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Em causa própria
 


TERMINOLOGIA DA DEGUSTAÇÃO

São termos empregados durante a degustação, que visa o entendimento entre as pessoas envolvidas.

A

Acidez – formada pelos ácidos presentes nos vinhos, de origem fermentativa ou da própria uva.  A acidez em proporções adequadas é importante para a conservação do vinho.

Adstringente - Vinho com excesso de taninos ásperos, que amarra a boca, deixando a sensação de termos comido uma banana verde.

Agressivo – Vinho com excesso de acidez e adstringência.

Alcoólico – Vinho no qual o elevado teor alcoólico é percebido de maneira desarmônica, acima dos demais componetes.

Aveludado – Vinho macio, ao contrário do vinho áspero. 

B

Bouquet – Conjunto de sensações olfativas adquiridas pelo vinho durante a fase de envelhecimento em garrafa.

Brut – Termos que designa tipo de espumante natural com o menor teor de açúcar residual.

C

Champagne – Espumante natural produzido na região de champanhe.

Chato – Vinho com carência de acidez.

Corpo – Vinho de constituição robusta, rico em cor, taninos, ácidos, sais minerais, etc...

Curto – Vinho com pouca persistência olfativa – gustativa.

D

Decantar – Ato de transferir o vinho da garrafa para outro recipiente (decanter), com o objetivo de separar os sedimentos originários do envelhecimento ou arejar o vinho. A decantação faz o vinho liberar mais rapidamente seus aromas e é indicada para tintos encorpados e com aroma fechado. Os que não merecem serem decantados são os tintos com pouca cor, pouco corpo ou brancos pálidos .

Demi-sec – Palavra e origem francesa, usada para definir o champagne ou espumante meio doce.

E

Elegante – Vinho equilibrado, fino, de classe.

Equilibrado – Vinho em que seus componentes apresentam proporções corretas, principalmente álcool e ácidos.

F

Fechado – Aquele que ainda não mostra suas qualidades, pois não liberou o aroma e o sabor.

Frutado – Diz-se de um vinho com aroma e gosto de frutas frescas. Característica dos vinhos jovens..

Fase olfativaNa "Fase Olfativa", deve-se colocar o nariz dentro do copo e cheirar vigorosamente. Existem três tipos de aromas: primários (provenientes da uva), secundários (resultantes do processo fermentativo) e terciários (conjunto de aromas da uva, fermentação e envelhecimento). Nos vinhos brancos, o aroma secundário geralmente lembra frutas frescas (maçã, pêssego, abacaxi, pêra) e, às vezes, aromas mais complexos (mel, melado, hortelã, menta). Nos tintos, são aromas de frutas vermelhas (cereja, amora), de frutas secas (nozes, amêndoa), especiarias (pimenta, canela, baunilha), animais (couro, suor), madeira (baunilha, serragem) e muitos outros aromas.

H

Harmônico - Vinho em que todos os seus componentes encontram-se em perfeito equilíbrio.

Herbáceo – Quando vinho apresenta levemente o aroma de ervas frescas. (Cabernet Franc, Sauvignon Blanc).

L

Leve ou ligeiro – Vinho que apresenta pouco corpo.

Límpido – Vinho que no exame visual, encontra-se isento de partículas em suspensão.

Longo – Deixa uma sensação duradoura na boca.

M

Macio – Redondo, com bom teor de glicerina, álcool correto e com pouca acidez e taninos discretos.

Maduro – Vinho com sabor de fruta madura, geralmente no auge de sua evolução.

N

Nervoso – Vinho com excesso de acidez.

O

Oxidado – Vinho alterado em suas características visuais, olfativas e gustativas pelo contato com o ar.

P

Persistência – Conjunto de sensações olfato-gustativas percebidas após a degustação do vinho.

Pesado – Vinhos com bastante corpo, geralmente carecem de fineza.

R

Retrogosto - Conjunto de sensações finas percebidas depois que o vinho foi deglutido.

Rolha – Defeito transmitido ao vinho pela rolha, é um defeito grave, chamado também de bouchonée.

S

Seco – Pela legislação brasileira, é um vinho que contém um máximo de 5g/l de açúcar residual.

Suave – Pela legislação brasileira, é um vinho que contém um mínimo de 20g/l de açúcar residual, designa também o vinho meio doce.

T

Tânico – Vinho rico em taninos, encontrados principalmente em tintos jovens.

U

Untoso – O mesmo que viscoso, oleoso, sensação encontrada em vinhos com bastante glicerina.

V

Vinoso – Característica típica dos vinhos jovens, que lembra o cheiro do mosto da uva.

Vivo – Vinho com ligeiro excesso de acidez, porém ainda agradável. 



Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h10
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FRASE DO DIA:
 
"Os pequenos atos que se executam são melhores que os grandes atos que apenas se planejam".

(George C. Marshall)


Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h09
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HISTÓRIAS DESEDIFICANTES:

Um sujeito vai visitar um amigo deputado e aproveita para lhe pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau.
- Eu tenho uma vaga de assessor, só que o salário não é muito bom....

 -Quanto doutor?

 - Pouco mais de 10 mil reais!

 - Dez Mil!!!!???? Mas é muito dinheiro para o garoto! Ele não vai saber o que fazer com tudo isso nao, doutor!!!! Não tem uma vaguinha mais modesta?

 - Só se for para trabalhar na Assembléia. Meio período e eles estão pagando só 7 mil!

- Ainda é muito doutor! Isso vai acabar estrangando o menino!

- Bom, então tenho uma de consultor. Estão pagando 5 mil reais por mês, serve?

 - Isso tudo é muito ainda, doutor. O Senhor não tem um emprego que pagasse uns mil e quinhentos ou até dois mil reais???

- Ter até tenho, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós graduação ou mestrado, bons conhecimentos em informatica, domínio da língua portuguesa e conhecimentos gerais. Além do mais ele terá que comparecer ao trabalho todos os dias...



Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h09
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Alteração na poupança deve sair até junho

O governo provavelmente decidirá o que muda na caderneta de poupança antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária ( Copom) do Banco Central (BC), marcada para os dias 9 e 10 de junho. A previsão é do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje em sua visita ao Rio de Janeiro.
 
 O governo teme que, com a continuidade da redução da Selic, haja uma migração de investimentos como títulos públicos, que financiam o governo, e CDBs, fonte de recursos para os bancos concederem crédito, para a poupança.

De acordo com Martins, "o que está se discutindo é um mecanismo de remuneração daqui para a frente". Entre as possibilidades em estudo, ele citou uma indexação da poupança à taxa de juros básica, a Selic; a tributação da rentabilidade da poupança e o tratamento diferenciado pelo total depositado em caderneta por número do Cadastro de Pessoa Física (CPF).

"Todas essas hipóteses têm vantagens e desvantagens e estão em estudo pela área técnica", afirmou Martins, que disse não ter conversado sobre o assunto com o presidente Lula. "A decisão que existe é de que alguma coisa tem que fazer", afirmou.
 
Ele admite, inclusive, uma combinação das alternativas como a criação de faixas para tributação diferenciada. Por exemplo, cobrar Imposto de Renda sobre a rentabilidade da poupança para valores acima de R$ 5 mil por depositante. O ministro não chegou, porém, a citar este exemplo específico. Apenas falou em tese e observou que cerca de 92% das contas de poupança têm até R$ 5 mil.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 19h07
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A marinha dos EUA conseguiu resgatar no domingo (12/04) o capitão do navio mercante Maersk Alabama, Richard Phillips, de 53 anos, capturado na quarta-feira por piratas somalis. Na operação morreram três de seus sequestradores. O quarto tinha sido transferido para o destróier Bainbridge para negociar sua entrega e ficou sob custódia americana, segundo informou no domingo o Departamento da Defesa. Participaram da operação forças militares e especialistas do FBI.
 
A tática com que foi solucionado o sequestro poderá abrir novos caminhos, mais agressivos, no modo como a comunidade internacional vai enfrentar uma rede criminosa que em 2008 capturou 40 barcos.
  • Richard Phillips foi libertado por ação da marinha dos EUA

  • Reuters/Arquivo pessoal

O presidente americano, Barack Obama, autorizou o uso da força caso se chegasse ao extremo de que a vida de Phillips corresse perigo. O presidente descreveu o capitão Richard Phillips como "um modelo para todos os americanos". "Estou muito orgulhoso dos esforços das forças armadas dos EUA e dos demais departamentos e órgãos que trabalharam sem descanso para salvar o capitão", disse em um comunicado.

O comando militar americano decidiu solucionar o sequestro com o uso limitado da força. Assim pôs fim a mais de cem horas de cativeiro, nas quais quatro piratas armados conseguiram manter em alerta todos os EUA. Finalmente o capitão Phillips, que sua tripulação descreveu como um homem valente, que arriscou a vida para impedir que os 19 homens sob seu comando sofressem algum dano, voltará como herói nacional para sua casa em Vermont.

A operação começou quando o sequestrado saltou do bote salva-vidas em que estava detido, aproveitando as primeiras horas da noite, e os piratas lhe apontaram suas armas, segundo informação revelada no domingo pelo Comando Central das Forças Armadas. "Nesse momento estimamos que sua vida corria perigo e decidimos agir", disse no domingo o vice-almirante Bill Gortney em uma entrevista coletiva.

Um comando dos Navy Seal (corpo de operações especiais da marinha) matou os três piratas que permaneciam no bote. O capitão foi transferido para o Bainbridge, do qual se coordenaram os trabalhos de resgate.

