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Em causa própria
 



No primeiro show no Brasil, Radiohead toca íntegra
do último disco em espetáculo visual caprichado
 
A espera acabou. Depois de tantas promessas em torno da vinda do Radiohead ao Brasil, os cerca de 24 mil fãs que compareceram essa noite à Praça da Apoteose, no Rio, puderam ver o show seguramente mais aguardado dos últimos tempos.

Em pouco mais de duas horas o grupo tocou, como tem feito nessa turnê, 25 músicas, com ênfase no último disco, "In Rainbows", que teve todas as suas dez faixas incluídas no repertório. O Radiohead foi a principal atração do Festival Just a Fest, que teve ainda as apresentações de Kraftwerk e do Los Hermanos, se reunindo especialmente para a ocasião.
 
Publius Vergilius/UOL
O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, durante show no Rio

Antes de o show começar, os telões exibiam pedidos da banda para que o público não praticasse "moshing", não usasse câmeras ou flashes, e que luzes estroboscópicas seriam usadas. O palco era todo cortado por objetos cilíndricos que iam do piso ao teto, em seu contorno, e no centro eram interrompidos a cerca de três metros de distância do piso, onde os músicos tocavam logo abaixo.

Esses objetos recebiam projeção de luzes de variadas cores e formatos que os faziam parecer lâmpadas fluorescentes gigantes. Luzes lançavam um feixe na horizontal que saturava o ambiente nas cores mais diversas, resultando num efeito extraordinário. Câmeras de segurança espalhadas pelo palco registravam as performances individuais de cada integrante, que eram lançadas ao vivo num grande telão no fundo do palco, e em dois menores, nos lados.

O show do Radiohead é do tipo em que o público, ao ouvir a primeira nota da música a ser tocada, já entoa suspiros de satisfação. Foi assim com a percussiva "15 Step", que abriu a noite, e com "There There", na qual a dupla de guitarristas Ed O'Brien e Jonny Greenwood assumiram os tambores no início.

Dentre todos na banda, Jonny é o mais inquieto, assumindo por vezes um dos teclados, extraindo ruídos de sua pedaleira e até tocando xilofone na bela "No Surprises", um dos melhores momentos da noite. Tudo isso com certa discrição, enquanto Thom Yorke se encarrega de ser o centro das atenções.

O líder do grupo foi outro que se revezou entre guitarra e teclado, mas também cantou sem tocar instrumento algum, quando aproveitou para mostrar mais seu lado performer. Ao vivo, mostrou uma motivação que parece lhe faltar nas gravações feitas em estúdio, sempre arrastadas e chorosas. É o que aconteceu em "The Gloaming", no qual os efeitos de luz simulam uma chuva fina, e em "Idioteque", quando entrou num transe convulsivo.

Yorke, embora fale pouco - quase sempre para agradecer - também interage com o público. Em "Karma Police", uma das grandes surpresas no repertório, ele garantiu um segundo final cantando à capela, enquanto foi acompanhado pelas palmas da platéia. Mesmo debaixo de efeitos de sustentação, mostrou boa capacidade vocal. Na singela "Faust Arp", o público não se conteve e aplaudiu no meio da música.

O repertório também foi dividido de modo que realçasse duas dicotomias típicas da carreira do Radiohead, e que têm pautado o indie/pop rock mundo afora. Uma é a alternância entre passagens mais calmas, no início das músicas, e outras mais urgentes, quando elas embalam. Acontece, por exemplo, em "Nude", cuja dramaticidade é reforçada pela luz, e em "How To Disapear", no encerramento do set.

O outro paradoxo bem resolvido é a convivência entre temas mais eletrônicos em harmonia com outros mais organicamente voltados para o rock. A já citada "Idioteque" e "National Anthem" se transformaram em batidões pesados, mas que se identificam, ainda assim, com rocks dos bons como "Just", já no primeiro bis, e em "Videotape", cuja ferocidade a distanciou da versão de estúdio.

Já no segundo bis, duas cenas inusitadas chamaram atenção. Em "You and Whose Army", Thom Yorke tocou um teclado posicionado no centro do palco e encarou uma das mini-câmeras, colocando em close, no telão, seu famoso olho esbugalhado. No caso do Radiohead, os telões também são arte, de modo que os integrantes do grupo só aparecem em posições pouco convencionais: não servem para mostrar detalhes para quem está mais longe.

No início de "Reckoner", O'Brien não se conteve e soltou, em bom português, um "bom pra caralho". A essa altura o público já esperava, para fechar, "Creep", que melhor emblematiza o início de carreira do grupo, ao passo que se contentava com a maior ausência da noite: "Fake Plastic Trees".

O Radiohead assegurou ao público brasileiro um espetáculo identificado com sua trajetória. Ou seja: moderno, mas sem ser moderninho.

Veja as músicas que o Radiohead tocou no Rio de Janeiro:

"15 Step"
"Airbag"
"There There"
"All I Need"
"Karma Police"
"Nude"
"Weird Fishes/Arpeggi"
"The National Anthem"
"The Gloaming"
"Faust Arp"
"No Surprises"
"Jigsaw Falling Into Place"
"Idiotheque"
"I Might Be Wrong"
"Street Spirit (Fade Out)"
"Bodysnatchers"
"How To Disappear Completely"

Bis 1
"Videotape"
"Paranoid Android"
"House of Cards"
"Just"
"Everything In Its Right Place"

Bis 2
"You and Whose Army?"
"Reckoner"
"Creep"

Impacto visual do Kraftwerk aquece platéia

O show apresentado pelo Kraftwerk não chega a ser novidade no Brasil, onde o grupo já esteve em duas outras oportunidades. Mas essa foi a primeira vez para uma platéia tão grande e num local aberto. O fato de quase toda a lotação da noite ter chegado cedo, graças ao fenômeno Los Hermanos, contribuiu para que os alemães tivessem sucesso na empreitada de suavizar a ansiedade pelo show do Radiohead.

Se o Kraftwerk fazia música eletrônica antes de ela própria existir, as projeções sempre foram ferramentas indissociáveis do grupo. "The Man-Machine", a música de abertura, é a prova. Sem os versos da letra ampliados no telão, o efeito não seria tão devastador. Ela traz um dos temas preferidos do quarteto: a mecanização. Junto com o transporte e o "futuro retrô", como o homem imaginava que seria o futuro há muitos anos, forma o tripé que sustenta a música que já foi a vanguarda mundial da eletrônica.

A dobradinha "Numbers"/"Computer World" ajudou a sintetizar a temática cubista do grupo, onde até os tempos da guerra fria vêm à tona. Em "Tour de France", "Trans-Europe Express" (nome de uma empresa ferroviária européia) e "Autobahn", variações sobre o mesmo tema são mostrados no telão, com destaque para esta última. Em "Robots", os quatro integrantes foram substituídos no palco por bonecos, deixando a dúvida se é realmente necessária a presença deles para que tudo se desenvolva.

O retorno se deu com a nova indumentária, para completar a hora exata da apresentação, com "Aero Dynamik" e "Music Non Stop", que fez sucesso já nos anos 80, com direito ao clipe reformado sendo exibido nos telões. Um desfecho bem previsível, mas que, quase como música de fundo, foi de boa serventia para o público.

Veja as músicas que o Kraftwerk tocou no Rio de Janeiro:

"The Man-Machine"
"Planet Of Visions"
"Numbers"
"Computer World"
"Tour de France"
"Autobahn"
"Model"
"Computer Love"
"Les Mannequins"
"Radioactivity"
"Trans Europa Express"
"Robots"
"Aero Dynamik"
"Music Non Stop"

show na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro


Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h15
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"...AND CARRY A BIG STICK"

Irã recusa "novo começo" à diplomacia de Obama

O líder supremo religioso iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou neste sábado que os Estados Unidos não mudaram de forma substancial sua política hostil em relação a seu país, rejeitando a mensagem enviada no dia anterior pelo presidente americano, Barack Obama, oferecendo "um novo começo" para as estremecidas relações entre os dois países.

 A rejeição de Khamenei veio como o primeiro obstáculo real à aclamada política diplomática de Obama e traz um lembrete de que a poderosa teocracia iraniana deve ditar os próximos passos da mudança desejada por Washington.

"É o primeiro passo da barganha no estilo clássico iraniano: seja duro e mostre sua dureza", disse Abdulkhaleq Abdulla, professor de políticas regionais da Universidade dos Emirados Árabes Unidos.

"Os líderes iranianos não são de fazer concessões neste estágio. É tudo sobre a ideologia para o lado iraniano", completou, sobre o "fracasso" da mensagem de reconciliação de Obama, que aproveitou a celebração do Ano-Novo Nowruz para tentar uma reaproximação após três décadas de animosidade.

Veja íntegra e vídeo da mensagem de Obama

Os EUA cortaram as relações diplomáticas com o Irã durante uma crise entre 1979 e 1981 na qual um grupo de estudantes militares iranianos manteve 52 diplomatas americanos reféns na Embaixada dos EUA no Irã, por 444 dias.

Mais recentemente, os dois países vivem sob a tensão do programa nuclear iraniano - que Washington diz ter como objetivo a fabricação de armas e que Teerã defende como meio de produção de energia.

Para Khamenei e seu círculo político, o valor da Revolução Islâmica de 1979 que deu início à tensão deve se manter viva, assim como a narrativa política de rejeição aos Estados Unidos.

Qualquer gesto rápido como o de Obama, que enviou a mensagem de reconciliação a um dos países do "eixo do mal" com menos de três meses na Casa Branca, podem afetar ainda o resultado da disputa presidencial de 12 de junho - na qual disputam o atual presidente linha dura, Mamhoud Ahmadinejad, (que ignorou a mensagem de Obama) e os reformistas liderados pelo ex-premiê Mir Hossein Mousavi.

Khamenei deixou claro em sua mensagem que o Irã não toma decisões "de modo emocional". "Não sabemos quem toma as decisões nos Estados Unidos. Se é o presidente, o Congresso ou outros. No que nos diz respeito, atuamos com lógica e não de modo emocional. Tomamos nossas decisões depois de fazer cálculos precisos", advertiu.

"É por isso que será um processo lento e muito complicado entre o Irã e os EUA", explica Abdulla. "Mesmo a teocracia pode ser pragmática. Quando eles sentirem que é do interesse nacional reatar com a América, eles encontrarão um jeito."

Sanções

Embora a mensagem pareça não ter surtido o efeito esperado em Khamenei, Obama mantém algumas cartas na mão. Criticado durante a campanha por sugerir diálogo sem restrições com o Irã, o democrata prorrogou as sanções impostas contra o Irã em 1995, depois que os EUA acusaram Teerã de envolvimento com terroristas e tentativa de fabricação de armas de destruição em massa.

As sanções, que proíbem companhias americanas de ajudar o desenvolvimento da indústria petrolífera iraniana, foram impostas durante o governo de Bill Clinton e expirariam em breve.

"Nos falam de negociar e restabelecer as relações diplomáticas. Mas o que mudou? Onde estão os sinais de mudança? Suspenderam as sanções ao Irã, desbloquearam nossos capitais confiscados nos Estados Unidos, acabaram com a propaganda hostil a nosso país, interromperam o apoio incondicional ao regime sionista?", questionou Khamenei.

O duro questionamento, contudo, deve ser avaliado com cautela. Saeed Leylaz, um analista político de Teerã, vê a linguagem dura do líder supremo como apenas um momento na gradual redução da tensão com Washington - assim como as décadas de reaproximação com o Reino Unido apesar da história de conflitos e disputas sobre os campos de petróleo.

