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Em causa própria
 


PIRIGUETE SANGALO

Boa essa: desmentindo insistentes rumores de nova gravidez, Ivete Sangalo disse que "ainda não, mas continuo tentando. Pelo menos, três vezes por dia".

 

Boa média.

 



Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h02
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Gaúchos são os que mais "gostam" de recorrer à Justiça no país

A secretária gaúcha Lisiane Romeu perdeu a conta de quantas vezes recorreu à Justiça para resolver problemas que pareciam insolúveis. Ela não é exceção no Rio Grande do Sul: relatório elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou que os gaúchos recorrem mais ao Judiciário do que qualquer outro brasileiro.

Aos poucos, a secretária lembrou, um a um, os processos. O primeiro, conta, foi um prosaico acidente de trânsito, resolvido com uma audiência rápida num Juizado Especial ainda nos anos 1990. Depois veio uma pendência trabalhista -finalizada em cinco anos e apenas duas audiências, uma delas de conciliação. Um divórcio, um problema com o condomínio atrasado, a pensão da filha. No total, cinco apelos ao Judiciário desde 1998.

Segundo o balanço do CNJ, tramitam hoje mais de 3,3 milhões de ações na Justiça gaúcha, em primeira instância e em segunda instância. Isso significa um processo para cada três habitantes. Além disso, há um grupo de 3.500 novas ações de segundo grau - que significam recurso de uma decisão já tomada - por ano para cada 100 mil habitantes. O número significa o dobro do que foi registrado no Mato Grosso do Sul, segundo Estado com mais processos novos de acordo com o CNJ.

No Pará, por exemplo, foram registrados apenas 77 recursos para cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados coletados pelo CNJ se referem ao exercício de 2007.

"Não lembrava de quantas vezes havia entrado num fórum", disse a secretária. Segundo Lisiane, ela nunca pensou em não recorrer ao Judiciário para resolver problemas envolvendo outras pessoas. "É difícil negociar com estranhos. Eu prefiro que a Justiça resolva por mim", diz. A secretária diz que gostou dos resultados. "Se [a Justiça] não funcionasse, procurava outro caminho", afirma.

"É incrível a quantidade de gaúchos que estão brigando nos tribunais", diz o presidente do Conselho de Relações Institucionais do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, desembargador Voltaire de Lima Moraes.

Segundo ele, o volume de ações judiciais expressa um espírito de cidadania forte no Rio Grande do Sul e a credibilidade do sistema - embora o desembargador considere um exagero o número de processos em andamento. Apesar disso, ele vê problemas na situação: "Acho que estamos deixando de negociar para jogar toda a responsabilidade sobre a Justiça".

Estados com maior número de casos
em 1ª instância (2007)

EstadoCasos novos por 100 mil habitantesTotal de casos novos
RS14.2421.507.212
SC10.810634.162
SP10.6264.231.973
MS8.810199.609
RO7.427107.974
Brasil6.23811.476.577
  • Fonte: CNJ. Dados da Justiça estadual


O advogado Rodrigo Coulon, especialista em direito processual civil, concorda com o desembargador. "Há uma certa pressa de alguns advogados em recorrer à Justiça antes de esgotar a busca por uma solução negociada", diz. Segundo ele, esse procedimento acaba entupindo o Judiciário desnecessariamente. "Em função do volume de processos, a distribuição de um recurso em São Paulo pode demorar até três anos. Isso é demais."

O advogado avalia que a credibilidade da Justiça também deve ser levada em conta na análise dos números. Coulon relata o caso de um cliente que, mesmo após ter perdido a causa num Juizado Especial, saiu do Fórum de Porto Alegre satisfeito com a decisão pelo simples fato de ter podido reivindicar seus direitos num tribunal. "Pode parecer banal, mas isso significa a democratização de um poder tradicionalmente pouco acessível à população."

Estados com maior número de casos
em 2ª instância (2007)

EstadoCasos novos por 100 mil habitantesTotal de casos novos
RS3.460366.125
MS1.74939.639
SC1.26274.062
SP1.231490.294
MG1.000192.655
Brasil8831.623.974
  • Fonte: CNJ. Dados da Justiça estadual
Não é possível dizer, no entanto, que o problema do acesso à Justiça esteja resolvido no Rio Grande do Sul.

A Defensoria Pública do Estado, criada em 1994 com autonomia administrativa e financeira, responsável por dar assistência a quem não pode pagar por um advogado (tanto para quem deseja entrar com uma ação quanto para quem precisa se defender de uma), está presente em apenas 165 dos 496 municípios do Estado.

Enquanto o TJ contabiliza 788 juízes no Rio Grande do Sul, a Defensoria atua com 245 advogados. A demanda nos mais de 33 mil atendimentos por mês, em função disso, acaba se refletindo na sobrecarga de trabalho dos defensores. "Nós entregamos a alma para suprir essa carência", diz a Defensora Pública-Geral do Rio Grande do Sul, Maria de Fátima Paludo.

Ela considera a estatística da defensoria alarmante. "Isso reflete o pouco caso que o Estado tem com o cidadão", diz. "Deixamos de possibilitar a igualdade entre os desiguais e de resgatar a cidadania e dar voz a quem não tem voz."

Baixo 'congestionamento'
O presidente do TJ gaúcho, desembargador Arminio José Lima da Rosa, diz que os magistrados gaúchos estão sentindo diretamente os efeitos desse "espírito belicoso" detectado pela pesquisa. Segundo ele, o Estado registra a maior densidade de novos processos por juízes - quase 3.000 para cada um em 2007. "Mesmo assim, nosso índice de congestionamento é baixo", disse.

A média brasileira de congestionamento, segundo o relatório do CNJ, foi de 74%, enquanto no Rio Grande do Sul o índice ficou em 22%. Essa taxa é calculada a partir da relação entre o número de decisões que extinguem um processo com a soma das ações em tramitação. "Sinal de que os juízes estão trabalhando acima do limite", avalia.

O presidente da seccional gaúcha da OAB, Claudio Lamachia, acredita que a capacidade instalada da Justiça no Rio Grande do Sul não dá mais conta do grande volume de processos. "Isso é um fato incontestável", afirmou. Mas como o acesso ao judiciário é um direito constitucional, Lamachia defendeu mais investimentos no sistema. "Precisamos de mais foros, de mais servidores, de mais computadores", disse. Segundo ele, é dever do estado "prestar jurisdição à população".

Para Lamachia, o grande volume de processos registrados no Estado se deve a uma característica cultural do povo gaúcho. "Temos tradição de brigar por nossas convicções", analisou o dirigente. Isso, segundo ele, leva advogados e população em geral a esgotar todas as possibilidades de recursos na Justiça.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h01
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SINGLES

O "single" volta a ser um simples solteirão

A opção por viver só que prolifera em tempos de bonança vive horas sombrias na Espanha. O desemprego e as dificuldades lhe tiraram todo o encanto

Sua comida estraga na geladeira. Não tem parceira, vive em uma cidade e tem um trabalho que lhe permite se autossustentar. Os americanos, que rebatizam tudo, disseram há cinco anos que não era um solteirão, mas um "single", que os homens eram metrossexuais e as mulheres "freemales" (livres ou sem homens). Disseram que você era o menino bonito do departamento de marketing de qualquer multinacional, porque gastava 40% a mais que um membro de qualquer família. Que é hedonista, porque como não tem ninguém que dependa de você viaja várias vezes por ano e costuma jantar fora toda semana. Que há 18 anos seu grupo representava 13% da população espanhola e hoje já são 22%, até 3,5 milhões de domicílios. Que você ia comer o mundo.

Mas a crise não perdoa, e ser single hoje na Espanha é mais difícil. Os sozinhos - ou "ímpares", como se costuma traduzir na Espanha - não sofrem a crise mais que os outros. Mas a sofrem. Há 155.700 lares formados por uma só pessoa que está desempregada, 74% a mais que um ano atrás. O número dos que procuram companheiros para dividir apartamento, segundo alguns portais da internet, quase duplicou. O crescimento de domicílios unipessoais, depois de um aumento trepidante, está sendo freado. E as separações, essa fábrica de singles que trabalhou a pleno vapor com o divórcio expresso, agora baixou o ritmo, devido ao fim desse efeito e também à crise econômica. Sim, seu consumo é o que melhor aguentou o ritmo no ano passado.

"É que o fenômeno do single foi algo econômico na Espanha. Vivemos dez anos de quase pleno emprego, em que as pessoas puderam empreender projetos individuais e os levaram a sua máxima expressão social. Depois de ter sido estigmatizado, houve certa glorificação do solteiro, a imagem de que tinha o mundo a seus pés", reflete o professor de marketing do IESE José Luis Nueno, especialista em análise de consumo.

Patricia F. recusa o rótulo que as consultoras de consumo decidiram lhe colocar. Embora por suas condições de vida seja uma single típica. Solteira, com 40 anos e 12 de experiência no setor, a empresa de informática em que trabalhava deu uma sacudida em sua equipe e em janeiro passado decidiu dispensá-la. Patricia ganhava € 3 mil brutos por mês e podia morar sozinha em um apartamento alugado em Barcelona. "Porque com o desemprego não tenho nem para a metade dos meus gastos. Cortei tudo: saía para jantar fora no mínimo duas vezes por semana e agora só saio se for a uma festa em casa de amigos. Não sou de comprar muita roupa, mas quando gostava de algo não precisava pensar. Em momentos assim você trabalha para si mesma, vive como lhe apetece, mas agora não", resume essa diplomada em filosofia e sociologia, dentro de sua nova economia de guerra.

Em vez de morar sozinha, passou a buscar um companheiro de apartamento para ajudar a pagar os € 600 de aluguel. "Mas isso também não é tão fácil como antes, porque agora há muita gente alugando quartos vagos para pagar a hipoteca, e os preços baixam", afirma.

Idealista.com, um dos portais da internet com mais usuários em busca de moradias, confirma isso com números: sua oferta de apartamentos compartilhados em Madri na semana passada era de 2.245 anúncios, contra os 1.799 de apenas seis meses atrás. O mesmo acontece na capital catalã: dos 367 apartamentos divididos no mês de setembro para os 675 da semana passada. E os preços, como suspeitava Patricia, caem ligeiramente: de € 370 em média para € 360 na sua cidade, Barcelona, e de € 360 para € 350 em Madri. São os locais da Espanha com maior oferta de apartamentos divididos, embora no total do país também aumente a oferta e os preços se moderam: de € 330 para € 320 em média, segundo o Idealista.com.

