, onde a nave do Coruja está. Subo a bordo em profundo deleite.

O resto da visita passa como um caleidoscópio: vejo filmagens de Rorschach e Coruja, folheio um exemplar dos Contos do Cargueiro Negro, num laptop vejo cenas em computação gráfica inacabadas do Vietnã, seguro em minhas mãos um button amarelo com um rosto sorridente manchado com o que parece ser caldo de feijão humano. Sentado em minha própria cadeira de diretor, autografo dúzias de livros e pôsteres para o elenco e a equipe.

Finalmente, cansado mas feliz, braço ao redor dos meus novos amigos, fantasiados ou não, é minha vez de sorrir para a câmera.

Um mês depois, ainda estou sorrindo..

Dave Gibbons
Dezembro de 2007



Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h52
[] [envie esta mensagem
]





WATCHMEN NÃO É "FILME-PIPOCA"

Ele foi o diretor que desafiou um dos grandes tabus nas adaptações para os cinemas: o de que "Watchmen", considerado por muitos a mais fabulosa história em quadrinhos de todos os tempos, era simplesmente impossível de se levar para a tela grande.
 
Duas décadas depois de fracassadas tentativas, Zack Snyder amealhou um grupo de atores tão talentosos quanto carentes de star power - como Billy Crudup (Dr. Manhattan), Patrick Wilson (Coruja) e o indicado ao Oscar Jackie Earle Haley (Roscharch) - para concretizar aquele que tem tudo para ser o "Cavaleiro das Trevas" de 2009.
 
Em entrevista Snyder conta o que acha da comparação e diz que o longa não é "filme-pipoca".
 
Divulgação
O diretor Zack Snyder durante as filmagens de "Watchmen"

A adaptação dos quadrinhos criados por Alan Moore se passa em um universo paralelo, em um ano de 1985 com os EUA ainda governados por Richard Nixon, e com o Vietnã derrotado pelos ianques muito por conta de uma arma letal, um super-herói poderosíssimo de nome Dr. Manhattan. A Guerra Fria segue presente e uma hecatombe nuclear poderá causar o fim do planeta. Mais: os heróis foram banidos do mapa pela administração republicana e, aparentemente, os heróis aposentados estão sendo ameaçados por algum inimigo oculto.

Trailer do filme "Watchmen"
Reportagem sobre a pré-estreia de "Watchmen" em Londres
Diretor de "Watchmen" diz que cedeu a pressões dos produtores
New York Times: "Watchmen" chega furtivamente ao cinema
CineClick: Diálogos e narrações foram mantidos de forma fiel
Saiba tudo sobre a história de "Watchmen" e seus personagens
Blog da Redação: Prévia de "Watchmen" e "Star Trek"

A ironia fina de Moore - o Coruja de Patrick Wilson, por exemplo, é uma espécie de Batman impotente, enquanto o Comediante é um Capitão-América asqueroso e corrupto - se junta às mãos de Snyder, o diretor por trás de "300" (por sua vez uma adaptação da graphic novel de Frank Miller) e de "Madrugada dos Mortos".

UOL Cinema: Este é seu terceiro longa e mais uma vez você se debruça sobre uma história já existente, que, de alguma forma, já teve vida própria anteriormente. Há um interesse seu em adaptações ou é mera coincidência?

Zack Snyder: Não sei. Para mim, livros e quadrinhos têm o mesmíssimo poder de atração que bons filmes. Mas você me fez pensar em George Romero e Frank Miller, e posso te dizer que o que mais me atrai são estas personalidades do que seus trabalhos, que, claro, são fabulosos. Os dois que citei, mais o Alan Moore, são três gênios. E fico feliz de ter cruzado meu caminho com os deles de alguma maneira.

Divulgação
Billy Crudup interpreta o poderoso Dr. Manhattan em "Watchmen"

UOL Cinema: Qual foi exatamente seu contato com Moore desde que decidiu-se que você levaria "Watchmen" para as telas?
Zack Snyder:
Alan disse há muito tempo que não queria se envolver com uma adaptação de "Watchmen" e que acreditava ser impossível um filme refletir exatamente o que ele queria com a graphic novel. Disse claramente "não me procurem, não me liguem; não quero ninguém me perturbando".

UOL Cinema: E foi algo que o fez pensar em desistir da empreitada?
Zack Snyder: Hum...Talvez tenha me forçado uma pausa. Mas Alan diz muito, muito mesmo, nos quadrinhos que criou. A voz dele está clara em "Watchmen". E, para mim, assim que a pausa passou e eu decidi que este seria o meu próximo projeto, decidi fazer o que Alan queria. Não o procurei. E acho que evitei o maior erro que poderia me acontecer: tentar imaginar o que Alan gostaria de ver na tela grande. Ninguém sabe como ele pensa. No passado, acho que diretores bem-intencionados tentaram fazer isso e não deu certo. Deixando bem claro que é só especulação, porque sequer conversamos, creio que estas primeiras adaptações de seu trabalho no cinema o deixaram extremamente zangado.

Divulgação
A personagem Silk Spectre (Malin Akerman) em cena do filme
UOL Cinema: Como você decidiu o que seria limado da história original na hora de começar a filmar?
Zack Snyder: Meu primeiro critério foi deixar todos os momentos mais complexos, mais difíceis mesmo, presentes graficamente na tela. Nosso roteiro inicial tinha 167 páginas! O estúdio, claro, exigiu cortes. Eles me disseram: mas que filme é este? Terá a duração de quatro horas? E minha resposta foi simples: sim, talvez! (risos).

UOL Cinema: Mas você acabou colocando a tesoura para funcionar...
Zack Snyder: Eles me disseram que identificaram três partes do roteiro que deveriam desaparecer. O funeral do Comediante chegava ao fim quando o filme já tinha uma hora de duração! Uma hora até a história de fato começar. Também sequências de 20 páginas com o Dr.Manhattan pensando sobre o quão triste é sua realidade. Era possível cortar isso facilmente. E, por fim, uma enorme sequência de um psiquiatra lidando com "aquele cara sem rosto". Pronto, o filme funciona! Tem até ritmo!

UOL Cinema: E você concordou?
Zack Snyder:
Disse que entendia e que em um filme "normal" eu concordaria com a visão dos produtores. Mas eles haviam justamente enumerado as razões pelas quais eu estava fazendo o filme. A ambigüidade moral do Comediante e a indecisão despertada no público - afinal, posso gostar dele ou não? - tinham de estar presentes. A investigação comandada por Roscharsch e a dúvida central da trama [sobre os assassinato em série de heróis uniformizados] também não podiam sumir. E meu "Watchmen", no fim, acaba se dando em torno destes elementos. A textura de "Watchmen" é muito tênue. Lutei para mantê-la a todo custo.

UOL Cinema: E no fim, é claro, você, como fã, fez o filme...
Zack Snyder: ... Para mim mesmo! Sim, acima de tudo! Você tem toda razão. Quando vejo cada cena, ou até antes, quando desenhei as cenas, pensava se aquilo ali me satisfazia como adorador dos quadrinhos do Alan. Não sei outra maneira de fazer meus filmes, eles transbordam do meu ponto de vista.

UOL Cinema: E como foi encontrar o elenco ideal? Não se imaginava em um primeiro momento o ator Rodrigo Santoro como o Imperador Xerxes, como em "300". Aqui as escolhas parecem tão ou mais surpreendentes.
Zack Snyder: Não pensei em nenhum efeito-surpresa. Para mim era simples: especialmente com "Watchmen", os atores que escolhi são simplesmente bons. Claro, o Matthew é um galã, alto, com um belo corpo. O Jackie é o Roscharch (risos) e isso é indiscutível. Acho que se tivesse feito um filme com grandes estrelas de Hollywood seria diferente. Não teria conseguido o "punch" que encontrei com estes atores, que não têm medo de serem emocionais em um filme repleto de ironia e deboche para com o mundo dos super-heróis.

Divulgação
Muitas cenas de "Watchmen" são semelhante aos quadrinhos originais

UOL Cinema: Assim como em "300" as cenas de violência em "Watchmen" são bem intensas, e algumas, em câmera lenta, remetem aos quadrinhos.
Zack Snyder: Juro que não são tão presentes quanto em "300", mas, não tenho como evitar, sou um geek quando se trata de filmes de ação. Procuro, então, levar este universo para meus projetos. Mas queria atrair uma audiência que não conhecia "Watchmen" sem, de forma alguma, alienar os fãs. Sim, admito que tenho um certo jeito de olhar para as coisas. Na cena em que o Comediante é jogado pelo vidro do apartamento no chão de Manhattan, por exemplo, é claro que queria que se parecesse com os quadrinhos. Daí a câmera lenta, que te leva para uma outra mídia, sem abdicar do cinema em momento algum. Mas, para não ficar demasiadamente estilizado, há um reforço nas cenas com velocidade e força intensa de violência. No restante do filme a violência é bem menor. Mas ali, não tive como evitar.