França adota braço de ferro

Na França, a luta contra a pirataria deu uma volta trágica com a morte de um dos reféns do veleiro francês Tanit durante a operação de resgate lançada na sexta-feira por um comando da marinha francesa. O proprietário do veleiro sequestrado havia uma semana, um jovem pai de família de 28 anos, morreu durante o tiroteio entre os militares e os piratas, e o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, reconheceu que o homem pode ter sido morto por um disparo francês.

Os resgatados, a viúva da vítima, seu filho de 3 anos e um casal de amigos que viajava com eles, chegaram no domingo à tarde a Paris em um avião especialmente fretado e serão recebidos nos próximos dias pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Sarkozy reafirmou na sexta-feira "toda a determinação da França a não ceder à chantagem". Desta vez, porém, Paris tentou negociar com os sequestradores antes do assalto, porque a vida de um menor corria perigo. Não é a primeira vez que a marinha francesa intervém. Em uma operação militar espetacular, forças especiais libertaram os tripulantes de um veleiro de luxo em abril de 2008. Em setembro do mesmo ano o exército voltou a intervir para libertar um casal retido durante duas semanas por piratas. E 12 piratas detidos nessas operações estão na França, onde deverão ser julgados.


O FBI tinha dirigido as negociações com os piratas, que foram interrompidas na madrugada de sábado. Até então, líderes tribais da região somali de Jariban tentaram intermediar por telefone com os quatro sequestradores de Phillips. Os EUA exigiam que ele fosse libertado e os sequestradores, detidos, coisa que os líderes tribais negaram. Os piratas exigiram um resgate inicial de € 1,5 milhão.

Finalmente, o comando americano decidiu romper as negociações. Phillips já tinha tentado escapar pela borda no sábado, aproveitando a escuridão. Nessa ocasião os piratas voltaram a capturá-lo e ameaçaram matá-lo.

Os EUA permaneceram quase cinco dias pendentes da libertação do capitão. Seu barco chegou na madrugada de sábado ao porto de Mombaça, no Quênia, para onde se dirigia inicialmente com uma carga de alimentos para a ONU. "Ele salvou nossa vida! É um herói", exclamou o imediato do navio, Ken Quinn, ao chegar a terra. A tripulação relatou o sequestro com detalhes.

Os piratas assaltaram o barco de forma incomum. Seu número, quatro pessoas, era reduzido em comparação com outras operações semelhantes, o que alguns veículos da mídia americana aventuraram que poderia se dever a que fosse uma ação improvisada e que provavelmente os piratas não soubessem que estavam assaltando um navio com bandeira americana.

Quando chegaram à coberta, o engenheiro do barco, A.T.M. Reza, conseguiu capturar seu líder. Em um intercâmbio intenso, o capitão Phillips decidiu oferecer-se como refém. Desse modo ele regressaria ao barco quando o líder dos piratas fosse posto em liberdade. Os assaltantes não cumpriram sua parte do trato.

Em quase dois séculos os EUA não viviam uma crise semelhante. Os últimos atos de pirataria de que o país se lembra são os das guerras Berberes, quando enfrentou chantagem e sequestro por parte de piratas do norte da África no início do século 19. No entanto, o problema da pirataria se acrescentou à má lembrança que impera em Washington da sangrenta derrota vivida na Somália nos anos 1990.

Em 1993 as tropas americanas que se encontravam na Somália em missão humanitária enfrentaram em Mogadíscio as milícias do chefe guerreiro Mohamed Farrah Aidid. Estas conseguiram abater dois helicópteros Black Hawk e mataram 18 soldados americanos. O presidente Bill Clinton ordenou a retirada total da região e sua administração começou uma fase isolacionista, na qual evitou intervir em conflitos armados no Terceiro Mundo.

Essa situação mudou na semana passada, quando a pirataria afetou os EUA. O senador republicano Tom Coburn disse à rede de TV Fox News que não se podia oferecer nenhum tipo de concessão a esses piratas e que na gestão desse problema seria preciso agir "de forma muito mais agressiva". Essa foi a fórmula que permitiu libertar Phillips e que talvez se transforme em prática mais comum para lidar com a pirataria.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h58
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Pirataria é a única indústria que funciona na Somália

 
Em um mundo em crise, ser pirata na Somália é um negócio rentável, o único que funciona em um país destruído pelas guerras: € 75 milhões de lucro em 2008, com 40 barcos sequestrados. Este ano, com uma frota de destróieres, fragatas e lanchas-patrulhas dos EUA, Rússia, Índia e União Europeia - a Espanha assumiu o comando da força aeronaval europeia - mobilizada nas águas do oceano Índico sob o mandato do Conselho de Segurança da ONU, o número de incidentes se multiplicou: em três meses e meio ocorreram 60 ataques.

Os piratas mantêm sequestradas 260 pessoas e 16 barcos retidos, seis dos quais foram capturados na última semana (um liberado na sexta-feira por comandos franceses). Calcula-se que o lucro em resgates seja de € 38 milhões em 2009.

"É uma tragédia que as coisas tenham chegado a esse ponto", afirma à agência Reuters Mohamed Abdullahi Omaar, ministro das Relações Exteriores do novo governo provisório da Somália, formado por islâmicos moderados. "Também demonstra de forma categórica que o assunto da pirataria deve ser tratado e resolvido em terra. Nossa prioridade é restabelecer o estado de direito."

Omaar pertence à décima quinta tentativa de formar algum tipo de governo que ponha fim ao caos que reina desde 1991, quando o Estado se esfumou com a derrubada de Siad Barre e foi substituído por bandos criminosos, com frequência drogados com khat e divididos em um labirinto crescente de clãs, subclãs e sub-subclãs impossível de se acompanhar e compreender.

O novo presidente provisório, eleito em fevereiro por um Parlamento não menos provisório, e dessa vez com o apoio dos EUA, Sharif Ahmed, é a grande esperança de evitar que o país caia nas mãos da milícia Al Shabab (juventude), braço armado do setor radical da antiga União de Cortes Islâmicas, ligada à Al Qaeda e que controla o sul e a metade da capital, Mogadíscio.

Sharif Ahmed é o líder do setor moderado daquelas Cortes depostas em dezembro de 2006 pela Etiópia e os EUA, que então não souberam explorar as diferenças internas e expulsaram todos, moderados e radicais, do poder em Mogadíscio. Era o tempo de George W. Bush, pouco propício aos matizes. O problema de Sharif Ahmed é que controla apenas o norte da capital e o centro da Somália.

Os piratas não são o problema, mas a consequência do caos e da pobreza, denuncia a ONG Médicos Sem Fronteiras, que mantém equipes locais no país. Vinte e cinco por cento dos somalis dependem de uma ajuda humanitária cada vez mais perigosa de distribuir. Três milhões de seus 8 milhões de habitantes (não há censo) estão desalojados. Escasseia a água potável, a luz elétrica vem de geradores a diesel, quase não há professores e não funciona o sistema de saúde, que carece de tudo.
Na Somália só funcionam as armas, os telefones celulares e por satélites e os navegadores GPS, as ferramentas indispensáveis para a pirataria.

A rota do mar Vermelho, que liga o Índico ao Mediterrâneo, é de grande importância econômica: cerca de 30 mil barcos sulcam suas águas por ano. Os ataques piratas não se limitam aos 2.896 km de costa e são cada vez mais ousados: o cargueiro Maersk Alabama foi assaltado a mais de 400 km da costa. Contra destróieres de US$ 800 milhões como o americano Bainbridge, os piratas se deslocam em barcos dos quais partem as lanchas com meia dúzia de homens armados com lança-granadas.

A comunidade internacional decidiu enfrentá-los com navios de guerra. Por enquanto não há planos para lutar contra o caos político que a alimenta, que até o aparecimento dos piratas produziu um benefício menor:
os barcos utilizados para assaltar navios eram de pescadores que não têm o que pescar em águas cheias de modernas frotas de pesca estrangeiras que não tiveram de pagar um dólar em direitos de pesca a um governo inexistente.

O ministro Omaar insiste que a única solução é fortalecer a autoridade central. "Falamos de uma superfície marinha de um milhão de quilômetros quadrados", duas vezes o tamanho da Espanha. "Com os barcos mobilizados e assim por diante impossível solucionar o problema", acrescenta. Mas devolver o Estado de direito à Somália, com serviços básicos, economia real e ordem exigiria um investimento que ninguém parece disposto a assumir. Preferem pagar os resgates e a escolta de navios mercantis e superpetroleiros a investir na luta contra a miséria, que é a mãe de todos os males.
 


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h56
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Forças holandesas libertam reféns de piratas na Somália

Forças militares holandesas libertaram 20 reféns que haviam sido capturados por piratas somalis depois de um ataque a um petroleiro grego, informou neste sábado a Otan, a aliança militar ocidental.

Os reféns, pescadores iemenitas, foram libertados quando as forças holandesas capturaram os sete piratas no Golfo de Aden, entre a Somália e o Iêmen.
Eles estavam a bordo da chamada "nave mãe" pirata, de onde pequenos barcos saíam para atacar navios comerciais.

Os piratas teriam atacado o petroleiro grego usando rifles de assalto e lança-granadas
.
Um navio de guerra holandês da frota da Otan respondeu ao pedido de socorro do navio e viu os piratas fugindo em direção a um barco de pesca iemenita, disse o porta voz da Otan Alexandre Santos Fernandes.

As tropas da Otan abordaram o barco e libertaram os 20 iemenitas, que, segundo Fernandes, eram mantidos reféns desde domingo passado.