Meetic, uma plataforma da internet que põe solteiros em contato e se transformou em um suculento negócio de € 133 milhões no ano passado, sentiu medo em janeiro. As assinaturas, depois de aumentos trepidantes, baixam pela primeira vez. "Tememos que isso fosse uma tendência e baixamos o preço de € 30 para € 20, mas nos enganamos. O preço não é um problema", aponta José María Ruano. Em fevereiro as assinaturas voltaram a subir e Meetic deixou de novo o preço em € 30 mensais.

Carmen Gómez, diretora do Painel de Consumo da consultora Nielsen Espanha, põe a visão em longo prazo. "É verdade que os singles não são os reis do mambo, e que agora já se fala menos neles, mas em longo prazo são um público muito importante. Entre 1991 e 2005 passaram de 13% para 21% dos domicílios e gastam muito mais per capita". Claro que a aceleração do citado período diminuiu e desde 2005 cresceu apenas 1 ponto, para 22%. "Mas não está mal, é um ponto inteiro", insiste Gómez.

Além de econômico, o fenômeno dos singles foi demográfico, alentado pelo "baby boom" (nascidos durante a explosão demográfica de 1960 a 1975). Daí a explosão de novos produtos (miniembalagens para pessoas que vivem sozinhas) ou empresas (agências de viagens especializadas) a que deu lugar.

O setor dos sozinhos também é o único cujo consumo cresceu no ano passado, segundo os dados da TNS Worldpanel. Suas compras em alimentação, bebidas ou drogaria subiram 2,3%, quando as dos demais grupos formados por casais com filhos ou pessoas sós com descendentes baixaram.

Mas quando uma residência formada por uma só pessoa entra em crise a estrutura cambaleia. Uma opção é voltar para o lar paterno. E não é uma decisão fácil. Rosa Alonso acaba de passar por isso poucos meses depois de estrear sua condição de solteira. Dentro do microcosmos dos singles, ela, com 23 anos, pertence a um setor mais jovem. Morava em um apartamento alugado com seu namorado, colega de trabalho em uma das firmas intermediárias de hipotecas que surgiram como cogumelos com o boom do mercado da construção, até que quebrou há alguns meses. Em fevereiro passado, a empresa, caída em desgraça, fechou e deixou os dois sem trabalho. Acaba de voltar para a casa dos pais. "Não me sinto muito single agora, é claro."

"Isso é algo que ocorre nas recessões, costuma servir para a coesão familiar. Porque no final, em momentos assim, é a família que ajuda, essa é a rede em países como a Espanha. As outras redes sociais são mais para bater papo", indica Nueno.

É que em outros países a cultura do indivíduo, do jovem que busca a própria vida, está mais consolidada. Em 2007, o maior peso dos lares unipessoais, cerca de 40%, se encontrava na Suécia, Noruega e Dinamarca, seguidos de Alemanha e França. Fora da Europa, o Japão é o país com maior proporção de lares single, 29%, segundo a agência Euromonitor.

Mas essa agência consultora de Chicago, a que mais se aprofundou sobre o fenômeno, acende luzes de alarme por esse grupo humano. Em seu último relatório, de julho de 2008, já mergulhado no desastre econômico, a firma de estudos de mercado alerta que a atual seca de crédito "torna cada vez mais difícil" para os solteiros conseguir dinheiro emprestado para ter acesso a sua primeira moradia. Por essas perspectivas, sobretudo no Reino Unido e nos EUA, o horizonte de crescimento que esperavam sofrerá uma "pequena mudança".

À nova situação mundial se acrescenta a dificuldade substancial da natureza do só: "Os custos de vida, como alimentação ou manutenção da casa, são mais altos por cabeça para as pessoas que vivem sós".

"E também pagamos mais impostos que ninguém, porque nada nos alivia", queixa-se Patricia. Ser um single protótipo exige que as coisas vão bem. Martín Vivancos, professor da escola de administração EADA, vai à essência básica: "Podemos dizer que hoje são duas classes de singles: o que não foi afetado pela crise e o que foi, e este vê seu nível de consumo afetado". É um dos motivos pelos quais o turismo de fim de semana, os restaurantes e casas noturnas, os lugares de lazer habituais de grupos de solteiros, veem suas receitas emagrecer.

Como no caso de Patricia e suas festas caseiras com amigos. Segundo Vivancos, "há uma propensão para isso. Cada vez o lar aparece mais como centro de lazer, com DVD, consoles de jogos... É algo muito comum em outros países europeus, mas na Espanha não era tanto". "E o grande perigo disso", acrescenta, "é que as pessoas descubram que passam muito bem em casa. É interessante e ameaçador ao mesmo tempo para o consumo".

Os restaurantes viram seus ingressos cair em geral. José Luis Guerra, presidente da Federação Espanhola de Hotelaria, explica que "não se pode distinguir entre todos esses solteiros e o público em geral, mas a queda foi generalizada. Este ano o gasto está caindo entre 9% e 10% ao mês". Não diminuem as visitas aos restaurantes, mas sim o gasto: de dois pratos se passa a um para a dividir e da sobremesa ao café, diretamente.

Mas as atividades de grupo continuam e os diversos portais da internet ou agências de viagens que aparecem quando se põe a palavra "single" na internet continuam, embora sem esconder o fantasma da recessão econômica. No Singlesbcn se habilitou uma seção de plano anticrise com descontos para os associados, e tem uma bolsa de empregos. Por trás de tudo está Gary Walker, que minimiza a crise.

"Sempre tentamos ajudar as pessoas que estão conosco, muitos há bastante tempo. Aqui é um bom lugar para que os profissionais se conheçam. Se um dos solteiros tem uma empresa e outro busca trabalho, aqui podem se conhecer." Walker reconhece que alguns não passam por bons momentos, e muita gente deixa de pagar o aluguel. Mas isso "também acontecia antes".

Vicente Pizcueta, que é porta-voz da Empresários pela Qualidade do Lazer Noturno, admite que a frequência das saídas noturnas baixou de seis por mês para uma, e que as vendas de entradas e bebidas, quando se fala do mundo da noite, baixam 10%, além de que a diversão está migrando para as residências. Mas ele coloca tudo em uma tendência que percebe desde a última década, não vinculada à crise.

Pizcueta explica que trabalhou muitos anos no setor de casas noturnas para dar uma versão muito diferente de José Luis Nueno e sua teoria econômica dos solteiros. "Vamos ver: o que é single? É uma pessoa que busca uma segunda juventude com maior poder aquisitivo. E o que aconteceu na Espanha é que deixou de ser malvisto para estar na moda. Mas são só pessoas que buscam conhecer outras pessoas, por isso continuarão saindo à noite, por menos que possam", aponta Pizcueta. A mesma coisa pensa o dono do bar Minusa em Barcelona. "Estão faltando mais casais do que os solteiros; estes saem sempre, por força. O resto é preciso estimular com preços mais baixos."

Pizcueta sentencia: "Alguns sairão menos, mas para outros as noites não podem acabar. Com ou sem crise, o single é alguém que sai para buscar contato com o sexo oposto". Ou com o próprio.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h42
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ADVOGADOS...

Bons advogados conhecem as leis.

 

Ótimos advogados conhecem a jurisprudência.

 

Advogados extraordinários conhecem os juízes.

 

Advogados geniais conhecem as leis, a jurisprudência, os juízes e, de quebra, a polícia.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h39
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DASPU

Dona da Daslu é "empresária de criminalidade sofisticada"

Apontada como uma das "chefes" de uma "organização criminosa", Eliana Tranchesi é classificada como uma "empresária de criminalidade sofisticada" pela juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal de Guarulhos (Grande SP), em sentença que condena a dona da butique Daslu a 94 anos e 6 meses de prisão por crimes como descaminho e falsidade ideológica.

Dona da Daslu é condenada a 94 anos e meio de reclusão

  • Ana Ottoni/Folha Imagem - 22.set.2006

    Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, 53, foi presa nesta quinta-feira (26) acusada de crimes como formação de quadrilha, descaminho (importação fraudulenta de produto lícito) e falsidade ideológica

Segundo a juíza, ao lado do irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, diretor financeiro da loja, Eliana agiu com o "escopo de cometer um gigantesco e bilionário programa delinquencial" e sua conduta é "proveniente da cobiça em busca da acumulação de riquezas provenientes de meios ilícitos", pois "visava angariar recursos bilionários através de lesão ao erário".

A argumentação foi usada pela magistrada, em sentença de cerca de 500 páginas, para dosar a pena contra Tranchesi. Para Maria Isabel do Prado, trata-se de uma "delinquente contumaz, com plena insensibilidade e desrespeito à aplicação das leis". Assim, a juíza entendeu que o fato de a ré ser primária não tem condições de favorecê-la.

A juíza levou em conta dois fatores para determinar a prisão preventiva de Tranchesi e de outros seis condenados no caso: a existência, segundo ela, de uma "organização criminosa" e o fato de que, durante o processo, "surgiram provas inequívocas da reiteração criminosa".

A magistrada refere-se à apreensão, em Santa Catarina, de mercadorias importadas pela Daslu em dezembro de 2005, oito meses após a deflagração da Operação Narciso, avaliadas em R$ 2 milhões.

Conforme a sentença, a Daslu apenas deslocou o recebimento dos produtos importados ilegalmente para fugir da fiscalização, concentrada originalmente no Aeroporto de Cumbica (Guarulhos-SP), onde o esquema foi descoberto.

Em carta, Tranchesi diz que prisão é sem sentido

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Carta que a dona da Daslu escreveu antes de sua detenção

Eliana é apontada como "chefe" da organização, como "responsável pelas negociações travadas diretamente com as representantes de grifes famosas no exterior".

Segundo denúncia do Ministério Público Federal, as importadoras acusadas tratavam de subfaturar os valores e faziam com que as mercadorias entrassem no país por meio de notas falsas e pagando menos impostos.

"Verifica-se que o valor de uma calça da 'Marc Jacobs' é de 150 dólares, todavia, o valor declarado para importação foi de apenas 20 dólares", diz a juíza.

"Não remanescem dúvidas, portanto, de que os acusados estavam previamente conluiados para a prática delitiva. (...) os acusados associaram-se, de forma planejada e estruturada, com divisão funcional de atividades, tendo por escopo a obtenção de lucro ilegal", conclui a juíza em sua decisão.

Em carta enviada à imprensa, Eliana Tranchesi afirma que sua vida foi "revirada" e alega que não é um "perigo para a sociedade", por isso, sua prisão não está justificada.