"Os EUA são o único país do mundo capaz de desestabilizar o Irã. Khamenei está preocupado com isso. Se as preocupações iranianas foram aliviadas, ele estará disposto a ter relações com os EUA da mesma forma que se relaciona com o Reino Unido", explicou.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h08
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STF DÁ RAZÃO AOS ÍNDIOS

Os índios conquistaram, na quinta-feira (19/03), uma vitória histórica. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu a seu favor um conflito que se extende há trinta anos. Por dez votos a um, ele decidiu manter a demarcação contínua da vasta reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no Estado de Roraima, na Amazônia. Ele determinou, também, a expulsão imediata dos arrozeiros e dos não índios que a exploravam.

Maior que metade da Bélgica (17 mil km2), a reserva Raposa/Serra do Sol é um território localizado nas fronteiras com a Venezuela e com a Guiana. É um mundo de savanas e florestas, dominado pelo sagrado Monte Roraima, onde vivem 19 mil índios.

A Constituição brasileira de 1988 reconhece claramente os direitos originais dos índios sobre suas terras ancestrais. Ela lhes atribui "usufruto exclusivo" das riquezas naturais que ali se encontram, com exceção das do subsolo. A delimitação da reserva, efetuada em 1998, foi confirmada em 2005 por um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde os anos 1970, os não indígenas se estabeleceram na fronteira interior da reserva, mais especificamente cinco produtores de arroz que empregam cerca de 200 pessoas. Sua zona de exploração representa somente 2% do território, mas ela rompe sua unidade.

Com o apoio do governo do Estado de Roraima e de uma minoria de índios, eles se recusaram a obedecer ao decreto de 2005 que os obrigava a deixar a reserva dentro de um ano. Eles pediram por uma demarcação descontínua que, ao criar ilhas agrícolas, preservaria suas explorações e evitaria que eles fossem expulsos. Há um ano, os arrozeiros resistiram pela força aos policiais encarregados de aplicar a Constituição.

Para ganhar tempo, e sempre com o apoio das autoridades locais, eles apelaram ao STF, que se reuniu em agosto e dezembro de 2008 antes de convocar uma terceira sessão e arbitrar.

O veredicto foi comemorado por todos aqueles que apoiam a causa indígena, especialmente a Igreja, diversas ONG e quase todos os antropólogos.

Para a Corte, trata-se de uma questão de princípio: é preciso aplicar a Constituição. Esta concede o direito à diferença e afirma que a cultura indígena é parte integrante da identidade do Brasil.

Os índios ressaltam que a continuidade de seu território é indispensável para que se mantenha seu modo de vida tradicional, e que ela é garantia de uma proteção do ecossistema. Eles lembram que a preservação, no passado, de fronteiras agrícolas em reservas - como no Estado do Mato Grosso do Sul - levou a flagelos humanos e ecológicos: rios poluídos, aumento da mortalidade infantil, alcoolismo, suicídios. Os ecologistas veem nos índios os melhores protetores do meio ambiente.

Estudo etnológico

Apenas um dos onze juízes se mostrou sensível aos argumentos apresentados pelos arrozeiros. Estes contestavam a validade do estudo etnológico que havia delimitado as terras ancestrais dos índios. Eles mencionaram as ameaças que o isolamento da reserva causaria à segurança nacional, um tema caro ao exército.

Considerados como os únicos habitantes permanentes da reserva, os índios também terão deveres. Em especial, eles deverão respeitar a liberdade de movimentação dos militares.

O principal arrozeiro da reserva, Paulo César Quartieiro, deu a entender que os fazendeiros se conformaram, antes de dizer, brincando: "Agora vou precisar me juntar ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra)".

A decisão da Suprema Corte criará jurisprudência. Ela fixará os critérios de regra para cerca de 140 casos pendentes de delimitação litigiosa



Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h58
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 Crédito da foto: site da Revista Bacante

Domingos Montagner e Fernando Sampaio venceram o 21º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo na categoria melhor ator. A cerimônia de entrega foi na terça-feira à noite.

A dupla - mostrada na foto acima - venceu pelo trabalho na peça "A Noite dos Palhaços Mudos". Os personagens-título são baseados em quadrinhos feitos por Laerte.

A peça da companhia La Mínima teve outras duas indicações ao prêmio: direção, Alvaro Assad, e música, Marcelo Pellegrini.

Na peça, os dois personagens mudos tentam resgatar um nariz de palhaço, mantido por uma organização que tenta exterminar a classe circense.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h44
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Se mudar poupança, tem de mudar crédito imobiliário

O diretor-executivo e economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Celso Petrucci, afirmou que "não se pode fazer mudança na poupança sem fazer mudança no financiamento imobiliário".

A afirmação foi feita porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que estuda modificar a rentabilidade da caderneta de poupança, investimento que, com as recentes quedas na taxa Selic, tem atraído o público dos fundos de renda fixa.

"Você não pode tratar a fonte de recursos e de aplicação de maneiras diferentes", afirmou Petrucci ao InfoMoney.

De acordo com o professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Paulo César Coimbra, "do uso dos recursos da poupança, sabe-se que 65% são destinados para a habitação". Ele disse acreditar que as propostas que o governo estuda não devem modificar isso.

Dados da Abecip mostraram que as novas operações contratadas pelos agentes financeiros do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que operam com recursos das cadernetas de poupança, atingiram R$ 1,9 bilhão em janeiro, o que significa um aumento de 17,45% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 1,6 bilhão).

Especulação

Petrucci, do Secovi-SP, ainda afirmou que mudanças na caderneta de poupança já foram abordadas em diversas ocasiões, mas que poucas vezes elas foram realmente realizadas.

"Não deveria mexer na poupança sem um debate aberto com a população. A poupança faz parte da família brasileira. Não tem de mexer com o interesse do mercado, dos bancos e de quem está financiando, sem discussão", ponderou o diretor-executivo.

Ele ainda disse que é arriscado mexer na poupança: "e se esse movimento de queda da Selic se reverter no ano que vem?", questionou.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h40
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MUDANÇA NA POUPANÇA
 
Incerteza no futuro da poupança:
investidor deve aguardar para decidir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que pretende realizar alterações na rentabilidade da poupança, investimento que tem atraído o público dos fundos de renda fixa com as quedas da Selic. Diante disso, de acordo com o gerente de Investimentos do Banco Real, Felipe Vaz, o investidor deve aguardar para tomar uma atitude.

Segundo Vaz, "não se sabe como vai ficar a rentabilidade da poupança". Porém, ele afirmou que, realmente, com a queda da Selic, as cadernetas voltam a ser uma boa opção para o investidor, uma vez que não é tributada.

"Para aquele investidor com valores até R$ 20 mil, a poupança passou a ser um dos investimentos mais vantajosos entre os investimentos mais tradicionais. Para os maiores investidores, acima de R$ 20 mil, uma remuneração de um CDB, mesmo descontando o Imposto de Renda, teria uma rentabilidade maior que a poupança", explicou.

Mudanças

Uma das alternativas estudadas para diminuir a rentabilidade da poupança é vincular as cadernetas de acordo com as variações da taxa básica de juro.

"Não poderia falar o que o governo deveria fazer. Pelo que a gente tem observado, uma das medidas que estão na pauta de discussões seria desvincular a poupança daquele pelo menos 0,5% mais TR e vincular isso a uma rentabilidade em relação à taxa Selic", explicou Vaz.

De acordo com ele, dessa forma, quando o governo reduzir a Selic, há automaticamente uma redução em termos de rentabilidade da poupança. E, quando ele subir a taxa básica de juro, haveria o impacto contrário.

Redução da TR

Para o economista do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani, o ideal seria que o governo reduzisse a TR, em vez de, por exemplo, vincular os rendimentos da poupança à Selic. Se o governo atrelar o investimento à taxa de juro, o economista acredita que ele terá problemas ao elevar a Selic.

"Essas situações estão atreladas a movimentos de curto prazo", disse, segundo Agência Brasil. Segundo Padovani, a redução da rentabilidade da poupança já foi discutida em outras ocasiões em que houve queda na Selic, como em 2007. "Naquele ano, a redução dos juros ocorreu em condições favoráveis de liquidez. Hoje, a discussão é levantada em uma situação adversa".

Em 2007, o governo estabeleceu um redutor aplicado na fórmula de cálculo da TR. A intenção era garantir que os rendimentos da poupança não superassem os dos fundos. Em janeiro do ano passado, o Conselho Monetário Nacional fez outra mudança, assegurando rendimento mínimo de 0,5% ao mês.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h37
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SEM POUPANÇA, VC DANÇA...
 
Poupança já remunera mais que
alguns fundos, mostram cálculos

Após a redução da taxa básica de juros, a Selic, a rentabilidade da poupança já supera a de alguns fundos de investimento.

As informações são do especialista em matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho, que analisou os efeitos da redução da Selic nos rendimentos dessas aplicações financeiras.

No levantamento, Sobrinho mostra que fundos de investimento em renda fixa com taxa de administração acima de 2% rendem menos que a poupança. O matemático considerou investimentos com mais de seis meses e menos de um ano, cujos rendimentos pagam 20% de Imposto de Renda (IR).

Sobrinho acredita que o Banco Central deve mexer na fórmula de cálculo da poupança antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 28 e 29 de abril.

"Se isso não mudar, na próxima redução da Selic a maioria dos fundos vão perder para a poupança." Para Sobrinho, o governo teria de mudar a fórmula da Taxa Referencial (TR) usada na remuneração da poupança.

"O redutor empregado na fórmula da TR faz com que os rendimentos da poupança subam conforme cai a taxa Selic", disse.

Para o administrador de investimentos Fabio Colombo, os fundos de investimento com taxa de administração entre 0,5% e 1,5% ainda são mais rentáveis que a poupança, considerando a Selic atual de 11,25%.

"Os fundos passam a ter rendimento menor que a poupança a partir de uma taxa básica de juros menor que 9,9%", afirma.

O porcentual indica o ponto em que o rendimento líquido dos fundos seria inferior ao mínimo de 6% ao ano garantido por lei para a poupança.

Para a estimativa, Colombo considerou aplicações com período inferior a seis meses, cujos rendimentos pagam 22,5% de IR e taxas de administração de 2%.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h36
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MÃE DOS POBRES

Baixa renda terá "subsídios pesadíssimos"
para financiar casa própria, afirma Dilma
 
 

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira que o programa de habitação a ser lançado nos próximos dias pelo governo promoverá o financiamento direto ao mutuário com a inclusão de um seguro de vida para os beneficiados.

Segundo a ministra, o programa a ser lançado prevê "subsídios pesadíssimos". O objetivo, segundo ela, é assegurar que os trabalhadores com renda inferior a dez salários mínimos tenham condições de adquirir um imóvel.

Segundo a ministra, o programa é uma das ações que visam combater os impactos da crise financeira internacional e a elevação das taxas de desemprego no país.

Dilma afirmou que o pacote também tem como objetivo reduzir o déficit de habitação no país. Em reunião hoje com a bancada do Nordeste, Dilma disse que o déficit é de 7,5% entre os que tem renda familiar de zero a três salários mínimos e 8,5% na faixa de três a dez mínimos.

Ela disse que a preocupação do governo é dar condições para que os trabalhadores de baixa renda tenham meios de adquirir um novo imóvel e ainda pagar o aluguel de onde vivem.

Por essa razão, de acordo com ela, o financiamento só será cobrado dos novos mutuários quando receberam a chaves do imóvel. "É o princípio, enquanto não tiver a chave não paga, porque ele não consegue pagar o financiamento e qualquer outra forma de aluguel. A não ser que não comam, não se transportem e não vivam."

Dilma afirmou que esses critérios e outros que ainda estão sendo definidos com governadores, prefeitos, empresários e representantes dos movimentos sociais.