Os piratas foram liberados, segundo informações da agência de notícias Associated Press, porque de acordo com as leis holandesas, eles não poderiam ser mantidos no mar por conta das circunstâncias em que foram capturados.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h55
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BLACK HAWK DOWN 2: MISSÃO NO MAR

Navio americano é atacado por piratas somalis

Piratas somalis atacaram na terça-feira um navio com bandeira americana, mas o mesmo conseguiu escapar depois de receber ajuda da Marinha dos Estados Unidos.

O ataque, segundo um chefe de um grupo de piratas, foi uma represália pela morte de três sequestradores numa operação da Marinha americana no Oceano Índico.

O "Liberty Sun" pediu ajuda à Marinha americana, que deslocou homens para ajudar o navio e a tripulação, informou a empresa proprietária da embarcação, a Liberty Maritime Corp., que tem sede em Nova York.

"Ninguém ficou ferido e a tripulação e o navio estão a salvo", afirma a companhia em um comunicado.

O Liberty Sun zarpara de Houston, Texas, com destino a Mombasa, na costa do Quênia, com alimentos para países afetados pela fome.

O incidente aconteceu pouco depois do sequestro de dois cargueiros, o que demonstra que as recentes operações militares francesa e americana não reduziram a determinação dos piratas de atacar navios ao longo da costa da Somália.

Dez navios foram raptados no decorrer de abril na região, apesar das ameaças de ataques por parte das forças navais presentes na região.

O ataque aconteceu dois dias depois de Richard Phillips, capitão do "Maersk Alabama", que permaneceu sequestrado durante cinco dias em um bote salva-vidas no Oceano Índico, ter sido resgatado em uma operação da Marinha dos Estados Unidos, que terminou com a morte de três piratas e a prisão de um quarto.

"O objetivo principal deste ataque foi totalmente diferente dos anteriores. Não queremos um resgate. Foi destinada uma equipe especial para perseguir e destruir qualquer navio de bandeira americana em represália ao assassinato brutal de nossos amigos", declarou Abdi Garad, contatado, em Mogadiscio, no Eyl, porto pesqueiro onde se concentram os piratas na região autoproclama autônoma de Puntland (nordeste da Somália).

Garad é o chefe do grupo de piratas que, em 8 de abril, capturou durante algumas horas o "Maersk Alabama".

Na segunda-feira, os piratas já haviam prometido que vingariam a morte de seus companheiros.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 17h53
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VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE

Reuters

O inverno se aproxima e, com ele, reaparece uma doença que contagia muitas pessoas em todo o mundo: a gripe. Para minimizar o problema, terá início no próximo dia 25 de abril a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, que se estende até 8 de maio.

O foco da campanha pública, como esclarece seu título, são as pessoas com 60 anos ou mais - mais suscetíveis aos efeitos da doença. Contudo, os demais brasileiros podem buscar a imunização em clínicas particulares.

Confira a seguir as principais informações a respeito do tema - como o mecanismo de defesa da vacina e quando vale a pena tomá-la - a partir de dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo.

1. Quem deve se vacinar?
2. Por que se vacinar?
3. A vacina tem efeitos colaterais?
4. Há contra-indicações para a vacinação?
5. Por que o outono é o mês indicado para a vacinação?
6. Como a vacina age no corpo humano e qual é o tempo de eficácia?
7. Há diferença na fórmula da vacina para crianças, adultos e idosos?
8. Onde se vacinar? Quanto custa?
9. Quem foi vacinado ainda corre algum risco de contrair a doença?
10. A vacina oferece também proteção contra resfriados e outras doenças relacionadas à gripe?
11. Há mais eficácia se todos da família/trabalho tomarem a vacina?
12. Há outras formas de prevenção contra a gripe?



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h27
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METÓDICO, EU?

Como é feita a classificação de livros nas bibliotecas?

Existem formas diferentes de catalogação, mas a mais utilizada é a Classificação Decimal de Dewey – CDD, para os íntimos – comum na maioria das bibliotecas em 135 países. Ela divide o conhecimento humano em dez grandes classes e atribui um número para cada uma. Depois, define números para as subclasses, sub-subclasses e assim por diante.

Para entender o significado dessas seqüências, é preciso recorrer à enorme lista de convenções mantida e freqüentemente renovada pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Por exemplo, se precisamos de um livro sobre religião, teremos de buscá-lo na classe 200, que é a das obras sobre religião. Se queremos uma Bíblia, encontraremos todas que houver no acervo, catalogadas na subclasse 220. Religiões não-cristãs e comparativas aparecem no 290, depois da Bíblia.

"Os livros são dispostos na estante obedecendo a essa ordem numérica crescente", diz a biblioteconomista Silvia Braga, da Universidade Bandeirante, em São Bernardo do Campo. Na segunda linha do código vêm as informações sobre o autor e o título da obra. Na terceira é possível saber se o livro está dividido em mais de um volume; e, na quarta linha, se há mais de um mesmo exemplar na biblioteca.

Foi o americano Melvil Dewey (1851-1931) quem inventou esse sistema. Ele achava um absurdo os livros serem numerados de acordo com seu lugar na estante e não de acordo com o seu conteúdo. Isso exigia atualizações freqüentes, pois os acervos são dinâmicos, e fazia com que as bibliotecas tivessem formas diferentes de catalogar seus volumes.

Linguagem paralela

Decifrando o código dos livros

1. assunto

A centena 500 significa que o livro é da classe de ciências puras e a dezena 30 que o assunto é física

2. autor e obra

"W" é a primeira letra do sobrenome do autor e 378 é o número que o identifica. O "f" é a primeira letra do título da obra

3. disponibilidade

É o primeiro volume – o que pressupõe a existência de outros no acervo

Leia mais:

- Qual foi a biblioteca mais importante que existiu?
- Qual o livro mais caro do mundo?



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h24
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TONIGHT, I'M A ROCK 'N' ROLL STAR...
 
Confira o que o Oasis quer no seu camarim!

O Oasis começa nesta terça-feira, 28 de abril, sua quarta turnê pela América do Sul, na cidade de Caracas, na Venezuela.

Os irmãos Gallagher e cia. chegam com a turnê do álbum “Dig Out Your Soul”, que passará também por Lima, Buenos Aires, Santiago, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, teve acesso aos quase-sempre pedidos extravagantes dos artistas, que listaram, em meio às 30 toalhas brancas, 20 azul-marinhas ou pretas, pizzas pós-show e só um maço de cigarros, os seguintes itens abaixo para o show que acontece na Expotrade, dia 10 de maio:

(Nota: Case de 24 garrafas/latas)

3 Cases de 500ml água mineral (i.e. Evian, Volvic, etc.)
5 garrafas de vinho tinto de boa qualidade
5 garrafas de Pinot Grigio vinho branco
3 Cases cerveja importada de boa qualidade (Heineken, Becks & Corona ou 1 case cerveja local)
1 Case (24) latas de Guinness – TEM QUE SER em latas.
6 latas de Red Bull
1 garrafa whiskey irlandês
3 garrafas vodka (i.e. Absolut, Grey Goose)
1 Case de refrigerantes (i.e. Coke, Sprite, etc.)
6 garrafas de Gatorade ou Lucozade – (temperatura ambiente)
2 litros de água tônica
3 litros de club soda
2 litros de cranberry suco
1 litro de suco de laranja
1 maço de Marlboro Lights Cigarettes
5 isqueiros
1 litro de leite
1 café de boa qualidade (sem sabores!!!!)
Chás – variações: inglês tradicional, ervas, verde
5 Chocolates instantâneos quentes
1 Mr. Coffee café ou similar
1 chaleira (para água quente do chá)
9 xícaras seleção de açúcar (pacotes, orgânico, granular)
1 mel
6 limões e facas
6 limas
2 caixas de lenços
5 Packs chicletes (spearmint or peppermint flavours only)
1 cooler com gelo grande

* Variações de chips de batata (pelo menos 1 x orgânica); mistura de nuts orgânicas (em especial amêndoas); variações de barras de chocolates Cadbury; tigela de frutas orgânicas (maçãs, morangos, mirtilo, grapefruit, pêssego, peras e bananas...).

* O vestiário deve ser um ambiente limpo e arrumado, com louça, metal prata, guardanapos, toalhas de linho, abre garrafas, saca-rolhas, copos (para o vinho, bebidas espirituosas e champanhe), incluindo cerveja, copos de cerveja (pint para Guinness) e um arranjo de flores para ser colocada no vestiário.

* E, antes do show, chá com mel e chicletinho.

O camarim deverá ser um ambiente limpo e arrumado com 1 mesa com toalha de mesa, cadeira ou uma almofada/assento e um espelho grande.

1 Chaleira
2 Litros sala de água temperatura ambiente
1 mel orgânico
4 canecas
4 colheres de chá
2 chicletes de hortelã ou menta chicletes
1 Caixa de lenço



Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h21
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciou nesta quarta-feira um corte de 1 ponto percentual na taxa de básica de juros, a Selic.

Com a redução, a taxa de juros praticada no país passa a ser de 10,25% ao ano, o nível mais baixo desde que a Selic foi criada, em 1999.

Com a decisão desta quarta-feira, o Brasil deixa de ter a maior taxa de juros reais do mundo. De acordo com a consultoria UpTrend, com o corte de um ponto percentual, a taxa real brasileira chega a 5,8%, valor inferior ao praticado por China (6,6%) e Hungria (6,4%).

Se as previsões para este ano se confirmarem, o Brasil chegará a dezembro com uma taxa de juros real abaixo de 5% - também o menor patamar da série histórica.

Os efeitos dessa redução demoram a chegar na "ponta", ou seja, no crédito ao consumidor final. Mas, em diversos outros aspectos da economia, as mudanças já são sentidas.