A defesa da dona da butique entrou com habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região para tentar reverter a prisão.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h54
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DASPU II

Advogada lê carta de detida

Os advogados de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, entraram com um pedido de habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região de São Paulo. A expectativa da defesa, "otimista", é que a liberdade seja decidida nesta sexta-feira.

Segundo a advogada Joyce Roysen, a prisão de Tranchesi foi "ilegal, desnecessária e cruel". O argumento dela é que a decisão é provisória, que a detida passa por tratamento médico e que em todo momento que se afastou do país avisou a Justiça de suas viagens.

Tranchesi foi condenada a 94 anos e seis meses por formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica e está na Penitenciária Feminina, na região norte da cidade.

"A absolvição seria perfeita, mas o justo seria, no máximo, quatro anos. A juíza deu pena máxima em todos os crimes. Foi uma decisão exagerada e tendenciosa", afirmou a advogada, que classificou a sentença, que soma cerca de 500 páginas, como "frágil demais, não se sustenta". Roysen ainda listou outros casos policiais notórios, como o de Suzane Von Richthofen, o de Fernandinho Beira-Mar e o de Pimenta Neves, com condenações mais breves, para justificar o que ela vê como desproporção da pena de sua cliente.

Roysen deu entrevista coletiva nesta tarde de quinta em seu escritório na região dos Jardins. Ela leu para as câmeras e microfones uma carta que Eliane Tranchesi escreveu de próprio punho de manhã no "seu closet, escolhendo a roupa para sair".

"Não vejo sentido em estar presa novamente. Não represento perigo para a sociedade" são as primeiras linhas de sua carta endereçada à imprensa, lida antes da advogada responder às perguntas da mídia.

Roysen argumentou que sua cliente não cuidava da parte contábil da empresa, que foi "um descuido ter deixado de recolher algum imposto" e que as multas aplicadas estão sendo pagas em parcelas. Ela ainda apresentou uma contabilidade de importação em que a Daslu comprou no exterior R$ 78 milhões em mercadoria, com R$ 59 milhões em taxas por essas aquisições desde 2007.

A Villa Daslu, shopping localizado na Vila Olímpia que ficou como símbolo do mercado de luxo no país, funcionou normalmente nesta quinta. O próprio site avisava os clientes que eles podiam frequentar o local, mesmo com a detenção de sua proprietária.

O local tem cerca de 90 estandes de grifes internacionais, fora os produtos com a marca Daslu. O movimento era normal. No horário de almoço, a frequência aumentou com os usuários dos três restaurantes do local.

O empreendimento tem cerca de 700 funcionários. Eles foram notificados pela administração da situação judicial da chefe hierárquica. Também foram instruídos a não se pronunciarem sobre o assunto. "Não sei nada" era a resposta padrão.

Uma estilista da grife Daslu, que não quis dar o nome, se arriscou em um comentário mais extenso. "Já se esperava algo, mais dia menos dia. Mas é uma batalha judicial. Podemos ganhar a próxima", disse a funcionária, para depois afirmar que "o clima era normal" dentro do maior empreendimento do grupo - há também loja no Shopping Cidade Jardim.

Já as clientes se mostravam indignadas com a prisão. Uma delas, avisada pela reportagem do UOL Notícias, considerou "um absurdo", mas não quis dar nome a essa sua opinião.

O mercado de luxo sofreu uma retração em todo o mundo com a crise global que começou em setembro de 2008. Mesmo assim, a proprietária da Daslu disse em entrevista em dezembro último que não havia diminuição do movimento, apenas um decréscimo de 20% nos importados pela empresa após o valor do dólar disparar.

Tranchesi está sendo processada desde 2005, depois de deflagrada a "Operação Narciso", pela Polícia Federal. A sua advogada afirma que o câncer diagnosticado no ano seguinte e que é tratado com quimioterapia atualmente é "decorrência do trauma".

Roysen leu também laudo médico assinado por Sérgio Simon, médico oncologista do hospital Albert Einstein, em que atesta que um aprisionamento e um interropimento do tratamento contra a metástase nos pulmões e coluna poderia causar uma infecção generalizada e um quadro de hipertensão arterial, aconselhando uma prisão domiciliar.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h51
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JURISPRUDÊNCIAS INTERESSANTES:

BANCO. ROUBO. COFRE. RESPONSABILIDADE.

No caso, o Tribunal a quo afastou o dano moral, entendendo que o abalo do roubo de bens depositados em cofre locado em agência bancária provocado por terceiros, não pode ser atribuído ao banco e, ainda,  reformou o valor indenizatório quanto aos danos materiais, reduzindo-o ao valor dos bens comprovadamente depositados no cofre pelos autores. Mesmo assim, o banco recorreu, alegando, no REsp, entre outras teses, a ilegitimidade ativa de um dos autores, caso fortuito ou força maior. Esclarece o Min. Relator que esses contratos abrangem a locação e a prestação de serviço, utilizando-se o cofre para a guarda do que convier ao locatário, sem prestar contas ao locador. Logo, se um dos locadores depositou objetos próprios e de sua esposa (que não assinou o contrato de locação), não há impedimentos. Ademais, a ausência ou presença dessa esposa na ação não alteraria a demanda, uma vez que eles são casados no regime de comunhão universal de bens. Nos autos, é incontroverso que os bens pertenciam à esposa, assim, na verdade, trata-se de bens comuns do casal. Quanto à tese da culpa exclusiva de terceiro defendida pelo banco, não poderia prosperar, pois é de responsabilidade do banco a subtração dos bens mantidos sob sua guarda em cofre alugado em agência bancária. Trata-se de risco empresarial (art. 927, parágrafo único, do CC/2002, correspondente ao art. 156 do CC/1916), de modo que o banco responde pelos danos causados a clientes e a terceiros decorrentes de sua prática comercial lucrativa. Aplica-se, também, o art. 14 do CDC. Outrossim, a jurisprudência deste Superior Tribunal firmou-se no sentido de que roubos em agência bancária são eventos previsíveis. Dessa forma, não podem caracterizar hipótese de força maior capaz de elidir o nexo de causalidade. Precedentes citados: REsp 227.364-AL, DJ 11/6/2001, e REsp 333.211-RJ, DJ 18/3/2002. REsp 1.093.617-PE, Rel. Min. João Otávio do Noronha, julgado em 17/3/2009.

 

DANO MORAL. INGRESSO. BANCO.

Não há dano moral no impedimento de acesso de cliente após o horário bancário, ainda que, como os autos noticiam, as partes mantenham vários litígios (execução e ação de indenização por dano moral). Explica o Min. Relator que não seria admissível que uma exceção eventualmente tolerada pelo banco fosse suscetível de indenização. O cliente até poderia reclamar perante a administração do banco e as autoridades que outros sejam atendidos além do horário estabelecido e a lei estaria ao seu lado. Mas não pode nem pela lei cível nem pela lei consumerista ser indenizado por uma pretensão irregular, ou seja, ser-lhe negado o ingresso no banco após o expediente. Diante do exposto, a Turma não conheceu o recurso. REsp 555.833-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 17/3/2009.

PRINCÍPIO. INSIGNIFICÂNCIA. REINCIDÊNCIA.

Mesmo considerando tratar-se da tentativa de furto de um secador de cabelos (R$ 40,00), não há que falar em mínima ofensividade da conduta, enquanto o comportamento do agente, reincidente na prática de crimes contra o patrimônio (tal como se vê do acórdão recorrido), revela suficiente periculosidade social e significativo grau de reprovabilidade, o que inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância. Com esse entendimento, a Turma, por maioria, negou provimento ao recurso. Precedentes citados do STF: HC 84.412-SP, DJ 19/11/2004; HC 84.424-SP, DJ 7/10/2005; do STJ: RHC 17.892-DF, DJ 19/12/2005, e HC 47.247-MS, DJ 12/6/2006. RHC 24.326-MG, Rel. Min. Paulo Gallotti, julgado em 17/3/2009.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h07
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USB 3.0

Do UOL Tecnologia

O Universal Serial Bus, USB para os íntimos, está em tudo quanto é lugar: desde os mais comportados pen drives até acessórios inúteis que dançam e esquentam seu café ou alguns com alguma utilidade, como aspiradores de teclado. Ligar câmeras, periféricos como teclados e mouses, impressoras, scanners - o Universal do USB virou padrão de conectividade

Para quem acha que o USB 2.0 tem uma velocidade razoável, pense nas novas câmeras digitais, tanto fotográficas como de vídeo. Os megapixels aumentam, a resolução de vídeo também. Para fazer transferência de uma câmera de vídeo Mini-DV, por exemplo, os profissionais de vídeo geralmente preferem o FireWire, padrão que a Apple criou em 1995, que hoje chega aos 3,2 Gbps.

Mesmo com sua onipresença, poucos sabem que o USB possui versões. A atual e mais popular, a 2.0, criada em 2000, transfere dados com velocidade máxima de 480 megabits por segundo (Mbps). A versão 3.0 - também chamada de SuperSpeed USB -, demonstrada em novembro de 2007, promete velocidade dez vezes maior, chegando a 4,8 Gbps. E vai ser também bidirecional - sto é, envia e recebe dadossimultaneamente.

Velocidade máxima de transferência dos formatos:

USB 2.0480 Mbps
FireWire3,2 Gbps
SuperSpeed USB (3.0)4,8 Gbps

USB debutante

Em 2009, o USB completa 15 aninhos desde o lançamento de sua versão 0.7 em 1994. Inicialmente visto como um complemento à tecnologia FireWire, que ficava com o trabalho pesado, o USB ficou com conexões que exigiam pouco volume de transferências.

Mas com a proliferação das memórias flash (o tipo de memória dentro de cartões de memória e pen drives), o USB se popularizou e hoje é item obrigatório em qualquer computador - seja PC ou Mac.

E por conduzir energia elétrica, passou também a servir de carregador de celulares e outros gadgets, além de pequenas bugiganguinhas de utilidade questionável, como ventiladores, refrigeradores de lata, brinquedinhos, entre outros.

No entanto, as memórias flash não só se popularizaram como evoluíram. Antes, gerenciar um pen drive de 1 GB com um cabo USB era tranquilo. Mas imagine um HD externo de 1 terabyte?

Como o FireWire não é muito popular entre usuários de PC - e até mesmo a
Apple dá sinais de não continuar com a tecnologia —já era hora de sair algo novo.

Ainda ficou alguma dúvida? Veja nosso FAQ



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h21
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A REGRA DOS QUINZE
 
by André Forastieri
Meu pai criou: se o filme não embala em quinze minutos, pare de assistir.
Amplio para livros, 15 páginas, e músicas, 15 segundos.
 