Segundo ela, está excluída a possibilidade de repasses financeiros para o programa diretamente para os governos estaduais e municipais. Mas a ministra informou que os detalhes do programa ainda estão sendo fechados.

Definições

Segundo informou Dilma na semana passada, o programa vai ter subsídios para dois padrões de casa : um modelo popular, para quem ganha até três salários (R$ 1.395), e um superior, para quem tem renda de até R$ 4.650. O valor máximo do imóvel será R$ 130 mil.

Dilma ainda disse que as prestações serão de até 20% da renda. Assim, quem ganha dez mínimos pagará, no máximo, R$ 930 de prestação. O financiamento será de 20 anos.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h54
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Operacional, analítico ou sonhador:
cérebro guia modo de gastar dinheiro

Diariamente, milhares de pessoas em todo o mundo compram produtos, por necessidade ou por puro prazer, influenciadas (ou não) por anúncios que viram na TV ou atraídas por uma promoção. Podem pagar à vista, depois de terem juntado dinheiro suficiente para aquela ocasião, ou sacar o cartão de crédito e fazer um crediário, se resolverem levar o produto para casa, mesmo acumulando mais uma dívida. Podem, ainda, adiar a aquisição, esperando o melhor momento ou o conselho de amigos e parentes.

O que poucos têm consciência é que essas diferentes formas de se comportar e agir no momento em que consomem e lidam com o dinheiro são guiadas por padrões determinados pela atividade de seus cérebros.

De acordo com a professora de finanças da FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas), Myrian Lund, dependendo do hemisfério cerebral que está mais ativo - o esquerdo ou o direito -, todo nós podemos nos enquadrar em três perfis de comportamento: operacional, analítico e sonhador.

De controlador a impulsivo

"O operacional é aquele que só faz se tiver dinheiro", explica Myrian, acrescentando que, quanto à personalidade, essa pessoa se caracteriza por ser muito prática e objetiva. Graças a esses atributos, seu ponto forte é a capacidade de concretizar o que tem em mente.

Em contrapartida, devido à tendência de controlar demais as despesas, pode se tornar um avarento e até abrir mão de alguns prazeres, o que, às vezes, pode comprometer seus relacionamentos. "Essa pessoa deixa de ter o lado emotivo, pensa assim: vou comprar o ovo de Páscoa no dia seguinte ao da data porque é mais barato. Só que, depois da Páscoa, acabou o significado", explica a professora.

Os indivíduos com perfil analítico, por sua vez, estão quase sempre inseguros e em dúvida no momento em que vão comprar ou realizar algum negócio. "Sentem necessidade de conversar e de trocar ideias com outras pessoas, antes de tomar uma decisão", afirma Myrian.

Embora a reflexão e a análise sejam importantes, em excesso, observa a professora, podem fazer com que essas pessoas percam boas oportunidades não só quando vão comprar algo.
 
"Isso acontece muito no mercado de ações. As pessoas acham que estão no momento certo de entrar na bolsa, mas aí têm medo. Nessa hora, começam a perguntar para um, para outro, e deixam de comprar ou compram no momento errado, depois que [a ação] subiu", afirma, destacando que esse perfil pode até deixar de ganhar dinheiro, porque pensa demais. "E a vida é um caminhar, não podemos parar".

Quanto ao sonhador, ele costuma consumir por impulso, atraído por supostas vantagens que lhe oferecem, mas sem analisar se realmente vai utilizar o serviço ou produto que comprou.
 
"São pessoas que agem em função da mídia, dos anúncios, das promoções", observa Myrian. Além disso, estão mais voltadas para o lado estético, da moda, e sempre atentas às novidades. Poupar, para elas, é um hábito que praticamente não faz parte suas vidas, já que seu principal objetivo é satisfazer imediatamente um desejo. "Elas não pensam no dia de amanhã, não se planejam financeiramente", diz, enfatizando que esse é o perfil da maioria dos brasileiros, devido ao temperamento passional e aos anos de cultura paternalista.

Se por um lado, se caracteriza pela impulsividade, por outro, esse perfil é marcado pela criatividade acentuada e pela facilidade de comunicação. "A abundância de ideias, no entanto, não significa que elas irão se concretizar", lembra a professora.

Dize-me com quem andas...

Ainda de acordo com Myrian, todos nós temos os três lados funcionando, mas normalmente um deles predomina. E não só por causa da parte do cérebro que está mais ativa. "As companhias podem influir muito. Se você convive mais com pessoas que valorizam o lado estético, da moda, acaba desenvolvendo mais esse lado [sonhador] e esquecendo que os outros [operacional e analítico] existem".

No entanto, enfatiza a professora, o ideal é a integração dos três perfis. "A pessoa trabalha, tem desejos, analisa antes de comprar e efetiva a compra no momento certo", afirma.

Para tanto, ela recomenda como cada um dos perfis pode buscar o equilíbrio, trabalhando seus pontos fracos:
  • Operacional: Desenvolver mais o lado das emoções e da convivência com outras pessoas. "Nem sempre o mais barato vai satisfazer".
  • Analítico: Não ficar conversando com todo mundo sobre o que vai fazer, para não ficar perdido em meio a tantas opiniões. "Siga mais a intuição e, no máximo, converse com alguém que tem mais conhecimento.
  • Sonhador: Parar e pensar, analisando vantagens e desvantagens e se realmente precisa ou não de determinado produto ou serviço. "Se saiu com a intenção de comprar, compre; se saiu sem a intenção, espere um dia e não compre de imediato", finaliza a professora.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h16
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DÍVIDAS AFETIVAS

Comprar por estar angustiado, triste, ou por acreditar que um sapato novo, um celular mais moderno ou um carro mais sofisticado trarão segurança, autoestima ou felicidade, são exemplos de dívidas contraídas por motivações afetivas.

De acordo com a psicanalista e escritora, Márcia Tolloti, da compra de um sapato à aquisição de um iate, o status, o poder e a imagem que se quer passar para os outros são alguns dos quesitos, conscientes ou não, que determinam as escolhas das pessoas no dia-a-dia.

Além disso, diz ela, tanto homens como mulheres estão inundados por culpa e se sentem devedores de alguma coisa, como uma imagem melhor, uma inteligência maior, um corpo perfeito, e acabam recorrendo às compras na tentativa de suprir uma falta que angustia.

"São os afetos que interferem nas escolhas financeiras, como, por exemplo, quando os pais compram um presente para o filho, mesmo sabendo que não seria o momento adequado. Muitos pais se sentem culpados por passar pouco tempo com a família e compensam com algum presente, ou seja, eles se sentem em dívida com os filhos", exemplifica a psicanalista.

Saindo do círculo vicioso

Tal comportamento, explica Márcia, algumas vezes resulta apenas em culpa, mas também pode levar muita gente ao endividamento. Para sair desse círculo vicioso, a especialista dá algumas dicas:

"Primeiramente, as pessoas precisam admitir para si mesmas que estão comprando motivadas por algum sentimento. Os mais comuns são a culpa e a baixa autoestima", diz ela.

O próximo passo é tentar aliviar a angústia de outras formas. Que tal, por exemplo, em vez de comprar aquele carrinho de controle-remoto, que o seu filho já tem vários iguais, planejar um passeio que a criança queira muito?

Outra atitude bastante eficaz é elaborar um planejamento de compras, estabelecendo metas de consumo de curto, médio e longo prazos. Tais objetivos irão ajudar a pessoa a manter o foco e a se controlar.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h13
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Juro menor faz poupança ameaçar fundo de investimentos

O ciclo de cortes dos juros básicos da economia brasileira, que deve se alongar ao menos até o fim do ano, tem preocupado a indústria de fundos de investimento. Isso porque a poupança tem, cada vez mais, ganhado em atratividade quando comparada a outras aplicações.

Nesse cenário, o mercado já cogita que o governo tome novas medidas para diminuir a proximidade dos retornos da caderneta de poupança e de aplicações como os fundos DI e de renda fixa.

Fala-se, no governo, que, se a taxa básica de juros continuar caindo, poderá haver alguma medida para reduzir o rendimento da caderneta.

"Por enquanto, a rentabilidade está assegurada, mas é um tema a ser acompanhado", disse o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

A redução da remuneração aconteceria da seguinte forma: o Banco Central aplicaria um redutor (fórmula matemática) no cálculo da TR (Taxa Referencial), a taxa que faz parte da remuneração da poupança.

Uma das vantagens da poupança é que não cobra nem IR (Imposto de Renda) nem taxa de administração, como ocorre nos fundos. A taxa de administração tem um custo que oscila normalmente entre 1% e 4% ao ano.

A poupança, atualmente, rende em torno de 0,64% ao mês, já contando a TR (Taxa Referencial), de acordo com informações da Abecip (associação das entidades de poupança). Outros investimentos, como os fundos DI, rendem mais, algo em torno de 0,7% ao mês. Mas, após a dedução do Imposto de Renda e da taxa de administração, acabam tendo uma rentabilidade líquida de 0,55%, segundo Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real.

A taxa básica Selic, referência para os juros praticados no mercado, está em 11,25% anuais. Os analistas esperam que a Selic desça para próximo dos 10% (ou até menos que isso) no fim do ano. Ao cair, a Selic achata a rentabilidade dos fundos, o que poderia estimular uma migração dos investidores para a poupança.

No ano, a caderneta de poupança registra captação líquida de R$ 1,9 bilhão, segundo o BC. Os fundos de renda fixa captaram R$ 4,19 bilhões até o momento. Já os fundos DI, mais sensíveis à queda da Selic, sofrem com saques líquidos, que estão em R$ 2,06 bilhões.

Retornos

Para Vaz, do Banco Real, quem tem valores de até R$ 20 mil pode aplicá-los na poupança - com maior rentabilidade e sem cobrança de taxas. Para aqueles que contam com uma quantidade maior de recursos para aplicar, uma boa opção é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que, em alguns casos, tem rendimento em torno de 0,9% ao mês.

Todavia, se o investidor for sacar esse dinheiro em um prazo menor que um ano, o ganho pode cair bastante, pois há a mordida do Leão. Dependendo do período em que o cliente mantém o dinheiro aplicado - quem saca mais rápido acaba por pagar mais-, a alíquota de IR vai variar de 15% a 22,5%.

Com um desconto de 17,5%, por exemplo, o rendimento cairia para 0,63% ao mês -o que é quase o equivalente ao rendimento da poupança.

Para grandes valores aplicados, porém, os ganhos de CDBs e fundos podem ser maiores. Isso ocorre porque os bancos estimulam que seus clientes façam aplicações de grandes quantias, cobrando menores taxas de administração e pagando juros maiores.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h09
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RONALDO VIRA QUADRINHO

Ronaldo recebeu uma homenagem diferente. Antes do treino do Corinthians no CT do Parque Ecológico do Tietê, à tarde, o camisa 9 recebeu a visita do cartunista Maurício de Souza, que fez um desenho especial para o atacante.

 Apesar de não ser alvinegro, o criador da Turma da Mônica diz ser grande fã do Fenômeno. Além de entregar o desenho em mãos a Ronaldo, Maurício aproveitou para tirar fotos e pegar autógrafos do ídolo.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h11
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I'VE HEARD THE FUTURE, BABY...
 
Geração iPod prefere MP3 ao CD

do Mac World
 
Mesmo com perda de detalhes sonoros e efeito metálico, jovens preferem volume dos MP3, revela estudo conduzido por 8 anos em Stanford onde uUm estudo sugere que o sucesso de MP3 players afeta profundamente a maneira como os usuários, os mais jovens, principalmente, respondem à fidelidade de reprodução musical.