Segundo especialistas, bancos, empresas e governo são os primeiros a sentir a diferença e terão de se adaptar a uma economia com juros cada vez mais baixos.

"Não há nenhum tipo de dúvida sobre as vantagens que juros mais baixos têm sobre a economia como um todo. Mas o processo vai exigir adaptações e até mesmo uma mudança cultural", diz Carlos Alexandre Sá, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O processo a que Sá se refere é, de certa forma, parecido com o que o país viveu na década de 1990. A economia brasileira havia se "acostumado" à inflação alta e, com a estabilização, empresas e pessoas físicas tiveram que se adaptar ao novo cenário.

Agora é a vez da adaptação aos juros baixos. O exemplo mais evidente está na queda de alguns rendimentos: quem se acostumou aos ganhos "fáceis" dos fundos atrelados à Selic já percebe a diferença.

O governo estuda reduzir a rentabilidade da poupança para acompanhar a queda nos ganhos oferecidos por esses fundos.

Os bancos, segundo os analistas, também terão de se adaptar. Com Selic mais baixa, os títulos do governo -investimento preferido das instituições financeiras- deixam de ser tão interessantes.

"A tendência é de que os bancos passem a emprestar mais para pessoas e empresas", diz o professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

Saiba que aspectos terão de mudar na economia com juros mais baixos:

Investidores: Existe uma parcela da população brasileira para quem os juros altos não são tão ruins assim. Quem investe em fundos atrelados à Selic sabe que taxas nas alturas significam um ganho extraordinário. E o melhor: garantido.

O mesmo vale para uma série de outras aplicações que, de certa forma, "seguem" a Selic, como alguns fundos de previdência privada.

Com a redução da taxa básica de juros, essas aplicações deixam de ser tão atraentes. Em função disso, os investidores que buscam rendimentos acima da média terão de aceitar também riscos maiores -como no caso da Bolsa de Valores.

"Ganhar dinheiro vai dar mais trabalho", diz o professor da Trevisan.

Poupadores: Apesar de não estar ligado diretamente à Selic, o rendimento da caderneta de poupança também deverá passar por algumas mudanças.

O assunto está em estudo no Ministério da Fazenda. A explicação do governo é de que, com juros menores e a consequente queda nos ganhos oferecidos pelos fundos, a poupança precisa seguir o mesmo caminho.

Caso contrário, haverá uma migração em massa para a poupança, gerando um "desequilíbrio" no sistema financeiro.

Se os juros caírem ainda mais, a poupança passa a ser mais atraente do que os fundos, já que esses precisam ainda descontar o Imposto de Renda.

O assunto é "politicamente delicado", na avaliação de Sá. "Vai ser complicado explicar à população brasileira por que o rendimento de sua poupança está sendo cortado", diz.

Segundo ele, manter o dinheiro nos fundos é "vital" para as finanças do governo, já que são esses fundos que compram títulos públicos e, assim, ajudam a financiar a dívida pública.

Instituições financeiras: Ao contrário do que se imagina, os bancos têm muito a ganhar com a redução dos juros. Isso porque, com taxas menores, um maior número de pessoas tende a pegar dinheiro emprestado. Ou seja, os bancos passam a ganhar na quantidade de clientes.

Mas os bancos, na avaliação dos especialistas, são os que mais terão de se adaptar a uma economia de juros baixos.

Com uma Selic menor, os títulos do governo passam a render menos. E os bancos, principais compradores desses papéis, tendem também a procurar operações mais rentáveis.

"Em vez de emprestar dinheiro para o governo, os bancos vão preferir emprestar para empresas e pessoas físicas. A economia sai ganhando, pois aumenta o volume de dinheiro disponível para o crédito", diz o professor da FGV.

De acordo com Leite, essa é uma "anomalia" do sistema financeiro do país. "Antes os bancos ganhavam com a inflação; agora, ganham com os títulos do governo. E a atividade principal de um banco deve ser o crédito, seja a empresas ou pessoas físicas", diz o professor da Trevisan.

Outro impacto é na receita relativa à administração dos fundos. De acordo com Sá, as instituições financeiras terão de diminuir o valor cobrado dos cotistas.

"Quando o ganho era de 15% ao ano, uma taxa de administração de 3% não era nada. Mas com um rendimento de 7%, a taxa de administração de 3% passa a ter um peso muito maior. Esse valor terá de cair", diz o economista.

Empresas: Os balanços das empresas costumam mostrar dois tipos de resultado. Um deles é o operacional, ligado à atividade essencial da empresa, como as vendas.

Mas existe ainda o resultado não-operacional, referente aos ganhos (ou perdas) no sistema financeiro. Com isso, empresas que se acostumaram a ganhar dinheiro investindo em juros, terão de rever seus planos.

"Quanto mais baixos os juros, mais as empresas tendem a investir em seu próprio negócio. O resultado é ótimo para a economia, pois significa mais investimento no setor produtivo", diz o professor da FGV.

Sá diz ainda que o "ideal" em uma economia é que o lucro gerado pela atividade fim da empresa seja maior do que os juros oferecidos pelos bancos. "Se não for assim, ninguém vai querer abrir uma empresa", diz.

Além disso, com juros menores, as empresas pagam menos pelos financiamentos junto aos bancos, o que diminui as dívidas e abre espaço para novos investimentos.

Governo: O governo perde e ganha com a queda dos juros. Perde porque seus papéis deixam de ser tão atraentes; ganha porque, ao ter de pagar menos juros, sua dívida cai.

A estimativa de analistas é de que o ganho compensa. Estima-se que cada ponto percentual de redução da Selic (se mantida por um ano) significa uma economia de até US$ 15 bilhões na dívida pública.

"Com essa economia, o governo tem mais fôlego para fazer investimentos no país", diz Leite.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 21h17
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ENTREVISTA DO DIA: Mahmoud Ahmadinejad

Der Spiegel

 
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad falou sobre o que ele espera do presidente dos EUA Barack Obama, por que a nova estratégia dos EUA para o Afeganistão está errada e por que o Irã deve ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU.
 
 


Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h59
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Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h58
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JURISPRUDÊNCIAS:

REPRESENTAÇÃO. CONSUMIDOR. FORO COMPETENTE.

Trata-se de ação de nulidade de cláusulas contratuais abusivas cumulada com pedido de repetição de indébito e antecipação de tutela. O REsp busca definir se é possível o juízo de ofício declinar de sua competência para o julgamento em causa que envolve relação de consumo, e o consumidor, domiciliado em São Paulo, foi representado na ação por associação de consumidores domiciliada em Belo Horizonte e o réu também tem domicílio em São Paulo. Isso posto, para a Min. Relatora, em primeiro lugar, é necessário definir se é regular essa representação. No caso, a representação não busca a defesa de interesses coletivos, é mera representação individual, por isso não está amparada no âmbito do art. 5º, XXI, da CF/1988 ou nos arts. 81 e 82 do CDC, mas no art. 12 do CPC. Assim, a associação não poderia representar o consumidor, que teria de constituir um advogado. Ademais, a consequência do reconhecimento de que é irregular a representação seria a decretação da extinção do processo, sem resolução do mérito. No entanto, nos autos há uma particularidade, além da procuração outorgada pela associação à advogada, o próprio consumidor também outorgou procuração à mesma advogada, dando-lhe poderes para representá-lo. Dessa forma, é possível interpretar que o próprio consumidor também é autor da ação, tornando-se desnecessária qualquer interpretação de ilegitimidade, porquanto a menção à associação feita na inicial consubstancia mera irregularidade. Também é possível o juízo, na hipótese, declinar de sua competência pelo amplo poder que lhe foi conferido pelo art. 6º, VII, do CDC, de modo que não houve ofensa ao art. 121 do CPC. Por outro lado, não há notícia de que Belo Horizonte seja o foro de eleição. A regra do art. 94 do CPC estabelece a competência do foro do réu e o art. 101, I, do CDC, regra excepcional, estabelece o domicílio do consumidor, logo agiu corretamente o TJ ao confirmar a sentença. O CDC não confere ao consumidor o direito de escolher aleatoriamente o local onde deve propor sua ação, independentemente de conexão com seu domicílio ou de cláusula de eleição de foro. Com esse entendimento, a Turma negou provimento ao recurso. Precedente citado: CC 40.562-BA, DJ 10/10/2005. REsp 1.084.036-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/3/2009.

RESPONSABILIDADE CIVIL. CONDOMÍNIO. PISCINA.