Tem muita coisa boa aí fora.
 
Não dá para desperdiçar tempo com chatice.
 
A vida é curta.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h15
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CNJ MUDA REGRAS DE CONCURSO PARA JUIZ

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pretende baixar em no máximo 60 dias novas regras para os concursos de juiz em todo o país. Encarregado de definir o planejamento do Judiciário, o CNJ aprovará uma resolução fixando critérios para os exames de acesso à carreira, que hoje é uma das mais bem remuneradas do serviço público. Um juiz federal novato, por exemplo, começa a trabalhar já recebendo um salário de mais de R$ 19 mil.

"Consideramos que o sistema atual de recrutamento de juízes para ingresso em toda a magistratura é inadequado", afirmou o conselheiro do CNJ João Oreste Dalazen, que também é vice-presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho). "Hoje, os 66 tribunais brasileiros que realizam concurso para selecionar juízes têm distintos procedimentos e critérios", disse.

A partir de segunda-feira, o CNJ vai disponibilizar em sua página na
internet o texto com as mudanças propostas para os concursos. Sugestões serão recebidas até o dia 7 de abril. A intenção é aprovar as mudanças num prazo de dois meses. O conselho já definiu algumas das modificações na sistemática dos concursos. Essas mudanças deverão tornar mais difícil o ingresso na carreira.

O concurso será realizado em seis fases, que incluem avaliações escrita e oral, exames de sanidade física e mental e psicotécnico, sindicância sobre a vida social do candidato, análise dos títulos acumulados e frequência obrigatória em curso de preparação para juízes com prova ao final. Para ser aprovado, o candidato tem de obter uma média mínima de 6 pontos. Dalazen informou que 5% das vagas terão obrigatoriamente de ser reservadas a candidatos com necessidades especiais.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h29
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RONALDO, O ETERNO RETORNO

É um acontecimento considerável para o futebol brasileiro, talvez mesmo para todo um povo: Ronaldo ressuscitou. De volta ao país no ano passado, machucado e gordo, o "Fenômeno" encontrou um clube, o lendário Corinthians de São Paulo, e, sobretudo, muito rapidamente, balançou as redes. Foram dois gols em três partidas [o texto foi concluído antes da partida de ontem (25) do Corinthians contra a Ponte Preta], resultando em um empate e uma vitória no campeonato local.

O ex-centroavante prodígio mudou de visual. A cabeça raspada desapareceu sob os cabelos pretos e cacheados. A sombra de um bigode e um início de barbicha ornam o rosto um pouco inchado. O maior atacante de sua geração, com a idade (32 anos), também mudou o seu jogo. Foram-se os dribles incríveis, as longas corridas solitárias, as acelerações, tudo sobre músculos e magia, que lhe renderam duas Bolas de Ouro (1997, 2002) e três títulos de melhor jogador do ano (1996, 1997, 2002). Hoje ele joga de forma mais coletiva, menos espetacular, mas continua a buscar gols, por instinto. Esse dom inato fez dele o mais eficiente artilheiro da Copa do Mundo. Quinze gols. Um recorde que será difícil de bater.

Ronaldo iniciou sua ressurreição, com coragem e obstinação, alguns meses antes de seu retorno oficial para os gramados. Na sala de musculação, sob o olhar de seu fisioterapeuta, e nas caixas de areia do Parque São Jorge, o campo de treinamento de seu clube. Esses exercícios intensos têm por objetivo queimar suas calorias. Aquele que acabaram chamando, sem ternura excessiva, de "o Gordo", de tanto que sua silhueta inflou, deve obrigatoriamente ainda perder três quilos para voltar a ter agilidade. Tudo isso enquanto administrava suas articulações, notoriamente frágeis. Pois, ao longo da sua carreira, Ronaldo muitas vezes deixou os estádios em uma maca. Pode-se dizer que seus joelhos são seu calcanhar de Aquiles.

O direito sofreu lesões duas vezes (1999, 2000) e o esquerdo, uma, em fevereiro de 2008. Após cada rompimento de seus tendões da rótula, o jogador passou pelas mãos do professor Saillant, no hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. Sua última contusão foi jogando no AC Milan, onde ele estava em fim de contrato. Desde então, ele não jogou em partidas oficiais.

De volta ao Rio de Janeiro, sua cidade-natal, Ronaldo vira notícia, dois meses mais tarde. Ele foi surpreendido em um motel na companhia de três prostitutas travestis, sendo que um, figura conhecida pela polícia, sob seu falso nome (Andreia Albertine), pegou seus documentos e tentou lhe extorquir US$ 30 mil. O jogador disse que estava sofrendo "alguns problemas psicológicos" e logo foi perdoado.

Hoje, Ronaldo incendeia o Brasil, a começar pelas arquibancadas do velho estádio municipal, em estilo art déco, do Pacaembu, baluarte dos Corinthians, o clube dos 25 milhões de torcedores - perdendo somente para o Flamengo, no Rio. Ele usa a camisa branca de listras pretas, cores de times tradicionais, que antes dele, vestiu toda uma linhagem de campeões: Garrincha, Gilmar, Rivelino, Sócrates e Rivaldo. Ele assinou um contrato de um ano, com possibilidade de renovação

Em dias de venda de ingresso, uma fila humana interminável se estende diante dos guichês do estádio. Seis mil pessoas assistiram à sua primeira sessão de treinamento. Entre os espectadores que comemoraram os gols de Ronaldo com o longo grito ritual de "Goooool", a imensa maioria nunca o havia visto marcar, a não ser pela televisão.

Por uma razão simples: profissional aos 15 anos, o jovem Ronaldo Luis Nazário de Lima tinha somente 17 quando partiu em 1994 para o PSV Eindhoven, após uma temporada brilhante no Cruzeiro Esporte Clube - 58 gols em 60 partidas, e depois de ter jogado somente quatro vezes em São Paulo.

Um Ronaldo envelhecendo suscita, então, junto dos torcedores locais, uma curiosidade que reforça o entusiasmo de vê-lo marcar gols. Como cada estrela que nasce logo se apressa em ir à Europa, por salários mais suntuosos, o Brasil, em busca de ídolos, está mais do que feliz de admirar uma delas em casa, ainda que em declínio.

Renascimento sustentável ou canto do cisne? Ronaldo quer acreditar em seu futuro. Ele sonha em vestir novamente a camisa nacional verde e amarela, e participar, em 2010, na África do Sul, de sua quinta Copa do Mundo, depois de já ter ganho duas, sendo a primeira no banco de reservas, em 1994.

Uma perspectiva que o técnico Dunga não descarta, acrescentando, com prudência: "Isso dependerá dele". De sua forma física, mas também de sua conduta fora dos estádios. Festeiro assumido, Ronaldo frequenta um pouco demais os clubes noturnos para o gosto de seu treinador.

Enquanto espera, Ronaldo, apesar de seu gordo salário, é um excelente negócio para seu clube e seus patrocinadores. As partidas têm ingressos esgotados e as vendas de produtos derivados crescem. A Nike oferece na Internet 22 modelos da célebre camisa número 9, que podem ser pagos em sete parcelas mensais sem juros. A volta à forma do jogador também é boa para o moral dos brasileiros. Velho fã do Corinthians, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, há alguns dias, a uma multidão de operários: "Contra a crise, Ronaldão!"


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h28
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COMO GENTE GRANDE

Garoto de onze anos é acusado de homicídio e

pode ser condenado à prisão perpétua nos EUA

Um garoto de 11 anos é acusado pelo homícidio de uma mulher grávida e poderá ser condenado à prisão perpétua caso seja julgado como um adulto. O caso aconteceu no Condado de Lawrence, próximo a Pittsburgh, nos EUA.

A criança J.B. foi presa após a morte da noiva grávida de seu pai. A vítima, Kenzie Houk, 26 anos, foi morta com um tiro na parte de trás da cabeça enquanto estava deitada na cama na casa onde ela vivia com o garoto, o pai do suspeito e duas filhas.

O juiz distrital, David Rishel, decidiu que J.B. respondesse por duplo homicídio, incluindo a morte de uma criança não nascida, ocorrido em 20 de fevereiro. "Jordan não demonstrou qualquer emoção durante a audiência e não reagiu com a decisão do juiz", escreveu a jornalista Sadie Gurman ao jornal Pittsburgh Post-Gazette.

Os advogados de J.B., Dennis Elisco e David Acker, disseram que eles vão tentar enviar o caso para a corte juvenil, mas ainda aguardam mais evidências, incluindo os resultados do teste de sangue e a análise da pistola calibre 20 que os policiais dizem ter sido a arma do crime

Para J.B. ser julgado como um menor de idade, seus advogados devem provar que ele é "suscetível de ser tratado como menor de idade", o que inclui fatores como nível de maturidade, a natureza do crime e que tipo de tratamento de reabilitação ele irá passar, entre outros critérios. Se ele for julgado como um adulto, pode ser condenado à prisão perpétua.

Evidências

O soldado Troy Steinheiser disse que os testes de laboratório revelaram resíduos do disparo na camisa que Jordan estava usando no dia do crime. Resíduos semelhantes foram encontrados em um par de calças jeans pegos por Jordan na mesma noite, disse o policial.

O promotor do Condado de Lawrence, John Bongivengo, disse que considera os resíduos do disparo encontrados nas roupas de Jordan como algumas das evidências mais fortes contra ele.

Acker, no entanto, disse que não é necessário ligar a evidência ao crime. "J.B. geralmente ia caçar e atirar com seu pai e poderia ter pego os resíduos ao encostar suas roupas na arma", disse.

"Precisamos de um cientista forense para nos dizer qual a importância dos resíduos", acrescentou.

Segundo a soldado Janice Wilson, J.B. lhe disse que, no dia do crime, ele viu uma picape preta suspeita próxima à sua casa pela manhã, antes de ele ir à escola. Mas, ela disse, a história sobre a picape mudou várias vezes antes de sua prisão. Ela também perguntou a J.B. sobre as armas. J.B. respondeu que, às vezes, ele atirava com uma pistola calibre 20 com seu pai. "Eu perguntei a ele se ele atirou naquele dia, e ele disse 'não'", disse Wilson. "Ele hesitou, e então repetiu 'não' de novo".

Criança algemada

J.B. também disse que ele, Houk e as filhas dela, Adalynn, de 4 anos, e Jenessa, 7 anos, eram as únicas pessoas em casa na manhã do crime. O pai, ele disse, tinha saído para trabalhar. "J.B. disse que ele acordou, se vestiu com as roupas que ele pegou do quarto da mãe, e saiu para pegar o ônibus com Jenessa, por volta das 8h13", disse a soldado Wilson

Adalynn, que descobriu o corpo um pouco antes das 10h da manhã, estava em estado de choque, correndo pela casa freneticamente e não pode ser interrogada, disse Wilson.