UOL Cinema: Há, aqui em Hollywood, a expectativa de que "Watchmen" será o "Cavaleiro das Trevas" de 2009. É algo que o aborrece?
Zack Snyder: Não, eu até gosto! Acho que a cultura pop tomará um susto de levantar defunto (risos). Vão ver Billy Crudup andando pelado para cima e para baixo como Dr. Manhattan e pensarão: "mas cadê o Batman?". Não tenho dúvida alguma: meu filme é tão bizarro quanto os quadrinhos do Alan. Não é "Transformers", não é filme-pipoca! Para mim, esta é a parte mais legal de meu filme.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h26
[] [envie esta mensagem
]





 
Diretor de "Watchmen" diz que
cedeu a pressões dos produtores

A sala do Vue West End, em Londres, praticamente lotada indica o interesse despertado por "Watchmen", o filme dirigido por Zack Snyder (o mesmo de "300") e baseado em uma das graphic novels mais amadas de todos os tempos, escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Foram exibidos cerca de 30 minutos de cenas do longa-metragem, que estréia somente em março do ano que vem, mas já deixa os fãs atiçados.

O jovem diretor de 42 anos apresentou a sessão com as cenas do filme contando sobre sua relação com a graphic novel. "Para quem não conhece, 'Watchmen' é simplesmente a história em quadrinhos que mudou o jeito como essa mídia é percebida", disse. "Quando eu li, fiquei embasbacado", contou. "Mas nunca pensei: Ah, acho que eu gostaria de transformá-la em filme".

Só que o convite veio. Snyder sabia que, se não aceitasse, os produtores tocariam o projeto de qualquer forma. "Achei que seria responsável se eles dessem o filme a alguém que não fosse fiel ao espírito da graphic novel, que seria minha culpa de qualquer forma se o longa não desse certo. Então pensei que seria melhor aceitar e, caso o filme não desse certo, a culpa seria minha de verdade".

"Watchmen" se passa em 1985, durante a Guerra Fria, e mostra um grupo de aventureiros mascarados, ou vigilantes mascarados, cheios de conflitos morais e problemas psicológicos. Dr. Manhattan (no filme vivido por Billy Crudup) é o único realmente a ter superpoderes, depois de um acidente no laboratório onde trabalhava. "Acontece o tempo todo nas histórias em quadrinhos", brincou Snyder. "Há uma boa chance de acontecer, se você trabalha com ciência e tecnologia. Eles deveriam falar isso para as crianças!".

Foram exibidas três seqüências do filme: a inicial, uma em que o Dr. Manhattan está em Marte e uma de luta com Coruja e Espectral. Após a exibição das cenas, Snyder respondeu a perguntas dos jornalistas, ao lado de Dave Gibbons. Uma das questões foi justamente sobre a não participação de Alan Moore no filme, pois o autor recusa-se a ter qualquer coisa a ver com as produções cinematográficas baseadas em obras suas.

"Quando eu me envolvi no projeto, ele já tinha pedido para que seu nome não constasse nos créditos. Para mim foi triste, porque sou um grande fã, mas entendo e não quis incomodá-lo", disse Snyder. Dave Gibbons explicou a posição de Moore: "Ele teve experiências muito ruins com o cinema e decidiu não participar mais. Eu o admiro por isso, mas também lamento porque estou tendo uma experiência ótima", afirmou ele, que acompanhou o processo de perto.

Zack Snyder contou que houve pressões dos produtores para que o filme pudesse passar na classificação PG 13. "Eu disse a eles que seria um problema para mim, porque há essas cenas de sexo e de violência. Como '300' tinha acabado de sair, eles falaram: OK.". O diretor disse que não queria ter de "borrar" as cenas em que Dr. Manhattan aparece nu, por exemplo. "Mas foi uma relação em que ambos os lados tiveram de ceder. Não quero ser um idiota e dizer que este é meu filme de arte, que não me importo com o público. Quero que muitas pessoas assistam e tenham essa experiência", afirmou. "Acho que o público quer uma razão para ir ao cinema, deseja ver algo novo. Espero que 'Watchmen' lhes dê isso", completou.
 
Snyder sabe filmar ação

Goste-se ou não de "300", não dá para negar que o diretor Zack Snyder é, no mínimo, habilidoso com as imagens, especialmente com as cenas de ação. Confirmam essa percepção os 30 minutos de "Watchmen" exibidos em Londres (no momento, o filme está com duas horas e meia de duração e provavelmente haverá uma versão longa, de até três horas e meia, em DVD).

A cena de abertura é uma luta não só bem coreografada como bem filmada. Não há aquela câmera balançando, aqueles golpes que você não sabe de onde vieram - nem para onde foram. Tudo é milimétrico. Logo depois do assassinato de um dos vigilantes, que desencadeia a trama, vêm os créditos, contando o passado dos personagens e os mesclando com a história dos Estados Unidos. A câmera passeia por cenas da Guerra do Vietnã ao assassinato de John Kennedy, passando pelo Studio 54 e por Andy Warhol. Impossível perceber tudo de uma só vez, de tantos detalhes que cada trecho tem. É uma abertura forte.

Na segunda seqüência, desiludido com a humanidade, Dr. Manhattan vai para Marte e começa a recontar sua própria história, avaliando o acidente que o transformou num ser sobre-humano e, com ironia, seu uso pelo governo norte-americano. Graças ao personagem, por exemplo, os Estados Unidos ganharam a Guerra do Vietnã, prolongando o governo de Richard Nixon. Por último, foi apresentada uma seqüência em que Coruja e Espectral invadem uma prisão, derrubando um a um os prisioneiros.

Claro que "Watchmen" não é um material simples, para quem gosta dos super-heróis normais. Mas, pelas cenas apresentadas, tem energia e ação de sobra para ser mais um sucesso de bilheteria.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h20
[] [envie esta mensagem
]





10 COISAS QUE VC TEM DE
SABER SOBRE WATCHMEN:
 
Clique AQUI.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h18
[] [envie esta mensagem
]






Our Favorite Blink-And-You'll-Miss-'Em Moments

From a suggestive file-folder name to a '300' reference, these are the in-jokes to look out for.

Since VHS tapes gained popularity in the '80s, filmmakers have delighted in hiding "Easter eggs" in their films for fans to discover during repeated viewings at home. It only seems appropriate, then, that Zack Snyder's "Watchmen" is not only set during the decade of greed, but that it breathlessly captures Alan Moore's pop-culture graphic novel by cramming more eggs into every frame than perhaps any movie before it.

Nowadays, we have Blu-ray, DVDs and Internet screen grabs to help us keep up with Snyder's amazingly detailed, frantically faithful "Watchmen" world. But if you want to catch all the in-jokes, references and blink-and-you'll-miss-'em moments the first time you see the movie, you can start here. Below are seven of our favorite "Watchmen" Easter eggs, as revealed by the stars themselves.

Not That There's Anything Wrong With That
A pivotal moment in the "Watchmen" plot has Nite Owl and Rorschach hacking into Ozymandias' computer. Keep a close eye on his desktop, and you'll see an ominously titled file folder. "Adrian's sorta like very asexual, but he's possibly a homosexual," grinned Matthew Goode, referring to a
long-held suspicion among "Watchmen" fans. "There's a very small thing in his file window, and it just says, 'Boys.' Which is very funny, and that's the kind of detail that Zack works with."

Silk Spectre May Be Dangerous to Your Health
Thanks to films like "Sin City," we all know that actress Carla Gugino is smokin'. But keep a close eye on "Watchmen," and you'll see her lighting Edward Blake's beloved cigars. "The Comedian has a lighter that he lights in the boardroom scene, and it has a picture of Sally Jupiter on it," Gugino said of her pinup character, who was never afraid to merchandise. "It's never mentioned, and it's a very quick shot."

Read All About It
It's hard to imagine a real-life superhero on the cover of Time magazine, let alone two of them. But keep your eyes peeled, and you'll see a quick shot of an issue from 1984 featuring Dr. Manhattan and Adrian Veidt shaking hands.

Are You Ready for This Theory, Oliver Stone?
For 46 years, the world has wondered who really shot JFK. Thanks to "Watchmen," we finally have photographic evidence of the man on the grassy knoll. "It's something we don't see in the novel, but it's kind of alluded to," Jeffrey Dean Morgan said of his brief scene shooting President Kennedy with a high-powered rifle, and then sneaking off into the crowd. "One of the things that takes place [in the opening credits] is the assassination of Kennedy, and then the camera pans, and there's the Comedian standing there with his rifle. That was awesome!"

What's Ozymandias Watching?
Like Alan Moore's graphic novel, the final confrontation in the film begins when we find Adrian Veidt sitting in front of a massive wall of televisions. As the world's smartest man takes in all the information, director Zack Snyder delights in goosing his audience with dozens of in-jokes. "The original '300 Spartans' is on one of them," said the "300" director, referring to the 1962 movie that predated his tale of King Leonidas. "There's also 'The Road Warrior' that you can see, which was a really influential movie for me in the '80s. ... There's some porn, some real porn — which is cool. There's a Marvin the Martian [cartoon], which is the one where he's trying to destroy the Earth — which speaks to the annihilation of the planet that Ozy's having an issue with at that time. There's 'The Day the Earth Stood Still,' which is featured heavily in the graphic novel, and there's 'Fail Safe,' which is another Cold War-era epic." Snyder also has screens showing several contest-winning videos that he solicited from aspiring filmmakers on
YouTube.