Trata-se de REsp em que as recorrentes, mãe e filha, sucessivamente, objetivam indenização por parte dos recorridos (um condomínio, a seguradora dele e a fabricante de um equipamento utilizado na piscina do condomínio), em decorrência do acidente que vitimou a filha (segunda recorrente), à época com 10 anos de idade. Na ocasião, a infante sofreu afogamento na piscina localizada nas dependências do condomínio réu, devido ao fato de seus cabelos terem sido sugados pelo ralo de marca da fabricante instalado no fundo da piscina, o que lhe ocasionou sequelas graves, impondo-lhe condição de vida vegetativa permanente. Diante disso, a Turma, por maioria, entendeu que, no tocante à culpa do condomínio, ela ocorreu na medida em que substituiu o equipamento de recirculação e tratamento de água da piscina coletiva por outro de potência muito superior ao adequado à sua dimensão, bem como em razão do fato de permitir o funcionamento do mencionado sistema quando havia pessoas na piscina. Entendeu, também, que, nesse caso, em que, sob qualquer aspecto, presume-se como gravíssima a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito da mãe, que teve sua filha menor vitimada no acidente, a demora no pagamento do seguro deu-se em momento de extrema fragilidade, frente à necessidade de pagamento do tratamento em curso, sendo devida, assim, à mãe indenização por danos morais. Entendeu, ainda, não ser razoável concluir que a ausência da mãe da criança no local tenha colaborado, de qualquer forma, para o resultado do incidente, a despeito do dever de vigilância que lhe é imposto pelo ECA. O malsinado incidente ocorreu não por descuido dos familiares da menina, mas pelos fatos acima descritos. A presença da genitora no local só adicionaria ao evento mais uma testemunha ao acidente que imputou à menor as gravíssimas sequelas que a acometeram, não havendo, assim, que se falar em culpa concorrente da mãe. Contudo, afastou a responsabilidade da fabricante, visto que restou consignado pelas instâncias ordinárias que os seus manuais traziam informações suficientes à demonstração do perigo pela utilização inadequada do produto, sendo expressos, ainda, ao alertar sobre a necessidade de que pessoas de cabelos longos os prendessem à altura da nuca ou fizessem uso de toucas para natação. Com esses fundamentos, entre outros, deu-se parcial provimento ao recurso, vencido em parte o Min. Luis Felipe Salomão, que responsabilizava também a fabricante. REsp 1.081.432-SP, Rel. Min. Carlos Fernando Mathias (Juiz convocado do TRF da 1ª Região), julgado em 3/3/2009.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 07h47
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QUEM ESTÁ DOENTE: ADRIANO OU OS OUTROS?

Por Emir Sader

Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa – se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?

O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem “normais”. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.

Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.

Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido – quando a imprensa não sabe onde está alguém, está “desaparecido”, chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.

Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que “vai dar um tempo”, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.

Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que “não se rasga dinheiro”, em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem ter que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?



Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h59
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QUAL GOL DÓI MAIS? FEIO OU BONITO?

do Blog do Torero

É uma pergunta difícil de responder, uma questão que exige raciocínio e ponderação. Até já imagino a leitora com a mão no queixo, parecendo um escritor em contracapa, e o leitor olhando para o teto, tal qual estivesse com torcicolo.

Sei que é sempre terrível quando nosso time toma um gol. Mas cada gol dói de um jeito diferente. O tento sofrido no começo do jogo não nos faz sofrer do mesmo jeito que o gol tomado no último segundo. E assim também acontece com os feios e os bonitos. Ambos doem, mas doem de modos distintos.

O gol feio, porque é como se forças misteriosas estivessem contra seu clube. Parece um castigo do destino, um erro da natureza. Só isso explica a falha bisonha do goleiro, o chute que desvia num zagueiro e entra no cantinho, a canelada de sorte do centroavante. Parece que os deuses do futebol querem rir às suas custas.

O triste do gol feio é que ele não é o fruto da inteligência ou da habilidade do adversário. Não se trata de um gol justo. Ele nasce do puro acaso. Obviamente é um triunfo, mas um triunfo que tem o erro como pai e a imperfeição como mãe. E por isso, por não ser merecido por nosso inimigo, é que ele é terrivelmente doloroso.

Já a bola entrando no ângulo, o chute preciso depois de um drible mortal e o cruzamento milimétrico seguido do peixinho certeiro doem por outros motivos. O gol bonito é uma vitória categórica do inimigo. É a certeza de que seu time é inferior, de que o adversário tem o domínio de uma arte elaborada. O gol belo nos causa uma sensação de inferioridade (“por que os bons atacantes estão sempre nos outros clubes?”) e de inveja (“por que este desgraçado não está no meu time?”).

Pois bem, depois dessa breve exposição, volto a lhes perguntar: Qual o gol que dói mais, o feio ou o belo? O que é pior, a nossa imperfeição ou a perfeição do outro?

Esta pergunta estava há tempos anotada em meu caderninho de “Grandes pequenas questões do futebol”, e até este fim de semana eu não tinha a resposta. Mas no domingo eu estava na Vila Belmiro. E vi o terceiro gol de Ronaldo. Vi o toque preciso e suave, vi a bola descrevendo uma bela e larga parábola, vi o goleiro no meio do caminho, sabendo-se inútil, e vi as redes balançando suavemente.

Foi um golaço.

E o curioso é que a torcida não xingou o goleiro, não pôs a culpa no técnico santista, não arrancou os cabelos ou socou a cadeira. Nada disso. Onde eu estava, uns olharam para os outros, como se dissessem: “Você viu o que eu vi?”, “Vou lembrar desse gol para sempre” e “O desgraçado é bom mesmo.”

É claro que havia tristeza, pois o 3 a 1 praticamente enterrou as chances do Santos. Mas também havia uma certa alegria no ar. Uma alegria por ter presenciado um grande lance, um momento raro, um lindo gol.

Daí que já tenho a resposta para a questão inicial. E a resposta é que sofrer um gol feio dói mais, porque, quando tomamos um gol bonito, temos pelo menos o consolo de ver uma obra de arte. E, no fim das contas, é para isso que vamos ao estádio.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 00h44
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SÓ SE VÊ NO JAPÃO

Astro pornô japonês de 75 anos é inspiração para idosos

Os filmes de Tokuda começarão em breve a ser oferecidos em lares de idosos no Japão

Ele é um típico homem de terceira idade: os poucos cabelos que tem são brancos, e ele usa dentadura. Mas Shigeo Tokuda, de 75 anos, estava num set de filmagens na segunda-feira usando apenas sunga e quimono de seda, prestes a fazer sexo diante das câmeras com uma mulher mais jovem do que sua filha. Tokuda é o mais velho astro do cinema pornô japonês e estava rodando seu filme mais recente, em que faz o papel de mestre do sexo.

O diretor disse que os filmes mostram às pessoas que a velhice não precisa ser sinônimo de fim da vida sexual, e, nos 16 anos passados desde que começou a fazer esse tipo de filme, Tokuda já atuou com mulheres de todas as faixas etárias, desde 20 anos até sua própria idade. "Comecei a atuar aos 59 e já trabalhei em mais de 200 filmes pornôs," disse ele, usando seu nome artístico, não o nome real, na entrevista concedida no próprio set de filmagem. "Eu quis contestar a idéia do que as pessoas comuns não fazem sexo, então resolvi ser ator pornô."

Em seu novo filme, ele usou vibradores, chicotes e velas para mostrar o mestre satisfazendo uma atriz de 36 anos. O filme não tinha roteiro. Tokuda ingressou na indústria pornográfica já com certa idade. Depois de formar-se numa das faculdades de elite de Tóquio, ele viveu a típica vida de um funcionário de escritório japonês, trabalhando como agente de viagens.

A segunda opção profissional surgiu porque ele estava insatisfeito com as tramas de filmes pornô que tinha visto. Isso levou a uma discussão com um produtor de cinema sobre se ele próprio poderia fazer algo melhor. Tokuda levou alguns anos refletindo sobre o assunto, mas acabou por tirar as calças diante da câmera. Desde então ele se tornou figura popular nos filmes pornô no Japão, cuja população se encontra em processo acelerado de envelhecimento e onde a expectativa de vida é longa. Um em cada cinco japoneses tem mais de 65 anos de idade.

Os homens mais velhos, vendo o que Tokuda consegue fazer, acham que eles também podem. Os idosos se sentem seguros e encorajados quando assistem a seus filmes", comentou Gaichi Kono, diretor do filme mais recente de Tokuda. A professora de bem-estar social Chineko Araki, da Universidade Den-en Chofu, disse que os idosos japoneses rejeitam a idéia de que envelhecer significa diminuir seu ritmo de vida. "Mais de 50 por cento dos homens de mais de 65 anos querem relacionar-se sexualmente com suas parceiras", disse ela em entrevista.

Os filmes de Tokuda começarão em breve a ser oferecidos em lares de idosos no Japão, e há a possibilidade de serem exportados e exibidos na Internet. Tokuda disse que sua mulher e filha fingem que não sabem o que ele faz e que seus amigos nunca vão adivinhar. "Mas meu trabalho me mantém vivo", disse ele, acrescentando que pretende continuar pelo menos até os 80 anos.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h30
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Decisões do STJ esclarecem dúvidas
 
Se você ainda não fechou a sua declaração, vale conferir algumas das principais decisões do STJ sobre a incidência do imposto de renda. A declaração é exigida de quem teve rendimento tributável superior a R$ 16.473,72 em 2008.

Apesar de ter prazo para entrega até o final de abril, o imposto de renda (IR), popularmente conhecido como “Leão”, preocupa os brasileiros desde o primeiro dia do ano. Valores recebidos em atividades laborais, indenizações, bem como gastos com aquisição de bens, educação, saúde, entre outros – tudo deve ser declarado, para que o contribuinte não “caia na malha fina”, pois ninguém quer ter problema com o fisco. Todos os segmentos da sociedade que declaram seus rendimentos à Receita são afetados por decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal da Cidadania, relativas ao IR. O “Leão” está em todo lugar e o STJ definiu várias situações em que o imposto deve ou não incidir.

A forma de cálculo do recolhimento do imposto de renda, por exemplo, foi analisada em julgamento do STJ proferido em 2008. O Tribunal concluiu que, no caso de verbas previdenciárias pagas acumuladamente pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o cálculo deve levar em conta os valores mensais, e não a soma global obtida. “Devem ser observados os valores mensais e não o montante global auferido, segundo tabelas e alíquotas referentes a cada período”, destacou a ministra Eliana Calmon.