Segundo relato da jornalista Sadie Gurman, o suspeito de homicídio é um baixinho e rechonchudo garoto de 11 anos de idade. "Ontem ele parecia ainda menor, em meio a uma dupla de guardas que o conduziam ao tribunal do Condado de Lawrence. Por mais de duas horas, ele ficou sentado calado em uma cadeira com braços de madeira, seus pulsos e tornozelos presos por algemas. Seu rosto aparentava calma. Ele não falava", escreve a jornalista.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h25
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O ROSTO DO ESTUPRADOR

josef fritzl horror dungeon


Na foto, as sorancelhas hirsutas, convergindo para o nariz, são a tradução caricata do Mal


COMO QUALQUER criminoso, Josef Fritzl fez o possível para esconder seu rosto dos repórteres.

A caminho de ser condenado à prisão perpétua por estupro, por incesto, por homicídio e por ter mantido a própria filha em cativeiro durante 24 anos, o monstro se escondia atrás de uma pasta de plástico azul; pela foto, só era possível ver sua mão, mão de velho, cheia de manchas.


Mesmo assim seu rosto acabou sendo fotografado. Vejo-o numa foto de perfil, olhos azuis, bigode antigo, expressão indecifrável: certa raiva, talvez, e certo desafio, no olhar.

É instrutivo digitar no campo de busca do Google Images o nome do criminoso. Aparece, em primeiro lugar, a foto tirada na delegacia. O vértice das sobrancelhas hirsutas, convergindo para o nariz, é sem dúvida a tradução caricata do Mal. Logo em seguida, contudo, vemos registros de Fritzl nas suas férias, sorrindo, descontraído.

O que se esconde atrás de um rosto? Por que ninguém, na cidadezinha onde ele morava, desconfiou de seu segredo?

Em outro contexto, aqueles mesmos olhos azuis, aquelas sobrancelhas, aquele ar de desafio, poderiam corresponder também aos de um grande pianista, a um prêmio Nobel da medicina...

Escrevo isto e logo penso que não. A Maldade está estampada no rosto do criminoso. Mas sei que estou sugestionado pelos fatos.

Nada é mais variável do que a opinião humana. E, se isto acontece, é porque todo homem é capaz de todas as opiniões.

Uma senhora de formação católica, não especialmente cândida com relação à perversidade humana, surpreendeu-me uma vez dizendo o seguinte: "Osama bin Laden é um assassino, claro. Mas é estranho. O olhar dele é bom". Um certo calor satisfeito e seguro, sem dúvida, pode ser visto nos olhos de qualquer terrorista. Mas ver bondade em Bin Laden? Será possível?

Tudo é possível, quando vemos num criminoso alguma coisa de nós mesmos. Aquela senhora que via bondade em Bin Laden reconhecia indiretamente, talvez, seu desejo de explodir o World Trade Center. Coisa que pode ter passado pela cabeça, aliás, das próprias vítimas daquele atentado.

Eis que aparece outro monstro, Josef Fritzl. Seus crimes são inimagináveis. Posso até entender que um psicopata tenha prazer em estuprar criancinhas: cede a um impulso, aquieta-se, e depois o impulso retorna, serial. Mas persistir, dia após dia, no mesmo crime, na mesma aberração, durante 24 anos?

Acho que só podemos entender um caso desses, na verdade, se mergulharmos mais dentro de nós mesmos.

Todo pai de família, hoje em dia, preocupa-se com seus filhos quando saem "para a rua". Na rua, tudo pode acontecer. A menina adolescente pode ser assaltada, sequestrada, estuprada... O risco existe.

Mas a fantasia paterna é outra coisa: transfere para o assaltante, para o estuprador, um papel que existe na vida real. O primeiro namorado, o outro homem que está além do Pai, irá fatalmente tirar a virgindade de uma menina inocente e protegida. Até que ponto o medo do pai diante do estuprador não traduz, apenas, o medo do pai diante do primeiro namorado?

Acho que Josef Fritzl encenou esse medo até suas últimas consequências. Quis preservar a filha de todo contato com o mundo exterior. Melhor que seja eu a estuprá-la do que um rapaz qualquer.

No incesto, a rigor, concentra-se toda a atual insistência em torno dos "valores familiares". Insistir na importância da "família" pode ser correto, mas pode também ser a máscara de uma resistência à exogamia, à miscigenação, ao sexo em geral.

Do mesmo modo, o horror à pedofilia -verdadeira obsessão nos dias que correm- pode bem ser exemplo de hipocrisia e demonização. Uma coisa, claro, é violentar bebês de dois anos. Outra coisa, acho, é o envolvimento sexual entre um padre e um menor de rua bonito, com 16 anos de idade. Neste último caso, quem manipula quem? Quem é a vítima, quem o criminoso?

O pedófilo está em todos nós. A partir do momento em que se considera a atração sexual independente de uma relação constante, adulta, sentimental, romântica e recíproca, pouco importa a idade da pessoa desejada. Vale a beleza corporal, não o que alguém nos traz como pessoa. É isso -será monstruoso isso?- que não queremos ver, quando Josef Fritzl esconde seu rosto.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h32
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A JUSTIÇA NÃO É TÃO CEGA ASSIM...

TJ condena banco a enviar

 extrato de cego em braile

da Folha Online

O Tribunal de Justiça do Rio condenou o Banco do Brasil a indenizar um cliente cego em R$ 1.000 e enviar à sua casa extratos e outros documentos bancários impressos em braile. O cliente entrou com ação por danos morais.

O tribunal deu prazo de de 60 dias para o banco cumprir a decisão. A multa diária é de R$ 50.

Segundo a assessoria de imprensa do Banco do Brasil no Rio, o departamento jurídico da instituição está analisando o caso.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h26
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COLEÇÃO VIRTUAL

Transforme sua coleção de CDs em MP3

Por mais que você se apegue à sua coleção de CDs, há de reconhecer a praticidade de ter todo o seu acervo de músicas digitalizado. Na hora de converter uma biblioteca de discos em MP3, é possível obter a melhor qualidade possível nesse formato usando softwares gratuitos. A qualidade do MP3 é medida por seu bitrate (taxa de bits) -quanto mais alto o número, maior a qualidade do áudio e, consequentemente, o tamanho do arquivo.

Arquivos que circulam na rede costumam girar em torno de 128 e 192 kpbs. Um MP3 de cinco minutos gravado a 128 kbps ocupa cerca de 5 Mbytes. Para Windows, uma boa opção para transformar CDs em MP3 é o CDex, que pode ser baixado gratuitamente em cdexos.sourceforge.net.

No CDex, para definir o bitrate dos seus arquivos MP3, clique em Options e escolha Settings. Na aba Encoder, escolha o valor no campo Bitrate Min -o máximo é 320 kpbs. Ao optar pela qualidade máxima, lembre-se que cada minuto de música a 320 kpbs ocupará aproximadamente 2,5 Mbytes.

Com o CD no leitor, clique em Convert e selecione Extract CD Track(s) to a Compressed Audio File. É possível gravar o disco inteiro ou apenas algumas faixas. Se você pretende economizar espaço em disco, pode optar pelo VBR (bitrate variável, na sigla em inglês), que alterna ao longo da música -uma passagem mais complexa fica com 256 kbps, enquanto um trecho de silêncio é codificado a 64 kbps, por exemplo.

Com conexão à internet, o CDex obtém automaticamente informações sobre o disco, como título, nome das faixas, artista e ano de gravação, a partir dos servidores do CDDB (Serviço de Base de Dados de CD, na sigla em inglês).

É possível ainda definir as pastas onde os arquivos serão gravados e configurar a formulação dos nomes dos arquivos (número da faixa - artista - título.mp3, por exemplo).

Alternativas

Outras boas escolhas gratuitas para Windows são o Exact Audio Copy (www.exactaudiocopy.de) e o AudioGrabber (www.audiograbber.com-us.net). (RC)

RÁDIO YOUTUBE

O software gratuito Muziic, para Windows, permite ouvir, por streaming (sem armazenar no disco), as milhões de músicas disponíveis no YouTube; faça o download em www.muziic.com



Escrito por Eduardo Lorenzo às 16h19
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MAN ON THE WIRE (O EQUILIBRISTA)

Filme questiona associação da imagem
das Torres Gêmeas com o terrorismo

Citar as Torres Gêmeas é quase uma forma de mencionar um pesadelo moderno. Desde setembro de 2001, é o desmoronamento de dois prédios em um ataque terrorista que nos vem à mente quando pensamos no World Trade Center. O documentário "O Equilibrista", no entanto, recupera uma outra imagem dessas construções de Nova York. O filme será exibido no festival É Tudo Verdade e entra em cartaz nos cinemas no dia 9 de abril.

Dirigido por James Marsh e vencedor do Oscar de melhor documentário este ano, o longa mostra os edifícios como alvos de um sonho, quase um delírio, de um homem que, em 1974, desejava atravessar as duas torres por meio de um cabo de aço. "O Equilibrista" busca regenerar a imagem das Torres Gêmeas.
 
Divulgação
Filme registra a travessia de Philippe Petit entre as torres do WTC

O filme começa em um tom policialesco. Nos primeiros minutos nos deparamos com algo que parece uma ocorrência policial, talvez um assalto a banco ou a invasão de um edifício. De certa forma, é disso que se trata. A aventura de Philippe Petit, o equilibrista que dá título ao documentário, é burlar a segurança do World Trade Center para chegar ao topo do prédio para prender um cabo de aço e se equilibrar nele a 400 metros de altura.

Se o início sugere uma certa divisão entre polícia e bandido, entre "bem" e "mal", ao decorrer do filme essas fronteiras vão se desintegrando. Petit e seus colabores são contraventores. Mas seriam eles condenáveis por burlar a lei? "O Equilibrista" parece questionar os valores que criam essa percepção de um mundo bipolar.

Petit formula a invasão e a execução de seu plano em detalhes: constrói uma maquete do topo dos prédios, visita os edifícios, falsifica documentos para ter acesso ao interior das Torres Gêmeas, dribla a segurança. De certa forma, os seus métodos não são muito diferentes daqueles dos terroristas da Al Qaeda.