What's Rambo's Problem Now?
Another of Veidt's televisions plays "Rambo: First Blood Part II," which made us wonder: If the U.S. won Vietnam so quickly and easily in the "Watchmen" reality, would the "Rambo" movies even exist? "There might be a couple M.I.A.'s still there," Snyder said of John Rambo's mission in the sequel. "The reason I put that shot in there was that Sly [Stallone] is walking with another character from the movie — I forget the actor's name — but he has a [smiley-face] button on — only he has a frowning smiley face. I was like, 'They just totally missed the point of that,' but I thought it was really interesting that it was pop culture invading a movie that, in some ways, didn't understand it was being mocked by ['Watchmen']."

Don't Read It, Dan!
Some people believe that if you Google the word "Google," the world as we know it would come to an end. But what if a "Watchmen" character read the graphic novel "Watchmen"? "In Nite Owl's basement, you can keep an eye out for something that really stands out," Malin Akerman revealed, and a co-star confirmed that Alan Moore's graphic novel is among the books on Dan Dreiberg's desk. "Just look for it, and you will find something. It's like finding Waldo!" You can also see a photo of Nite Owl's former flame, the Twilight Lady.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h17
[] [envie esta mensagem
]





THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE

THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE

As excitement continues to build for “Watchmen” – the publisher just put an additional 300,00 copies in print following the release of the trailer and Comic-Con – get an inside glimpse inside the psychedelic worldview of one of the world’s most visionary and creative minds with THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE.

As Comic-Con 2008 set records for attendance this summer, much of the “buzz” centered on Zack Snyder’s eagerly anticipated, big screen adaptation of the Hugo Award-winning cult classic graphic novel “Watchmen,” authored by legendary comic book writer Alan Moore. 

Now, in the first and only documentary in which the heretofore reclusive,  visionary and innovative Moore participates, his hugely-devoted fan base and the soon-to-be-indoctrinated can enter the mind of the world’s most famous comic book author, embarking on a fascinating and psychedelic journey through the life and career of the creator of “Watchmen,” “From Hell,” “League of Extraordinary Gentlemen,” “Constantine” and “V for Vendetta.”

Moore – writer, artist and performer – is the arguably the world’s most critically acclaimed and widely admired creator of comic books and graphic novels, a true original responsible for many of the genre’s iconic creations.  In THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE, viewers are granted a portrait of the artist as contemporary shaman—someone with the power to transform consciousness by means of manipulating language, symbols and images. 

The award-winning film, from director DeZ Vylenz, leads the audience through Moore ’s world with the writer himself as guide, beginning with his childhood background, following the evolution of his career as he transformed the comics medium, through to his immersion in a magical worldview where science, spirituality and society are part of the same universe.

This exclusive 2-disc collector’s set, containing the extraordinary film on the life of this modern-day philosopher, artist and magician presented with English, French, Spanish and Portuguese subtitles, features over three hours of extras that further illuminate the masterful mind of Moore, including:

- Interviews with Melinda Gebbie (“Lost Girls”), Dave Gibbons (“Watchmen”), David Lloyd (“V For Vendetta”), Kevin O’Neill (“League of Extraordinary Gentlemen”) and Jose Villarubia (“Promethia” and “Mirror of Love”)

- “Making of” featurette

- Introduction to Alan Moore’s work by Paul Gravett

- Selected scene analysis with director’s commentary

- Interviews with director, composer and special make-up FX artist

Recipient of the Special Recognition Award for Creative Achievement in Documentary Filmmaking at the San Francisco World Film Festival, THE MINDSCAPE OF ALAN MOORE has also been featured at film festivals worldwide including Comica at the ICA Cinema London, Copenhagen International Film Festival, Belfast International Film Festival, San Diego Comic-Con Film Fest, Comicdom Con Athens and Caption Oxford.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h16
[] [envie esta mensagem
]






DeZ Vylenz, filmmaker and friend of Alan Moore,
talks about making a documentary with the comics legend

In The Mindscape of Alan Moore we see a portrait of the artist as contemporary shaman, someone with the power to transform consciousness by means of manipulating language, symbols and images.

The film leads the audience through Moore’s world with the writer himself as guide, beginning with his childhood background, following the evolution of his career as he transformed the comics medium, through to his immersion in a magical worldview where science, spirituality and society are part of the same universe.

The documentary is being released on DVD in the U.S. on September 30, 2008, but you can be pre-order The Mindscape of Alan Moore before that date right now.

The writer and director of the documentary, DeZ Vylenz, sat down with WatchmenComicMovie.com a while back to talk about what is was like making his off-beat, yet captivating film, about the life, career, and philosophies of comics legend Alan Moore.

What was your process for making The Mindscape of Alan Moore?

Vylenz: The way it worked was I actually structured the film in three acts. I said “Okay, if we’re going to do this, we need a structure.” You know, a point where it started and ended. Same thing with [Alan Moore’s] career. I had certain ideas myself that I thought were interesting, such as shamanism, consciousness expansion, martial arts. All cultures have different… spiritual technologies, shall we say. I was really fascinated by that.

So, we’ve got a structure really well, and I took from every specific work I knew was at a specific time in his life. So it had all the meaning for him in a way that had meaning for fans. It’s just like what I like about his work, you can really feel that he’s enjoying the work himself almost as if he’s a reader. He's just really enjoying himself when he’s writing it, and at the same time, he can step back and feel what it is to be a reader, someone who experiences the medium. And that’s really the key for the film. Get that going, all the information, get the spiritual and scientific point of view, and make it a very coherent kind of fluid media essay that you could really visualize.

At the same time, the difficulty of course was to get the mood of his books. Obviously, it would be a very dry documentary if it was only him talking or just Terry Gilliam, which was a consideration I had at the time, to interview Terry Gilliam and anyone else who had worked with him. But I thought it would kind of detract from the shamanical journey that I wanted to achieve for the film. You sit there and at the end of the film, you feel like something has changed in your brain. The same thing where if you read one of [Moore’s] works, something really changes. I think it’s almost something chemical.

I'm not sure what your experience was when you first read Watchmen, but I’m sure that there was some kind of “glow” to the mind or the stomach.

I'm guessing you probably saw Alan Moore do other interviews. Did you ever think, “Is he going to be a willing subject? Is he going to say interesting things? Is he going to give me enough for a film?”

Vylenz: Basically, when we had a structure, I did an audio interview with him. I think I did at least two full days of interviewing and we just talked. I talked with him about what I was interested in. The key thing with any kind of caliber artist is never to be sycophantic and — excuse my language — kiss his ass. If they see you as a kiss-ass fanboy, you’re not working on the same page. The last thing you want to say is “Oh, I think your work is great because of this, this and this.” It’s more of an appreciation and you’re very professional about it. And you wait until the last day of the shoot — before you leave — to get out the comic books and have them signed.

It’s a kind of respect. He was a really great guy to work with, I don’t know where all these stories come from. Obviously, he’s a very determined man and he has his own vision, so of course when people disrespect his vision for so long, of course there’s going to be some friction. But we had a great experience with him, he was a real gentleman.

He’s also a great listener. Not just a great talker, but a great listener, so it was a very close collaboration. He didn’t mind if I said “Okay, look, in this magazine you say something in a very articulate way. Is there any way you could work it so it fits in this segment?,” and so on.

A lot of the footage in the film is actually improvised. Yes, there was a structure, but at some point, I wanted the guy to sort of move off in a different direction and you’ve got to use that if it’s a great take. So we had some things where he digressed and went to very interesting areas where I thought “This fits in the film as well and we’ve got to use it.” He’s so captivating; he’s like the ancient Mariner. He’s so articulate.

So yeah, I wasn’t too worried about that. I was more worried about getting the visuals and the music and everything up to his level. It would be pretty bad if we got all this amazing stuff but we filmed it in a really boring way or in a really over-the-top kind of edited way.

You recreated scenes from V for Vendetta as well as a scene from Watchmen — but for the Watchmen scene, you have Alan Moore actually doing the voice of Rorschach. How did that come about and how was that particular journal entry picked?

Vylenz: Well, that’s one of my favorite Alan Moore works. I felt when I opened the book, and you have that Rorschach voice-over, it’s very reminiscent of De Niro in Taxi Driver. That Travis Bickle character — very angry, very anti-establishment — it resonates with your personal zeitgeist, if you want to call it that. I thought he was a very social, political, critical kind of character, with a lot of things going on. At the same time, it’s also the framework for the book. So I thought it would be great to have him do that segment. And he did, and that’s his Rorschach voice.

It was funny, one of the fans had sent us an e-mail saying that Zack Snyder had said on a Harry Knowles interview that he saw that scene and that he was going to use it as reference for the mood or something like that. So that was a nice compliment in the end, and also Alan liked the scene himself. We just wanted to capture the mood.

It’s the angry voice in all of us in the end, you know? He’s like the vigilante. Rorschach is like an animal in the structured society. Of all the superheroes, he’s the one who will never relent. He will never give in because he doesn’t believe in that kind of system where things are controlled.

Does Moore like discussing his older work or did you get the feeling he’s just tired of talking about it?