E se o contribuinte declarar valores em campo incorreto? Para o STJ, esse tipo de erro não gera, necessariamente, multa de 20%. Na decisão, o relator, ministro Luiz Fux, ressaltou que a declaração feita de forma incorreta não equivale à ausência de informação, ficando indiscutível, no caso em análise e segundo a instância ordinária (anterior), que o contribuinte esqueceu-se de discriminar os pagamentos efetuados às pessoas físicas e às jurídicas, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com esses pagamentos. Ele apenas declarou os valores em campo errado.

Quando incide o IR

Para quem tem direito a horas extras trabalhadas, atenção: o STJ definiu que incide imposto de renda sobre o pagamento desse tipo de remuneração, até mesmo quando esse direito decorre de acordo coletivo. Segundo os ministros, é legal a incidência do IR sobre a renda decorrente de horas extraordinárias, inclusive quando resultante de acordo coletivo, pois possui caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial.

Também são entendidos como acréscimo ao patrimônio os valores recebidos a título de gratificação por liberalidade (espontânea) ou por tempo de serviço e, ainda, a indenização espontânea paga pelo empregador quando rescinde o contrato do empregado sem justa causa. Nessas três hipóteses, o STJ definiu que incide IR, pois caracterizado o disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional (CTN) – aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica.

Ainda com relação a questões trabalhistas, o STJ concluiu ser obrigatório declarar ao “Leão” o que for recebido em virtude de convenção coletiva que reduz benefícios. Para o ministro Luiz Fux, “o abono salarial com esse teor [substituição de benefícios por verbas acordadas em convenção] é, em essência, salário corrigido, sendo indiferente que a atualização se opere por força de decisão judicial ou de transação”.

O STJ também está atento à incidência do IR sobre a parcela que o administrador de uma empresa recebe a título de participação nos resultados do empreendimento. A Corte entendeu que a isenção prevista no artigo 10 da Lei n. 9.249/95 aplica-se apenas à participação nos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios, e não ao administrador. Segundo o ministro Mauro Campbell Marques, o parágrafo único do artigo 10, ao se referir à capitalização, constituição de reservas de lucros e sócios ou acionistas, situou a isenção do caput (do artigo) em momento jurídico-contábil posterior ao pagamento da participação nos resultados aos administradores.

Ainda sobre o tema “participação nos lucros”, mas sob a ótica dos empregados, o Tribunal também concluiu pela obrigatoriedade de recolher aos cofres públicos o IR sobre o montante recebido pelos empregados quanto à participação dos lucros da empresa. Os ministros entenderam que a participação nos lucros gera acréscimo patrimonial, portanto é base suscetível para a tributação do IR.

As quantias pagas a plano de previdência privada pelas entidades empregadoras (valores originados de verbas das empregadoras que não decorrem de contribuições dos próprios beneficiários do plano, os empregados) também sofrem a incidência do IR, pois não estão abrangidas na lista de isenção da Lei n. 7.713/88. Os valores devem ser tributados, inclusive, quando se referem à migração de um plano de benefício para outro. Segundo os ministros, essas verbas (pagas pelos empregadores ao plano de previdência privada) não possuem caráter indenizatório, pois não geram a diminuição do patrimônio dos empregados.

Sem imposto de renda

Ao contrário das quantias pagas pelos empregadores aos planos de previdência privada, que devem recolher o IR, os valores recebidos pelo contribuinte como complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições feitas a entidade de previdência privada não são taxados pelo imposto de renda. Essa decisão foi proferida pelo STJ no julgamento do primeiro recurso repetitivo (pelo rito da Lei n. 11.672/08) pela Corte.

Vários casos sobre recolhimento de IR relacionado a indenizações trabalhistas também já foram analisados pelo Superior Tribunal. Em um deles, a Corte isentou do imposto a quantia recebida em virtude de indenização definida em convenção coletiva de trabalho e de indenização recebida por causa de rompimento de contrato de trabalho sem motivo, se ocorrida durante a vigência da estabilidade temporária no emprego.

Para o ministro Teori Albino Zavascki, que relatou o caso, embora a indenização recebida em decorrência do rompimento imotivado do contrato de trabalho e em valor correspondente ao dos salários do período de estabilidade acarrete acréscimo ao patrimônio do empregado (razão que justificaria o fato gerador do IR), o pagamento dela não se dá por liberalidade do empregador, mas por uma imposição jurídica. Diante disso, este tipo de indenização está entre os valores abrangidos pela isenção prevista no artigo 39, inciso XX, do Regulamento do Imposto de Renda/99. Se, na dispensa sem justa causa, o empregador pagasse a indenização espontaneamente, por liberalidade sua, sobre esse valor incidiria o imposto.

Outro caso de indenização trabalhista isenta de IR é a adesão a programa de demissão voluntária (PDV). A respeito do tema, a Primeira Seção aprovou a Súmula 215. A Primeira Seção pacificou o tema em março deste ano aplicando a Súmula 215, concluiu que a indenização recebida em PDV, tanto no caso de empregados do setor público como no do setor privado, tem natureza jurídica de indenização e, por isso, não sofre a incidência do imposto de renda. Segundo o ministro Luiz Fux, tributar a verba do PDV representa avançar sobre o mínimo vital garantido ao trabalhador desempregado, situação que fere o princípio da capacidade contributiva.

Também têm isenção do imposto de renda os valores recebidos pelo contribuinte a título de juros de mora (juros cobrados por causa de atraso no pagamento) a partir da vigência do Código Civil de 2002 (novo código). Para a ministra Eliana Calmon, a partir do novo Código Civil, ficou claro que os juros de mora têm natureza indenizatória, característica que afasta a obrigatoriedade de recolhimento ao “Leão”.

Outro tipo de indenização, a determinada por dano moral, também não gera IR. A Primeira Seção do STJ concluiu que ela não gera o imposto porque se limita a recompor o patrimônio imaterial da vítima. “A indenização por dano moral não aumenta o patrimônio do lesado, apenas o repõe, pela via da substituição monetária”, salientou o ministro Herman Benjamin. Ainda segundo ele, caso ocorresse a tributação desse tipo de indenização, isso “reduziria a plena eficácia material do princípio da reparação integral, transformando o Erário (patrimônio público) simultaneamente em sócio do infrator e beneficiário da dor do contribuinte”.

O lucro imobiliário da venda de imóvel recebido por herança também não gera recolhimento de IR. Na decisão, o ministro Castro Meira, relator, destacou que a Portaria 80 do Ministério da Fazenda é ilegal e que o Decreto-lei 94/1966, que autorizava a cobrança do IR sobre a venda de imóveis herdados, foi revogado pela Lei n. 3.470/58. Com isso, a tributação não pode ser efetivada.

Ainda sobre o tema “lucro”, mas com interesse das empresas, o STJ definiu não ser possível a cobrança do IR sobre o lucro inflacionário acumulado pelas empresas, pois ele constitui apenas uma correção. O “Leão” deve incidir sobre o lucro real, o resultado da atividade econômica, que servirá de base para a cobrança do IR, da contribuição social sobre o lucro e do imposto sobre o lucro líquido.

Outra decisão do STJ relacionada a empresas prevê a impossibilidade de revogar ou alterar benefício que concede isenção de imposto de renda por prazo certo e sob condição onerosa (obrigatoriedade de o beneficiado instalar, modernizar, ampliar ou diversificar áreas apontadas por entidade pública).

O Leão em casos especiais

A incidência ou não do IR em caso de concessão de bolsa de estudos e pesquisa encontra no STJ decisões específicas aos recursos que chegam à Corte, ou seja, com análise de outras características, e não apenas do benefício em si. Em 2006, o Tribunal decidiu pela isenção dos valores recebidos por meio de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo a ministra Denise Arruda, relatora do processo, neste caso, a isenção existe porque os resultados da atividade (estudo ou pesquisa) não representam vantagem ao doador (CNPq), tampouco exigem uma contraprestação de serviços, situação diferente da que ocorre quando o beneficiado tem vínculo empregatício com o órgão concedente.

O vínculo empregatício foi uma das questões que definiu o julgado da Segunda Turma do Tribunal a respeito do pedido de isenção de imposto de renda sobre o que um servidor do Banco Central do Brasil (Bacen) recebeu a título de bolsa de estudos em programa de pós-graduação no exterior mantido pelo órgão. A Turma concluiu de forma diferente do julgado com relação à bolsa do CNPq, pela incidência do imposto. Para a relatora do caso, a ministra Eliana Calmon, no caso, é evidente que a verba recebida a título de bolsa de estudos é o salário do servidor, já que ele permaneceu com seu vínculo empregatício, apenas substituindo suas atividades laborais pelas acadêmicas.

“Ora, sequer pode-se falar em doação se o vínculo entre o servidor e o Banco Central permaneceu inalterado, se a bolsa de estudos constituía o próprio salário recebido até então, se é nítida a vantagem que representa para a instituição financeira a presença de um funcionário pós-graduado em seus quadros”, ressaltou a ministra. Para ela, no caso, o que mudou foi apenas a contraprestação que o Bacen concordou aceitar pelo pagamento do salário: o aprimoramento acadêmico do servidor e a reversão à instituição dos respectivos resultados dessas atividades.

Quanto a pedidos de redução de alíquotas de imposto de renda, o Superior Tribunal também tem julgados. A Corte definiu que laboratórios de análises clínicas, prestadoras de serviços de diagnósticos médicos e clínicas de oftalmologia não têm direito à redução do percentual de 32% para 8% para recolhimento ao “Leão”. Segundo os ministros, a alíquota reduzida é direito apenas das instituições que prestam serviços hospitalares, envolvendo, por exemplo, a internação de pacientes.