O que diferencia Petit, retratado quase como um personagem amoral, de um terrorista talvez seja um detalhe, que teria no cabo de aço uma metáfora. É o cabo de aço na qual se equilibra Petit que o separa de um momento lúdico e mágico do abismo que o levaria à morte. Em nossas vidas, o cabo de aço que nos equilibra entre a queda e o sublime talvez se chame moral.

Em um determinado momento do filme, Philippe Petit diz que sua história é um conto de fadas. Talvez por isso, em alguns momentos o filme escape da tentativa de trazer material documental e depoimentos para reconstituir livremente, em tom de fábula, passagens da vida de Petit.

Nesse conto de fadas, a "moral da história" talvez seja o questionamento da argumentação que sustenta a nossa moral. Afinal, o que seria o real e o imaginário? O que seria o bem e o mal? Não estariam essas grandes divisões separadas apenas por um precário cabo de aço?

Se conseguimos levantar essas questões após a projeção de "O Equilibrista", talvez sejamos capazes de olhar as Torres Gêmeas não só como símbolo do terror, mas também como representações do lúdico.




Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h42
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POUCO SONO, MUITA FOME

Fonte: www.sono.org.br

Dormir menos e mal pode ter efeito sobre os hormônios do apetite, sendo um fator de risco para a obesidade. E não é só isso: a sucessão de noites em claro também aumenta a incidência de diabetes, depressão, problemas de memória e até câncer, além de provocar alteração sexual

Ter uma boa noite de sono e acordar bem é um sonho distante para muita gente. E a quantidade de horas do repouso noturno tem muito a ver com isso, respeitadas as diferentes necessidades de cada indivíduo. Considera-se que um ser saudável precisa dormir entre seis e oito horas por noite, mas há quem necessite de 11 horas tranqüilas de sono e pessoas que se contentam com apenas quatro. Mas uma coisa é certa: um sono reparador ajuda a manter a silhueta em forma, fortalece o corpo, desperta a criatividade e o raciocínio, faz bem ao coração e também rejuvenesce. Já algumas noites em claro podem causar graves problemas de saúde, como depressão, falta de memória, câncer, e até trazer uns quilinhos a mais.

É o que mostra uma das pesquisas mais reveladoras dos últimos tempos, que estabelece uma relação entre a falta de sono e o ganho de peso. Durante o repouso ideal, a leptina (hormônio da sa- ciedade) aumenta, enquanto a produção de grelina (o hormônio da fome) diminui. A médica Lia Rita Bittencourt, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que há um de- sequilíbrio na liberação dessas substâncias e um acúmulo de tecido adiposo, também conhecido como tecido gordo. Segundo ela: "A falta de sono prejudica o metabolismo e a secreção de hormônios relacionados ao apetite".

Para confirmar tal tese, médicos de uma universidade americana avaliaram mais de 70 mil mulheres durante 16 anos. Do total, metade dormia mal e não ultrapassava cinco horas diárias de sono, enquanto a outra metade dormia em média sete tranqüilas horas. O resultado: as mulheres do primeiro grupo engorda- ram 15 quilos no período, um ganho de peso 30% maior que do segundo grupo. A explicação para o número assusta- dor são as noites em claro. "Uma noite maldormida gera estresse no organismo incorrendo na alta produção de cortisol, que incha, engorda e envelhece. Além disso, a fabricação de grelina diminui, gerando armazenamento de gordura", afirma o endocrinologista Tércio Rocha, especialista em obesidade e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Antienvelhecimento.

Alterações hormonais

A falta de sono modifica, ainda, o ci- clo circadiano dos hormônios, é motivo de irritabilidade, alteração sexual, enve- lhecimento precoce e a causa de alguns acidentes de trânsito. Tantos problemas levam a pensar que uma noite em que se sonha com os anjos faz um bem da- nado. "Para quem ainda não se conven- ceu, a insônia pode acarretar alterações hormonais, além de gerar grande ansiedade. Esta, por sua vez, é traduzida por um descontrole compulsivo do comer levando ao aumento do consumo de guloseimas e outros alimentos nocivos à saúde. Ao que tudo indica, a falta de sono é um fator de risco para a obesi- dade tão grande quanto os maus hábitos alimentares", justifica Rocha.

Qualidade de vida

Para se ter idéia, uma pessoa que dorme sete horas e consome 2.500 calorias durante as 17 horas restantes do dia pode reduzir 147 calorias dormindo uma hora a mais, em vez de ver televisão, por exemplo. Tal diminuição do número de calorias resultaria na perda de seis quilos em um ano. Realmente, uma perda e tanto.

Repouso sob análise

A polissonografia é um exame que pode revelar o padrão de sono habitual do indivíduo. Ele é feito durante o sono, por meio de sensores, colocados na superfície da pele, que enviam informações a avançados aparelhos computadorizados e permitem a coleta de dados e análise do sono em tempo real. Todo o processo é indolor e é feito o monitoramento de atividades como batimentos cardíacos, movimento dos olhos, respiração, ronco etc. Muitas pessoas descobrem, por meio da polissonografia, sintomas de deficiência do sono que desconheciam e que, não raro, um simples tratamento é suficiente para a cura e melhor qualidade de vida.

Antes de ser importante para a es- tética, o sono é uma necessidade vital. De acordo com o neurologista Walter Moraes, da Sociedade Brasileira do Sono e pesquisador do Instituto do Sono, de São Paulo, vários processos biológicos acontecem quando estamos dormindo. É na fase mais profunda do sono, por exemplo, que ocorre a produção do hormônio do crescimento, o GH. Ele evita o acúmulo de gordura, ajuda a melhorar o desempenho físico e combate doen- ças ósseas, como a osteoporose.

"O hormônio do crescimento tem a função de renova- ção e multiplicação celular, além de retardar o processo de envelhecimento. É essa multiplicação celular que renova a derme, trocando as células velhas por novas. Portanto, a for-mação das rugas pode ser amenizada com noites bem-dormidas", sugere Moraes. "O hormônio do estresse também envelhece. Quando você se irrita e franze a testa aparecem rugas nessa região", complementa.

 

Os 10 mandamentos para uma boa noite de descanso:

1. ter um horário regular para dormir e despertar;
2. ir para a cama somente na hora de dormir;
3. manter o ambiente saudável;
4. não fazer uso de álcool no período notuno;
5. jamais usar medicamentos para dormir sem orientação médica;
6. evitar exageros no consumo de café, chá e refrigerante;
7. praticar atividade física em horários adequados e nunca próximo à hora de se recolher;
8. jantar moderadamente em horário regular e adequado;
9. não levar problemas para a cama;
10. dedicar-se a atividades repousantes e relaxantes após o jantar.

Sendo assim, quem dorme mal tende a viver com me- nos qualidade de vida, pois cansaço, dor no corpo e muito sono são outras conseqüências das noites em claro, que fatal- mente tornarão o dia um pouco mais difícil. E o que não faltam são estímulos externos que contribuem para o problema. Os aparelhos de tevê e os celulares são exemplos de itens nessa categoria que precisam ser desligados. O gerente de projetos Felipe Ramos só dorme com a tevê ligada. "Durmo pouco e fico muito tempo na cama vendo filmes. Tenho certeza que são práticas que me fazem mal, mas estou tentando corrigi-las".

Outro detalhe: todos os especialistas recomendam não co- mer antes de dormir. O correto é fazer a refeição duas ou três horas antes de deitar para que a digestão não seja realizada "na horizontal". Mas não é só isso: dormir bem, praticar exercí- cios físicos e ter uma alimentação balanceada fazem parte dos cuidados básicos necessários à saúde. Portanto, torne o sono de todas as noites uma prioridade, ligada diretamente à sua melhor qualidade de vida.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h35
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QUANDO VC SAI DO CINEMA NO MEIO DA SESSÃO? 

Afinal, por que algumas pessoas saem do cinema no meio do filme?

O caso atual era do filme do Laurent Cantet, "Entre os Muros da Escola".

A pergunta foi: você já saiu do cinema?

Sim, várias vezes. Me lembro que uma vez fui ao cinema com o Jairo Ferreira. O filme tinha começado há dez minutos e ele, inquieto, falou pra gente ir embora. "Mas Jairo, eu ponderei, a gente acabou de comprar a entrada". "Então, ele respondeu na lata, eu já perdi meu dinheiro, não vou perder meu tempo".

Me parece, isso que eu disse ao Gustavo, que a pessoa sai do cinema por duas razões: ou porque o repertório lhe parece muito batido ou porque ele se sente perdido diante do que vê. São espectadores diferentes.

Fazendo uma comparação provavelmente ruim, eu disse que quem só ouve pagode, quando escuta Beethoven aquilo lhe parece inaudível. Do mesmo modo, quem escuta Beethoven o tempo todo não vê no pagode senão cacofonia.

A comparação é ruim porque desfaz do pagode, que eu não conheço, não sei se é bom ou ruim (e também não conheço Beethoven tanto assim, ninguém pense).

Mas poderia ser outra: quem gosta de ler, digamos, um best-seller como "O Código Da Vinci" deve achar o Kafka uma chatice infinita, uma coisa em que não acontece nada. Ou quem curte poesia melosa não aguenta a música do Cartola. Etc.

Ocorre que tanto a literatura como a música (e mesmo o teatro) têm seus estatutos definidos; o cinema, não.

Me parece que, hoje, o cinema tornou-se uma diversão de fim de semana. Quem vai, depois de apanhar de segunda a sexta, quer um pouco de sossego, quer encontrar coisas estabelecidas, espiões que espionam, vilões que fazem vilanias, etc. e tal.

Então, quando a pessoa cai diante de um filme do Laurent Cantet, do Kiarostami, do Oliveira, do Godard, enfim.., ela não admite que, às vezes, é preciso um pouco de sacrifício para gostar de uma coisa.

E que o cinema comercial, nas últimas décadas, nos acostumou com as "cócegas nos olhos", como alguém definiu, de tal modo que qualquer coisa que demora um pouco mais parece insuportável a quem se acostumou com isso.

Acrescente-se ainda: hoje a crítica está desmoralizada (vamos falar disso outro dia). Para que servem os críticos? Para nada: o que conta na distribuição do filme é a publicidade (sempre foi assim, mas antes havia certa convivência).

Então, o cara que vai ao cinema porque "Entre os Muros" ganhou a Palma de Ouro ou coisa assim acha que tem diversão garantida e ponto final. Mas se vê diante de um objeto estranho para ele. Para ele existe o mocinho, o bandido e um obstáculo no meio. Ali a coisa é um pouco mais complicada. Trata-se de compreender um mundo que mudou muito (o europeu, o francês mais especificamente) e que nós hoje mal conhecemos. Compreender mudanças a partir de uma escola, da diversidade de experiências contidas na sala de aula, à qual se acrescenta ainda outro elemento: a adolescência. Não há trama, praticamente, no sentido americano. O espectador não tem como se situar.