O professor da música da Universidade de Stanford, Jonathan Berger, conduziu um estudo durante oito anos nos quais estudantes ouviam e avaliavam vários formatos de áudio enquanto ouviam as mesmas músicas.

A preferência se revelou para músicas oferecidas em MP3, com os ouvintes não conseguindo relacionar qualquer perda de áudio na qualidade sonora associada normalmente com a compressão da música digital.

"Descobri não apenas que os MP3 não são vistos como sinônimo de baixa qualidade, mas pelo tempo começou a aparecer uma preferência por eles", afirmou o professor, que sugere que o processo de digitalização deixa a música com chiados e sons metálicos.

Assim como o debate na geração anterior sobre os prós e contras do vinil e do CD, o estudo sugere que ouvidos mais jovens, pelo menos, preferem sons mais baixos e rasos da música digital que os de CDs e vinis.

A escolha, sugere o professor, é comparável à dos que preferem o vinil ao CD ou ao MP3.

"Alguns preferem o barulho da agulha, o barulho das partículas de poeira que criam sons. Acho que existe um senso de conforto nisto", afirmou o professor.

Ouvir músicas em streaming online assim como em PCs com caixas de som exageradamente simples também tiveram um importante papel na mudança na maneira como a música é ouvida e percebida.

A preferência por MP3s significa que alguns produtores vêm buscando mixar músicas especialmente para serem ouvidas em iPods e telefones celulares.

O produtor musical Rennie Pilgrem é um dos que admitem mixar canções para iPods, ainda que não seja fã dos resultados finais.

"Para meus ouvidos, os iPods não têm a mesma qualidade nem mesmo que as fitas cassete", relata. "Mas, uma vez que alguém se acostuma àquele som, se sente confortável com ele".

Alguns produtos também tentaram se adaptar à geração acostumada ao MP3 fazendo música o mais alta possível, o que significaria a perda de profundidade e detalhes sonoros.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h10
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Condômino inadimplente não tem direito a lazer?

do UOL

A decisão tomada pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), de impedir que um condômino inadimplente e sua família usufruam das áreas de lazer comuns do condomínio onde moram, tem gerado polêmica entre os especialistas do setor.

Para o advogado e presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcelo Manhães de Almeida, por exemplo, a assembleia geral é o órgão soberano do condomínio, o que lhe dá o direito de decidir, como, no caso, pela restrição do uso de equipamentos comuns, na medida em que não se mostra justo que o morador inadimplente utilize-se dos equipamentos custeados pelos demais, que pagam em dia suas cotas condominiais.

Em artigo publicado no portal Consultor Jurídico, o advogado afirma não fazer sentido que o morador em débito continue a fruir, livremente, de todos os equipamentos e áreas de lazer, em especial, aqueles que geram mais despesas.

"Não apenas a conservação, mas o uso desses equipamentos gera despesas que todos pagam e que nada justifica que o inadimplente possa deles continuar a fluir sem a respectiva contribuição. A decisão do tribunal paulista prestigia o adimplente; muda o foco da atenção, que passa a ser dada àquele que honra as obrigações assumidas, ainda que enfrentando, na grande parte das vezes, muitas dificuldades", diz.

Leis

A fim de legitimar sua opinião, Manhães cita o artigo 1.336 do Código Civil (Lei 10.406/02), que trata, segundo ele, dos deveres dos condôminos em seus quatro incisos, prevendo multa de 2%, com juros e correção monetária para o morador que, porventura, deixar de contribuir com o condomínio.

Ele afirma ainda que não há no texto que trata do assunto nenhuma menção de que outras penalidades, além da multa, não possam ser ajustadas nas Convenções de Condomínio e aplicadas pelo síndico, após prévia aprovação da Assembleia Geral.

Outro entendimento, porém, possui o presidente da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), José Roberto Graiche, para quem tal medida é inconstitucional.

Na opinião do especialista, mesmo inadimplente, o morador não pode ser impedido de utilizar as áreas comuns. Caso isso aconteça, tanto o síndico como o condomínio podem responder por dano moral, alerta. Além disso, diz Graiche, "hoje já há meios legais para o condomínio cobrar o morador inadimplente, sem que para isto este precise passar por constrangimentos."


Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h05
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IRAQUE: 6 ANOS DEPOIS

EUA caminham para o fim da guerra no Iraque

do NYT

Ao voltar para a base aqui após um dia patrulhando um lugar antes chamado de Triângulo da Morte, o capitão Landgrove T. Smith do 1º Batalhão, 63º de Blindados, resumiu a guerra no Iraque de uma forma que antes seria impensável.

"Nós estamos na etapa final agora", ele disse.

O plano do presidente Barack Obama de retirada das forças americanas pede pelo fim das operações de combate em agosto de 2010, mas aqui em Mahmudiya, como em muitas partes do Iraque, a guerra na prática acabou, com os contornos da estratégia de saída adquirindo uma forma mais clara do que em qualquer momento anterior.

Não há garantia de que o Iraque permanecerá estável, de que a violência niilista da Al Qaeda na Mesopotâmia não continuará, ou que o derramamento de sangue sectário de 2006 e 2007 não voltará. Perguntas cruciais sobre como compartilhar o poder político e a receita do petróleo ainda não foram respondidas. Apesar das forças de segurança do Iraque terem melhorado enormemente, elas permanecem altamente dependentes dos americanos.

Ainda assim, da mesma forma que uma depressão econômica frequentemente fica clara apenas olhando para trás, o mesmo vale para as mudanças no esforço de guerra americano.

Os ataques se encontram no nível mais baixo desde setembro de 2003, caindo 70% desde março passado. Vários postos avançados fecharam à medida que as forças americanas se reagrupam em bases maiores, como um prelúdio para a retirada de virtualmente todas as cidades em junho. Os comandantes do Campo Bucca, no sul do Iraque, planejam fechar a prisão administrada pelos americanos lá, entregando seus presos para as autoridades iraquianas, e estão considerando usar a base como estação de trânsito para as tropas a caminho de casa.

No Iraque hoje, às vésperas do sexto aniversário da guerra, apenas duas operações de combate significativas estão em andamento: uma em Mosul e uma em Diyala. Nenhuma é da escala das operações que ocorreram nos piores meses da guerra, e em ambas o exército iraquiano está à frente.

A missão principal mudou quase que totalmente de operações de combate para operações de estabilização, do combate aos rebeldes para reconstrução dos serviços e da economia do Iraque, para que possa oferecer uma melhor chance ao país de ser bem-sucedido, tornando a saída americana mais parecida com uma vitória do que uma retirada.

A tarefa agora envolve o tipo de esforço que o ex-presidente George W. Bush inicialmente desprezava: a construção de uma nação. Isso significa ceder controle real ao governo do Iraque, algo que os Estados Unidos fizeram anteriormente mais da boca para fora do que na prática.

"Nós precisamos tirar nossas mãos do guidão, retirar as rodinhas, a certa altura", disse o general David G. Perkins, o principal porta-voz militar americano, na segunda-feira.

A maior mudança, disseram os comandantes, foi o novo acordo de segurança entre os Estados Unidos e o Iraque, que colocou explicitamente os iraquianos no comando das operações militares a partir de 1º de janeiro. Isso reduziu automaticamente o papel americano.

De lá para cá, os iraquianos planejaram e cuidaram da segurança para as eleições provinciais em 31 de janeiro, que transcorreram notavelmente com pouca violência, e para a peregrinação anual de milhões de xiitas a Karbala no mês passado, que foi marcada por uma série de ataques.

Como Obama disse ao anunciar seu plano de retirada, continuarão ocorrendo operações de combate, e com elas, baixas. Desde sua posse, 26 americanos morreram no Iraque, 17 deles por fogo inimigo. O vice-comandante no norte, o general Robert B. Brown, descreveu a Al Qaeda como uma "cobra moribunda", apesar de ainda poder "dar bote". Com os iraquianos à frente das operações, entretanto, menos baixas americanas são prováveis por confrontos diretos com combatentes inimigos.

As forças de segurança do Iraque ainda precisam de muito treinamento, sem contar de inteligência básica, poder aéreo, atendimento médico e logística que, por ora, apenas os americanos podem fornecer. Estas funções ficarão a cargo da força de 35 mil a 50 mil homens que Obama anunciou que permaneceria após o prazo de agosto de 2010, apesar destes americanos, também, se retirarem antes de 2011.

A eleição nacional, na qual o primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki está buscando o segundo mandato, é vista como um teste crucial para a transição democrática do Iraque, o momento que poderá provar a capacidade do país de se autossustentar. Ou a segurança poderia ruir, com as facções brigando pelo poder e com o acirramento das divisões étnicas e sectárias.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h02
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O MUNDO SÓ SERÁ LIVRE QUANDO
O ÚLTIMO PADRE FOR ENFORCADO
NAS TRIPAS DO ÚLTIMO BANQUEIRO

A cruzada conservadora de "Dom Dedé"

 
É uma garotinha do Brasil. Para protegê-la, a justiça proíbe que se divulgue sua identidade.
 
Vamos chamá-la de V.
 
"V" de vítima. "V" de violentada.
 
Ela tem 9 anos, mas mal parece ter essa idade: 33 kg para 1,36 m. É o que mostra a única foto que se tem dela, com o rosto censurado, pequena e franzina, segurando a mão de sua mãe. É uma criança do Nordeste. Ela vive em Alagoinha, perto de Recife, a capital do Estado do Pernambuco.

No final de fevereiro, V. começou a se queixar de dores no ventre, de tonturas e de enjoos. Sua mãe a levou a um médico. Seu diagnóstico foi assustador: a menina estava grávida de 15 semanas, esperando gêmeos. Um fato raríssimo.

O padrasto de V, de 23 anos, trabalhador agrícola, confessou seu crime à polícia. Ele abusava havia três anos da menina e de sua irmã mais velha, de 14 anos com deficiência. Ele pode ser condenado a 15 anos de prisão. V. contou seu drama.

O homem se aproveitava da ausência de sua companheira para estuprar a garota. Ele a ameaçava: "Se você contar, mato sua mãe". De vez em quando ele lhe dava uma moeda de um real.

No Brasil, a interrupção voluntária de gravidez (IVG) continua sendo proibida, exceto em caso de estupro ou de risco para a vida da mãe. Essa dupla exceção se aplica a V. No hospital público de Recife, o dr. Sérgio Cabral recomendou que fosse feito um aborto imediato. A interrupção foi bem-sucedida.

"A criança estava anêmica, certamente desnutrida", explica o médico. "Seus órgãos mal estavam formados. Era preciso agir rapidamente. Esperar demais a faria correr um risco de morte".

Esperar? É justamente o que queria o pai biológico de V., separado de sua mulher havia três anos. Ao saber da situação de sua filha alguns dias antes do aborto, ele procurou a justiça. Avisado sobre o caso, entrou em cena um personagem importante: Dom José Cardoso Sobrinho, conhecido como "Dom Dedé", arcebispo de Olinda e de Recife.
 
O monsenhor foi pessoalmente ao tribunal para se certificar, junto de seu presidente, que a intervenção não seria autorizada. Armado do direito canônico e brandindo o mandamento da Igreja ("Não matarás"), ele dispara: "O Brasil tem leis sobre o divórcio ou o aborto que vão contra a lei de Deus. Esta é superior à lei dos homens".

Uma vez interrompida a gravidez, o prelado excomungou a mãe de V. e toda a equipe médica. As vítimas desse castigo coletivo não poderão mais receber os sacramentos da Igreja. Só a menina e seu estuprador escapam da fúria de Dom Dedé. Ela, por ser menor de idade; ele, porque a jurisprudência católica não previu nada para puni-lo. "Ele cometeu um pecado muito grave", admite o arcebispo. "Mas, aos olhos de Deus, o aborto é um crime ainda mais grave".