Os laboratórios e as clínicas oftalmológicas, de acordo com a Corte, estão inseridos na categoria de serviços médicos, diferentes dos hospitalares, pois não incluem a internação de pacientes. E os laboratórios de diagnóstico médico teriam que provar que realizam a internação de pacientes para tratamento de saúde, com oferta de todos os procedimentos exigidos para, assim, poderem recolher o IR com a alíquota menor.

Além dos vários julgados sobre a incidência do IR, o Superior Tribunal lançou, ainda, cinco súmulas (entendimentos pacificados pela Corte) sobre o tema: súmulas 125, 184, 136, 215 e 262, com assuntos diversos, desde férias, licença-prêmio até atividades de cooperativas. Vale conferir.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h29
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FRASE DO DIA:
 
"Eu quero que me perdoe por ter sido bom pra você"
 
Thales Pan Chacon em "Eu sei que vou te amar" de Arnaldo Jabor.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h21
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THE UNREASONABLE MAN

Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo

by André Forastieri

Em 1973, Dilma Rousseff terminava uma temporada de três anos de cana. Era guerrilheira, o governo chamava de terrorista. Lá foi torturada e judiada. Tinha 26 anos. 

Em 1974, com o começo da ditadura militar de Augusto Pinochet, José Serra deixou o Chile, onde fez mestrado em economia e lecionou, para fazer doutorado na universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Tinha 31 anos. 

Ambos foram jovens radicais. Diferença mínima de idade. Ela aderiu à luta armada contra a ditadura militar, ele não. Hoje são tiozinhos. Ela é ministra, ele governador. Ambos com chances de ser o próximo presidente. O atual disse que o Brasil tem sorte de poder escolher entre tantos candidatos bons. Os outros são Ciro e Aécio. Todos mais esquerdistas ou menos.

Quando eu nasci era o general Humberto Castelo Branco. Dei tchauzinho para o Galaxy preto do Médici numa visita do ditador a Piracicaba. Tive um álbum de figurinhas com o ministério todo do Geisel, foi difícil conseguir Shigeaki Ueki e Reis Velloso. Vi espantado o Figueiredo puxando ferro de sunguinha na capa da revista Manchete. Assisti sem botar fé a campanha pró-diretas e a eleição indireta. E quando chegaram as diretas, elegemos Collor. 

De verdade? Os quatro candidatos atuais, no contexto histórico, até que são bem razoáveis. Aliás, FHC e Lula também. Podia ser beeem pior, e lembro quando era.

É o suficiente? Não. Tá louco? Devia ser muuuito melhor. Se eu for começar a criticar, nem sei por onde começar.

Mas o problema não são as pessoas, é a lei. Diz que tem que ter mais de 35 anos para se candidatar. 

Eu digo que tem que ter menos de trinta. Depois dos trinta a gente já passou por tanta desgraça que abençoa  qualquer refresco. Depois dos quarenta, nem conto pra não te desanimar. Vamos ficando - oh, céus - razoáveis. Vale para eleitores e eleitos. Congressista vá lá ser coroa, o lance dos caras é digerir, negociar, demorar. Combina com meia-idade. Presidente é o capitão do time, tem que ter bravura, senso de sacrifício e muita irresponsabilidade. É outra história.

Ninguém escreveu melhor que George Bernard Shaw:

The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him. The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself. All progress depends on the unreasonable man.”

Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo. Escolha o seu. Na próxima eleição, infeizmente serei obrigado a manter minha política habitual: eu não voto.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 02h19
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MANUAL DE TORTURA DA CIA REVELADO

do El País
 
Os métodos de interrogatório criados sob o governo Bush admitiam com todo detalhe a asfixia simulada ou encerrar o detido em uma caixa com insetos

Os interrogadores da CIA sabiam do pânico de insetos de Abu Zubaydah, suspeito de pertencer à Al Qaeda, e idealizaram a forma mais simples de fazê-lo falar: alimentar suas fobias. "Informem a Zubaydah que vão meter um bicho na caixa em que ele está encerrado."
 
Essa recomendação para extrair informações do suspeito está contida em um dos quatro documentos até agora secretos, divulgados esta semana e redigidos pelos advogados de George W. Bush no Departamento de Justiça para justificar os métodos usados pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) para interrogar prisioneiros na guerra contra o terrorismo.
 
Paul J. Richards/AFP
  • Correntes para prender os pés dos presos em Guantánamo
Mas os arquitetos da doutrina do terror sabiam que beiravam a ilegalidade, que precisavam criar um manual de tortura que não pudesse ser legalmente definido como tal, e por isso todas as técnicas aprovadas chegam até o limite do que se considera (ou eles consideravam) tratamento cruel ou desumano, proibido pela Oitava Emenda da Constituição dos EUA.

Por isso, a recomendação seguinte aos agentes da CIA é lhes dizer que em vez de um inseto venenoso colocassem na caixa (outra técnica recomendada para quebrar a vontade do detido) de Zubaydah uma inofensiva minhoca. Essa técnica de interrogatório nunca foi posta em prática. O coordenador dos mujahedin no Afeganistão se livrou de ser trancado em uma caixa hermética cheia de insetos. Mas existe em preto no branco.

Como existe o "waterboarding", ou asfixia simulada, que foi utilizada para tirar informação de Zubaydah. Deitado sobre uma tábua de boca para cima, com os pés mais elevados que a cabeça, com uma toalha ou pano lhe cobrindo a boca, despejava-se água sobre o detido de uma altura de 30 cm durante 30 ou 40 segundos. "A sensação de afogamento é imediata quando se retira o pano", lê-se em um dos relatórios.

"O objetivo é causar pânico", acrescenta. Recomenda-se que o processo seja repetido quantas vezes for necessário. Também está anotado que o "waterboarding" é muito mais eficaz se for aplicado juntamente com a privação de sono ou a manipulação da dieta.

Tempos obscuros na história dos EUA que hoje vêm à luz. "Nosso país atravessou um capítulo negro e doloroso de sua história", declarou Barack Obama depois de se conhecer a publicação dos relatórios do Departamento de Justiça. Um capítulo que se encerra sem punição, já que o presidente decidiu não levar os responsáveis aos tribunais. "Aqueles que cumpriram com suas obrigações confiando de boa fé na assessoria legal do Departamento de Justiça não serão indiciados", declarou Obama. "Já pus um ponto final nas técnicas descritas nos relatórios", concluiu o presidente.

O debate interno até chegar à decisão de revelar os relatórios e não julgar os responsáveis por eles foi intenso dentro da Casa Branca. "É hora de refletir e não de castigar", reiterou o presidente em um comunicado e em uma carta enviada aos agentes da CIA, na qual lhes afirmou que o país deveria proteger suas identidades "tanto quanto eles protegem nossa segurança".

"Seria injusto processar os dedicados homens e mulheres que trabalharam para proteger a América por uma conduta que foi autorizada pelo Departamento de Justiça", manifestou no mesmo sentido o promotor-geral (ministro da Justiça) dos EUA, Eric Holder. Leon Panneta, atual diretor da CIA, escreveu em uma mensagem a seus funcionários: "A CIA responde segundo o dever exige".
 
Dennis C. Blair, diretor da Inteligência Nacional, minimiza o assunto e lembra que esses relatórios foram escritos quando os homens da CIA trabalhavam freneticamente para evitar que ocorresse um novo 11 de Setembro. "Esses métodos, lidos em uma ensolarada e segura manhã de abril de 2009, perturbam e parecem terríveis", declarou Blair esta semana. "Mas sem dúvida nenhuma defenderei aqueles que os redigiram na época."

Os quatro memorandos descrevem graficamente e com luxo de detalhes os métodos brutais que a CIA utilizou nas prisões secretas que o órgão tinha espalhadas pelo mundo em cerca de 200 detidos que, entre 2002 e 2005 (época a que pertencem os relatórios), foram considerados terroristas que dispunham de informação vital sobre as operações da Al Qaeda.

Baseando-se nessas técnicas, os interrogadores despiam, algemavam e cobriam a cabeça dos detidos antes de interrogá-los. Quando o interrogatório começava, o agente da CIA descobria o rosto do suspeito. Se este não fosse cooperativo, abria-se o catálogo de horrores.

Os relatórios recomendam esbofetear com a mão aberta: "produz surpresa, susto e humilhação"; lançar o detido contra uma falsa parede (técnica chamada de "walling"): "não se trata tanto de causar dano como de assustar diante do impacto e do ruído que produz"; obrigada a adotar "posições estressantes"; amarrar o detido à parede com uma coleira de plástico; tirar sua comida; impedi-lo de dormir (até no máximo 180 horas, sete dias e meio); tirar toda a sua roupa e só permitir que use uma fralda à noite.

Algumas dessas técnicas, como despir o detido, privá-lo do sono ou colocar um capuz em sua cabeça são proibidas no Manual de Campo do Exército dos EUA. Apesar disso, entre 2002 e 2005 o Departamento de Justiça autorizou os agentes da CIA a aumentar a pressão sobre os detidos como Zubaydah em nome da segurança nacional, recorrendo a métodos de interrogatório que inclusive hoje os próprios EUA consideram tortura.
 


Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h16
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POUPANÇA NO PAU
 
Lula teme dano político do "abacaxi" da poupança
 
by Kennedy Alencar, colunista da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a equipe econômica o meteu numa enrascada política. Não previu que a queda dos juros básicos exigiria mudança na rentabilidade da caderneta de poupança - expediente sagrado e consagrado dos mais pobres para economizar.