Que fazer para mudar isso? Não faço a menor idéia.

O fato é que quando a pessoa é confrontada "a seco" a um filme como "Deus e o Diabo" tem a impressão de ter visto um disco voador ou coisa assim. Quando observa a história do cinema se organizar, uma coisa surgir da outra, as conversas, etc., então quando acontece um filme como esse, tudo faz todo sentido.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h22
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NI, NO, NO...

Gravadora rejeita novas canções de Amy Winehouse

As novas músicas gravadas por Amy Winehouse enquanto passava férias no Caribe não agradaram ao selo Island, informou o tabloide "The Sun".

Winehouse, 25, passou alguns meses hospedada na ilha de Santa Lúcia, onde teria gravado demos para seu terceiro álbum. Nas novas faixas, a cantora teria se afastado do soul e se voltado para o reggae.

"Ela parece ter deixado o soul clássico que a tornou famosa por uma influência pesada do reggae. Os chefes dela não acham que uma mudança no estilo seja uma cartada inteligente", disse uma fonte ao jornal.

As letras também estariam causando dor de cabeça nos diretores da Island, devido ao seu tom sombrio.

Supostamente, a separação de Winehouse - casada com Blake Fielder-Civil - seria o tema principal das músicas.

"No passado, ela frequentemente escreveu sobre corações partidos e namorados, mas dessa vez está explorando um lado mais atormentado", explicou a fonte.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h17
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APPLE DESCONHECE CRISE

Crise? Que crise?

Vendas do iPod e iPhone vão muito bem, obrigado...

Modas vem, modas vão e as vendas da dupla iPod e iPhone continuam numa linha ascendente desde 2001, quando a linha de tocadores de música foi lançada.

Em seu primeiro ano de vendas, o aparelhinho vendeu 125 mil unidades, e desde então elas vem crescendo com uma saúde invejável. No ano passado, mesmo com a crise que azedou os resultados de muita gente no Vale do Silício, a Apple ainda pode comemorar um aumento de 5% nas vendas do iPod - pouco se comparado ao aumento de quase 600% registrado em 2004, mas ainda assim suficiente para os fãs da marca respirarem aliviados. Os dados são da eMarketer.

Já o todo-poderoso iPhone registrou aumento de 360% em suas vendas, mas dessa vez os dados são relativos: lançado em julho de 2007 apenas nos  EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Austrália, o telefone só foi conquistar o mundo - e novos mercados - com o lançamento de sua versão 3G, que aconteceu um ano depois, em julho de 2008.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h36
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WATCHMEN DEFINITIVE REVIEW

Watchmen was a landmark as a graphic novel, but as a film it's only OK.

But it's not a question of fidelity: The film has been quite faithful to the original, a complex yarn about a nefarious plot to eliminate costumed superheroes from an alternate-reality America they've protected and defended.

Some of these superheroes have retired, while others, like the psychotic Rorschach, continue working clandestinely. And then there's the only being in this world with true superpowers, courtesy of your standard scientific experiment gone horribly wrong: He's a government employee now, and they've named him Dr. Manhattan.

After I saw this movie, I went back to the graphic novel. I was struck again that what made Watchmen a sensation was not its plot, but a structural denseness and complexity — the way it used multiple elements to comment on the core story in an almost Talmudic way. That essence is close to impossible to re-create on-screen, even with a nearly three-hour running time.

It may seem like a no-brainer to turn a graphic novel into a film — hey, they're both visual media, right? But this turns out not to be the case. A narrative with the texture and complexity of Watchmen demands to be on the page, demands to be read again and again before all its secrets are revealed, and film simply doesn't have the time for that.

What went wrong with Watchmen is not really anyone's fault. It never should have been turned into a film in the first place.

Studios think they can make hundreds of millions of dollars out of fanboys. Maybe in an alternate reality, but not in ours



Escrito por Eduardo Lorenzo às 20h34
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RADIOHEAD IN RIO - PARTE II

A origem da palavra apoteose está nas cerimônias de endeusamento de grandes personagens da mitologia grega. Proezas ou feitos heroicos eram recompensados com a divinização. Por extensão e megalomania, a exaltação apoteótica foi adaptada ao coroamento dos imperadores romanos. Páreo de divindades: a  Deus o que é de Deus, a César o que é de César.

Por ironia, a apoteose acabou também ungindo a mais perfeccionista banda de rock, pós-rock ou seja lá o que isso venha a se tornar em sua entronização no Brasil, ontem à noite, no Rio de Janeiro.

A obsessão do Radiohead pela perfeição é constrangedora e, na praça onde os deuses do Carnaval carioca sobem aos céus, Thom Yorke e seu bando de esquizoides aterrissaram com “naturalidade suficiente”, diria Caetano Veloso [que, sentado ao lado da mesa de som, gostou muito do que viu], de seres de outro mundo.   

Pontualidade britânica: “Boa noite, nós somos o Radiohead”, anunciou em português o guitarrista Ed O’Brien. “Mas não somos deuses”, é desnecessário dizer. As cortinas luminosas abrem-se com a batida esquizofrênica de 15 Step, movimento previsível dado o histórico recente de shows.  

As músicas se sucedem. Cores, luzes, quadrados com imagens capturadas por câmeras imóveis, que mostram estrelas do rock recortadas. Cabeça, tronco e membros. O Radiohead é um organismo só, resultado de implantes de apuro técnico, conhecimento da história da música, poesia, inventividade e incansável desejo de autossuperação.     

Há ainda um ingrediente não programado: sorte. Ninguém na banda nem na crítica musical imaginou ou previu a coesão de uma obra construída à base de rupturas. Primeiro eles sabiamente decidiram parar de emular o grunge. Veio The Bends. Depois, em busca de identidade própria, foram obrigados a romper com o bobinho britpop. Surgiu OK Computer. Viraram o futuro da música, a maior banda dos últimos 10, 20 anos, a maior revolução desde os Beatles, alguém chegou a dizer. A coroa pesou, como é público e notório, e o Radiohead foi fazer música no subsolo ou no espaço sideral. “Space jazz”, batizou Liam Gallagher, do superestimado Oasis.

Mas tudo misteriosamente se encaixou, como fica patente já na segunda música tocada no Rio, a apocalíptica Airbag.  E mais inexplicavelmente ainda quando Just, com seu pegajoso refrão “You do it to yourself, just you”, dos tempos de The Bends, substitui já na segunda metade do show a novíssima House of Cards, melódica e ao mesmo tempo sincopada, não só com a maior naturalidade, mas como se fosse necessária.    

A estranha química entre as contradições do Radiohead obedece a uma receita de rígidas proporções. Foram quatro músicas de Ok Computer [Airbag, Karma Police, No Surprises, Paranoid Android], quatro de Kid A [The National Anthem, Idioteque, How To Disappear Completely, Everything In Its Right Place], duas de Hail To The Thief [There There, The Gloaming], duas de Amnesiac [I Might Be Wrong, You And Whose Army?],  duas de The Bends [Street Spirit (Fade Out), Just] e uma de Pablo Honey [Creep]. Em meio a elas, todas as dez de In Raibows, disco mais recente e carro-chefe da turnê.

Interessado na precisão do espetáculo, o Radiohead não joga para a plateia.  As vedetes são o som cristalino, as nuances e os detalhes, que estão todos lá, ao vivo e em muitas cores, mas sem comprometer o peso necessário a um show. E nenhuma outra banda hoje é tão competente ao produzir massa sonora tão complexa.  Nem capaz de associar um extraordinário e moderno espetáculo musical  ao que há de mais pueril em ocasiões do gênero, a catarse coletiva das grandes plateias cantando em uníssono hits pop. Foi o que ocorreu com Creep, o estroboscópico grand finale  da incursão de duas horas e vinte minutos pela trajetória da banda.   

Obcecados pelo que fazem, Thom Yorke [guitarra, piano, violão e vocal], Ed O’Brien [guitarra, sintetizadores e vocais de apoio], Phil Selway [bateria] Colin Greenwood [baixo] e Jonny Greenwood [guitarra, xilofone, piano e sintetizadores] surpreendem mais quando parecem normais: Thom Yorke cantando, junto com o público, o refrão de No Surprises depois de a música já ter acabado; ou Ed O’Brien a elogiar a performance de Thom em You And Whose Army?  com um “bom pra caralho”, provando que o Radiohead também consegue ser simpático.

Isso, definitivamente, nem os semideuses gregos nem os imperadores romanos gostariam de parecer. A antiga apoteose os impedia de descer do trono ou do altar. Na apoteose carioca, a mitologia pessoal do Radiohead foi posta à prova. E coroada com louros.  Eles não são deuses, é desnecessário dizer. Mas depois de ter se reiventado para reinventar a música pop, fica a impressão de que o Radiohead simplesmente não pode falhar.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h04
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Livro que pertenceu a Hitler reduz
ícone do mal à dimensão humana

Há três anos, os bens de Yves Saint Laurent foram leiloados por quase meio bilhão de dólares. Duas semanas atrás, um punhado de pertences pessoais de Mahatma Gandhi - óculos de aro redondo, um par de sandálias, uma tigela de arroz - foram vendidos por US$ 1,8 milhão.
 
Na semana passada, um livro da desaparecida biblioteca pessoal de Adolf Hitler foi oferecido no famoso centro de leilão parisiense Hotel Drouot por um lance inicial de mil euros. Depois de uma rápida rodada de apostas, o volume foi vendido por € 1.800.

No caso de um Matisse de Yves Saint Laurent, vendido por € 35,9 milhões, o comprador investiu num bem cultural durável e, é claro, no bom gosto impecável do último dono. O milionário indiano que ofereceu o lance vencedor para os pertences de Gandhi disse que queria repatriar os objetos para exibição pública em seu país.

Mas o que motiva alguém a comprar um artefato de Hitler? Toda vez que pertences autênticos de Hitler vão a leilão, é inevitável e compreensível que o número de protestos se iguale ao número de apostas - acusações de especulação; críticas quanto à fetichização do líder nazista morto; inquietações quanto à natureza dos possíveis compradores ("Que tipo de pessoa compraria esse tipo de coisa?")

Com a maioria dos artefatos de Hitler, como o globo que foi vendido por US$ 100 mil, essas questões são certamente compreensíveis e justificáveis. Mas um livro da biblioteca particular de Hitler pode ser mais do que o objeto de um desejo questionável.