Uma causa sagrada

As feministas se mobilizaram. Uma ONG católica, favorável ao "direito de escolha", condenou a atitude "intolerante" e "cruel" do arcebispo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se manifestando como "cristão", lamentou que "um arcebispo tenha um comportamento tão conservador". Segundo ele, "o corpo médico agiu mais corretamente do que a Igreja". Dom Dedé lhe aconselhou, em resposta, que "consultasse um teólogo".


Para a Igreja do Brasil, o maior país católico do mundo, a rejeição ao aborto é uma causa sagrada. Ela conduz uma cruzada contra a descriminalização da IVG, desejada pelo ministério da Saúde. Dom Dedé está na linha de frente. Conservador, e orgulhoso de sê-lo, sucedeu em 1985, em Olinda e no Recife, Dom Hélder Câmara, figura de proa da Teologia da Libertação, morto em 1999, e ao qual ele é contrário.

Desde então ele não parou de liquidar a herança eclesiástica de seu antecessor, julgado em Roma como perigosamente progressista, um "pequeno bispo vermelho". Fazendo uma comparação com o genocídio hitlerista, ele gosta de classificar o aborto como um "holocausto silencioso", diante do qual "não podemos ficar de braços cruzados". Mais uma vez o Vaticano o apoia, ressaltando que os dois fetos "inocentes tinham o direito de viver".

Mais de 1 milhão de abortos clandestinos são realizados todos os anos no Brasil.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h12
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SOMOS TODOS CONSERVADORES
 
por Mr. X
 
Todo o mundo é conservador. Por exemplo, entre no site de anúncios do Craigslist e dê uma olhada nos anúncios de pessoas que querem dividir apartamentos. A maioria vai dizer explicitamente que procura pessoas que trabalhem, que não usem drogas, que sejam ordeiras e que paguem o aluguel em dia.

Todo pai é conservador, com bem observa P. J. O'Rourke. Ninguém quer um filho vagabundo, que não estuda nem trabalha e vive na gandaia, ou uma filha que passa a vida de pernas abertas para a rapaziada.

Ninguém quer viver num bairro pobre ao lado de maloqueiros, ponto de travestis ou imigrantes de algum longínquo país miserável com costumes estranhos. Poxa, até o George Steiner, intelectual esquerdista de marca maior, assumiu isso no outro dia: "do lado de jamaicanos barulhentos tocando reggae todo dia, eu não moro de jeito nenhum". E ele está certo. Reggae, não dá.

A verdade é simples, na vida diária somos todos um bando de direitões reacionários.

O que explica então o sucesso fenomenal da esquerda? Acho que é o fator NIMBY - Not in My Back Yard. Ou seja, o fato de que a grande mudança esquerdista é sempre feita com o dinheiro, a paciência ou (n)o quintal dos outros.

O lema da esquerda é como aquele episódio dos Simpsons, em que Homer se elegia com a campanha "Can't someone else do it?". São sempre os outros. A esquerda foge da responsabilidade individual como o Diabo da cruz.

O esquerdista quer uma sociedade mais igualitária com saúde grátis pra todo mundo - desde que seja outro que pague, e desde que ele não tenha que esperar meses para ser atendido.

O esquerdista quer a liberação das drogas - desde que seu filho não seja um viciado e desde que os custos pela saúde que ele quer pública não subam astronomicamente em conseqüência.

O esquerdista quer liberação de costumes - desde que seu filho não seja gay nem sua filha uma puta nem sua mulher uma devassa.

O esquerdista elogia o sistema de Cuba e Venezuela - desde que sejam outros os que morem naquele paraíso de igualdade onde falta até papel higiênico.

O esquerdista quer mais minorias e mais multiculturalismo - desde que eles morem em outro bairro e não venham fazer macumba ou barulho do lado da sua casa.

O esquerdista quer mais direitos para os criminosos - desde que não seja ele o assaltado ou estuprado pelas pobres "vítimas do sistema".

O esquerdista quer "liberdade de expressão" - desde que seja para as suas idéias, mas não se importa se as opiniões contrárias à sua são censuradas, aliás prefere que o sejam.

O esquerdista, em resumo, é um delinquente hipócrita filho da mãe que não deveria ser admitido no convívio com seres civilizados. Até tocadores de reggae jamaicanos são mais toleráveis.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h09
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RESGATANDO AMÉLIA

Segundo Vaticano, máquina de lavar
fez mais pela mulher do que a pílula

O jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", publicou artigo neste fim de semana no qual afirma que a máquina de lavar talvez tenha feito mais pela liberação da mulher no século 20 do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado de trabalho. A declaração faz parte de um artigo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

O artigo, intitulado "A Máquina de lavar e a liberação das mulheres - ponha detergente, feche a tampa e relaxe".

"O que no século 20 fez mais para liberar as mulheres ocidentais?", questiona o artigo, escrito por uma mulher. "O debate é acalorado. Alguns dizem que a pílula, alguns dizem que o direito ao aborto, e alguns [dizem que] o direito a trabalhar fora de casa. Alguns, porém, ousam ir além: a máquina de lavar."

O texto então conta a história da máquina de lavar, desde um modelo rudimentar de 1767 na Alemanha, até os modernos equipamentos com os quais a mulher pode tomar um capuccino com as amigas enquanto a roupa é lavada.

O artigo cita as palavras da feminista americana Betty Friedan, que, em 1963, descreveu "o momento sublime de poder trocar a roupa de cama duas vezes por semana em vez de uma só".

Segundo o texto, embora os primeiros modelos fossem caros e pouco confiáveis, a tecnologia evoluiu a tal ponto que há agora "a imagem da super mulher, sorrindo, maquiada e radiante entre os equipamentos de sua casa".



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h08
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ABORTO X ESTUPRO

Arcebispo em PE defende excomunhão e diz
que aborto é crime mais grave que estupro

da Folha Online

O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou nesta sexta-feira que o suspeito de ter estuprado uma menina de 9 anos em Alagoinha (a 230 km de Recife) não deve ser excomungado pela Igreja Católica. Grávida de gêmeos, a vítima foi submetida a uma cirurgia para interromper a gravidez na última quarta-feira (4). Após o aborto, médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina foram excomungados.

O padrasto, que foi preso sob suspeita de ter estuprado a menina, confessou à polícia que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, afirma a polícia. De acordo com o religioso, no entanto, para a Igreja Católica, o aborto é um "crime mais grave que o estupro".

"Não, absolutamente não [o padrasto não deve ser excomungado da Igreja Católica]. Não fui eu que excomunguei as pessoas envolvidas com o aborto. O aborto é um crime que está previsto nas leis da Igreja, no código aprovado pelo papa. Essa é a penalidade da Igreja", afirmou Sobrinho, em entrevista à Folha Online.

"Quem cometer estupro está cometendo um pecado gravíssimo, aqueles que cometem assaltos também, estão cometendo pecados gravíssimos, e a Igreja também os condena. Mas, para estes pecados, a Igreja não prevê a excomunhão", disse. "Quem cometeu o aborto é um crime mais grave ainda, porque é tirar a vida de alguém inocente, indefeso."

A decisão da arquidiocese causou polêmica entre ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a atitude da Igreja. "Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho. Até porque a menina que corria risco de morte. Nesse aspecto, a medicina está mais correta que a Igreja", afirmou hoje o presidente.

Segundo os médicos que atenderam a vítima, a menina poderia morrer caso a gravidez não fosse interrompida. Para o arcebispo, os médicos deveriam ter se "esforçado" para garantir que ela não perdesse a vida - sem que a gestação fosse interrompida.

"O quinto mandamento da Igreja é não matar. Então, neste caso em que a mãe, a menina, estava correndo risco gravíssimo de perder a vida, a Igreja diz: deve se fazer todo o esforço possível para salvar a vida desta menina grávida. Mas não se pode, para atender a essa finalidade, eliminar a vida de outros, duas vidas inocentes. Os fins não justificam os meios", disse.

Em entrevista publicada hoje na Folha, o médico Rivaldo Mendes de Albuquerque disse que o religioso não foi "misericordioso" com a menina.

"Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos", afirmou o médico responsável pela cirurgia.

Excomunhão

A excomunhão é a penalidade máxima prevista Igreja Católica. Com ela, os penalizados ficam impedidos de participar de qualquer sacramento, como receber eucaristia e o casamento, por exemplo. Contudo, o excomungado não está banido de participar de celebrações da Igreja, como missas.

De acordo com o arcebispo, caso os médicos e a mãe da menina mostrem "arrependimento" em relação ao aborto e peçam perdão, eles podem ser aceitos novamente na Igreja. "A excomunhão é uma censura medicinal, do ponto de vista espiritual. E nós desejamos muito que eles [os médicos e a mãe] voltem o quanto antes", disse.

Apesar da polêmica, Sobrinho diz que os fiéis "aplaudiram a decisão", também apoiada, segundo o religioso, pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A assessoria da CNBB afirmou que o órgão não se pronunciará sobre o assunto por enquanto.

Em reportagem publicada hoje pelo jornal italiano "Corriere della Sera", o chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, do Vaticano, Gianfranco Grieco, afirmou que a decisão da Arquidiocese de Olinda e Recife foi correta.

"É muito, muito delicado, mas a Igreja nunca pode trair o seu anúncio, que é defender a vida desde a concepção até a morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência de uma criança", disse Grieco.

A menina, que estava internada desde a última quarta-feira (4) devido ao aborto, recebeu alta médica nesta sexta-feira pela manhã.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h08
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CURTI

Asus lança computador-teclado
(ou seria teclado-computador?)

divulgação

[atualizado] Não se deixe enganar: o aparelho aí de cima não é apenas um teclado com uma tela touchscreen no lugar no teclado numérico, mas sim um um computador completo. Apresentado como produto-conceito na CES, o Eee Keboard é um nettop (versão "desktop" dos netbooks) equipado com o onipresente processador Intel Atom de 1.6 GhZ, 32 GB de disco SSD, Wi-Fi e bluetooth.

Agora, na CeBit, a Asus anunciou que as vendas da máquina começam em maio, pela bagatela de US$ 400 (RS 960). 

Mas o conceito de ter um computador dentro do teclado não é exatamente novo. Na década de 80, um dos precursores da computação doméstica, o Commodore 64, já tinha esse layout, mas, claro, com design bem menos sofisticado.

divulgação

"Eee Keyboard, eu sou seu avô"

Assim como seu "ancestral", o Eee Keyboard precisa ser ligado em um monitor (ou televisão que tenha entrada VGA ou DVI) para ser usado. A tela de 5 polegadas touchscreen serve para agrupar atalhos ou outras informações, de acordo com o desejo de seu feliz proprietário



Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h09
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An Open Letter To Comics Fans

by
Joel Johnson

First of all, I want to say this: comics fucking rock. As a medium, they're unbeatable; you've got storytelling that, when applied properly, puts cinema and prose to shame. Can you imagine trying to pull off something like Alan Moore's Swamp Thing on screen or just using words on a page? It'd never work. Maybe experimental theater could manage it, but who wants to really watch them try that? There's no such thing as a special effects budget on the comic page, and there's no set format - you can do a one-panel horror piece or a 3,000 page science fiction epic - it's up to the creator.

And maybe that's exactly why I'm just so fucking pissed off at the majority of you out there. You are the reason so many of them suck. Yes, you - you're getting the books you deserve.