Vylenz: Oh, not really. He always likes talking about his next project. He’s always a man looking forward, beyond the next horizon. But at the same time, whenever you discuss it, he’s fine with saying “Oh yeah, I was trying this at the time, I put a lot of work into it, but now I think it’s naive in some bits.” But with Watchmen, he never says it, but I got the feeling that he’s pretty pleased with how it came out. He said there was an incredible kind of synergy, alchemy, like a chemistry between his mind and Dave Gibbons. How they would come up with ideas, go back and forth. They tapped into something that was magical. Dave Gibbons is also a magic practitioner, so we talked about that as well. I was going on about how I believe that when artists have a special spiritual mind set, it can sometimes reflect in their work, even if it’s very subliminal. With Dave, he’s very balanced as a person. Same thing with his style. It’s very clean, very balanced, there’s no ambiguity, but at the same time, there’s a lot of detail. A lot of layers. Very clean and crisp.

Anyway, I think he’s still pleased with Watchmen, though I think there’s still a sour thing that they never gave him his copyright back. I don’t know much about the politics, but I believe at the time, it was not normal for comics to be in print longer than a couple of years. So they’ll get the rights back when it gets out of print and it has been in print the last twenty years.

A lot of people bandy about the term “genius” when they talk about Alan Moore. What do you think about that?

Vylenz: Well, that’s a difficult word. I don’t think he’d ever describe himself as that. I think someone once said that William S. Burroughs was a genius and I think Burroughs might have answered “At times, I am possessed by genius.” In other words, a genius, like a genie or a spirit, is something that creatively we can all have. But Alan has that almost all the time, that possession of spirit. So, I would say that in many ways, he is a genius. He embodies that word, he’s one man who can carry that word with him — not that he does.

Obviously, it’s a tricky kind of term. It’s like how a master would never call himself a master. It’s other people that call him a master because of his achievements. It’s the same thing with genius. If you call yourself a genius, it leads to hubris. It leads to arrogance. But a lot of people call Alan Moore a genius.

It says on your Web site Shadowsnake.com, that The Mindscape of Alan Moore is part one of a “shamanautical” series. Can you define “shamanautical?”

Vylenz: Imagine five parts, so five different films. The first one being a documentary, The Mindscape of Alan Moore, the other four are fiction. They’re based on five different elements as well. I don’t want to go too far into it, or we could talk for hours, but it’s very much to do with characters that also explore the surroundings and world and dynamics that they study between people. One of them is a martial artist, for example. Another one — the one I’m starting next — is kind of a rogue movie through the jungle. Not like Deliverance, but imagine some kind of trailer atmosphere. All of them have one thing in common, which is that they’re exploring the universe in a certain mind set; a certain point of view. And that’s a “shamanautical” thing. I just coined the phrase to describe how I want to do this. It’s kind of conscious navigating through different parts and different levels of our existence.

I don’t want to get too much into the existential stuff, but beside the material plane, you have the plane of ideas, thoughts and so on. Beyond that is what scientists explore, it’s what different religions try to explore. But all of them have one thing in common, which is they try to explore the universe, existence or underlying truths through different actions or research or experiences, which is what I’m trying to achieve with the films. They’re pretty much experiences.

It seems to me that you and Alan share the same sort of spiritual or artistic connection, or synergy, if you will, that helped Alan Moore and Dave Gibbons to make Watchmen a masterpiece of the comic genre. Do you feel that you and Moore were connected in that same way?

Vylenz: Yeah, it was really strange. His magical system is different than mine. I come from a martial arts background, so the philosophies are different. But in the end, it all comes to the same thing, because I always say that Taoism is a formalized version of shamanism. When you’ve got Taoism, you’ve got the Tai Chi symbols and all that. Then you’ve got Alan’s system, which is very much based on the Kabbalah. But in the end, they’re all systems. That just means that they’re all trying to explore the universe and find more underlying truth. So, it was really great seeing that acknowledged by him.

He never called himself a shaman, but I wanted to make the film a “shamanautical” experience, so why not draw the comparisons between him and a shaman? He never called himself that — he used the word “magician.” But in the culture I grew up in, you have African tribes in the jungle, you’ve got Native Americans, you’ve got different cultures, so you see a lot of spiritual practices and it's very interesting to see all the similarities.

Source: WatchmenComicMovie.com



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h11
[] [envie esta mensagem
]





ENTREVISTA DO DIA: ALAN MOORE
 
Alan Moore desanca Watchmen, Hollywood
e até mesmo a indústria dos quadrinhos
 
Antes ele estava desinteressado. Agora, sua atitude virou venenosa. Literalmente.

"O que posso lhe dizer é que vou ficar cuspindo veneno por tudo [relacionado ao filme] nos próximos meses", disse Alan Moore, em entrevista ao blog Hero Complex, do Los Angeles Times, sobre a adaptação cinematográfica de Watchmen.

O problema não é com este filme em si, mas com a indústria cinematográfica como um todo, segundo a entrevista. "Acho que o cinema na sua forma atual é muito prepotente. Ele nos dá comida na boca, o que dilui nossa imaginação cultural coletiva. É como se fôssemos passarinhos recém-saídos dos ovos olhando pra cima, com nossas bocas bem abertas, esperando que Hollywood nos alimente com um vômito de vermes. O filme de Watchmen parece mais vômito de vermes. Eu, pelo menos, cansei de vermes."

O autor ainda ri dos problemas jurídicos do filme – o processo da Fox contra a Warner que quer impedir seu lançamento. "Será que o filme um dia vai sair? Tem esses problemas jurídicos agora, que eu acho lindamente irônicos. Talvez ele esteja amaldiçoado à distância, da Inglaterra", diz Moore. E não é prudente brincar com um autor estudado em bruxaria.

Moore joga seu veneno para a indústria de quadrinhos também: "Há três ou quatro empresas agora que existem somente para criar não quadrinhos, mas storyboards para filmes. Pode-se dizer que a única razão pela qual a indústria dos quadrinhos ainda existe é essa, para criar personagens para filmes, jogos de tabuleiro e outras mercadorias. Os quadrinhos são uma espécie de horta onde crescem franquias que podem ser rentáveis para a indústria cinematográfica debilitada".

Moore fala bem de alguma coisa? Mais ou menos: do documentário The Mindscape of Alan Moore, que finalmente foi lançado para venda ao público nos EUA. É uma longa entrevista com o autor, ilustrada por representações gravadas de suas criações. "[O diretor] Dez Vylenz é muito talentoso e se há algo no filme que não o torne um sucesso, eu culpo as falhas do personagem principal", finaliza, não poupando nem a si mesmo.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h09
[] [envie esta mensagem
]






A densidade e a complexidade do texto de Watchmen já são suficientes para colocá-la no topo das mais importantes graphic novels. Alan Moore transformou o universo dos super heróis como nunca havia sido feito.

Além de torná-los realisticamente humanos e algumas vezes sublimes, ele abordou questões filosóficas, geopolíticas, científicas, éticas e psicológicas com uma profundidade equivalente a das mais importantes obras literárias já escritas.

Mas a forma como ele fez isso também foi impactante. As técnicas de narrativa utilizadas caracterizam o que muitos consideram como típicas da literatura pós-moderna, como a combinação da forma tradicional dos quadrinhos com outras linguagens, como trechos de um livro de memórias, artigos de jornais, relatórios psiquiátricos, cartas, memorandos.

Elementos que reforçam a interação entre realidade histórica e ficção na narrativa. Aliás, na verdade, são três narrativas que se entrecruzam o tempo todo ao longo da história sem nenhum prévio aviso ao leitor.

Uma dessas narrativas, o fio condutor, mostra o “tempo presente”, que se passa em 1985 numa Nova York que, como inserida num universo paralelo, reflete as conseqüências da existência de um super ser vivendo entre os humanos e a tensão de uma iminente e definitiva guerra nuclear.

Uma segunda narrativa mostra em flashback a história dos Watchmen, das suas origens aos eventos mais recentes, e conseqüentemente a evolução dos fatos históricos que conduziram a humanidade à situação insana daquele tempo presente.

Por fim, um garoto sentado ao lado de uma banca de jornal lendo um gibi sobre piratas constrói uma nova narrativa, na qual a aventura dos piratas se funde com as outras duas, como que construindo metáforas entre ficção e realidade e vice-versa.

Além disso, o trabalho de ilustração de Dave Gibbons com seus closes nos personagens e fusões de cenas incorporou elementos da linguagem cinematográfica aos quadrinhos. Tudo isso junto fez de “Watchmen” um marco da nona arte.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h06
[] [envie esta mensagem
]





WATCHMEN

Li na época da faculdade, e o que no filme me pareceu uma xaropada sem tamanho - o sacrifício de milhões para o benefício de bilhões - no quadrinho soou como grande filosofia pop.
 

Se há um mérito claro na adaptação de Watchmen feita por Zack Snyder foi o de incitar a releitura da HQ.
 
Claro, estou vinte anos mais velho, mas fico pensando se não é o cinema, com seus atores de carne e osso, que enfraquece essa idéia que no quadrinho parecia um tanto mais palatável. Assim como a reação dos demais à revelação do plano, que me pareceu conformista demais, com a exceção óbvia do Rorschach.

Sou um dos poucos que gostam de 300, o filme anterior de Snyder. Ali a câmera lenta ultramoderna não me incomodou tanto, a não ser na cena do oráculo. Em Watchmen, com quinze minutos eu já estava lamentando esse tique estranhamente autoral.