Hitler não era apenas um bibliófilo fanático, tendo reunido uma biblioteca de 16 mil volumes até sua morte, mas era também um leitor voraz que dizem ter lido um livro por noite durante a maior parte de sua vida adulta. Os livros eram uma parte integral do seu caráter e identidade. "Quando uma pessoa dá, tem que receber", disse ele uma vez. "E o que eu preciso, recebo dos livros".

Nesse sentido, os livros de Hitler são mais do que meros artefatos. Os volumes que ele leu e estudou, as passagens marcadas a lápis, tudo isso diz algo sobre seus interesses e sobre o curso de seus pensamentos em algumas de suas horas mais íntimas. Eles nos permitem observar este ícone do mal reduzido a dimensões humanas: um homem de meia idade numa poltrona com um livro na mão, e, vez ou outra, um lápis.

A maior parte da coleção de Hitler, dividida entre três bibliotecas elegantemente mobiliadas em suas casas de Berlim, Munique e em seu retiro nos Alpes em Obersalzberg, desapareceu na primavera de 1945, vítima da caça de troféus coletiva dos soldados americanos, franceses e do Exército Vermelho.

A parte remanescente da biblioteca, cerca de 1.200 livros - que incluem uma coleção de ensaios escrita por Gandhi - pode ser encontrada no setor de livros raros da Livraria do Congresso em Washington, D.C. Outros 80 livros, retirados do abrigo de Hitler em Berlim depois de seu suicídio, estão na Universidade Brown, em Rhode Island. Há relatos de que um número desconhecido, talvez vários milhares de livros, esteja escondido num arquivo de Moscou.

Portanto, quando volumes isolados vêm à tona - como o que foi leiloado no Hotel Druout -, eles representam exatamente o tipo de fonte primária de evidência histórica de que os estudiosos de Hitler carecem. Infelizmente, esses livros aparecem rapidamente nos leilões e depois somem em coleções privadas.

Um colecionador americano juntou dezenas de livros de Hitler, incluindo uma coleção da obra de Shakespeare em dez volumes encadernados à mão em couro trabalhado com uma suástica e as iniciais "AH" gravadas na lombada. Hitler citava Shakespeare frequentemente - "Ser ou não ser" era sua frase favorita.

Um morador do norte do Estado de Nova York comprou um livro de Hitler de um sebo por 50 centavos. O livro de 200 páginas e capa dura, "God's Realm and the World Today" [algo como "O Reino de Deus e o Mundo de Hoje"], foi publicado em 1915 e tem muitas anotações.
 
Um colecionador holandês encontrou uma cópia surrada de Hitler do livro "Life of Frederick the Great" ["A Vida de Frederico, o Grande"] de Thomas Carlyle, uma biografia do século 19 que enaltece o fervor destrutivo do rei da Prússia e que alimentou as esperanças delusórias de Hitler em relação a uma miraculosa mudança de sorte na primavera de 1945.

Hitler estava lendo Carlyle nas semanas anteriores a seu suicídio.

De acordo com o catálogo do leilão montado pela empresa parisiense Kahn-Dumousset, o livro de Hitler em oferta na semana passada era um volume de antiquário, publicado em 1712, com uma ilustração de frontispício que mostrava o "furor, guerra, ódio e discórdia" na história europeia, e contava a história dos governantes europeus desde o duque de Savoy até o rei da Prússia.

O livro foi supostamente retirado do retiro de Hitler nos Alpes por um membro da 2ª Divisão Armada da França, o que empresta ao volume ainda mais valor histórico. A casa de Hitler nas montanhas abrigava muitos dos livros mais apreciados pelo líder nazista, incluindo seus volumes de Shakespeare.

Diferente de muitos outros livros remanescentes, que contêm dedicatórias de colegas ou admiradores nazistas - Heinrich Himmler, Herman Goering, Leni Reifenstahl, para citar alguns - esse volume não tem nenhuma dedicatória, sugerindo que foi uma aquisição particular, tornando-o assim ainda mais pessoal e relevante.

Na última quarta-feira, quando o livro de Hitler foi a leilão, junto com mais de outros 200 itens de antiquário, só havia lugar para ficar em pé no Hall 11 do Hotel Druout, mas ninguém respondeu ao lance de abertura de mil euros.

Entretanto, seguiu-se uma rodada movimentada de apostas anônimas por telefone, e o livro foi finalmente vendido por € 800 a mais do que o preço inicial. O tomo belamente encapado foi removido de vista e preparado para ser enviado para seu dono anônimo.

Hitler teria aprovado.
 
No final de sua vida, o líder nazista ordenou que seus pertences pessoais fossem destruídos numa tentativa de obliterar o máximo possível sua vida privada. Ele queria ser lembrado exatamente como havia apresentado a si mesmo para o mundo: cheio de fúria, guerra, ódio e discórdia. Ele não queria deixar espaço para nuances, muito menos para insights sobre as obsessões e inseguranças particulares que alimentavam sua personalidade.

Enquanto o Matisse de Yves Saint Laurent passou da coleção de um investidor para outro e os artefatos pessoais de Gandhi retornaram para sua terra natal como patrimônio nacional, o livro de Hitler - como muitas outras coisas que poderiam nos dar mais informações sobre essa personalidade impenetrável - foi destinado a uma obscuridade ainda maior.

* Timothy W. Ryback é secretário geral da Academia Diplomática Internacional, e autor de "Hitler's Private Library: The Books that Shaped the Man" [algo como "A Biblioteca Particular de Hitler: Os Livros que Formaram o Homem"].



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h48
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UNHAS PRETAS

Volto às unhas pretas, tema de uma pergunta de uma leitora que, sempre bela e garbosa, via suas unhas enfeiarem depois de ter começado a correr.

Pois digo a você e a todos: unhas pretas sempre as teremos entre nós.

Elas são resultado das milhares de microbatidas entre a carne dos dedos e as unhas, que acabam por romper microvasos ali disponíveis em profusão. Dependendo da gravidade do caso, forma-se uma espécie de bolha de sangue, que levanta a unha. Com o tempo, a unha velha é descartada, e outra surge em seu lugar.

Isso acontece muito para quem está começando, pois depois o corpo se ajeita. Daí, precisa se readaptar a cada novo patamar galgado pelo corredor. Então, ao longo de sua história, você vai perceber que as unhas pretas aparecem em determinadas épocas. Há momentos que você corre várias maratonas (ou a sua distância preferida) sem sofrer nada nas unhas nem ter bolhas ou outras incomodações. De repente, volta tudo. vai ver, você aumentou a distância de treino repentinamente ou fez treinos em ritmo mais forte do que estava acostumado, o que também contribui para aumentar a frequência e a intensidade dos choques.

Então, basicamente, elas são inevitáveis. Em algum momento, por alguma razão, vão aparecer. Mas dá para se proteger, se prevenir. A melhor coisa, como você já percebeu, é manter seus treinos em uma progressão razoável, dentro do bom senso, seja lá que isso signifique (para este blog, por exemplo, bom senso é não aumentar a distância semanal total em mais do que 10% ou 15% de cada vez...).

Também o uso de meias justas e secas, em tênis de corrida adequados à sua passada e com aquela folga de lei (na corrida, os pés incham com todo aquele movimento sanguíneo, e seu tênis deve ter espaço para esse aumento de volume).

Quanto a tratamento, eu sempre simplesmente dei tempo ao tempo, que a dor passa e a unha também... Mas, se a bolha de sangue for muito grande e dolorida e se a dor não diminuir depois de um ou dois dias, é bom procurar um médico ou, pelo menos, um podólogo. De novo, há soluções caseiras, que envolvem o uso de agulhas, que eu nunca experimentei e não recomendo.

E é mais ou menos por aí. Eu lembro da minha primeira unha a ser destruída. Foi a do dedão do pé esquerdo, detonada logo da primeira vez que usei um tênis "Nike" comprado na Galeria do Rock, lá nos idos de 1998. Foi terminar o treino, uns 10 km por aí, e ver a unha vermelhona. O vermelho foi ficando vinho, o vinho roxo, o roxo preto até que a unha caiu. As outras que vieram (pois foram muitas quedas e renovações ao longo desses dez anos) nunca mais acertaram o caminho, e acabam sofrendo às vezes mais, ás vezes menos, mas sofrem. ue, ainda bem, tenho as unhas dos dois mindinhos, que são absolutamente horríveis.E a tal unha, a qualquer momento, é feia que dói. Só não é minha unha mais feia porq

Então, corra em paz e fique feliz que você não tem as minhas unhas.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 06h41
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DELEÇÃO PREMIADA

Valério negocia uma ‘delação premiada’ no mensalão

Em segredo, o ex-provedor de arcas eleitorais Marcos Valério negocia com o Ministério Público uma delação premiada no caso do mensalão.

 

Em troca de redução ou até de eliminação da pena, Valério estaria disposto a abrir o baú de malfeitorias para a Procuradoria da República.

 

Deve-se a descoberta ao repórter Frederico Vasconcelos. É uma informação com potencial para eriçar os pelos de petistas e as plumas de tucanos.

 

Valério ganhou as manchetes em 2005. Descobriu-se que repassara pelo menos R$ 55 milhões a partidos e congressistas que dão suporte político ao governo Lula.

 

Antes, em 1998, Valério montara esquema semelhante em Minas Gerais. Dessa vez a serviço do tucanato mineiro.

 

Borrifara verbas de má origem na escrituração da malsucedida campanha de Eduardo Azeredo à reeleição para o cargo de governador do Estado.

 

Correm no STF processos relativos aos dois casos. Se levada a bom termo, a delação de Valério poderia empurrar dados novos para os autos do mensalão e do tucanoduto.

 

As tratativas, por sigilosas, são recobertas por uma camada de desconversa. "Não temos nada a declarar sobre o assunto", diz Marcelo Leonardo, advogado de Valério.

 

Ouvida, a Procuradoria Geral da República, em Brasília, limitou-se a informar que não remeteu nada a respeito para o STF.

 

Acrescentou que o acompanhamento do caso é de responsabilidade do Ministério Público Federal em Minas.

 

Na hipótese de resultar em acordo, a delação de Valério terá de ser autorizada pelo STF.

 

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa não é avesso a esse tipo de procedimento, previsto em lei. Porém...

 

Porém, se for adiante, a negociação terá de ser referendada não por um, mas pela maioria dos ministros que compõem o plenário do Supremo.

 

Instado a comentar as negociações de seu cliente com a Procuradoria, o advogado de Valério, Marcelo Leonardo, desconversou: "Não tenho nada a declarar sobre isso. Não há conversas", disse.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 10h40
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