You complain about the ads in Marvel and DC pamphlets, yet you buy them each and every month instead of waiting for the trade. You complain about how delayed Civil War is, yet buy every quickie cash-in to reward the publisher for their lateness. You bitch about how expensive comics are, but when Marvel and DC raised the cost of a regular 22-page pamphlet to $3, you just kept on picking them up without hesitation. You worry and fret about the future of the medium, you say that there's not enough kids reading comics, then you support superhero comics that are cheap hybrid knockoffs of NYPD Blue and Desperate Housewives that feature content I'd not hand to any kid not currently in high school.

And you say it's their fault for making shitty comic books. You say they owe you. Guess what - Marvel and DC owe you absolutely nothing. Time to look that cold, hard publishing fact in the face. Marvel and DC owe their parent corporations and stockholders something - you, they owe nothing at all to. That's why they do crossovers with the maximum number of tie-in issues possible and why they overcharge for ad-filled singles. They don't care about you. Yes, creators may give a shit what you think. Editors may be concerned when fans raise their hands and wonder why we're suddenly being introduced to Wolverine's x-treme son with super-claw action. When it gets higher than that, though, it's about one thing: the bottom line. As long as you're buying the damn books, they don't care if it's 22 pages of Wolverine date-raping Foggy Nelson.

You, the fan, say you feel entitled to good stories. You say you want to see characters you like being honored and handled with respect. You say that while fawning over every bullshit press release spewed onto Newsarama and CBR. You say that while picking up Wizard magazine and its collection of deep-tissue massages disguised as articles. You wonder why there are no surprises any more when you spend your time spoiling them yourself. Stop doing it. Stop spending time and money ruining things for yourself if you're really enjoying a comic

It's OK to walk away from books you're not enjoying. Nobody will get their feelings hurt and by freeing up the money, maybe you can invest in a title you do enjoy. So what if you've been reading Uncanny X-Men since 1986 - if you're not enjoying it, then stop paying for it. Your dollar is the most powerful voting tool you have for editorial change at Marvel and DC. You wonder why things never change while spending your money on the same crap week after week, month after month, year after year. If you don't like something, you don't have to - and you shouldn't - buy it. I encourage you to think about what you spend your money on and value your time more than your collection. If you're thinking too many comics are being written for the trade paperback, then wait for the trade. Don't buy monthly issues that don't give you enough content - I'm pretty sure that Ultimate Spider-Man is going to get published without your $2.99 and it'll be much better when you get to read it in a large chunk.

You complain when your beloved comics properties are adapted into a bad movie. If you really thought Elektra was going to be any good and worthy of a full-price theatrical ticket, then it's time to visit a doctor and get a basic IQ test. If you didn't like Fantastic Four, wait until the reviews are in for the upcoming Fantastic Four 2 instead of seeing it opening night. Oh, by the way, I think that when it comes to a movie adaptation of a comic, you can trust a movie reviewer who's unfamiliar with the source material. Why's that? Their job is to review the damn movies, not obsess over the fact that they've changed the way that Clark Kent parts his hair. Movies and comics are completely different media.

While I'm at it, if you're getting excited over Watchmen as a two-hour movie, then go fuck yourself. No, really, go ahead and do it now - I'll wait. Superhero comics have their very own Finnegans Wake and The Crying of Lot 49 rolled into one, beautiful piece of work and you want to see it raped and reduced to a 120-minute running time? What the hell is wrong with you? Support the medium, not the bastardization thereof.

As it stands, big-label comics are more and more about fanservice and nursing the existing market. What happens when everybody gets fed up with it? What happens when, suddenly, the bottom drops out of the business because nobody wants to read about Emo Cutter Speedball or see another b-level character get fed into the wood-chipper that is the plot for an event that promises to change everything forever - again? If you don't want to see these things now, stop buying them. If you don't want to see these things in the future, stop buying them now. If you're tired of late books - don't buy late books! Punish Marvel and DC for being unable to meet the very basic commitment they've made with their readership.

Books like Civil War bring in a few curious onlookers thanks to coverage by NPR and the like, but do they ever stick around? No - they want to read the whole thing in one package instead of being told by the staff at their local shop that to get more of that story, they'll need to come back in six weeks, maybe eight. Stop thinking these things are gateway comics in any way, shape, form or fashion. That notion, really, is a ridiculous one for spandex fanboys to cling to. A real gateway comic is something like Persepolis or Fun Home - not a limited, continuity-heavy, crossover-packed series featuring people in spandex crying because that's what "adults" do. Don't even get me started on the "real" attention that a lackluster adaptation of a Stephen King novel means for the business. Do you honestly think that anybody read the first issue of The Dark Tower and said to themselves "You know what, I bet that Peter David guy writes some other good comic books?" or "Wow, this Marvel Comics seems to have their shit together! They must publish a broad variety of graphic novels!"

If these people exist, they're going to be sorely disappointed. This is, for the record, not to slight Peter David in the slightest; it's just that he's not Stephen King and Marvel is not offering much variety to readers who aren't interested in superheroes, at least not through their trade program. I've heard stories of people at library conventions getting copies of various DC black-and-white reprints or galleys for upcoming books in the Vertigo and Minx lines while Marvel hands out stickered copies of Ultimate Iron Man #1. Sure, the Dabel brothers are bringing in some fantasy and softcore vampire porn readers, but I find it really unlikely that Marvel is going to nurture that cash cow too much when they've got to get Foolkiller greenlit.

I'm going to put it plainly: you're killing the superhero comic because of your idiotic devotion. I can't say that I necessarily think of that as a bad thing, with the business being in the state it's in. I know that I've already got six decades of superhero stories to read at my leisure. I don't need any more JSA stories to come out, just like I don't need any more Thin Man movies.

Stop dropping cash on books that don't entertain you and find some that do. I dare you, this week, to look at your pull list and cross off everything you're not enjoying. It's not hard; it takes maybe ten minutes of your time and you'll find yourself able to spend money on new things: new titles or books that you've held off on buying. They may entertain you and all you're losing the money you would have sunk into something you weren't enjoying anyway. If you love superhero comics, stop supporting shitty superhero comics. If you love comics in general, start supporting better comics.

Thank you for your eyeballs.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h53
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MONTE SUA GIBITECA COM TPBS!

Você já viu o câmbio do dólar hoje?

Parece papo de investidor internacional, né? E é mesmo. Como bom leitor de quadrinhos, você deve saber que estamos em tempos cada vez mais propícios para fazer os melhores investimentos da nossa vida: uma boa gibiteca de importados. Com o dólar em queda, é hora de começar a ler no original e – veja só – pagar menos pelos seus quadrinhos.

Isso mesmo: está mais barato comprar quadrinhos nos EUA do que no Brasil. Não somente devido à queda do dólar. As editoras norte-americanas estão cada vez mais voltadas para o mercado das livrarias, lançando coletâneas de minisséries ou pedaços de séries a preço acessível. Nada de gibis de 30 e poucas páginas – que lá fora chamam de floppies ou, pegando a analogia musical, singles -, mas sim livros em quadrinhos, com lombada quadrada ou capa dura através de edições em TPBs (trade paperbacks) ou formato omnibus.

Omnibus, na verdade, é uma palavra que começou sendo utilizada pela Marvel para referir-se a suas pesadas coleções de luxo. A primeira delas foi de Alias, a série de Brian Bendis na linha Max – com todas as 28 edições em um único volume de 600 páginas. Logo depois, veio New X-Men Omnibus – nada menos que 1096 páginas (!) com toda a passagem (mais de 40 edições) de Grant Morrison pelos mutantes. O Omnibus do Demolidor de Bendis e Maleev vem na seqüência de um outro que trazia todas as histórias de Ed Brubaker no Capitão América – até a morte do herói – e de uma série de volumes com material clássico da editora: Homem-Aranha, X-Men, Homem de Ferro e Hulk de Stan Lee, o Demolidor de Frank Miller (todo reunido em dois volumes, mais um de Elektra), entre outros.

O mais interessante é que, apesar de terem sido sucesso no seu lançamento original, o material continua vendendo bem na sua versão Omnibus. Muitas das coleções que mencionei já estão esgotadas e são disputadas a preços exorbitantes por colecionadores. O prazer de ter uma lombada gigante e bonita na prateleira fala mais alto, para os fãs de lá. Para nós, no Brasil, o que fala mais alto é o preço: mais barato que comprar as histórias individuais quebradas nas antologias tupiniquins (ou nos floppies), com a vantagem de papel especial e texto no original.

A DC tem seu próprio modelo de coleções gigantes, que chama de Absolute. A ênfase, porém, é mais no luxo e menos na quantidade, então os preços podem não ser tão convidativos. Mas as coleções campeãs de vendas Absolute Sandman – cada uma com aproximadamente 20 edições da famosa série de Neil Gaiman – até valem a pena. Já as de Kingdom Come, Watchmen, Batman: The Long Halloween e The New Frontier talvez pesem um pouco no bolso – apesar de serem lindas.

A novidade é que as editoras menores entraram na moda.

Onde comprar? Há várias opções. Se você tem um cartão de crédito internacional, a poderosa Amazon geralmente é a melhor opção: é líder em descontos e recentemente baixou alguns valores de frete. Vale a pena pesquisar os preços também de lojas como Things From Another World, My Comic Shop, Khepri (as três específicas de quadrinhos), Abe Books, A1 Books e Better World (as três últimas são agregadoras de sebos e pequenas livrarias). De vez em quando também é possível encontrar ótimas pechinchas no eBay. Cuidado apenas com os valores de frete, que variam bastante.

Se você preferir comprar em lojas brasileiras, as três melhores são Submarino, Saraiva e Livraria Cultura. Os preços geralmente são mais altos que das lojas estrangeiras (mesmo com o frete destas), mas vez por outra você encontra um descontão.

Enfim, a época é cada vez mais propícia para começar uma boa coleção de TPBs (trade paperbacks, o nome americano das coletâneas). Se você ainda não está afiado no inglês, corra atrás de fazer os books on the table virarem books on the bookshelf (e, se possível, invista também em francês, italiano, espanhol e japonês, os idiomas essenciais para ler gibi do mundo inteiro). Está mais do que na hora de trazer o que só estava "lá fora" para cá.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h33
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WATCHMEN

Filme não valoriza ambiguidade dos quadrinhos
 

Não há filme mais esperado na história por leitores de quadrinhos que “Watchmen”. Nem mais temido. A HQ foi escolhida pela revista “Time” um dos 100 romances mais importantes do Século 20. Mas para os iniciados, é muito mais que isso. Porque é uma paixão. Porque é muita história para duas horas. Porque é infilmável.

O filme se intitula “baseado na mais aclamada graphic novel de todos os tempos.” Verdade e mentira. Verdade porque “Watchmen”, de 1986/7, mudou completamente a maneira como quadrinhos são criados, comercializados, compreendidos, percebidos pelo grande público. Nada foi igual depois.

E, mais importante para gerações de leitores de HQ, fez os leitores adultos de gibis de super-herói se sentirem tratados como adultos. Nada de crash, pow e bang!

Mas “Watchmen” não é uma graphic novel, um romance composto por imagens sequenciais e texto. É um gibi. Foi pensado e publicado como gibi, uma minissérie de 12 revistas, as histórias depois reunidas numa edição única. Os personagens são super-heróis, tem poderes e uniformes bizarros, brigam à toa etc.

Os criadores na época não eram nada aclamados. O roteirista Alan Moore e o desenhista Dave Gibbons eram dois criadores ingleses que lutavam para pagar as contas. Vinham de alguns anos de experiência na HQ inglesa comercial, principalmente histórias de ficção-científica na revista “2000 AD”.

Gibbons nunca mais superaria seu trabalho em “Watchmen”. Porque Moore é o cérebro da dupla. Depois faria mais e melhor. Ama quadrinhos mais que qualquer outra forma de expressão - às vezes sugere que a considera superior às outras.  E conhece e adora a história, as convenções e as revoluções da HQ.