Quando Rorschach não está em cena o filme cai consideravelmente. Assim como nas cenas românticas entre Silk Spectre e Night Owl.

Estranhamente, parece ter closes demais, e alguns planos sequências parecem existir unicamente para destacar o lado cinematográfico da coisa, para não parecer unicamente uma homenagem à Graphic Novel.

Bobeira esse papo de que o filme só poderia ser satisfatório se tivesse no mínimo quatro horas. Mas Snyder conseguiu provar duas coisas paradoxais a respeito de si: que é um bom diretor e que não era o diretor ideal para o projeto. Quem seria ideal? Não sei. Mas fiquei pensando como um Sam Raimi se sairia diante da empreitada.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h47
[] [envie esta mensagem
]





SPOILER ALERT:

Watchmen is fucking awesome!

by Willie Wheaton
 
Note: I have kept spoilers out of this post. Please keep the comments spoiler-free as well.

I got to see a special advance screening of Watchmen yesterday, at a taping of MTV Spoilers. They showed us the whole movie, and then ran some clips from the new Harry Potter, the Land of the Lost, and the new Star Trek movie, followed by a Q&A with Zack Snyder.

I know a lot of people want to know about Watchmen, so I'll just cut to the chase right away: It's the best movie inspired by a graphic novel that I've ever seen. It could have gone wrong in a thousand different places, and it didn't. I've wanted to see this movie for twenty years, and it was entirely worth the wait. Hear me now, my fellow geeks: you have nothing to worry about. Watchmen is fucking awesome.

Now, the entire story...

I was supposed to be there by 2:45, but lost track of time while writing, and left my house over 30 minutes late. I'd allowed a traffic cushion in my original plan, and it was gone. Everything would have to go perfectly if I was going to get there on time. Driving up the street toward the freeway, my fuel light came on. Then I hit every single red light between me and the nearest gas station. By the time I was on the freeway, I was 45 minutes behind.

Rather than totally lose my shit and drive like a psycho, I just accepted that I'd get there when I got there and not a moment sooner. I listened to the first episode of the new D&D Podcast while I made my way out the 134 and over Laurel Canyon. I laughed the whole way, remembering how much fun we all had when we played up in Seattle. It ended about ten minutes before I got to the screening, so I just let my iPod shuffle to some music. Out of 9000 songs, it chose Depeche Mode's Behind The Wheel. It was a little eerie, because I can clearly recall driving in my Prelude with my friend Darin in 1989, talking about who would be in the Watchmen movie if they made one, while we listened to Music for the Masses. I'd been excited to see the movie, but until that happened, I hadn't fully appreciated the real significance of seeing it.

"I have waited twenty years to see this film," I thought, "and in about twenty minutes, it's finally going to happen."

As I pulled up to the parking garage, I got the nervous feeling in my stomach that's usually reserved for auditions or the first few days of a book launch. I know that it's just a movie, but it's something I've thought about and cared about for two thirds of my life. I guess it was so important to me, I hadn't let myself fully appreciate just how important it was until that moment.

A few minutes later I met my friend Chris (who was my date for the movie), and we made our way to the theater, stopping on the way to talk to the MTV people about my appearance on the show later, after they ran the Star Trek stuff. It was a weird disconnect for me; while I was talking to the MTV producers, I stopped being a geek who couldn't believe he was about to finally see Watchmen, and I was a professional actor, going over the technical specifics of how the show would be put together. My stomach butterflies and that mix of apprehension and excitement vanished for a few minutes, until we walked away, I became a geek again, and it returned with a vengeance.

The lights went down, the film began, and after just a few minutes, my apprehension was gone. I knew after the Comedian hit the street that this was going to be everything I'd hoped for. For the next two hours and forty-five minutes, I gasped, I cheered, I applauded, I was stunned and I was blown away. Most importantly, though, I was transported to the world I first visited, one issue at a time, when I was a teenager. When it was over, I wanted to go right back to the beginning and start over again, just like I did when I finished the graphic novel back in the 80s.

<Non-Spoiler Review Begins>

I'm not going to discuss specifics, because that would suck for a lot of people, but: PAY ATTENTION, MY FELLOW GEEKS: YOU HAVE NOTHING TO WORRY ABOUT.

(Did I just all-cap and bold that? I guess I did. What is this, MacWrite in 1986? Whatever. I'm leaving it, because it's that important to me that my fellow geeks read it.)

Now, listen, I know that we live in a world where we've endured Ang Lee's The Hulk, Spiderman 3, both Fantastic Four movies, and Indiana Jones Gets Raped Repeatedly While We Are Forced To Watch In Horror, so I think it would be really strange if we weren't worried and apprehensive about something that already means so much to us, but I hope this will calm your nerves until the movie is released: Watchmen is faithful to the book. It respects the book. I swear by the beard of Zeus, it feels like the book. Yes, there are some cuts, but they serve the release and don't disrupt or betray the narrative at all. Yes, they made a change to something that's a pretty big deal in the book, but it doesn't matter; what they did instead accomplishes exactly the same thing, and it does it perfectly. There is some of the Zack Snyder signature slow motion, and though it's a little heavy in the very first scene (which worried me) it isn't overdone throughout the movie at all, and I found it to be pretty cool and entertaining.

Ultra-purists who are just determined to pick it apart will be able to find some things to be upset about, but I don't know why they're even bothering to see it, to be honest. Speaking only for myself, as someone who has read the book over and over again, there were maybe ... three ... things that made me go "eh," but I had to work really hard to get even that perturbed, because ultimately none of them mattered. In fact, when the movie was over, and I thought about the stuff they cut or moved around, I just couldn't get upset about it, because nothing happened that fucked with the story or the characters, at all. Zack Snyder's Watchmen is as close to a perfect film adaptation of Alan Moore's Watchmen as we were ever going to see, and when his super-ultimate-here's-everything cut comes out in the fall, I think it will be perfect. But what I saw yesterday is truly remarkable: a big studio movie adaptation of one of the most — if not the most — important graphic novels of my lifetime that not only didn't fuck it up, but brought it to life brilliantly.

I can't think of a better, more faithful, graphic novel adaptation, ever. Nothing else even comes close.

<Non-Spoiler Review Ends>

When the movie was over, we got down to the business of making the TV show. This can be really tedious, and people who go watch a taping of a show hardly ever go back again, because it just isn't that fun. It could have been a disaster, with a theater that was mostly geeks, but MTV did a fairly good job moving things along, even though the producer who was sort of managing all of us geeks between shots was clearly out of his element, Donny.

Case in point: there were two dudes in the front of the theater dressed up as the Comedian and Rorschach. The producer had them stand up, and the geeks in the audience went nuts, because how cool was that, right?

The producer said something about how the Rorschach guy's costume was so great, they couldn't even tell if it was a fan or ... he stammered for a second ... or ... "you know, the guy who, um, plays Rorschach. The actor. I don't know his name."

The geeks just savaged the guy with boos. It was mostly good natured, but when the producer said, "Hey, hey, hey! I don't get to watch these movies, because I'm really busy making TV shows. You know, like My Sweet Sixteen," they totally turned on him with a taunting so vicious, I expected someone to put a cow into a catapult. It was hilarious. I mean, talk about not knowing who your audience is!

He would repeatedly try to get the audience back on his side for the rest of the evening, but it was like DC 25, and he got -5 for each failed attempt. I think he was up to DC 70 by the time we all left, but it was all in good fun.

They brought many of the cast members up, two at a time, and asked them some questions about the movie. They didn't spend nearly enough time with them, and I thought the questions could have been a hell of a lot better, because the ones they asked were mostly silly things about sex scenes and Doctor Manhattan's Junk (which is a good name for a band), but I guess that's what the audience at home cares about, and they have to keep them happy.

I forget the order in which the following events happened, but this is how I remember them.

After the first two groups of actors did their Q&As, they showed a clip from Land of the Lost. All I can say is: for fuck's sake. Are you serious with this bullshit? If the trailer during the Superbowl was punching my beloved childhood memories in the face, this clip they showed us was pissing on its corpse. I'm not entirely sure, but I think the whole thing is a New Coke way to trick people into thinking the television remake they did in the 90s sucked less than it did.

They showed us something from the new Harry Potter movie, which I can't comment on because I don't know enough about Harry Potter, but it made the Harry Potter fans in the audience really happy. After that, they brought up a couple more actors from the movie (Billy Crudup was hilarious and, yes, ladies, he is that good looking in real life) and then a couple more who talked about the sense of responsibility they felt while making the movie (it showed on screen, guys, you were all fantastic).

After all that, they showed the Star Trek thing. It was mostly stuff we've already seen, but the geeks (including me) were excited about it. Their host asked me some questions about the movie, and I thought I got in one comment about myself that was stupid, one about the movie that was insightful, and another that was humorous. You can watch MTV Spoilers on Saturday if you want to see what I said. BUT BE WARNED: THERE WILL BE MASSIVE WATCHMEN SPOILERS IN THIS SHOW.