Lula chora o leite derramado, segundo relato de auxiliares que discutiram o assunto com ele nos últimos dois meses. O presidente avalia que os integrantes do CMN (Conselho Monetário Nacional) dormiram no ponto. São eles os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que também tem status de ministro.

Se a taxa básica de juros, a Selic, cair para menos de 9% ao ano, a caderneta de poupança deverá render mais do que os tradicionais fundos de investimentos, procurados pelas classes alta e média. Hoje, a Selic está em 11,25% ao ano.

O rendimento da poupança é previsto em lei: 6% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial), isentos de impostos. Tributados, os fundos são remunerados com base nos juros de mercado.

O governo deseja evitar uma migração maciça para a poupança, o que esvaziaria os fundos, fundamentais para a rolagem da dívida pública. A rentabilidade da grande maioria deles tem a ver com os títulos públicos.

Se o CMN tivesse sido previdente, Lula acha que poderia ter sido apresentada no ano passado uma alteração no cálculo de rendimento da poupança dentro de um pacote de modificações da herança de indexação da economia. Ou seja, seria um detalhe num plano maior.

Agora, mudar a poupança soará a uma tungada nos mais pobres. Ou seja, ganharam menos a vida toda em nome da segurança, mas, quando poderiam ganhar mais, a poupança deverá mudar.

Isso é um problema e tanto para quem deseja vitaminar a potencial candidatura ao Palácio do Planalto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Lula está quebrando a cabeça. O presidente disse que o CMN lhe deixou com um "abacaxi para descascar". Ele tem cobrado de Mantega, Bernardo e Meirelles uma solução defensável política e eleitoralmente. Até agora há algumas alternativas, desde criar faixas diferenciadas de rendimento à cobrança de Imposto de Renda dos grandes poupadores. Mas ainda não surgiu uma solução de agrado do presidente da República e de sua virtual candidata. Talvez não surja. E o governo terá de pagar o preço político-eleitoral.



Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h15
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"R" DE RECUPERAÇÃO
 
Leia AQUI para um excelente texto sobre a mais recente recuperação de Ronaldo Fenômeno.


Escrito por Eduardo Lorenzo às 13h14
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POUPANÇA NO PAU
 
Modificação na poupança opõe
técnicos e políticos no governo

 
Diante de resistências para mexer na poupança, o governo busca uma solução intermediária que possibilite manter um retorno que proteja o pequeno investidor, mas que não estimule a entrada de grandes aplicadores vindos dos fundos de investimento. Com a redução dos juros, o retorno de 6% da poupança fica mais atraente do que o dos fundos.

A primeira alternativa discutida, que conta com apoio na área política do governo federal, foi punir os grandes aplicadores, cobrando Imposto de Renda a partir de um determinado valor - até a semana passada, falava-se em R$ 100 mil.

O imposto, no entanto, só poderá incidir a partir de 2010 e não resolve o problema atual da migração de dinheiro dos fundos para a poupança. Foi aventada a hipótese de criar uma contribuição, que pode entrar em vigor em 90 dias.

Proposta por técnicos da equipe econômica, o fim da TR e a criação de um percentual da taxa Selic como rendimento da poupança - como os bancos fazem com os CDBs- encontram resistência na área política, pela dificuldade de implementação e por mexer no financiamento imobiliário (65% dos recursos vão para o setor) e na correção do FGTS (sensível aos sindicatos e fonte de recursos para obras de infraestrutura e de saneamento).

A ideia é instituir um percentual como 55% da Selic, que daria um rendimento líquido, por exemplo, de 5,6% ao ano - hoje, o rendimento fica em 6,17%.

Ganha força entre os políticos a proposta de limitar a entrada de grandes depósitos na poupança, instituindo uma espécie de teto para as aplicações, como já acontece no Tesouro Direto, site do governo que vende títulos públicos. No site, as aplicações mensais são limitadas a R$ 400 mil.

Outra possibilidade seria criar diferentes faixas de rendimento, com retorno menor para os grandes aplicadores.

Proteção aos pequenos

Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo ainda estuda como mexer na poupança. "Certamente não vamos prejudicar os poupadores. Protegeremos os que têm menor patrimônio; não podemos permitir que haja uma fuga dos grandes investidores para essa aplicação. Vamos fazer uma adaptação às nossas condições", disse.

Com um dos juros nominais mais altos do mundo, a revisão da poupança era uma "bomba-relógio" que só deveria ser desarmada após 2011, quando o país passasse a ter "juros civilizados", comparados aos padrões internacionais. A crise financeira global, porém, antecipou essa discussão.

Segundo José Dutra Vieira Sobrinho, especialista em matemática financeira, a TR é uma daquelas "jabuticabas" - só existem no Brasil -, incompreensíveis para qualquer outra realidade de mercado.

No caso, a TR é calculada a partir da média do pagamento dos CDBs dos 30 maiores bancos, que depois sofre ação de um redutor cuja lógica é retirar o efeito dos tributos, entre outros componentes dos CDBs.

"Vamos ver se, desta vez, o governo não vem com uma solução tampão para a poupança. Poderia aproveitar a ocasião e arrumar de vez esse problema."



Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h39
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 SOBRE A EFEMERIDADE DAS MÍDIAS

por Umberto Eco
do New York Times

No encerramento da Escola para Livreiros Umberto e Elisabetta Mauri, em Veneza, falamos, entre outras coisas, sobre a efemeridade dos suportes da informação. Foram suportes da informação escrita a estela egípcia, a tábua de argila, o papiro, o pergaminho e, evidentemente, o livro impresso. Este último, até agora, demonstrou que sobrevive bem por 500 anos, mas só quando se trata de livros feitos de papel de trapos. A partir de meados do século 19 passou-se ao papel de polpa de madeira, e parece que este tem uma vida máxima de 70 anos (com efeito, basta consultar jornais ou livros dos anos 1940 para ver como muitos deles se desfazem ao ser folheados).

Portanto, há muito tempo se realizam congressos e se estudam meios diferentes para salvar todos os livros que abarrotam nossas bibliotecas: um dos que têm maior êxito (mas quase impossível de realizar para todos os livros existentes) é escanear todas as páginas e copiá-las para um suporte eletrônico.

Mas aqui surge outro problema: todos os suportes para a transmissão e conservação de informações, da foto ao filme cinematográfico, do disco à memória USB que usamos no computador, são mais perecíveis que o livro. Isso fica muito claro com alguns deles: nas velhas fitas cassete, pouco tempo depois a fita se enrolava toda, tentávamos desemaranhá-la enfiando um lápis no carretel, geralmente com resultado nulo; as fitas de vídeo perdem as cores e a definição com facilidade, e se as usarmos para estudar, rebobinando-as e avançando com frequência, danificam-se ainda mais cedo.

Tivemos tempo suficiente para ver quanto podia durar um disco de vinil sem ficar riscado demais, mas não para verificar quanto dura um CD-ROM, que, saudado como a invenção que substituiria o livro, saiu rapidamente do mercado porque podíamos acessar online os mesmos conteúdos por um custo muito menor. Não sabemos quanto vai durar um filme em DVD, sabemos somente que às vezes começa a nos dar problemas quando o vemos muito. E igualmente não tivemos tempo material para experimentar quanto poderiam durar os discos flexíveis de computador: antes de podermos descobrir foram substituídos pelos CDs, e estes pelos discos regraváveis, e estes pelos "pen drives".

Com o desaparecimento dos diversos suportes também desapareceram os computadores capazes de lê-los (creio que ninguém mais tem em casa um computador com leitor de disco flexível), e se alguém não copiou no suporte sucessivo tudo o que tinha no anterior (e assim por diante, supostamente durante toda a vida, a cada dois ou três anos), o perdeu irremediavelmente (a menos que conserve no sótão uma dúzia de computadores obsoletos, um para cada suporte desaparecido).

Portanto, sabemos que todos os suportes mecânicos, elétricos e eletrônicos são rapidamente perecíveis, ou não sabemos quanto duram e provavelmente nunca chegaremos a saber. Enfim, basta um pico de tensão, um raio no jardim ou qualquer outro acontecimento muito mais banal para desmagnetizar uma memória. Se houvesse um apagão bastante longo não poderíamos usar nenhuma memória eletrônica.

Mesmo tendo gravado em meu computador todo o "Quixote", não o poderia ler à luz de uma vela, em uma rede, em um barco, na banheira, enquanto um livro me permite fazê-lo nas piores condições. E se o computador ou o e-book caírem do quinto andar estarei matematicamente seguro de que perdi tudo, enquanto se cair um livro no máximo se desencadernará completamente.

Os suportes modernos parecem criados mais para a difusão da informação do que para sua conservação. O livro, por sua vez, foi o principal instrumento da difusão (pense no papel que desempenhou a Bíblia impressa na Reforma protestante), mas ao mesmo tempo também da conservação.

É possível que dentro de alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, quando todos os suportes eletrônicos tiverem sido desmagnetizados, continue sendo um belo incunábulo. E, dentre os livros modernos, os únicos sobreviventes serão os feitos de papel de alta qualidade, ou os feitos de papel livre de ácidos, que muitas editoras hoje oferecem.

Não sou um conservador reacionário. Em um disco rígido portátil de 250 gigabytes gravei as maiores obras-primas da literatura universal e da história da filosofia: é muito mais cômodo encontrar no disco rígido em poucos segundos uma frase de Dante ou da "Summa Theologica" do que levantar-se e ir buscar um volume pesado em estantes muito altas. Mas estou feliz porque esses livros continuam em minha biblioteca, uma garantia da memória para quando os instrumentos eletrônicos entrarem em pane.


Umberto Eco

Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".


Escrito por Eduardo Lorenzo às 12h18
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