Mas não é nerd, não é otaku, não é fechado. É onívoro, ambicioso, intelectualizado, politizado, leitor voraz, rocker e carismático. Louco também. Moore é mago. Sério. Adora um deus serpente chamado Glyphon. Promove rituais em sua homenagem, alguns públicos, com música e dança. Ermitão, não sai de sua cidade, Northampton, mas lá é figura fácil no pub da esquina. Aliás, nem tem passaporte.

Espírito livre, abriu mão da grana e cobranças de Hollywood em favor de seus desenhistas e co-criadores. Já foram adaptados para o cinema suas HQs “A Liga dos Cavaleiros Extraordinários”, “Do Inferno”, “V de Vingança”. Ele não viu nenhum. Não gosta de cinema.

Recentemente, abandonou de vez as grandes editoras. Sua última provocação, o pornográfico “Lost Girls”, e logo a próxima encarnação da Liga dos Cavaleiros Extraordinários, saem pela nanica Top Shelf.

Tive o prazer de publicá-lo duas vezes. Na Conrad lançamos seu único romance, “A Voz do Fogo”. Na Pixel, o Monstro do Pântano e sua despedida dos quadrinhos comerciais, no selo America’s Best Comics, incluindo meu favorito, Promethea. Tem muita coisa dele publicada aqui, pela Devir, Panini, Via Lettera. Recomendo tudo.

“Watchmen” combina incrível ambição criativa com seu amor pelos chavões dos gibis de super-herói. Nasceu em 1985 como proposta de reinvenção de um grupo de heróis de segunda categoria, cujos direitos tinham sido recentemente comprados pela DC. Criados de encomenda para a editora Charlton nos anos 60, esses personagens nunca fizeram grande sucesso, mas tinham lá seus cultores. Dick Giordano, editor da linha da Charlton, era no final dos 80 influente na DC.

Eles são Capitão Átomo, Questão, Besouro Azul, Nightshade, Pacificador e Peter Cannon, Thunderbolt. Moore propôs colocá-los num cenário realista e tentar responder :“o que aconteceria na política e na cultura do mundo se realmente existissem super-heróis?”.

A DC vetou. Tinha planos para os personagens (que hoje ainda dão as caras nos gibis da editora). Moore criou então outros personagens novos, com basicamente os mesmos poderes e perfis psicológicos - respectivamente Dr. Manhattan, Rorschach, Coruja, Espectral e Comediante e Ozymandias.

É fascinante acompanhar o processo de transformação dos heróis da Charlton nos Watchmen. E desconcertante descobrir o nível de detalhamento dos roteiros de Alan Moore. O livro “Watching the Watchmen”, publicado aqui em edição primorosa pela Aleph, é obrigatório não só para fãs de Watchmen, mas para qualquer um interessado em criação.

Watchmen funciona muito bem justamente porque é um grande gibizão. O argumento é bem direto. Em um mundo muito similar ao nosso, mas modificado pela presença de seres superpoderosos (onde, por exemplo, a atuação do onipotente Dr. Manhattan fez os EUA vencerem a Guerra do Vietnã), alguém está assassinando heróis aposentados.  Quem será? E o que isso tem a ver com a ameaça crescente de guerra nuclear?

Essa história é contada usando diagramação simplíssima - quase sempre os famosos nove painéis por página, consagrados na HQ americana nos anos 40. Os desenhos são muito tradicionais.

A experimentação fica por conta da maneira de contar a história - repleta de flashbacks, citações circulares, referências visuais, variações de cor, textura - e da ambiguidade moral dos personagens e do próprio contexto político onde eles atuam.

Em Watchmen, você nunca pode ter muita certeza de quem está fazendo a coisa certa. Permite leituras diversas. Permite leituras repetidas. Não conheço ninguém que tenha lido Watchmen só uma vez.

O diretor da adaptação, Zack Snyder, prometeu aos fãs: o filme seria a graphic novel filmada - “meu objetivo é que quem assistir saia e vá correndo comprar o original, nada mais que isso.” Euforia geral.

Snyder é especialista em homenagens. Seus filmes são muito respeitosos com as obras que os inpiraram. A refilmagem “Madrugada dos Mortos” fica devendo ao original de George Romero no quesito sátira, mas só. “300” é tão truculento e estilizado quanto a graphic novel de Frank Miller.

Superficialmente, o filme é fiel mesmo.  Talvez seja pouco atraente para quem não leu o original. Mas as duas horas e quarenta passam rápido, o que não é pouca coisa, e estão recheadas de pequenos prazeres para os iniciados. Frases e mais frases foram tiradas diretamente do texto original de Moore. Enquadrações de câmera decalcadas da arte de Gibbons. Personagens e cenários secundários e terciários da HQ estão lá, nem que por um instante.

A aparente fidelidade cega oculta uma traição profunda. Porque a ambiguidade está no coração de Watchmen. Mas não no filme. Como a melhor cultura pop, a obra de Moore e Gibbons comenta o presente - no caso, 1986, quando foi escrita. Era um planeta dominado pelo convervadorismo político e de costumes, que vivia os estertores e aguçamento da Guerra Fria, sob Thatcher na Inglaterra e Reagan nos EUA.

Mesmo assim, a história não oferece respostas fáceis. Não é um mero ataque aos direitistas. Liberais frouxos são igualmente despedaçados por Moore - o psiquiatra que trata Rorschach é inesquecível. O desfecho da aventura é o triunfo chocante da “real politik”. Mas não é essa, ainda, a palavra final de Moore, como revela a última página da HQ.

E “Watchmen”, o filme? Para começar, nada tem a ver com a Terra em 2009 (o que talvez fosse esperar muito de Snyder: dar um update histórico mantendo a coesão conceitual).

Esteticamente, o filme é sombrio, chuvoso, urbano. Os heróis ganharam perfumes modernex - o caso mais gritante é do Coruja, um gordo impotente e desajeitado na HQ, que virou um Batman. As cenas de combate são minuciosamente coreografadas, modelito “Matrix” (e “300”). Violento paca - sangue jorrando, fraturas expostas de roldão.

Tem cenas de sexo, bundas de fora, e o pinto do Dr. Manhattan brilhando azulzinho. O conjunto tem a pinta de “O Cavaleiro das Trevas”, produzido pela mesma Warner, e fenômeno de bilheteria.

A abordagem é equivocada. A história de Moore e Gibbons não é um drama policial. É ficção-científica. Como as melhores do gênero, utiliza uma variedade de gêneros - do realismo psicológico à comédia de costumes, do terror à space opera até, sim, o policial “hard-boiled” à Mickey Spillane.

A história ganhou um vilão muito bem definido, que tem contornos de vilão desde sua primeira aparição, logo no primeiro ato. Enfraquece a trama e telegrafa o final. Parece imposição do estúdio após testes com audiência

E ganhou também um herói muito claro: Rorschach.  A chave para entender “Watchmen”, o filme, está na seleção de Rorschach para conduzir a trama - que nos quadrinhos era polifônica, com espaço para a investigação profunda de cada um dos personagens principais.

Rorschach abomina a ambiguidade. Não tem dúvidas de que está fazendo a coisa certa, sempre. É linha dura. Culpado tem que pagar, bandido tem que morrer. Nada mais importa.  Conchavos, “nem na face do Apocalipse”.

É baseado no Questão, criação de Steve Ditko, seguidor ortodoxo da filosofia objetivista da escritora Ayn Rand. Rand, muito influente nos círculos intelectuais e políticos americanos, defendia a liberdade e reponsabilidade invididuais como valor máximo - é egoísmo contra o altruísmo. Abominava meias-verdades.

Nos EUA, é um dos ícones do movimento libertário. No Brasil seria considerada “de direita” . Não era, mas certamente não era “de esquerda”.

A máscara de Rorschach traz as manchas do teste de personalidade que batiza o herói, ou talvez anti-herói. É preto no branco. Cada um enxerga ali o que quiser. E que se responsabilize por isso e aja de acordo com sua visão. Matizes de cinza estão proibidas.

A obra de Snyder é na verdade “Rorschach, o Filme”: um drama policial sexy e violento, que se passa num inferno urbano, onde o mal tem face e nenhuma ambiguidade é possível. Merece ser assistido, talvez mais de uma vez. Merece ser assistido do lado de alguém que nunca tenha lido o gibi.

Mas não é o meu Watchmen. Este é imortal. Vive para sempre nas páginas amareladas que comprei e li em 1988 e que mudaram minha vida.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h53
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HOLLYWOOD STRIKES BACK

Produtor de Hollywood contra-ataca Alan Moore

Demorou. Alan Moore não para de provocar Hollywood com entrevistas em que ataca todos os filmes baseados em seus quadrinhos, incluindo o vindouro Watchmen. Um produtor resolveu se revoltar publicamente contra o autor.

É Don Murphy, que produziu A Liga Extraordinária e Do Inferno, consideradas unanimamente uma das piores adaptações dos quadrinhos de Moore. Murphy está envolvido em vários grandes projetos de Hollywood, tendo Transformers, Mandando Bala e Assassinos por Natureza no currículo.

As declarações apareceram na seção de comentários da notícia sobre Moore no site Hollywood Elsewhere. E Murphy já começa dizendo a que veio:

"Alan Moore é um hipócrita mentiroso.

- Ele ganhou um milhão de dólares da Fox por Liga - ele não PRECISAVA ter recebido o dinheiro.

- Ele diz que nunca assistiu Liga, então por que pode ficar comentando sobre seus méritos? VOCÊ pode falar o que quiser - mas ele nunca assistiu.

- Ele faturou mais de 3 milhões de dólares depois que Watchmen voltou a vender por conta do filme - e não devolveu esse dinheiro.

- Ele vendeu os direitos sobre Watchmen em 1988.

- Ele atacou V de Vingança quando saiu - depois de vender os direitos.

- Ele é um velho que fuma haxixe demais e adora um deus lagarto. Vai acreditar nas merdas que ele fala?"

O que Murphy diz vai contra o que Moore já declarou: que não recebeu um tostão pelos direitos de adaptação de V de Vingança nem de A Liga Extraordinária, preferindo que sua parte fosse paga aos desenhistas das HQs (David Lloyd e Kevin O'Neill, respectivamente).

Quanto a fumar haxixe e adorar um deus lagarto, Moore só confirmaria. Suas drogas e sua devoção ao deus-serpente romano Glycon são bem documentadas em várias entrevistas.

Já Murphy não é dos caras mais respeitados pelo público. O site A.V. Club lembra que, em 1997, ele foi atacado por Quentin Tarantino em um restaurante de Los Angeles depois de declarar em um livro sobre Assassinos por Natureza que Tarantino (autor do primeiro roteiro do filme) seria um "one-trick pony" (alguém que só faria sucesso uma vez na vida) e que ficaria "famoso somente por ser famoso".

Alan Moore ainda não respondeu - se ele se dignar a responder, claro, ao invés de ficar na sua casa na Inglaterra fumando haxixe.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h51
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ALAN MOORE X HOLLYWOOD - Capítulo XVVXIVLX
 
do Omelete
 
As entrevistas em que Alan Moore começa a reclamar da indústria do cinema e dos quadrinhos são sempre uma festa para os fãs do barbudo. Provavelmente são também para o próprio Moore, que não é bobo e sabe que suas declarações vão ganhar mais circulação o quanto mais pontiagudas estiverem.