After I finished my bit, I got to sit back down and enjoy the rest of the taping, which included the promise of something from the new Transformers movie that they didn't actually show (I guess it was a rights thing, and they can't show it until Saturday night) and then the only thing that could have made the evening even more awesome than it already was: a Q&A with Watchmen's director Zack Snyder.

They told us that he'd probably talk for about 30 minutes or so, but he ended up staying for close to 45. I was just blown away by his candor and his enthusiasm not only for Watchmen, but for comics and filmmaking in general. I know that he's been talking about this stuff and answering these exact questions for months, but if he was feeling any fatigue over it, he didn't let it show. He could have sat there and spoken in the language of Hollywood douchebags, but he spoke in the purest form of Geek that I've ever witnessed from a filmmaker. He didn't talk at us, he talked with us, and it was great.

I can't possibly remember everything he said, but there were a couple things that totally stood out, that I think geeks would want to know:

He said that when he was in film school, he wanted to make movies out of everything, whether it was a pair of shoes, or a cup of coffee. When he read comics back then, he thought that it would be great to make some of them into movies. He singled out Dark Knight Returns and Sin City, but when he got to Watchmen, he said there was no way he would even attempt it.

Then the studio came to him after 300 and asked him to make the movie. He didn't want to do it at first, partially because he was so afraid he'd screw it up, but also because the script was just horrible. It was set in the current day, it was about Doctor Manhattan going to Iraq, something about "The War on Terror" and was a PG-13 monstrosity that would be left open to a sequel. It was, in other words, exactly the kind of thing we're so afraid the studios will do to things we love when they adapt them for film.

He said that the more he thought about it, though, the more he felt a responsibility to make it. He said something like, "If I made it, I had a chance to not screw it up. If I did screw it up, at least it was me who screwed it up. But if I let them take the script they showed me to someone else to screw up, it would have been my fault. So I had to make it."

He also talked about how the studio kept trying to turn it into what he called a "PG-13 Superhero movie" and how he just refused to let that happen. He said that it was going to be rated R, there wouldn't be this ending that they wanted which would make you go for fuck's sake. are you serious with that bullshit? It would be set in 1985, and it would be faithful to the book.

I've read interviews with him, and I've heard from some second-hand sources that he cared deeply about the material, but until I saw him speak last night, I didn't fully appreciate just how passionate he was. While I listened to him speak, it hit me: Zack Snyder cares about Watchmen as much as we do, and it shows.

Before I realized it, I was on my feet, getting in line, not to ask a question, but to make a comment.

When I approached the mic, I felt my hands get cold and I couldn't feel my feet. This is typically what happens to me when I'm really nervous.

I cleared my throat and said, "Hi, my name is Wil, and I'm from Pasadena."

He said, "Hey, I'm from Pasadena, too!"

"AWESOME!" I said, and felt stupid.

I steadied myself, as the entire theater faded away and all I could hear was the sound of my own voice, coming out of someone else, very far away. "I just wanted to tell you that I've wanted to see this movie for twenty years."

I took a breath, and was horrified to feel some very real emotion rising up in my chest.

"Oh fuck. Just say it and run away!"

"I just wanted to say thank you for making it worth the wait."

He said something, but I don't know what it was. I was too busy running away.

As I left the theater, and feeling returned to my hands and feet, I thought, "Shit. I forgot to tell him, "If they ask you to make Sandman, please say yes.'"

I doubt he'll ever read this, but just in case he does ... Zack Snyder, this is Wil from Pasadena. If they ever ask you to make Sandman, please say yes.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h33
[] [envie esta mensagem
]





DVDs DE WATCHMEN
 
Segundo Zack Snyder, o DVD de Watchmen terá três lançamentos distintos.

O primeiro DVD é o básico, como a cópia que será exibida nos cinemas, e será seguida pela versão do diretor, programada para ser distribuída em julho de 2009.

A versão do diretor trará 99% do que foi filmado, e terá por volta de três horas de duração. Snyder declarou-se satisfeito com esta edição do longa.

Entre setembro e outubro, a Warner lançará o DVD que inclui a animação Contos do Cargueiro Negro editado dentro do filme Watchmen. Esta versão possui todo o material de Watchmen e terá perto de 3h30min de duração.

Watchmen se baseia na minissérie de Alan Moore e Dave Gibbons e será lançado nos cinemas em 6 de março.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h25
[] [envie esta mensagem
]





KITTY GENOVESE BRASILEIRA

Menina de 9 anos aborta gêmeos 

do
JC OnLine

A menina de 9 anos que engravidou de gêmeos depois de ser estuprada pelo padrasto de 23 anos abortou os dois fetos na manhã desta quarta-feira (4).

O aborto, realizado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, foi induzido por medicamentos. O primeiro feto foi expelido por volta das 9h. O segundo, às 11h30.

A menina, que teve alta do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) no final da tarde desta terça-feira (3), deve passar ainda por uma curetagem - procedimento médico para retirar material placentário da cavidade uterina.

De acordo com os médicos, o estado de saúde da garota é estável e ela deve continuar internada na unidade de saúde até esta sexta-feira.

O aborto acontece em meio à polêmica envolvendo o pai da garota, que, evangélico, demonstrou ser contrário ao procedimento. No entanto, a mãe decidiu tirar a criança do Imip, onde estava internada, e levá-la ao Cisam para a realização do aborto.

No último dia 3, a polícia prendeu o trabalhador rural José Amâncio Vieira Filho, acusado de ter estuprado a enteada. A menor tem 33 quilos e 1,36 m de altura.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 14h23
[] [envie esta mensagem
]





QUEM VIGIA OS VIGILANTES?

Desembargadora cita 'Watchmen'
em decisão contra milícias no Rio

Frase 'Who watches the Watchmen'
serve de epígrafe em texto jurídico.

.
 
Epígrafe do documento assinado pela Des. Maria Helena Cisne
 
A desembargadora federal Maria Helena Cisne, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, usou a frase mais conhecida da HQ "Watchmen", de Alan Moore, como epígrafe do texto da decisão que culminou na prisão de 15 pessoas acusadas de envolvimento em crimes eleitorais no Rio.

A frase "Who watches the Watchmen" (algo como "quem vigia os vigilantes") foi citada em inglês na abertura do documento, datado de 27/8/2008.

Na epígrafe do parecer, a desembargadora citou ainda um trecho do livro "O poderoso chefão", de Mario Puzo, e a poesia "Carta aos 'puros'", de Vinicius de Moraes.

Lançada originalmente entre 1986 e 1987 pela DC Comics, "Watchmen" é uma série em 12 capítulos que mais tarde foi compilada em uma graphic novel.

Ambientada nos anos da Era Thatcher e da Guerra Fria, a trama gira em torno do assassinato do personagem conhecido como Comediante, um dos vários heróis veteranos colocados na ilegalidade pelo governo. O acontecimento faz com que Rorschach, outro integrante do antigo grupo de vigilantes passe a reecontrar os velhos amigos - e inimigos - em busca de uma solução para o crime misterioso.

Uma versão para o cinema da HQ, com direção de Zack Snyder, está prevista para estrear em março de 2009. O longa, no entanto, vem sendo motivo de uma disputa judicial entre a Fox e a Warner Bros. e pode ter sua data de lançamento modificada.
Liga da Justiça

Coincidência ou não, uma das milícias envolvidas na mesma investigação policial no Rio atende pelo nome de Liga da Justiça, nome do grupo de super-heróis mais famoso da DC Comics, a mesma editora que publicou "Watchmen", nos Estados Unidos.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h48
[] [envie esta mensagem
]





 
Len Wein, editor original de Watchmen


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h43
[] [envie esta mensagem
]





SINOPSE WATCHMEN

Watchmen, à primeira vista, parece mais uma daquelas histórias em quadrinhos nas quais a velha e desgastada fórmula dos super-heróis que frustram planos de super-vilões se repete. Entretanto, quando se passa do estágio de reconhecimento dos desenhos e o texto começa a ser lido, é fácil perceber que há algo diferente nesses quadrinhos. Algo que faz com que valha a pena ler e recomendar a leitura aos amigos.

A história principal, em si mesma, serve apenas como o elemento que permite que a história de cada personagem seja revelada em cada capítulo. Densos e humanos, a identificação do leitor com as personagens torna-se quase inevitável.

Nesse aspecto, os grandes destaques são Rorschach, Dr. Manhattan e o Comediante, sem dúvida. As referências explícitas e subentendidas ao mundo real são fantásticas. As alterações no cotidiano implicadas pela existência de uma criatura com o Dr. Manhattan chegam a ser chocantes, algumas vezes.

Cada detalhe em cada quadrinho pode mostrar alguma coisa que não está explícita nos textos, mas é, de alguma forma, relevante para a contextualização dos eventos que acontecem ao longo da narrativa. Watchmen são quadrinhos para serem lidos com calma, muita calma.

Recomendo um único capítulo por semana, com a máxima atenção nos quadrinhos e pausas para reflexões sobre cada detalhe que possa ser notado ao longo da leitura. Os textos ao final de cada capítulo também são imprescindíveis para uma contextualização plena do texto.

Vale a pena, também, visitar sites dedicados ao estudo da série e ajudam muito na percepção de certas sutilezas do texto.

Recomendação máxima!