A mais recente foi para a revista inglesa TotalFilm, que nem se deu ao trabalho de publicar as perguntas que fez ao tio Alan e só deixou um punhado de declarações venenosas do criador de Watchmen. Confira uma seleção abaixo:

"A principal razão pela qual quadrinhos não funcionam no cinema é que praticamente todo mundo no comando da indústria de cinema é contador. Essa gente sabe somar e equilibrar o livro-caixa, mas para qualquer outra coisa são burros, incompetentes e não têm qualquer talento."

"Tivemos um produtor de Hollywood particularmente obtuso que disse 'vocês nem têm que produzir o gibi, é só colocar o nome de vocês nessa idéia e eu faço o filme e vocês ganham um monte de dinheiro - é... A Liga de Animais Extraordinários! Vai ser como o Gato de Botas!'. Eu só disse 'Não, não, não. Nunca mais mencione isso para mim'."

"A gente precisa de mais filmes-porcaria no mundo? Já tivemos o bastante. E esses 100 milhões de dólares [orçamento de Watchmen: O Filme e de A Liga Extraordinária] podiam acabar com a guerra civil no Haiti. Além disso, os quadrinhos originais são sempre melhores."

"Na época em que escrevi Watchmen, eu ainda acreditava nos bastardos venenosos [os super-heróis], eu tinha uma opinião diferente sobre quadrinhos de super-herói norte-americanos e o que eles significavam (...). Os EUA têm uma afeição desmedida por lutas desleais. É por isso que armas são tão populares lá - porque você pode atacar de supresa, atirar pelas costas, lutar de forma bastante covarde. O que lá chamam de fogo amigo, no resto do mundo a gente chama de fogo americano."

"Acredito que a grande verdade sobre os super-heróis é que os EUA não iam querer nenhum contra eles. Eles preferem não se envolver em uma briga se não tiverem poder de fogo maior, ou são invulneráveis porque vieram do planeta Krypton quando eram bebês. Acho que essa é a vergonha por trás de todo mito do super-herói norte-americano. É o único país em que esse gênero funcionou. Nós britânicos vamos ver filmes americanos de super-heróis assim como o resto do mundo, mas nunca criamos super-heróis nossos de verdade."



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h50
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A few weeks ago, Zack Snyder nearly became the director who came closest to making a movie version of “Watchmen” without actually getting it released in theaters. He had been busy editing his adaptation of the graphic novel, written by Alan Moore and illustrated by Dave Gibbons, knowing that he was the latest in a long line of directors — including Terry Gilliam, Darren Aronofsky and Paul Greengrass — who had been unable to bring the comic-book epic about dysfunctional superheroes to the big screen.

Meanwhile — as they say in the comics — Warner Brothers and 20th Century Fox were engaged in a much-publicized tussle over who owned the rights to the “Watchmen” movie. Though the two studios eventually made amends, Mr. Snyder did contemplate the very real possibility that his movie (scheduled to open on March 6) might never be released. “That,” he said laconically, “would have been a bummer.”

In his first interview since the legal fate of the “Watchmen” movie was decided, Mr. Snyder spoke about the challenges of turning the much-revered comic book into a film, how his movie stacks up against Christopher Nolan’s superhero epic “The Dark Knight,” and his much-blogged-about decision to alter the ending of “Watchmen.” Excerpts from the interview follow. (This interview may contain spoilers for readers unfamiliar with the original graphic novel.)

An article on Zack Snyder and the making of “Watchmen” will appear in this weekend’s Arts & Leisure section.

When you learned that Fox was suing Warner Brothers, did you think that the curse of “Watchmen” had struck again?

A little bit, I’ve got to say. I thought if the movie gets shelved for all time it would be awesome – there are a couple of my friends that have seen it, and they were like, “We would go on lecture tour and just describe the film to people. That would be our whole thing. We would just be in a big hall and say, ‘O.K., the first shot is this. And then the next shot.’” And they could have gotten all the things off the Web and they could kind of weave the story. And they could kind of build the film as spoken word. I wasn’t completely opposed to that.

Does such a close film adaptation of the graphic novel open you up to the criticism that all you did was shoot the comics?

I guess that’s true, but I think you could say that for any book, any work of literature. It’s not that easy to just make a graphic non-reality comic book into living, breathing, moving reality. I always say, I’m certain I changed “Watchmen” less than the Coen brothers changed “No Country for Old Men.” I’m certain of it. But you don’t hear the Cormac McCarthy fans, like, up in arms about it. They should be. It’s like an amazing Pulitzer Prize-winning book. But if we were doing “Moby-Dick” or “Watchmen,” it’s the same issue – this is what’s on the page. The guy walks into a room, sits down, makes a phone call. Do you do that? Or do you say, “It would be better if he sends a telegram?”

That’s what happens. That’s Hollywood. It’s that old thing of, “Listen, kid, it’s cool, it’s cute, it’s a comic book. But let me tell you what the movie’s going to be like. You need action, you need romance. Dan can’t be impotent, are you crazy!” I think after the first draft, the studio was like, no naked blue guy. These are the three things that I think the movie would have been without in a classic studio system: Comedian’s funeral, not necessary. Just bury him. No flashbacks there. Second: Dr. Manhattan on Mars. Unnecessary. He can go to Mars, but then once we see him – pfft – land on Mars, [snaps fingers] back to the story. And Rorschach’s back story – do we need to know anything about Rorschach’s childhood, or does he need to be interrogated by the psychiatrist at all? He can just be in prison, and then Dan and Laurie bust him out.

For moviegoers who have no familiarity with “Watchmen,” what do you think you’ve given them that will get them through the door?

What I tried to do is a couple of things. I tried first of all to give them the reference of the 20th century, to say, “Look, it’s us that I’m talking about.” And then next, I tried to give them – which is in the graphic novel, but I tried to push it even further – just that iconography of superhero mythology that I know all of them know. Even if you just go online and look at the chats and see people, like, “Is this a Batman movie? What is this?” That’s good. You just have to get them about halfway, because I think the rest of it is just going to be the experience of seeing what happens to those icons.

Could you explain your decision to alter your ending from how it plays out in the graphic novel, by removing the giant squid that seems to attack New York?

I think it keeps the movie on point a little more than it would if we had the squid, then I think we would have had to go explain and talk about. I like the squid in the graphic novel. Everyone thinks I hate the squid and I don’t get “Watchmen.” “Snyder’s crazy, he’s ruining it. He changed the ending” – which I did not, I will say. Like, if you really talk about, What is the end of “Watchmen”? It’s the exact same ending that there is in the book, there’s no two ways about it. I think for me, the squid just represents a 30-minute right turn that, in order for it to make any sense at all, you would have to take. What I was concerned with, if I took that 30-minute left turn to explain the squid, you’d be talking about taking 30 minutes of other stuff out of the movie. And right now, I’m on the edge with just how much Rorschach I have, and how much Nite Owl, and how much Dr. Manhattan, just as far as their character stuff. I wouldn’t want to lose a minute of that stuff.

Has the success of “The Dark Knight,” another two-and-a-half hour movie about realistic superheroes, helped your “Watchmen” film?

I think it’s helped a lot. I think it has. It’s as serious as, like, brain surgery on a baby – which I think is a good thing, I’m not saying that in a bad way – but you can’t have a superhero movie more serious than that. It’s like “The Reader.” I think it does lay crucial mythological groundwork for the appreciation of “Watchmen.” Maybe I’m too close to it, but that’s my feeling.

I think I just have a natural operatic aesthetic. I can’t help it. People have said to me, when they talk about the graphic novel, about how it’s gritty and real, and I always go, “Yeah, you realize also though that a lot of that book takes place on Mars. And Manhattan is 200 feet tall when he walks through the jungles of Vietnam. And the bad guy-slash-good guy does have an Antarctic lair that looks like possibly like an Egyptian pyramid-ish place.” That said, it’s difficult for me, anyway, to leave that conversation not going, “Wow, this is a fantastic world.” That doesn’t mean that the characters inside of that world don’t have doubts and fears and are broken, and have to find themselves again. All that stuff. And are rescuing people from a tenement fire is their version of foreplay. Whatever you want to say about it. Because I embrace that part of it, I love that part of it.

The thing about “Dark Knight” is its objective is to set Batman into your world, so that you can imagine the moral dilemmas he faces are exactly parallel to moral dilemmas that you would face in this world, today, if you were out there fighting crime dressed like a bat. Where I think in “Watchmen,” because it creates metaphors and symbolism, it has a little freer of a hand. It’s pointing a finger at those exact moments, going, “Really? Doesn’t this also remind you of this? Or doesn’t that make you think this?” That’s where I think that aesthetically the movies diverge.

Over the years, Alan Moore has complained that filmmakers have taken too many liberties when adapting his work into movies. Do you find it ironic that here’s a film that is extremely faithful to his work, and yet he’s vowed never to watch it?

I get in trouble every time I make a comment about Alan. Clearly I have a giant respect for him. I don’t think you could see this movie and not think that O.K., Snyder likes Alan Moore. His wishes have been that we don’t contact him or ask him what he thinks, or make comment about what he might think. I think that’s the biggest mistake people have made with him in the past, is they’ve assumed how he would feel, and no one could know how he feels but him. So it’s been it’s been my mantra to try and keep from making an assumption about him. But it is ironic. [laughs]

Now that Warner Brothers can actually see what you’ve done with “Watchmen,” has anyone tried to broach the subject of a sequel?

No, no. I don’t know how you would do that. We never did it, but we were going to do a limited release Bazooka bubble gum. I wanted Dave [Gibbons] to draw a comic book for me, and you had to collect all of them to make it make sense. I think it’s three panels per bubble gum, and you had to get 10 gums to make it all. And I was going to make a thing called Planet Rorschach. So you see this planet, and it’s covered with New York City. It’s like a planet of New York City. There’s no suburbs. There’s one giant Empire State Building, like Mount Olympus, in the middle of it. And hovering above the needle is Manhattan, blue, glowing. But the planet’s going, “Hurm, hurm, hurm, hurm, hurm, hurm.” You can’t tell, it’s this big, deafening, “Hurm.” And as you get close, you go down into the city and the whole world is populated with Rorschachs. And they’re all bumping into each other, going, “Hurm, hurm, no compromise, hurm, hurm, Armageddon.” That’s basically it. So I was like, “Is that the movie you guys want to make?”

So, definitely, no “Watchmen” sequel?

Listen, they own the rights. If they wanted to go and hire some guy to make them a sequel to “Watchmen,” I don’t know that they would get any of those actors to do it, and I know that I wouldn’t have anything to do with it. But they own it. They can do whatever they want. They can make a movie – I’ve spoiled it, I think, a little bit. Do you leave that film going, “Man, I wonder what the next chapter is?” [laughs]

But you know as well as anyone, a movie studio is a big machine, and once the gears get turning —

Yeah, there’s not a lot of ideas, I guess. It is true. Just like this “300” sequel that we talked about. I said to them, here’s the thing, this is the way I would do it. The way I would do it is if Frank drew a graphic novel, it came out in the marketplace and people said, “That’s pretty cool.” And I read it and said, “You know what, Frank, that’s pretty cool. Maybe we’ll make this into a movie.” That is the only version – the studio wants it to be, sit with Frank, come up with an idea, write a screenplay, maybe he’ll do a graphic novel based on the screenplay. I’m like, “Yeah, I want nothing to do with that.” I have no interest in that. It would be like me going to Cormac McCarthy and going, “I have an idea for a movie: You write a book and I’ll write a movie, and you can release it. You’ll win a Pulitzer, I’ll win an Oscar. It’ll be awesome.” The attitude toward comic books, they show their hand a little bit. They would never say that about a real novelist, but they would about a comic book. “They just crank those out, right? It’s like no big deal.” In the end, all I would hope is that geek culture, this movie gives geek culture a little bit of cred.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h49
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