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h38
[] [envie esta mensagem
]





 
Abaixo das expectativas, "Watchmen"
arrecada U$ 55 milhões de bilheteria

"Watchmen", um filme de super-heróis heterodoxo que levou 20 anos para chegar aos cinemas, ficou com o primeiro lugar nas bilheterias nesse fim de semana na América do Norte, mas com números um pouco abaixo das expectativas.

A adaptação da cultuada história em quadrinhos obteve cerca de 55,7 milhões de dólares em seus primeiros três dias, segundo a distribuidora Warner Bros. Pictures, tornando-se a maior estreia do ano.

Mas os cálculos projetavam uma estreia no patamar dos 60 milhões de dólares e o valor foi consideravelmente mais baixo que os 71 milhões de dólares de dois anos atrás de "300", o filme anterior do diretor de "Watchmen" Zack Snyder. O épico sobre uma das guerras gregas mantém o recorde de estréia no mês de março, enquanto "Watchmen" fica em terceiro lugar.

"Nossas expectativas foram atendidas", afirmou Dan Fellman, presidente de distribuição doméstica do estúdio controlado pela Time Warner Inc.

Ele apontou que um filme de cerca de duas horas e meia inevitavelmente afeta os negócios, restringindo os cinemas a uma exibição principal por noite. Espectadores masculinos corresponderam a 60 por cento da audiência, com idade principalmente entre 17 e 35 anos, segundo Fellman.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h17
[] [envie esta mensagem
]





ALAN MOORE X WATCHMEN

Quem você preferiria encontrar à noite, numa rua deserta: o criador
de "Watchmen", Alan Moore, ou Rorschach, personagem da série?

Por Pedro Cirne (em Los Angeles)

O roteirista Alan Moore, que escreveu a minissérie "Watchmen", detestou a adaptação dirigida por Zack Snyder. Mesmo sem a ter assistido. Nas entrevistas que concede, Moore diz nem considerar a hipótese de ver o filme, o que, é claro, é motivo de uma ponta de desapontamento para a equipe da produção.
 
"Tenho grande respeito por ele, é claro", disse Snyder há duas semanas, em entrevista em Los Angeles. "Mas antes mesmo de eu entrar no projeto, ele já havia dito que não assistiria ao filme. Como fã, tudo o que eu posso fazer é respeitá-lo. Não vou pedir a ele que assista."
 
A raiva de Moore contra Hollywood vem de muito tempo. Crítico a tudo (inclusive à indústria de quadrinhos, onde trabalha), o roteirista britânico primeiro atacava as adaptações de suas histórias e personagens aos cinemas. Depois, passou a exigir que os filmes não tivessem seu nome nos créditos.
 
"Ele não vai assistir ao filme e pedir desculpas pelas críticas, nós sabemos", lamentou o ator Matthew Goode. Ele faz o personagem Ozymandias e disse compreender a reação de Moore. "Não posso culpá-lo por não querer ver o filme, depois do que aconteceu com algumas obras dele que já foram adaptadas ao cinema", afirmou.
 
Entre os filmes que adaptaram HQs escritas por ele, estão "Do Inferno" (dirigido por Albert Hughes e Allen Hughes, de 2001); "A Liga Extraordinária" (de Stephen Norrington, 2003); "V de Vingança" (de James McTeigue, 2005); e "Constantine" (de Francis Lawrence, 2005 - o filme é baseado em histórias escritas por outro autor, Garth Ennis, mas o personagem-título foi criado por Moore).
 
Amigo de Moore, o desenhista Dave Gibbons, que ilustrou "Watchmen", disse que nem mesmo fala com ele sobre a minissérie que criaram juntos: "Respeito muito o Alan e converso com ele com frequência, mas ele não fala sobre 'Watchmen', e eu respeito. É uma opção dele". Questionado por um jornalista se levaria uma cópia do filme para Moore assistir, Gibbons respondeu, rindo: "Vá você levar o filme para ele ver. Eu é que não vou!".

(Leia a cobertura completa sobre o filme "Watchmen" na versão impressa da Ilustrada desta quinta-feira.)



Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h55
[] [envie esta mensagem
]





JOTAPÊ:

"Chega de arrancar os cabelos de ansiedade.
Watchmen é 97% fiel aos quadrinhos. 
Resultado final: altamente satisfatório.
Substitui o gibi? Não. Honra o original?
Bastante."


SERGIO MARTORELLI:

"É uma bosta. É tanto slow-motion que o Comediante só atinge o chão meia-hora depois de cair. O resto do filme é só o velório... preparem a bunda, pq o filme é comprido pracaralho mesmo na Theatrical Version. Quero mesmo é ver a versão do diretor em blu-ray (que eu tenho e vcs não tem), com o Cargueiro Negro incluído e mais cenas e extras exclusivos".


VIKTOR MERLIN:

"Eu recomendo. Dr. Manhattan é o máximo!".


Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h52
[] [envie esta mensagem
]





DIÁRIO DE RORSCHACH

12 de outubro de 1985.
Carcaça de um cão morto no beco hoje de manhã com marcas de pneu no ventre rasgado. A cidade tem medo de mim. Eu vi sua verdadeira face. As ruas são sarjetas dilatadas cheias de sangue e, quando os bueiros transbordarem, todos os vermes vão se afogar. A imundice de todo sexo e matanças vai espumar até a cintura e as putas e os políticos vão olhar para cima gritando "salve-nos"... e eu vou olhar para baixo e dizer "não". Eles tiveram escolha, todos. Podiam ter seguido os passos de homens honrados como meu pai ou o presidente Truman. Homens decentes, que acreditavam no suor do trabalho honesto. Mas seguiram os excrementos de devassos e comunistas sem perceber que a trilha levava a um precipício até ser tarde demais. E não me digam que não tiveram escolha. Agora o mundo todo está na beira do abismo contemplando o inferno e os liberais, intelectuais e sedutores de fala macia... de repente não sabem mais o que dizer.

13 de outubro de 1985
Dormi o dia todo. Acordei às 16:37, com a senhoria reclamando do cheiro. Ela tem cinco filhos de cinco pais diferentes. Deve enganar a previdência social. Logo vai anoitecer. Lá embaixo a cidade grita como um matadouro cheio de crianças retardadas. Nova York. Sexta à noite um comediante morreu em Nova York. Alguém sabe por quê. Lá embaixo... alguém sabe. O crepúsculo fede a fornicação e más consciências. Acho que vou me exercitar.

Primeira visita da noite infrutífera. Ninguém sabia de nada. Sinto-me deprimido. A cidade está morrendo de hidrofobia. Será que só consigo limpar a baba da sua boca? Jamais se desesperar. Jamais se render. Deixo as baratas humanas discutindo heroína e pornografia infantil. Tenho assuntos a tratar com outra classe de pessoas.

20:30. Encontrar Veidt me deixou um gosto ruim na boca. Ele é mimado e decadente. Traiu até mesmo suas próprias hipocrisias liberais. Talvez homossexual? Devo me lembrar de investigar mais. Dreiberg não fica atrás. Um fracassado lamuriando-se no porão. Por que restam tão poucos de nós na ativa e sem desvios de personalidade? O primeiro Coruja é dono de uma oficina. A primeira Espectral é uma puta velha e inchada morrendo num asilo na Califórnia. Capitão Metrópolis foi decapitado num acidente de carro em 1974. O Mariposa está num hospício no Maine. Silhouette aposentou-se em desgraça. Foi morta seis semanas depois por alguém querendo vingança. Dollar Bill foi baleado. Justiceiro Encapuzado sumiu em 55. O Comediante está morto. Só restam dois nomes na minha lista. Ambos moram no Centro Rockefeller de Pesquisas Militares. Eu vou até eles. Vou avisar o homem indestrutível que alguém planeja matá-lo.

23:30. Sexta à noite um comediante morreu em Nova York. Jogado pela janela. Quando atingiu a calçada, a cabeça dele entrou no estômago. Ninguém liga. Ninguém além de mim. Será que eles estão certos? Logo vai haver guerra. Milhões vão queimar. Milhões vão perecer de doença e miséria. Por que se importar com uma morte? Porque existe o bem e o mal, e o mal tem de ser punido. Mesmo à beira do fim, isso não vai mudar. Mas muitos merecem punição... e há tão pouco tempo.

16 de outubro de 1985.
Rua 42: seios nus se esparramam de todos os outdoors, de todos os cartazes, sujando a  calçada. Me ofereceram amor sueco e amor francês... mas não amor americano. Amor americano; como Coca em garrafas de vidro verde...eles não fazem mais. Pensei na história do Moloch a caminho do cemitério. Pode ser mentira. Parte de uma vingança planejada durante uma década atrás das grades. Mas, se for verdade, o que significa? Referência intrigante a uma ilha. Também ao Dr. Manhattan. Será que ele corre perigo? Tantas perguntas. Tudo bem. Respostas em breve. Nada é insolúvel. Existe esperança. Enquanto houver vida. No cemitério, cruzes brancas se enfileram, marcas de giz numa lousa gigante. Faço última visita em silêncio, sem alarde. Edward Morgan Blake. Nascido em 1924. Comediante por 45 anos. Falecido em 1985, enterrado na chuva. É o que acontece conosco? Uma vida de conflitos sem tempo para amigos... e no fim só nossos inimigos deixam rosas. Vidas violentas terminando violentamente. Dollar Bill, Silhouette, Capitão Metrópolis... nós nunca morremos na cama. Não é permitido. Algo da nossa personalidade, talvez? Algum impulso animal para lutar e se debater, fazendo de nós o que somos? Não é importante. Fazemos o que deve ser feito. Outros enterram a cabeça entre as tetas inchadas da indulgência e da gratificação, leitões procurando abrigo debaixo de uma porca... e o futuro se avista como um trem expresso. Blake entendia. Tratava tudo como piada, mas entendia. Ele viu as rachas na sociedade. Viu os homenzinhos de máscara tentando remendar tudo... Ele viu a verdadeira face do século 20 e escolheu se tornar um reflexo, uma paródia desses tempos. Ninguém mais viu a piada. Por isso a sua solidão. Ouvi uma piada uma vez: Homem vai ao médico. Diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto. Médico diz: "Tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade. Assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo." Homem se desfaz em lágrimas. E diz: "Mas, doutor... eu sou o Pagliacci." Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano.

21 de outubro de 1985.
Saí da casa de Jacobi às 2:35. Ele não sabe nada sobre a tentativa de desacreditar Dr. Manhattan. Foi apenas usado. Por quem? Russos parecem a escolha óbvia: Manhattan e Comediante eram figuras militares importantes. Mas Comediante falou de uma ilha, artistas e escritores vivendo nela. Não se encaixa. Não consigo me concentrar. Cansado demais. Sem dormir desde sábado. Andei pra casa passando por latas de lixo cheias de rumores de guerra, analisando fatos; corpos; motivos... aguardando um lampejo de clareza no mar de sangue.

Acordei às onze com gritos lá fora. Perturbado por ter adormecido sem remover a pele da cabeça. Mais cansado do que imaginava. Devo ter mais cuidado. Do outro lado da rua, garotos com spray desfiguravam prédio abandonado. Memorizei feições e me preparei para o trabalho. Primeiro tirei meu rosto, dobrei e guardei no casaco. Sem face, ninguém me conhece. Ninguém sabe quem sou. Ao sair do quarto, encontrei a senhoria. Queixas de sempre: higiene e aluguel. Havia marcas de chupada no pescoço gordo. Recentes. Ela me lembra minha mãe. Na rua, inspecionei o prédio desfigurado: silhueta na porta, homem e mulher, possivelmente em preliminares sexuais. Não gostei. Faz porta parecer assombrada. Na 40a com a 7a, vi Dreiberg e Juspeczyk saindo do Gunga Diner. Um caso, talvez? Será que Juspeczyk arquitetou exílio de Manhattan a fim de abrir caminho para Dreiberg? Ela também odiava o Comediante. Devo investigar. Entrando no Diner, pedi café e me sentei olhando minha caixa de correio do outro lado da rua. Transeuntes fizeram vários depósitos: papel de bala, jornais, um par de tênis estrangulado pelos próprios cadarços, línguas pendendo horrivelmente. Esta cidade é um animal feroz e complicado. Para entendê-la eu leio seus dejetos, seus aromas, o movimento de seus parasitas... Sentei olhando o lixo e Nova York abriu seu coração.

Alguém tentou matar Veidt. Prova a teoria do "matador de mascarados". O assassino fecha o cerco. Verifiquei mensagens. Bilhete de Moloch. Relacionado talvez? Depois fui recolher rosto no beco. Em frente ao Utopia, polícia prendeu um viciado em KT-285. Estava gritando alguma coisa sobre o presidente Nixon. Sobre bombas. Será que todos enlouqueceram menos eu? Sobre a 40a, um elefante flutuava. Acima dele, satélites espiões invisíveis. Se eles estreitarem seus olhos de vidro, todos vamos morrer. Mundo implacável. Só há uma resposta sadia para ele. O beco estava frio e deserto. Minhas coisas estavam onde eu havia deixado. Esperando por mim. Colocando-as, abandonei o disfarce e voltei a ser eu mesmo, livre do medo, da fraqueza ou do desejo. Meu casaco, meus sapatos, minhas luvas imaculadas. Meu rosto. Tenho três horas antes de encontrar Moloch. Mais adiante, ouvi grito de mulher, primeira nota balbuciante do coro noturno da cidade. Me aproximei. Uma tentativa de estupro/assalto/ambos. Pigarreei. O homem se virou e havia algo gratificante no seu olhar. Às vezes à noite é generosa comigo.

1 de novembro de 1985.
Último registro? Saímos do escritório de Veidt quase meia-noite. Dreiberg, convencido de que Veidt está por trás de tudo, fala sério em visitar a Antártica. A nave dele aparentemente tem condições, mas e nós? Veidt. Não imagino oponente mais perigoso. Se a jornada for possível, rastreá-lo ao seu covil é a única opção. Mas me sinto intranqüilo. Território desconhecido... Ele poderia nos matar na neve. Ninguém jamais saberia... Primeira noite de novembro. Estou com frio. Escritórios abaixo, lajes marcando diariamente milhares de túmulos. Dentro, nos mostradores dos relógios, tão visados quanto celebridades, os ponteiros iniciam as voltas finais. O fim vem a galope, favorecendo a espora, poupando as rédeas. Acho que vamos tombar logo. Veidt é mais rápido do que Dreiberg. Talvez mais do que eu. Voltar da missão parece improvável. Última anotação. Vou mandar o diário aos únicos em quem confio. Digo a Dreiberg que preciso checar minha caixa postal. Ele acredita. Quer eu esteja vivo ou morto, se você estiver lendo isso agora vai saber da verdade: seja qual for a natureza desta conspiração, Adrian Veidt é o responsável. Esforcei-me para ser compreensível. Acredito que tracei um quadro aterrador. Apreciso seu apoio recente e espero que o mundo sobreviva até isto chegar às suas mãos, mas tanques estão em Berlim oriental e o fim está próximo. Quanto a mim, de nada me arrependo. Vivi a vida sem concessões... e agora avanço rumo às sombras sem me queixar. RORSCHACH, 1 de novembro de 1985.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h49
[] [envie esta mensagem
]





O (muito) que está em jogo com Watchmen

Menos de um ano atrás a Warner Brothers, estúdio líder de mercado nos Estados Unidos - 18.4% em 2008 - fez uma re-estrutura radical em sua cadeia de produção e aquisição. A recém criada divisão de filmes de arte e em língua estrangeira, Warner Independent, foi fechada (e nesse momento Quem Quer Ser um Milionário tornou-se um projeto órfão ou, no jargão da indústria, "renegade".) A New Line, produtora de filmes de médio orçamento (exceções: Senhor dos Anéis, Bússola de Ouro) que era distribuída pela WB, foi anexada à nave mãe apenas para que os projetos em curso pudessem ser concluídos sem dar prejuízo. A Picturehouse, divisão especializada em indies, também foi fechada.

Sobre todas essas decisões cirúrgicas pairava a sombra dupla do Cavaleiro das Trevas e da recessão. O primeiro era o mega-sucesso do ano, ultrapassando os recordes da tradição de arrasa-quarteirões de muitos dígitos - as franquias Harry Potter, Matrix- com que o estúdio sempre contara para custear as aquisições de projetos de baixo e médio orçamento.

Mas havia aquela outra sombra.... Numa apresentação para analistas financeiros, alguns meses depois da estréia de Cavaleiro das Trevas, Jeff Bewkes, CEO da Warners, respondeu à pergunta "o que podemos esperar depois de  Cavaleiro das Trevas?" com "mais Cavaleiro das Trevas." No final do ano, ao anunciar seus projetos para 2009 aos acionistas, Bewkes falou das recentes cirurgias corporativas e acrescentou mais uma: o número de filmes lançados por ano cairia de uma média de 45-47 para apenas 21 títulos em 2009. "A meta é reduzir os custos e, reduzindo a produção, aumentar a margem de lucro."

Neste momento, Bewkes e sua  equipe estão com os olhos colados nos relatórios de bilheteria de Watchmen, o primeiro grande lançamento da nova estrutura e o mais amplo - 3611 cinemas nos EUA, mais estréias simultâneas em todos os principais mercados internacionais - para um filme permitido apenas para maiores de 17 anos. As críticas tem sido misturadas demais para serem consideradas boas, mas isso não tira o sono de ninguém. Para um filme como Watchmen, críticas são completamente irrelevantes.

As questões são outras. Será que a política de "menos filmes, mas maiores" funciona? Será que Watchmen tem apelo vasto o bastante para segurar um lançamento tão imenso? (Os primeiros relatórios de mercado indicam que são os homens entre 25 e 35 anos que estão segurando a bilheteria, muito à frente do público normal para este tipo de filme, os entre 17 e 25, jovens demais para terem a empatia com a graphic novel que Watchmen exige). Mulheres de todas as idades não estão se interessando.

Embora discutindo um tipo de devastação moral, cultural e política de outra era - 1985 - Watchmen pode entrar para a narrativa do cinema como o primeiro lançamento de um novo período marcado por depressão econômica e desejo de evasão  cujos contornos ainda não podemos ver inteiramente.

Com certeza, 2009 começa agora, com ele. E, acho, a primeira década do século 21 no cinema também se encerra com ele.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 15h45
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]